terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Cientistas detectam ondas gravitacionais criadas por evento raro

Desde que começou a operar, em 2015, o Observatório Ligo detectou dezenas de eventos cósmicos que propagaram ondas gravitacionais pelo espaço. Praticamente todos eles consistem em buracos negros se fundindo, com exceção de dois. Em agosto de 2017, cientistas captaram pela primeira vez uma colisão entre duas estrelas de nêutrons. Quase dois anos depois, conseguiram um novo registro do fenômeno.

Na última segunda-feira (6), pesquisadores anunciaram a segunda detecção desse evento raro durante o 235º encontro da Sociedade Astronômica Americana em Honolulu, no Havaí. Ele foi observado no dia 25 de abril de 2019 por apenas um dos dois interferômetros que compõem o Ligo — instrumentos de altíssima sensibilidade em forma de L que usam lasers para perceber a ligeira distorção que as ondas gravitacionais provocam no espaço-tempo.

Na ocasião, só o observatório de Livingston, nos Estados Unidos, coletou dados sobre a violenta colisão: seu irmão gêmeo de Hanford, em Washington, estava temporariamente desligado. Nem mesmo a instalação parceira que faz parte do mesmo projeto que envolve milhares de cientistas, o Virgo, na Itália, pôde sentir o evento, mas isso ajudou a determinar onde exatamente ele ocorreu. Foi a 500 milhões de anos-luz daqui.

Só que esse impasse acabou comprometendo a precisão das estimativas. Sem poder triangular as informações, deu para delinear uma área de 20% do céu de onde o sinal pode ter vindo. Já para a primeira colisão de estrelas de nêutrons, que entrou para a história como o primeiro fenômeno cósmico observado ao mesmo tempo em ondas gravitacionais e na radiação eletromagnética, com o brilho estudado por vários telescópios, o pedaço foi de 0,04%.

Apesar de não ter sido tão bem documentado, o evento de 2019 se mostrou igualmente valioso para os cientistas por ter revelado algo inusitado: o objeto que surgiu da fusão entre as estrelas de nêutrons é muito mais massivo do que se esperava. É mais provável que o astro forjado pela união dos dois compactos sóis, restos mortais ultradensos de estrelas que explodiram, tenha sido um buraco negro com 3,4 vezes a massa do nosso Sol.

Até o momento, todas as duplas de estrelas de nêutrons já encontradas não tinham mais de 2,9 massas solares. Agora os cientistas terão que formular possíveis explicações para a observação inesperada. Uma das ideias sugere que a colisão não teria envolvido duas estrelas de nêutrons, e sim uma estrela de nêutrons e um buraco negro. Mas esse cenário também não faz muito sentido. É que, se o outro objeto fosse um buraco negro, a situação incorreria em problema parecido: ele seria muito mais leve que o previsto.

Outro ponto que o evento de 2019 não foi capaz de esclarecer foi a origem do sistema. As duas teorias principais sugerem que ou ele se forma a partir de duas estrelas massivas que já se orbitavam antes de explodir, ou de um par de estrelas de nêutrons que se juntam em regiões de alta densidade estelar. Nos próximos anos, mais desses eventos flagrados pelo Ligo e pelo Virgo permitirão coletar mais dados e criar novos modelos que expliquem estes e outros mistérios envolvendo as fascinantes estrelas de nêutrons.


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Afinal, o que são deepfakes?

Nesta terça-feira (7), o Facebook anunciou que vai começar a banir vídeos com deepfake da sua plataforma. O anúncio, divulgado em um blog da empresa, afirma que conteúdos do tipo manipulam a realidade, e são um grande desafio para a indústria tecnológica.

A nova política acontece em ano de eleições presidenciais nos Estados Unidos. Os vídeos serão excluídos caso as edições não estejam óbvias para o usuário ou se levarem o espectador a acreditar que uma pessoa tenha dito coisas que, na verdade, nunca disseram. 55 checadores, que falam 45 idiomas diferentes, serão os responsáveis por analisar e sinalizar os vídeos falsos – a medida não inclui sátiras e outros produções humorísticas.

Não é a primeira vez que o Facebook se envolve no combate aos deepfakes. Em setembro de 2019, a empresa doou US$ 10 milhões para um fundo voltado a aprimorar as tecnologias de detecção desse tipo de material. Mas a companhia já também recebeu críticas por se recusar a retirar um vídeo falso da presidente da Câmara dos Deputados dos EUA, Nancy Pelosi, que viralizou no país no ano passado.

Deepfakes podem ser inofensivos. Neste vídeo, por exemplo, o rosto do ator Harrison Ford foi rejuvenescido e colocado em algumas cenas de Solo: Uma História Star Wars, do qual ele não participou. Mas, em muitos casos, podem ser perigosos e aumentar a desinformação, como manipular discursos de personalidades e chefes de Estado.

Até o próprio Mark Zuckerberg já foi vítima dos softwares de deepfake. No vídeo, o presidente do Facebook, em uma versão criada em computador, afirmava que o sucesso de sua plataforma era devido a uma parceria feita com uma organização secreta.

Mas afinal, o que são deepfakes?

Os deepfakes nada mais são do que vídeos criados a partir de inteligência artificial e que reproduzem a aparência, as expressões e até a voz de alguém do mundo real. O nome vem da junção de duas expressões em inglês: “deep learning” (“aprendizado profundo”) e “fake” (“falso”). Aprendizado o quê?

O “deep learning” é uma evolução das metodologias de aperfeiçoamento de inteligência artificial. Ela deriva do “machine learning”. O conceito, que veio junto com os primeiros avanços em inteligência artificial, nos anos 1950, quer dizer, literalmente, colocar um computador para aprender. A ideia é fazer o cérebro eletrônico estudar algoritmos até que entenda como ler dados e tomar decisões acertadas. É como se, vendo um mesmo filme várias vezes, ele pudesse reproduzir o que aprendeu fazendo uma história totalmente nova. A técnica possui várias aplicações, de um programa de recomendação de filmes e séries (alô, Netflix) aos vídeos manipulados.

“Os deepfakes surgiram nos anos 1990, ganharam fama por volta de 2014 e atingiram um pico de popularidade em 2017″, explica Hao Li, professor de Ciência da Computação na Universidade do Sul da Califórnia. Em dezembro do ano passado, ele participou da VFXRio, evento brasileiro sobre tecnologia e efeitos visuais.

Como eles são feitos?

Hao é um dos precursores da área, e trabalha há 15 anos no desenvolvimento de tecnologias que aumentem o realismo das projeções virtuais. Ele já atuou em empresas de efeitos visuais como a Weta Digital (de filmes como O Senhor dos Anéis) e a Industrial Light & Magic (Star Wars), além de comandar uma startup especializada em criar avatares do tipo.

No geral, os deepfakes são criados em duas etapas. Na primeira, o software capta imagens de referência da pessoa que será usada no vídeo (o presidente Donald Trump, por exemplo). Quanto mais imagens, maior será a precisão. “O ideal é criar um banco de dados com várias formas e ângulos do rosto”, diz Hao.

Depois, é a vez de gravar os movimentos de uma segunda pessoa, que será a base (ou o molde) para o deepfake. Por fim, a inteligência artificial tem a missão de unir as duas coisas para criar o vídeo falso. No exemplo abaixo (cujo vídeo você pode conferir clicando na imagem), as imagens captadas de Trump foram inseridas no molde, feito a partir do vídeo de imitação:

<span class="hidden">–</span>Pinscreen/Reprodução

No passado, a manipulação de rostos digitais era uma técnica restrita a profissionais de efeitos visuais. A ideia do deepfake é que, com inteligência artificial, todo o trabalho seja feito por meio de softwares. Um programa da Samsung, por exemplo, consegue criar vídeos falsos com apenas uma imagem de referência. Já o Zao é um app chinês que faz com que o seu rosto seja transportado para uma cena de filme ou série – basta tirar uma selfie.

Quais as suas aplicações?

A aplicação mais famosa para este tipo de manipulação são os efeitos cinematográficos. Em 2019, filmes como Projeto Gemini e O Irlandês usaram técnicas similares para rejuvenescer os atores. Gemini, em especial, criou uma versão mais jovem do ator Will Smith, que contracenou com sua versão mais velha, de carne e osso.

“Os deepfakes podem ser usados também em dispositivos de realidade virtual, ou para criar sistemas de chats com interações mais realistas”, lembra Hao. A Fundação Carnegie, em um vídeo sobre o tema, diz que a tecnologia também pode ser usada para dar acessibilidade a pessoas com esclerose lateral amiotrófica, permitindo que pacientes criem cópias digitais da sua voz para ajudá-los quando não conseguirem mais falar.

Quais são os perigos envolvendo deepfakes?

A alta na popularidade dos deepfakes em 2017 apontada por Hao tem motivo. Naquele ano, um usuário do fórum Reddit criou um software de deep learing que permitia ao usuário trocar o rosto de uma atriz de filme pornô pelo de celebridades. O programa analisava milhares de imagens de atrizes, modelos e cantoras para criar um padrão de rosto para cada uma. Depois, era só jogar no video desejado e ter um filme protagonizado por quem quer que fosse.

A partir daí, diversas campanhas surgiram para alertar sobre os perigos da tecnologia, que se tornou uma espécie de versão turbinada das já conhecidas fake news (“notícias falsas”, em inglês). Esta aqui, por exemplo, foi feita pelo BuzzFeed, e é “estrelada” por uma versão falsa do ex-presidente dos EUA Barack Obama.

Os vídeos falsos, então, possuem uma série de maus usos: eles podem humilhar, chantagear ou difamar alguém, atacar organizações, incitar violência política, cancelar acordos diplomáticos e até fraudar eleições.

Deepfakes devem ser proibidos?

Apesar do desenvolvimento até aqui, vamos que combinar que, olhando com atenção, mesmo os vídeos falsos falsos mais convincentes conseguem ser desmascarados. Em setembro de 2019, Hao deu uma entrevista ao canal norte-americano CNBC, em que afirmava que deepfakes “perfeitamente reais” começariam a surgir dali a seis meses. “Eu mantenho essa previsão e digo mais: isso já está acontecendo.”

Para o professor, o grande entrave dos deepfakes é a resolução: em baixa qualidade, eles podem confundir, mas quando a resolução aumenta, as imperfeições ficam expostas. “No entanto, já existem pesquisas em desenvolvimento para criar deepfakes em alta definição”, disse Hao. Ele cita um teste feito pelo sua própria empresa, a Pinscreen – também com Donald Trump, feita a partir de uma imitação do ator Alec Baldwin. Veja abaixo:

Em meio a isso, surge o debate: se os deepfakes podem ser tão perigosos, eles não deveriam ser proibidos?

“Eu sou contra a generalização, e acho que nem tudo deve ser proibido”, defende Hao, que traz como exemplo o seu trabalho no filme Velozes e Furiosos 7, no qual ele foi um dos responsáveis pela reencenação digital do ator Paul Walker, que morreu durante as gravações. “A família de Paul estava de acordo e ajudou durante o processo. Tudo foi feito como uma forma de homenageá-lo – e funcionou”.

A tecnologia dos vídeos falsos evolui em uma velocidade muito maior que a lei – o que impede a criação de uma única norma que os regule. Dessa forma, Hao, assim como boa parte dos especialistas, defende que mais de uma medida deve ser tomada em relação os deepfakes. “O ideal seria que os países criassem organizações que digam o que é aceitável e o que deve ser proibido.” Deepfakes em vídeos pornôs, nem pensar.

Além disso, é preciso aprimorar os algoritmos e técnicas de reconhecimento de vídeos falsos, o que facilitaria o combate a conteúdos nocivos. Projetos de lei que determinem os parâmetros para o compartilhamento também poderão ajudar plataformas de mídias sociais a atualizar suas políticas internas. Se organizar direito, ninguém cai em mentira.


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O que é periodontite: sintomas, causas, tratamento e prevenção

A periodontite, ou doença periodontal, é o estágio mais avançado da gengivite, que geralmente vem de uma higiene bucal inadequada. Mau hálito, sangramentos na boca, escurecimento da gengiva estão entre os sintomas. Para tratar o problema, o dentista chega a usar anti-inflamatórios, antibióticos e até pequenas cirurgias. Conheça seus detalhes abaixo:

Como surge a periodontite

Após anos de gengiva inflamada (resultado da gengivite), os danos se estendem para o periodonto, tecido que fica entre os dentes e a mandíbula. Com isso, o dente vai perdendo o suporte e uma hora cai. Detalhe: esse transtorno só costuma trazer dor quando está em fase avançada, o que dificulta seu diagnóstico.

Para piorar, as bactérias e substâncias inflamatórias que desencadeiam a periodontite podem parar na corrente sanguínea. Aí, provocam uma série de encrencas pelo corpo.

Há, por exemplo, uma associação entre periodontite e infarto. Também se estuda sua ligação com certos tipos de câncer.

Mulheres são mais propensas a desenvolver a enfermidade porque a gengiva feminina está sujeita a variações hormonais do ciclo menstrual, da gravidez, da menopausa…

Esse sobe-e-desce de hormônios interfere, entre outras coisas, na intensidade de processos inflamatórios, como o da periodontite.

Sintomas e sinais

  • Mau hálito
  • Inflamação gengival
  • Sangramentos na boca (especialmente durante a escovação)
  • Gengivas com cor mais escura
  • Dores

Causas e fatores de risco da periodontite

  • Gengivite
  • Obesidade
  • Histórico familiar
  • Tabagismo
  • Medicamentos que reduzem a produção de saliva
  • Consumo excessivo de bebidas alcoólicas
  • Doenças que afetam o sistema imunológico, como a aids
  • Diabetes
  • Alterações hormonais

Como prevenir

A regra básica é marcar visitas regulares ao dentista — a frequência exata varia de pessoa para pessoa. Esse profissional flagra uma eventual gengivite nos seus primeiros passos, antes que evolua para a periodontite.

E, claro, não dá para se esquecer da higiene bucal. O uso de escova de dente e fio dental após cada refeição impede que as bactérias fixem moradia na gengiva.

O diagnóstico

Ele é feito no consultório. O dentista avalia o estado das gengivas, verifica se há sangramentos e pergunta sobre outros sintomas.

Entretanto, como a periodontite não acarreta dor em suas fases iniciais e muitas pessoas não visitam o odontologista, o diagnóstico tende a ser firmado tardiamente. Nessas situações, é preciso complementar a análise clínica com radiografias que medem a perda óssea.

Eventualmente, o especialista recorre até a uma sonda para checar a profundidade das cavidades na gengiva.

O tratamento da peridontite

Além de uma limpeza minuciosa no consultório, o dentista pode receitar anti-inflamatórios, antibióticos e bochechos com enxaguantes bucais antissépticos. Algumas vezes, é necessário fazer uma pequena cirurgia para higienizar as áreas mais prejudicadas da gengiva e do osso.

Infelizmente, o tratamento só controla o avanço da doença. Tecidos degenerados dificilmente são reconstruídos.


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Alimentos que causam prisão de ventre

O primeiro passo para vencer a prisão de ventre — problema que afeta cerca de 20 a 30% da população brasileira — é buscar ajuda médica. No entanto, é bom ter em mente que hábitos de vida inadequados, especialmente a alimentação, são os responsáveis pela constipação em boa parte das vezes.

Veja abaixo os principais componentes da dieta que estão por trás de um intestino preso. Para conhecer também os alimentos que ajudam a enfrentar esse problema, clique aqui.

Arroz branco

Se ele ocupar grande parte do prato, talvez o intestino se ressinta. “O arroz branco é pobre em fibras. Assim, ao ser consumido sozinho, é aproveitado praticamente em sua totalidade”, explica Ana Luísa Faller, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). E, se não gerar resíduos, o alimento não colabora para a formação do bolo fecal. De acordo com a especialista, isso é essencial para estimular o intestino. Melhor, então, optar pela versão integral.

“Mas as fibras podem vir de outros alimentos presentes na mesma refeição”, pondera Maria Tereza Beling, nutricionista que atende em consultório em Belo Horizonte e no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais. Daí a importância de recrutar leguminosas (como feijão), verduras e legumes no prato. Até sementes caem bem misturadas ao arroz.

Itens ricos em farinha refinada

Sabe o pãozinho branco do café da manhã, o macarrão do almoço e os biscoitos do lanche? Eles ajudam a trazer bastante farinha refinada para a rotina. O gastro e cirurgião Rodrigo Surjan, do Hospital 9 de Julho, na capital paulista, afirma que o ingrediente prejudica os movimentos intestinais e o fluxo da comida pelo órgão.

“Escolher alimentos desse tipo ainda leva à diminuição do consumo de opções mais saudáveis e ricas em fibras”, completa. Para driblar possíveis atravancos, o primeiro passo é preferir receitas com farinha integral e, claro, distribuir fontes fibrosas ao longo do dia.

Carne vermelha

Já notou como muita gente reclama de morosidade intestinal após um churrasco? “A carne vermelha tem uma digestão mais lenta quando comparada às demais”, explica Fabiana Aparecida Rasteiro, nutricionista do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

Fora isso, sua colega Andrea Esquivel, do Centro de Diagnóstico em Gastroenterologia, também na capital paulista, informa que, por ser pobre em fibras, o alimento é quase todo absorvido. “Assim, não gera volume fecal”, raciocina.

Além de evitar abusos, o recado é associar o bife a uma porção caprichada de salada. Não despreze o vinagrete.

Batata-inglesa sem casca

Se ela estiver cozida ou em formato de purê, atenção — ainda mais se for colocá-la ao lado do arroz branco e da carne vermelha. Aí é balde de água fria no pobre intestino. É que, de novo, não tem matéria-prima suficiente para fabricar as fezes — culpa do miserê de fibras. E, se o cocô não se forma direito, o órgão não tem nadica para empurrar adiante.

Andrea recomenda priorizar a batata rústica, feita com casca e no forno. Outra sugestão é botar couve, brócolis e outros vegetais na refeição. Só não precisa ser radical. “Em uma dieta equilibrada, não há nenhuma indicação de retirar a batata do dia a dia”, frisa Maria Tereza.

Refris e refrescos

Hidratação é palavra de ordem para quem quer ter fezes bem formadas e que saiam do corpo sem esforço descomunal. Só que não adianta se entupir de refrigerantes e bebidas artificiais como néctares de frutas e refrescos. Eles são isentos de fibras e, para piorar, carregam elementos críticos à saúde, a exemplo de açúcar.

“Os refrigerantes ainda dão gases e distendem o estômago e o intestino”, ressalta Barbuti. “Eles não servem para nada. Só engordam”, afirma.

Aliás, o médico aproveita para desfazer um mito: o de que bebidas à base de cola são bacanas durante uma crise de diarreia. “Na verdade, pode até piorar o quadro”, comenta. Para a médica Elaine Moreira, da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), compensa muito mais apostar na água de coco, que devolve ao organismo os minerais eliminados com as fezes.

Quando a constipação é sintoma

Na maioria das vezes, a prisão de ventre é de causa primária — isto é, está ligada ao estilo de vida. Mas vale confirmar com o médico. “Já recebi paciente com queixa de constipação e, ao investigar, encontrei um câncer”, conta a médica Elaine, da FBG.

Hipotireoidismo e distúrbios neurológicos são exemplos de outras doenças capazes de se manifestar por meio do intestino preguiçoso. “Alguns remédios, como antidepressivos e anti-hipertensivos, também podem levar à constipação”, nota o gastroenterologista Sergio Alexandre Liblik, professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná.


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segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

A história real por trás do filme “1917”, que ganhou o Globo de Ouro

Nada de O Irlandês ou Coringa: quem levou o troféu de Melhor Drama no Globo de Ouro do último domingo (5) foi o longa 1917, que se passa durante um conflito na Primeira Guerra Mundial.

O prêmio foi considerado uma zebra: apesar de bem-avaliado pela crítica, o filme de Sam Mendes (Beleza Americana, 007 – Operação Skyfall) não estava entre os favoritos. Mendes, aliás, surpreendeu ao levar o troféu de Melhor Direção, desbancando nomes como Martin Scorsese (O Irlandês), Quentin Tarantino (Era Uma Vez em…Hollywood) e Bong Joon-ho (Parasita).

Se você só ouviu falar do filme depois da noite de premiação, não se sinta mal: no Brasil, ele só estreia no dia 20 de fevereiro. A trama, que mescla eventos reais com histórias fictícias, narra a história de Blake (Dean-Charles Chapman) e Schofield (George MacKay), dois soldados-mensageiros que recebem a missão de enviar um alerta para uma tropa britânica de mais de 1.600 homens. O pelotão acredita estar perseguindo parte do exército alemão, mas estão, na verdade, a caminho de uma emboscada.

O filme vem recebendo elogios sobretudo pelo esforço de retratar seus 117 minutos de duração em um único plano-sequência – é como se o longa fosse uma cena gigantesca, sem cortes. O mérito de Mendes é compartilhado com o diretor de fotografia Roger Deakins, que levou o Oscar no ano passado por Blade Runner 2049 e é um dos favoritos para a próxima edição do prêmio.

Veja o trailer abaixo:

1917 é inspirado em uma história real?

Sam Mendes trabalhou ao lado de um time de historiadores e consultores para uma representação fiel de diversos elementos históricos. E não poupou grana para isso. O orçamento do filme foi de US$ 100 milhões, e nas filmagens, que aconteceram no sudoeste da Inglaterra, a equipe de produção precisou cavar mais de 760 metros de trincheiras. Haja terra.

Boa parte do pano de fundo da história são acontecimentos reais. Um deles é a Operação Alberich, codinome para uma operação militar alemã que aconteceu entre os dias 9 de fevereiro e 20 de março de 1917. Foi, na verdade, uma retirada estratégica de tropas que estavam na região norte da França para a Linha Hindenburg, uma faixa de defesa do exército alemão que se estendia pelo noroeste do país.

A linha era menor e mais bem armada que o front anterior: possuía bunkers, metralhadoras fixas, malhas de arame farpado, túneis para tropas, trincheiras, clareiras e postos de comando. Sua construção começou em 1916 e, quando foi concluída, os soldados que estavam mais avançados recuaram (é possível visualizar essa movimentação neste mapa).

A Operação Alberich movimentou mais de 125 mil civis. O exército alemão deslocou todos eles por mais de 40 quilômetros, deixando pouquíssimas pessoas (e recursos) para trás. A estratégia era justamente esse: destruir o máximo possível para dificultar a vida dos Aliados, que viriam a ocupar aquele território. Cabos elétricos, canos de água, estradas, pontes e até aldeias inteiras – não sobrava nada. É a tática da “terra arrasada”.

História de família

Apesar do background fidedigno, a trama e os personagens de 1917 são inventados. Mas com um pequeno porém: para criar o filme, Sam Mendes se inspirou nas histórias contadas pelo seu avô, que lutou na Primeira Guerra.

Alfred H. Mendes nasceu em 1897 na ilha de Trinidad, no Caribe. Filho de imigrantes portugueses, decidiu se alistar no exército britânico aos 19 anos – o que não foi nem um pouco bem aceito pelos pais. Alfred passou dois anos lutando na Frente Ocidental da guerra. Na França, apaixonou-se por uma jovem chamada Lucille, mas em maio de 1918, seis meses antes do término do conflito, ele foi mandado de volta para casa após inalar gás venenoso.

O diretor Sam Mendes, em entrevista à Variety, conta que a ideia para 1917 veio de uma história que seu avô contava sobre “um mensageiro com uma mensagem para entregar”, sem dar muitos detalhes. O que se sabe é que Alfred recebeu uma medalha de destaque por sua participação na Batalha de Poelcappelle. Mesmo sem experiência, ele se voluntariou para entregar e receber relatórios de três companhias (unidades militares) que haviam perdido contato com a que ele pertencia.

A tarefa era complicada: era difícil transitar pela “Terra de Ninguém”, apelido dado para a região entre trincheiras – ou seja, no meio do fogo cruzado. Mas o vovô Mendes viveu para contar história.

Nos anos 1970, Alfred reuniu todas as suas memórias em uma autobiografia, publicada postumamente em 2002. Ele morreu em 1991, mas não antes de uma tentativa de reencontrar Lucille, sua paixão nos anos de guerra. Em 1950, ele tomou um trem para a França e conseguiu achá-la. Ela havia se casado, e possuía nove filhos. Pelo menos, a família insistiu para que Alfred passasse a noite por lá.


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Cientistas encontram evidências de vulcões ativos em Vênus

Vulcões são bem menos comuns do que se imagina. A maioria dos planetas do Sistema Solar já abrigou vulcões no passado, mas quase todos não estão mais em atividade. A Terra é o único planeta que comprovadamente possui atividade vulcânica até hoje. Algumas luas de Júpiter e Saturno, como Io e Encélado, também.

Agora, um estudo feito pela Associação de Universidades em Pesquisa Espacial descobriu lava expelida recentemente na superfície de Vênus. Sabe-se que a erupção ocorreu há poucos anos porque a lava endurecida está recoberta por um mineral que reage rapidamente com a atmosfera. Se eles ainda estão lá, é porque ainda não houve tempo da reação ocorrer.  

Até então, algumas estimativas apontavam que as últimas erupções em Vênus haviam ocorrido há mais de dois milhões de anos, enquanto outras sugeriam ao menos 250 mil anos. No entanto, o novo estudo publicado na Science propõe que as erupções tenham ocorrido há bem menos que mil anos.

Para chegar à conclusão, os pesquisadores estudaram cristais de olivina, um mineral encontrado nas rochas vulcânicas (isto é, na lava endurecida) da Terra e de Vênus. Eles recriaram a atmosfera e temperatura do planeta em laboratório e analisaram como o mineral se comportaria em tais condições. 

Os resultados mostraram que, nas condições climáticas presentes em Vênus, a rocha reage rapidamente com a atmosfera para formar outros minerais em sua superfície – como magnetita e hematita. Observações de satélite recentes de Vênus mostraram a presença de olivina sem os minerais indicados. Sinal de que ela foi expelida há pouco tempo e ainda não teve oportunidade de se transformar.

Se os vulcões de Vênus realmente estiverem ativos, ele se torna um excelente local para pesquisar e entender o interior de outros planetas do Sistema Solar. “Nós podemos estudar como os planetas resfriam e por que a Terra e Vênus possuem vulcanismo ativo, mas Marte não, por exemplo” disse o pesquisador Justin Filiberto, que liderou o estudo.

O vulcanismo é típico de corpos celestes que ainda estão quentes. Quanto menor é o astro, mais rápido ele esfria. A nossa Lua, por exemplo, também teve atividade vulcânica há 3 bilhões de anos, mas já resfriou tanto que hoje não há mais calor o suficiente para formar lava. Terra e Vênus ainda estão quentes, e por isso conseguem manter atividade vulcânica.

Io, lua de Júpiter, é o corpo mais ativo do Sistema Solar, mesmo sendo praticamente do mesmo tamanho da nossa Lua. Quase toda a superfície de Io é coberta por vulcões e lava. O motivo disso é seu “pai”. Por ser o maior planeta do Sistema Solar, Júpiter gera um campo gravitacional enorme, que deforma Io e faz suas camadas internas entrarem em fricção. Essa é a origem de tanto calor e vulcanismo.

Se a atividade vulcânica em Vênus for confirmada, essa seria só mais uma das semelhanças entre a Terra e nosso vizinho planetário. Em setembro de 2019, uma pesquisa mostrou que Vênus pode ter sido habitável há milhões de anos, inclusive com oceanos e atmosfera parecida com a nossa.


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5 dicas para emagrecer (e se manter magro) em 2020

Entre as resoluções de Ano Novo mais comuns está a de emagrecer. Então, sem delongas, resolvi trazer estratégias objetivas que contribuem para esse valioso projeto. Aí vão elas:

1. Comece algo que manterá por toda sua vida. Aquelas dietas com começo, meio e fim não costumam ser uma boa. Em vez de apostar nelas, conecte-se com você mesmo e fique atento ao que exagera no prato. Evite eleger um alimento (pão, por exemplo) ou um nutriente (carboidrato, por exemplo) como o bandido da história. Não existe alimento saudável, e sim alimentação saudável!

2. Se algum dia abusar, seja gentil com você. Todos nós exageramos em uma ou outra ocasião. Em vez de compensar no dia seguinte — comendo menos ou treinando mais —, simplesmente volte a um padrão saudável. Quando tentamos compensar um dia de comilança com outro de jejum intenso, perdemos a referência e começamos a gangorra do “comer tudo ou comer nada”. Esse vaivém o fará sofrer nos dois sentidos.

3. Quando estiver com muita vontade de comer um prato mais calórico, ritualize esse momento e consuma com o máximo de prazer. Programe o dia, a hora, o local, a companhia… Eu faço isso quando vou a restaurantes com a Luciana, minha esposa. E aproveito cada instante sem um pingo de culpa.

4. Qual bebida alcoólica é melhor para emagrecer? Se for consumir, escolha a sua predileta. Do ponto de vista calórico, o elemento que faz a diferença é o teor de álcool. Quanto maior ele for, mais calorias a bebida terá por mililitro ingerido. Essa informação é importante para adotar uma escolha consciente e alinhada com o seu projeto de emagrecimento.

5. Para fazer seu plano andar, escreva suas metas e as medidas que adotará para alcançá-las. Pode ser no celular ou em um pedaço de papel. O importante é que esse lembrete esteja visível durante as refeições. É mais ou menos como colocar o endereço de uma rua no GPS do carro: o mapa lembra você do trajeto e, em caso de um desvio em outro sentido, ele servirá de guia para retomar o percurso rumo ao seu destino.

Feliz Ano Novo!


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