terça-feira, 31 de março de 2020

Coronavírus: novos dados sobre grupos de risco

Portadores de doenças crônicas como diabetes e hipertensão, asma e indivíduos acima de 60 anos são os mais propensos a ter complicações e morrer de Covid-19. Pois um estudo recém-publicado no British Medical Journal (BMJ) traz novos dados sobre os tais grupos de risco do novo coronavírus, também chamado de Sars-Cov-2.

Os pesquisadores avaliaram 113 pessoas que morreram e outras 161 que se recuperaram da infecção na cidade de Wuhan, na China, onde a epidemia foi deflagrada. A idade média dos que vieram a óbito era de 68 anos, contra 51 nos curados.

Um fator de risco que chama a atenção é a hipertensão arterial, uma das comorbidades mais associadas às complicações fatais da Covid-19 até agora. Na pesquisa publicada no BMJ, 48% dos falecidos tinha pressão alta, ante 24% dos que se recuperaram — o dobro, portanto.

Entre os que morreram, 21% possuíam diabetes — esse número caiu para 14% entre os que ficaram bem. E 14% dos falecidos por causa do coronavírus sofriam com outras doenças cardiovasculares.

Provavelmente, os idosos estão mais suscetíveis às complicações do Sars-Cov-2 por causa de alterações no sistema imunológico naturais da idade. No caso dos males cardíacos, a circulação prejudicada e a debilidade dos pulmões parecem favorecer a agressividade da infecção.

Já o diabetes, principalmente o tipo 2, é um fator de risco para o agravamento de diversas infecções. Isso porque prejudica as defesas do organismo contra vírus, bactérias e afins.

Outros grupos de risco para o coronavírus

Embora não sejam abordados em profundidade no artigo citado acima, outros problemas são relacionados a complicações em decorrência do Sars-Cov-2. Asma, enfermidades hematológicas, doença renal crônica, imunodepressão (provocada pelo tratamento de condições autoimunes, como o lúpus, ou câncer) e obesidade também estão ligadas às mortes.

Para as doenças que atacam os pulmões, como asma e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), a relação é clara. Estamos falando de transtornos que já atrapalham a respiração. Nesse cenário, há acúmulo de secreção pulmonar e aumento da sensação de falta de ar.

Portadores da doença renal crônica também são incluídos pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como membros do grupo de risco da Covid-19. Isso porque os rins são responsáveis pela filtragem do sangue e participam da resposta imunológica frente à uma ameaça viral. Fora que a lesão desses órgãos geralmente vem de outras doenças crônicas associadas a sintomas graves da infecção, como hipertensão e diabetes.

Como os grupos de risco podem evitar coronavírus

Antes de tudo, redobre os cuidados com a prevenção. Os mais recomendados são:

  • Manter o isolamento social (evitando as saídas na rua)
  • Lavar as mãos com frequência por pelo menos 20 segundos
  • Evitar qualquer contato com pessoas que manifestam sintomas parecidos com os da gripe

Manter uma rotina de atividades físicas, boa alimentação, hidratação e sono é importante para reforçar as defesas. Por último, idosos e portadores de boa parte das doenças mencionadas fazem parte do público-alvo da Campanha Nacional de Vacinação Contra a Gripe, que já começou. Há datas específicas para cada grupo.

Apesar de não ter efeito contra o coronavírus em si, a injeção ajuda a proteger o sistema respiratório de uma sobrecarga provocada pelo vírus influenza, que agravaria quadros de Covid-19.


Coronavírus: novos dados sobre grupos de risco Publicado primeiro em https://saude.abril.com.br

Veja o que o telescópio Hubble avistou no dia do seu aniversário

Em 2020, o telescópio espacial Hubble, da Nasa, completa 30 anos em órbita. Ao longo de sua história, ele trabalhou 24 horas por dia, sete dias por semana, fotografando o espaço. E agora, disponibilizou para todos suas melhores imagens. 

Digitando o dia e o mês do seu aniversário, uma plataforma criada pela Nasa gera a imagem feita pelo Hubble naquele dia. Não é possível, contudo, escolher o ano, que é totalmente aleatório. As imagens vêm com uma breve explicação em inglês do que estava acontecendo no momento.

Para ver o que Hubble viu no seu dia, basta clicar aqui. O projeto viralizou nas redes sociais – e fez a NASA entrar nos assuntos mais comentados do Twitter: 

 

Lançado no dia 24 de abril de 1990, o telescópio Hubble é parte importante da história da NASA. Ele possibilitou o estudo detalhado de partes até então desconhecidas do universo, que estavam além de nossa galáxia.

Em comunicado, a agência espacial definiu o satélite como um de seus “observatórios mais valiosos e de maior longevidade”. Diversos eventos em comemoração estavam programados para acontecer ao longo de 2020, mas em razão da pandemia de Covid-19, todos foram adiados, sem novas datas definidas. Para contornar o problema, a Nasa prometeu liberar, com o tempo, o acesso a mais imagens, vídeos, documentários e conteúdos interativos exclusivos.


Veja o que o telescópio Hubble avistou no dia do seu aniversário Publicado primeiro em https://super.abril.com.br/feed

Ministério da Saúde tira dúvidas sobre coronavírus pelo WhatsApp

O Ministério da Saúde lançou recentemente um serviço de informações via WhatsApp sobre a Covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus (Sars-Cov-2). Por meio dele, a população e os profissionais de saúde podem conhecer melhor a infecção, as formas de contaminação e as recomendações de tratamento. Além disso, são desmentidas fake news relacionadas ao tema.

Para usar o canal, basta enviar uma mensagem no aplicativo para o número (61) 9938-0031. As respostas são fornecidas por um bot, tipo de robô treinado para fazer atendimento automático, que oferece um menu inicial com 10 opções diferentes e, a partir daí, direciona o usuário.

Entre os tópicos tratados no espaço estão o passo a passo para fazer o isolamento domiciliar de maneira correta e como saber qual o momento adequado de ir ao pronto-socorro em caso de suspeita da doença. Há uma seção exclusiva para profissionais de saúde, com o protocolo de tratamento do novo coronavírus.

O canal ainda fará o meio de campo para pessoas físicas ou jurídicas que desejem realizar doações financeiras destinadas ao controle da pandemia.

Mitos sobre o coronavírus

Os boatos envolvendo a Covid-19 chegaram ao Brasil bem antes dos primeiros casos. De curas milagrosas a uma invenção orquestrada em laboratório com fins escusos, muitas dessas histórias são aproveitadas de outras doenças, como a gripe.

De olho na popularidade dessas mensagens e na velocidade com que são espalhadas, o Ministério da Saúde também dedica um espaço em seu site para desmentir fake news relacionadas ao novo coronavírus. Em vez de proteger contra doenças, notícias falsas podem até colocar em risco a saúde das pessoas – como no momento em que estimulam a automedicação, para citar um exemplo.

Por isso, dê uma checada nesses canais e nos órgãos oficiais antes de apertar o botão ‘encaminhar’ no seu celular.

Para ajudar na disseminação de informações verdadeiras e respaldas pela ciência, a equipe da SAÚDE preparou uma série de imagens para você dividir com seus contatos no WhatsApp. Confira clicando aqui.


Ministério da Saúde tira dúvidas sobre coronavírus pelo WhatsApp Publicado primeiro em https://saude.abril.com.br

segunda-feira, 30 de março de 2020

O que fazer em caso de suspeita de coronavírus?

No dia 20 de março, o Ministério da Saúde declarou que o Brasil já apresentava transmissão comunitária do novo coronavírus (Sars-CoV-2). Em outras palavras, isso significa que toda pessoa com febre e sintomas respiratórios como coriza, tosse e falta de ar se enquadra como um potencial caso suspeito de Covid-19, a doença provocada por esse agente infeccioso. Antes disso, a definição valia somente para pessoas que viajaram ou tiveram contato com pacientes infectados. Sendo assim, quem apresenta um quadro similar ao de uma gripe deve ir ao hospital?

A orientação do Ministério da Saúde é: em caso de suspeita, fique em casa por 14 dias e só procure um hospital se o problema se agravar. A Organização Mundial da Saúde também indica isolamento domiciliar por 14 dias dos demais moradores da residência.

Durante esse período, é preciso ficar atento à evolução do quadro. “Sintomas leves, como tosse e coriza prolongadas por vários dias, não são preocupantes. Mas, se houver febre alta persistente e se a tosse vier acompanhada de desconforto respiratório, procure atendimento médico imediato”, recomenda Marcelo Mimica, infectologista do Fleury Medicina e Saúde.

O que fazer diante de sintomas leves

Nesse caso, as medidas a serem tomadas são: fique de repouso, hidrate-se bem, mantenha uma alimentação saudável e, se precisar, recorra a medicamentos como antitérmicos e analgésicos para aliviar os incômodos.

Se precisar tirar qualquer dúvida, ligue para o Disque Saúde, pelo número 136 – profissionais fazem o atendimento, dando orientações sem que o paciente precise se deslocar.

Como agir em caso confirmado de coronavírus em casa

Algumas medidas são importantes para proteger os demais moradores. O Ministério da Saúde aconselha que o paciente se isole em um cômodo da casa, com a porta fechada e as janelas abertas para circulação de ar.

É necessário respeitar um distanciamento de pelo menos um metro entre o paciente e os demais residentes, além de limpeza de maçanetas, vaso sanitário e móveis com álcool 70% ou água sanitária. Fora isso, objetos como talheres, lençóis, copos e toalhas devem ser usados somente pela pessoa diagnosticada com Covid-19. O lixo produzido por ela também precisa ser separado.


O que fazer em caso de suspeita de coronavírus? Publicado primeiro em https://saude.abril.com.br

Como os pacientes com câncer devem agir diante do coronavírus

Não saia de casa desnecessariamente. Evite multidões. Lave as mãos e punhos por mais de 30 segundos. Use álcool em gel. Cubra com o antebraço o nariz e a boca ao tossir ou espirrar. Se for extremamente necessário sair, não cumprimente as pessoas como de costume: nada de aperto de mão ou beijo no rosto. Mantenha distância das pessoas.

Com a rápida disseminação da Covid-19, doença relacionada ao coronavírus (Sars-CoV-2), todo mundo já decorou essas recomendações. Então, o que a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) pode acrescentar de relevante para a população?

Visto que os pacientes oncológicos costumam ter queda na imunidade devido à doença ou por causa dos tratamentos aos quais são submetidos (quimioterapia, radioterapia, uso de corticoides, entre outros), é indispensável manter o cuidado redobrado durante esse momento. Uma pessoa que contrair o coronavírus tem maior risco de sofrer complicações se estiver enfrentando um tumor.

Como parte do compromisso da SBOC em promover e ampliar o bem-estar dos pacientes com câncer, o ponto mais crucial a se destacar é que todos eles conversem com sua equipe médica sobre como prosseguir com o tratamento.

Em casos específicos, o número de atendimento presenciais pode ser reduzido. Uma consulta de seguimento (que serve para acompanhar a evolução da pessoa e do tratamento) pode ser reagendada. O mesmo vale para as consultas de hormonioterapia, voltadas para tumores de mama e próstata. Assim, o paciente circula menos, ficando menos suscetível à infecção pelo Sars-CoV-2.

O que deve ser mantido normalmente são as consultas para indivíduos em tratamento com quimioterapia. Já pacientes que estejam com quadro sintomático de coronavírus precisam de auxílio médico para definir a urgência do tratamento contra o câncer.

Fazendo um recorte, a maior probabilidade de complicações por Covid-19 é entre os portadores de cânceres no sangue (leucemias, linfomas e mieloma múltiplo) que passaram por transplante de medula óssea ou estão em tratamento com quimioterapia. Porém, adotando as medidas preventivas listadas abaixo, os riscos associados ao coronavírus diminuem significativamente.

Aos pacientes com câncer ou em acompanhamento:

  • Não interrompa seu tratamento oncológico
  • Caso haja suspeita de infecção, a consulta deve ser priorizada e o paciente, enquanto aguarda, precisa usar máscara cirúrgica e ficar em ambiente arejado
  • Se estiver na fase de seguimento, contate sua equipe médica para avaliar se é seguro adiar seus retornos para um período com menor disseminação do coronavírus
  • Evite contato com qualquer pessoa que tenha sintomas gripais, que esteja em investigação para possível infecção Covid-19, ou que tenha chegado do exterior (com ou sem sintomas gripais)
  • Se apresentar quadros como, febre, coriza, tosse seca, falta de ar, contate seu médico
  • Permaneça somente o tempo necessário em ambiente de clínicas e hospitais. Dentro do possível, evite contato físico direto, mesmo com o seu médico e a equipe de saúde
  • Só leve, no máximo, um acompanhante para um centro de tratamento oncológico. Essa pessoa não pode apresentar qualquer sintoma respiratório ou febre
  • Restrinja visitas hospitalares ao que for estritamente necessário

A familiares e população de forma geral:

  • Evite contato com o paciente caso você apresente qualquer sintoma suspeito de gripe. Também é importante não se aproximar de terceiros com sintomas ou infecção confirmada, para não haver risco de transmitir o coronavírus ao indivíduo com câncer
  • Para indivíduos assintomáticos, o uso de máscara não é recomendado. Quando não indicada, essa estratégia pode causar custos desnecessários e criar uma falsa sensação de segurança, que leva à negligência de outras medidas preventivas essenciais, como lavar as mãos

Cada um pode fazer sua parte e contribuir para a redução na sobrecarga do nosso sistema de saúde. Isso certamente vai ajudar a atender adequadamente quem precisa de cuidados médicos, seja por decorrência do coronavírus ou por outras razões.

Mais do que nunca, é necessário combater atitudes irresponsáveis, que menosprezam a urgência da situação e desrespeitam a indicação de isolamento, conforme a diretoria da SBOC orienta em seu posicionamento publicado recentemente.

Para passar por esse período crítico da melhor forma possível, é imprescindível seguir as orientações disponibilizadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), pelo Ministério da Saúde e pela comunidade científica. Nesse momento, a SBOC está com uma agenda de comunicação paralela, elaborando vários conteúdos focados em Covid-19. Sempre iremos trabalhar para desmentir notícias falsas que prejudicam a população.

Pensando nisso e para manter a sociedade, os pacientes e os oncologistas a par de todas as novidades sobre o coronavírus — com informação de qualidade —, a SBOC está atualizando regularmente uma seção do site criada exclusivamente para o assunto. Respeitando as recomendações, cuidamos de nós mesmos e de quem amamos.

*Por Dra. Clarissa Mathias, oncologista e presidente da SBOC


Como os pacientes com câncer devem agir diante do coronavírus Publicado primeiro em https://saude.abril.com.br

Pescoço gordo seria sinal de problema cardiovascular

Uma fita métrica na região da garganta já seria suficiente para avaliar a saúde cardiovascular dos pacientes no consultório. Essa é a conclusão de uma pesquisa realizada pela Universidade do Chile e publicada no British Medical Journal.

No trabalho, foram avaliados 4 607 adultos. Aqueles com um pescoço maior, e, portanto, mais gordura acumulada ali, tinham grande probabilidade de sofrer uma complicação cardíaca ou cerebral. De acordo com os autores, a aferição seria até mais precisa que a medida da circunferência abdominal.

Apesar dos achados, a médica Gláucia Moraes de Oliveira, da Sociedade Brasileira de Cardiologia, pede cautela. “É difícil ter um consenso sobre valores de referência para um exame como esse, pois cada povo tem um tipo físico que vai afetar o tamanho e as proporções do corpo, o que não permite estabelecer um limite saudável baseado em estudos internacionais”, analisa.

A fita métrica pode, sim, ajudar. Mas ela deve vir acompanhada de outros testes e avaliações.

<span class="hidden">–</span>Ilustração: Laura Luduvig/SAÚDE é Vital

Outras maneiras de sondar como andam as artérias

IMC: peso dividido pela altura ao quadrado. Confere se a pessoa está acima do peso.

Abdômen: medir a barriga na altura do umbigo é outro clássico das consultas.

Colesterol: numera LDL, HDL e outras partículas. Valores altos ou baixos são encrenca.

Pressão: mede se os vasos estão apertados e tensos além da conta.

Diabetes: o excesso de açúcar na circulação danifica aos poucos os vasos sanguíneos.

Outros: vida sedentária, dieta desequilibrada e tabagismo também são sinais de risco.


Pescoço gordo seria sinal de problema cardiovascular Publicado primeiro em https://saude.abril.com.br

domingo, 29 de março de 2020

Pescoço gordo seria sinal de problema cardiovascular

Uma fita métrica na região da garganta já seria suficiente para avaliar a saúde cardiovascular dos pacientes no consultório. Essa é a conclusão de uma pesquisa realizada pela Universidade do Chile e publicada no British Medical Journal.

No trabalho, foram avaliados 4 607 adultos. Aqueles com um pescoço maior, e, portanto, mais gordura acumulada ali, tinham grande probabilidade de sofrer uma complicação cardíaca ou cerebral. De acordo com os autores, a aferição seria até mais precisa que a medida da circunferência abdominal.

Apesar dos achados promissores, a médica Gláucia Moraes de Oliveira, da Sociedade Brasileira de Cardiologia, pede cautela.

“É difícil ter um consenso sobre valores de referência para um exame como esse, pois cada povo tem um tipo físico que vai afetar o tamanho e as proporções do corpo, o que não permite estabelecer um limite saudável baseado em estudos internacionais”, analisa.

A fita métrica pode, sim, ajudar. Mas ela deve vir acompanhada de outros testes e avaliações.

<span class="hidden">–</span>Ilustração: Laura Luduvig/SAÚDE é Vital

Outras maneiras de sondar como andam as artérias

IMC: peso dividido pela altura ao quadrado. Confere se a pessoa está acima do peso.

Abdômen: medir a barriga na altura do umbigo é outro clássico das consultas.

Colesterol: numera LDL, HDL e outras partículas. Valores altos ou baixos são encrenca.

Pressão: mede se os vasos estão apertados e tensos além da conta.

Diabetes: o excesso de açúcar na circulação danifica aos poucos os vasos sanguíneos.

Outros: vida sedentária, dieta desequilibrada e tabagismo também são sinais de risco.


Pescoço gordo seria sinal de problema cardiovascular Publicado primeiro em https://saude.abril.com.br

sábado, 28 de março de 2020

Coronavírus: 12 exercícios para fazer em casa durante o isolamento social

O fechamento de academias e o isolamento das pessoas para evitar a transmissão do novo coronavírus impuseram desafios para a manutenção da atividade física. Até por isso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) criou um manual com treinos que podem ser realizados dentro de casa.

“Nesse momento, qualquer movimento conta. Fazer faxina, subir escadas e mesmo levantar de vez em quando e andar pelos cômodos da casa”, orienta Toni Martins, personal trainer de São Paulo. Ele destaca que o Colégio Americano de Medicina do Esporte também elaborou um documento com explicações e treinos para não deixar você cair no sedentarismo durante o isolamento.

Abaixo, colocamos os 12 exercícios propostos pela OMS, que incluem até espaço para meditação. Você não precisa cumprir toda a rotina em uma só sessão:

1. Joelho no cotovelo

<span class="hidden">–</span>Foto: OMS/Divulgação

Encoste um joelho no cotovelo oposto, alternando entre os lados. Encontre seu próprio ritmo. Tente repetir esse gesto de 1 a 2 minutos, descansar por 30 a 60 segundos. Faça isso até 5 vezes. Você deve sentir o coração bater mais rápido e ficar ofegante.

 

2. Prancha

<span class="hidden">–</span>Foto: OMS/Divulgação

Apoie os antebraços no chão, com os cotovelos na altura do ombro. Mantenha o quadril na altura da cabeça Mantenha-se firme nessa posição por 20 a 30 segundos (ou mais, se conseguir), descanse por 30 a 60 segundos, e repita até 5 vezes. Essa atividade fortalece seu abdômen e pernas

 

3. Extensão das costas

<span class="hidden">–</span>Foto: OMS/Divulgação

Encoste nas orelhas com a ponta dos dedos e eleve o tronco, mantendo as pernas no chão. Aí abaixe o tronco. Faça o gesto de 10 a 15 vezes, descanse por 30 a 60 segundos, e repita até 5 vezes. É uma forma de fortificar suas costas.

4. Agachamento

<span class="hidden">–</span>Foto: OMS/Divulgação

Coloque os pés na distância dos quadris, com os dedões apontado ligeiramente para fora. Então dobre os joelhos, mantendo o calcanhar no chão. Os joelhos devem ficar na altura dos pés, mas não ultrapassá-los (é o bumbum que deve ser jogado para trás). Agache de 10 a 15 vezes, descanse de 30 a 60 segundos, e repita até 5 vezes.

 

5. Levantamento lateral de joelho

<span class="hidden">–</span>Foto: OMS/Divulgação

Toque o joelho com o cotovelo do mesmo lado do corpo, levantando o joelho bastante. Alterne entre os lados. E tente manter esses movimentos de 1 a 2 minutos. Descanse por 30 a 60 segundos e repita tudo até cinco vezes. De novo, a ideia é fazer você ficar ofegante, com o coração batendo mais rápido.

6. Super-homem

<span class="hidden">–</span>Foto: OMS/Divulgação

Coloque suas mãos embaixo dos ombros e os joelhos abaixo dos quadirs. Levanta um braço e a perna oposta, alternando entre os lados. Faça esse gesto de 20 a 30 vezes, descanse por 30 a 60 segundos, e repita tudo até cinco vezes. O exercício fortalece abdômen, glúteos e músculos das costas.

 

7. Ponte

<span class="hidden">–</span>Foto: OMS/Divulgação

Coloque as solas dos pés inteiras no chão e levante os quadris até onde achar confortável. Aí desça devagar. Repita o gesto de 10 a 15 vezes, descanse por 30 a 60 segundo, e faça tudo de novo até 5 vezes. A atividade trabalha o bumbum.

 

8. Afundamento com cadeira

<span class="hidden">–</span>Foto: OMS/Divulgação

Segure na cadeira, com os pés a meio metro da cadeira, mais ou menos. Dobre os braços enquanto abaixa os quadris até quase tocar no chão. Aí erga o corpo com os braços. Realize o gesto de 10 a 15 vezes, descanse de 30 a 60 segundos, e repita até 5 vezes. Isso fortalece o tríceps.

 

9. Expansão de peitoral

<span class="hidden">–</span>Foto: OMS/Divulgação

É hora dos alongamentos! Entrelace os dedos com as mãos nas costas. Estique os braços e expanda o peitoral. Mantenha essa posição de 20 a 30 segundos (ou mais). Essa posição alonga o peito e os ombros.

 

10. Pose infantil

<span class="hidden">–</span>Foto: OMS/Divulgação

Com os joelhos no chão, leve o bumbum até os calcanhares. Deixe sua barriga apoiada nas coxas e estique ativamente os braços para frente. Respire normalmente. Mantenha essa posição de 20 a 30 segundos. Essa posição alonga suas costas, ombros e laterais do corpo

 

11. Meditação sentada

<span class="hidden">–</span>Foto: OMS/Divulgação

Sente confortavelmente, com as pernas cruzadas (se não gostar, pode sentar em uma cadeira). Deixe as costas eretas. Feche os olhos, relaxe o corpo e aprofunde a respiração lentamente. Concentre-se na respiração, e tente não ficar focado em um único pensamento ou preocupação. Mantenha essa posição de 5 a 10 minutos ou mais, para acalmar a mente.

12. Pernas na parede

<span class="hidden">–</span>Foto: OMS/Divulgação

Leve seus quadris para perto da parede (de 5 a 10 centímetros), estique as pernas e deixe-as descansarem na parede. Feche os olhos, relaxa o corpo e respire lentamente. Concentre-se na respiração e não fique focado em um único pensamento ou preocupação. Mantenha-se assim por 5 minutos. Essa posição serve para relaxar.


Coronavírus: 12 exercícios para fazer em casa durante o isolamento social Publicado primeiro em https://saude.abril.com.br

Jogo Plague Inc. cria modo cujo objetivo é salvar o mundo de uma pandemia

No jogo Plague Inc., o objetivo do jogador é exterminar a humanidade. Para isso,ele escolhe um novo patógeno – um vírus, uma bactéria ou um fungo, por exemplo – e vai evoluindo características como transmissibilidade e sintomas para tentar infectar e matar todos os humanos antes que uma cura seja descoberta. Lançado em 2012, o jogo sempre fez sucesso – mas estourou em 2020 com a pandemia de Covid-19, que lembra o cenário do game.

Agora, os desenvolvedores do jogo anunciaram que lançarão uma atualização com um novo modo em que o objetivo é salvar o mundo de uma pandemia. Nessa versão, o jogador vai controlar governos e instituições pelo mundo e poderá ter a opção de estabelecer quarentenas, medidas de isolamento social e melhorar os sistemas de saúde dos países para enfrentar a doença. 

“Há oito anos, eu jamais imaginaria que o mundo real iria lembrar uma partida de Plague Inc.”, disse James Vaughan, um dos criadores do jogo, em comunicado.

Além da nova atualização, a empresa Ndemic Creations anunciou que vai doar 250 mil dólares para o fundo da Organização Mundial da Saúde (OMS) contra a Covid-19.

A ideia do novo modo partiu dos próprios jogadores e foi citada nas negociações entre a empresa e a OMS – que vai participar ativamente no planejamento dos detalhes do jogo, para torná-lo o mais educativo. 

É normal que Plague Inc. veja um aumento de seus jogadores durante epidemias, como foi com a ebola, mas o jogo bateu recordes com a Covid-19. Eram tantos usuários ativos simultaneamente que a empresa precisou se pronunciar para esclarecer que o game não é um modelo epidemiológico real. Em fevereiro, a China chegou a banir o aplicativo após o número de downloads subir consideravelmente. 

Apesar disso, artigos publicados em revistas como a Science e The Lancet mostraram que o app é uma boa maneira de ensinar a população geral sobre como infecções virais se espalham.

A nova atualização será gratuita para todos os jogadores, mas não tem data para sair ainda. 


Jogo Plague Inc. cria modo cujo objetivo é salvar o mundo de uma pandemia Publicado primeiro em https://super.abril.com.br/feed

sexta-feira, 27 de março de 2020

“É mais fácil criar empregos que ressuscitar os mortos”

O Brasil está em uma encruzilhada retórica: de um lado, os governos estaduais, hospitais, centros de pesquisa, universidades públicas, órgãos de imprensa etc. são unânimes em seguir e recomendar as medidas tomadas em outros países da Europa e da Ásia – e implementar uma política severa de distanciamento social para desacelerar a disseminação da Covid-19 em território nacional. Na extremidade oposta do espectro, Jair Bolsonaro e sua cúpula defendem o chamado isolamento vertical, ou seja: que apenas quem pertence aos grupos de risco – como idosos ou pessoas com doenças crônicas – fiquem em casa. 

É evidente que a paralisação do comércio e da indústria desacelera a atividade econômica do País e pode abrir espaço para uma grave recessão. Mas a estabilidade do Brasil deve ser alcançada às custas do bem estar – ou, em alguns casos, da vida – dos brasileiros? E mais: será que manter as empresas nacionais funcionando é suficiente para sustentar nossos indicadores – ou baque que a pandemia vai gerar na economia mundial é forte demais para o Brasil ter a pretensão de se safar sozinho?

Para entender o impacto social e econômico do isolamento social – e as consequências graves de se ignorar sua necessidade imediata – a SUPER conversou com os cientistas políticos Dalson Figueiredo, Antônio Fernandes e Lucas Silva, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que estão se debruçando sobre os aspectos humanos da epidemia. Lucas, vale dizer, também é estudante de Medicina da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (UNCISAL). 

O que dizem as projeções mais atualizadas sobre o espalhamento da Covid-19 no Brasil? O espalhamento tende a se acelerar ou nossas medidas serão suficientes?

Diversos especialistas1 têm uma expectativa de quase 500 mil óbitos no Brasil, o que equivale a população de Florianópolis. Os cálculos dos professores José Dias do Nascimento Júnior (da UFRN) e Wladimir Lyra (da Universidade do Estado do Novo México) indicam um contágio de 53% da população e cerca de dois milhões de mortes no pior cenário previsto. O mais estranho, em nossa opinião, é a relutância do presidente Bolsonaro em enxergar estas evidências. Tecnicamente, a velocidade do espalhamento da COVID-19 segue o que os estatísticos chamam de distribuição exponencial. Ou seja: 1, 2, 4, 8, 16, 32, 64, 128… A curva sobre rápido repentinamente. 

Na ausência de medidas agressivas de isolamento social, vamos caminhar para uma tragédia. Não adianta falar em mitigação agora. Ainda não sabemos a prevalência da doença na população. A única opção segura é o isolamento social. O Reino Unido cogitou um caminho alternativo, mas rapidamente retrocedeu. O presidente Trump, que passou muito tempo minimizando o tamanho do problema, acaba de baixar um decreto obrigando as fábricas a produzir ventiladores. Está remediando um erro que, só hoje, vai custar a vida de mais de 300 americanos. Devemos adotar as seguintes medidas: 1. isolamento social; 2. testagem em massa; 3. produção e distribuição rápida de materiais e equipamentos de saúde.

1. Fergunson et al. (2020) avaliam o impacto de intervenções não-farmacêuticas sobre a expectativa de mortalidade nos Estados Unidos e no Reino Unido. Em particular, o biólogo Átila Iamarino fez uma projeção de 1 milhão de mortes no Brasil. Dowd e colaboradores (2020) examinam a relação entre a estrutura etária da população e os níveis de mortalidade.

Quais os impactos socioeconômicos de deixar a doença se espalhar livremente? Atrasar a implantação da quarentena só pioraria o cenário, como foi na Itália?

 

Já ouviu a história do cobertor curto? Se cobrir a cabeça, passa frio nos pés. Se cobrir as pernas, passa frio na cabeça. É o que os economistas chamam de trade-off. É claro que o isolamento social é um banho de água fria. Enquanto antes se esperava um crescimento acima de 2% para 2020, agora temos uma recessão pela frente. Se a economia não anda, há desemprego, crime, suicídios, recessão, falências, endividamento, calotes, etc.

O problema é que não há outra solução, pelo menos no curto prazo. O Governo Federal parece um monstro com duas cabeças. O Ministério da Saúde não pode orientar uma coisa e o chefe do Executivo dizer exatamente o contrário. Essa inconsistência informacional vai sair caro – em dinheiro e em vidas. A Coreia do Sul, um dos casos de sucesso até o momento, investiu em campanhas massivas para não deixar a população em dúvida.

A China demorou 24 dias entre o primeiro registro oficial de COVID-19, no dia 31 de dezembro de 2019, e o isolamento agressivo de Wuhan. Na Itália, o primeiro registro foi realizado em 31 de janeiro, um mês depois. mas o isolamento agressivo só foi adotado 39 dias depois. A diferença de duas semanas parece pequena. Mas, como estamos diante de um fenômeno exponencial, pequenos detalhes têm consequências catastróficas.

De acordo com nossas estimativas, a Itália deve ultrapassar a marca de 100 mil pessoas infectadas antes da China mesmo tendo uma população 20 vezes menor.  Atualmente, a Itália contabiliza mais do dobro de mortes em relação à China. Foram 8.215 vidas italianas contra 3.292 óbitos chineses, o que dá cerca de 350 mortes evitáveis por dia durante duas semanas. Esse é o preço que a população paga quando o governo hesita. Basta um único caso infectado para iniciar a distribuição exponencial. Para derrubá-la, a única saída técnica é o isolamento social. 

Ainda não sabemos detalhes sobre a maneira como vírus atua no corpo, nem há meios de tratá-lo. Quebrar a quarentena, além de moralmente errado, também é um erro do ponto de vista técnico, pois dificultaria – e muito – o controle da doença. Não dá para combater direito um inimigo que não conhecemos. 

O governo brasileiro adotou algumas medidas visando estimular a economia no curto-prazo e algumas decisões para reduzir o desemprego e salvar áreas econômicas afetadas mais diretamente pela pandemia. Mas essas medidas ainda não estão funcionando. Apesar de Bolsonaro querer imitar Trump em muita coisa, os EUA aprovaram um pacote de proteção social e estímulo econômico que chega US$ 2 trilhões, mais da metade do PIB brasileiro.

O Brasil, até agora, anunciou um valor de R$ 600,00 de auxílio aos trabalhadores informais, antecipou o 13º salário de aposentados do INSS e liberou aproximadamente R$ 90 bilhões para Estados e Municípios, entre outras medidas. Isso não dá 2% do PIB. Em resumo: o Brasil não adotou até o momento medidas econômicas suficientes para reduzir consideravelmente o impacto econômico e social da pandemia. No momento, o crucial é manutenção do isolamento e a criação de uma rede de proteção social adequada para a parcela vulnerável da população.

O Brasil é um país extenso. Como isso altera o cenário de espalhamento da doença em comparação aos países europeus, que são pequenos e densos?

Densidade é algo relativo: há metrópoles brasileiras mais densas que as europeias, bem como grandes áreas praticamente vazias. Há mais de um Brasil, as características demográficas são muito heterogêneas. O risco é maior regiões que concentram um grande número de pessoas e apresentam condições de saúde e infraestrutura precárias, como as comunidades espalhadas nas grandes metrópoles. A velocidade com que o vírus pode se espalhar nesses locais é bem mais alta. Então , é preciso olhar não só para a densidade populacional, mas também para as medidas que estão sendo adotadas para evitar o contágio, a situação sanitária e habitacional daquele espaço etc.

A Câmara dos Deputados aprovou ontem a Renda Básica Emergencial para desempregados, autônomos e MEIs. Qual é a opinião de vocês sobre a medida? 

 

A criação da Renda Básica Emergencial ainda não é suficiente, porém é importante. Além de dar dinheiro para o principal setor econômico atingido pela pandemia, também sinaliza à população que o Estado não está inerte. Hoje, o Governo também anunciou a criação de uma linha de crédito emergencial para pequenas e médias empresas. Será oferecido um montante de 40 bilhões de reais, em dois meses, para que as empresas quitem suas folhas de pagamento durante a pandemia. 

Em outros países, medidas econômicas mais agressivas estão sendo adotadas. O estímulo à economia de todos os países, somado, chega a US$ 7 trilhões. Nos EUA, o pacote é de US$ 2 trilhões; O Reino Unido vai cobrir até 80% dos salários dos trabalhadores pelo menos nos próximos três meses, e pagar até 80% dos rendimentos dos trabalhadores autônomos, dentre outras medidas. A Alemanha anunciou um pacote de 750 bilhões, e a China ficou um pouco atrás, com US$ 300 bilhões em estímulos. Comparativamente, o que o Brasil apresentou, até agora, é pouco.

Como os países que já foram afetados pelo coronavírus estão lidando com a crise econômica que vem pela frente, e o que o Brasil pode aprender com eles?

 

Não precisa ser economista para saber que é mais fácil criar empregos do que ressuscitar os mortos. O prefeito de Milão pediu desculpas. Desculpe-nos, prefeito por não aceitá-las. Afinal, desde o início os cientistas avisaram que a única opção segura era manter o isolamento social. Quase todos países estão adotando medidas mais rígidas de isolamento social para evitar uma sobrecarga (na maioria das vezes, inevitável) do sistema de saúde, e medidas fiscais para assistir os mais vulneráveis e evitar um colapso econômico.

O que o Brasil não pode fazer é ir na contramão do mundo. A Coreia do Sul, linha azul, é um dos cases de sucesso até o momento. As estimativas mais recentes indicam 9.322 casos confirmados e 139 óbitos. Por outro lado, o Reino Unido, que por algum tempo flertou com a possibilidade de medidas mais suaves de controle, contabiliza 15 mil diagnósticos e quase 800 óbitos. Anote aí: até o final do dia 28 de março, a rainha vai enterrar mais de mil britânicos. Agora devemos decidir qual dos dois caminhos o Brasil vai seguir.


“É mais fácil criar empregos que ressuscitar os mortos” Publicado primeiro em https://super.abril.com.br/feed

Saudades, Uderzo: 5 easter eggs do mundo atual escondidos em Asterix

Quando a SUPER entrou de home office para a quarentena do coronavírus – fiquem em casa, por favor! – , o repórter que vos fala imediatamente tive a ideia de tirar as aventuras de Asterix, o Gaulês, do armário. As HQs do intrépido baixinho com Obelix, seu amigo Golias esfomeado, embalaram minha infância graças a meu avô. De tão viciado no personagem, ele mandou encadernar em três volumes de oito livros cada as 24 histórias clássicas – cada uma com aproximadamente 48 páginas, publicadas entre 1961 e 1979 com a dupla de franceses Goscinny no texto e Uderzo na arte.

Quando meu avô morreu, após pouco mais de seis décadas de cerveja, churrasco e idas inesquecíveis à padaria da esquina, meu pai herdou os livros encadernados. E dele, as tais Barsas gaulesas passaram para mim (ainda que meu pai esteja vivo e ótimo de saúde – eu só peguei na cara dura, mesmo). Essas HQs foram minhas primeiras aulas de História e, junto do violão que também era do meu avô, os meus primeiros companheiros na solidão. Li a série de cabo a rabo duas vezes quando tinha uns 8 anos e fiquei internado no hospital 15 dias.

Albert Uderzo, o ilustrador, morreu nesta terça-feira (24) por causa de uma parada cardíaca. O cartunista de 92 anos estava em sua casa na região de Neuilly-sur-Seine, na França. René Goscinny, seu parceiro, já não estava entre nós há bastante tempo: desde 1977, quando infartou durante a realização de um exame médico, com apenas 51 anos. É difícil explicar o quanto esses dois seres humanos fazem falta. Para fazer uma breve homenagem, separei cinco dos meus easter eggs favoritos da série – momentos em que Asterix e Obelix mudaram, de mentirinha, os rumos da história.

O Canal de Suez

O Canal de Suez é aquela passagem aquática que separa o Egito de Israel – ligando o Mar Vermelho ao Mar Meditarrâneo. Ao contrário do Canal do Panamá, que depende de um complexo sistema de eclusas, o de Suez mantém-se basicamente no nível do mar, sem desníveis, por todo o trajeto. Ele foi construído em 1869 e qualquer navio, civil ou militar, pode atravessá-lo independentemente da nacionalidade. O que você não sabe é que a obra é antiga: em Asterix e Cleópatra, o protagonista visita o Egito e se oferece para ajudar a rainha com a obra no auge do Império de César.

O Eurotúnel

O épico buraco de minhoca que liga a Inglaterra à França (vulgo Gália) também é uma encomenda das antigas. Após uma travessia turbulenta do Canal da Mancha em Asterix e os Bretões – com direito a temporal, neblina espessa e combate com os romanos –, Obelix sugere o túnel. Seu primo britânico responde com a fleuma característica: “Nós, bretões, já temos pensado sobre esse túnel; até mesmo já começamos as escavações. Mas parece que isso vai ser assaz demorado. Um tanto.”

<b id="message-undefined" class="error-message">Imagem sem crédito</b> <span class="hidden">–</span>"Asterix entre os Bretões", Goscinny e Uderzo/Reprodução

O chá das cinco

Ainda em Asterix e os Bretões, Asterix fica sem a poção mágica do druida – que auxiliaria seus familiares ingleses a combater a ocupação romana na Bretanha. Para aumentar a moral da tropa, ele finge que a poção é um balde de água fervente saborizado com algumas folhas. Chá, essencialmente. Convencidos de quem tem força sobrehumana, os bretões partem para cima do exército de César e saem vitoriosos. E o chá se torna staple drink por lá.

<span class="hidden">–</span>"Asterix entre os Bretões", Goscinny e Uderzo/Reprodução

O nariz da Esfinge

Também em Asterix e Cleópatra, Obelix se aventura a escalar a Esfinge. Mas seu peso avantajado causa um pequeno acidente – até hoje, o monumento não tem nariz.

Imagem sem crédito

O exame antidoping

Em Asterix nos Jogos Olímpicos, os gauleses querem participar dos Jogos, mas são proibidos: as disputas esportivas são reservadas aos gregos e romanos. Mas há uma saída argumentativa: se a Gália foi ocupada pelo Império de César, então os gauleses são cidadãos romanos como quaisquer outros, e têm todo direito de participar. Desde que não usem, é claro, a poção mágica do druida Panoramix, que dá uma força descomunal a seus usuários. Desinformados, eles dão um goles – e são punidos pela organização do evento.

Imagem sem crédito

 

 


Saudades, Uderzo: 5 easter eggs do mundo atual escondidos em Asterix Publicado primeiro em https://super.abril.com.br/feed

Tem asma ou DPOC? Saiba como se proteger da Covid-19

Um dos aprendizados iniciais da pandemia de Covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus, é que pessoas com doenças crônicas, sobretudo descontroladas, estão no grupo de maior risco para complicações potencialmente fatais. Fazem parte dele indivíduos com diabetes, hipertensão e problemas respiratórios como asma e doença pulmonar obstrutiva crônica, a DPOC.

“Não é que os asmáticos tenham maior propensão a contrair o vírus, mas a experiência adquirida na China e na Itália mostra que os pacientes que evoluíram para as formas mais graves e óbito tinham comorbidades, entre elas diabetes, doenças cardiovasculares e problemas respiratórios crônicos”, adianta o pneumologista Elie Fiss, professor titular da Faculdade de Medicina do ABC.

Isso, claro, reforça a necessidade para esse público de medidas preventivas, como isolamento social, higiene pessoal e boa adesão ao tratamento proposto pelo médico. Pelas estimativas atuais, a asma afeta em torno de 20 milhões de brasileiros, enquanto a DPOC, mais comum entre fumantes, ao redor de 7 milhões.

Tais recomendações ajudam a evitar não só o novo coronavírus, mas outros patógenos em circulação que também são capazes de bagunçar a saúde de quem convive com uma doença respiratória. De acordo com o pneumologista Roberto Stirbulov, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, além do novo coronavírus, influenza (gripe), rinovírus e adenovírus (resfriado) podem piorar um quadro de asma ou DPOC.

“Por ora, não há relato de que a Covid-19 seja pior para esses pacientes do que a gripe, mas, diante de uma pandemia e do aumento rápido no número de casos, os cuidados devem ser redobrados”, afirma Stirbulov.

E o que coronavírus pode aprontar no corpo de um asmático? Tanto na asma como na DPOC, os pulmões já são mais reféns de um processo inflamatório. “Com uma infecção viral, o corpo responde liberando substâncias inflamatórias e isso leva a broncoespasmos”, explica Stirbulov. Nesse cenário, os brônquios, tubos que levam o oxigênio aos pulmões, se contraem, e aí vêm as crises de falta de ar.

No caso da Covid-19, o que os médicos estão percebendo é que, em pessoas com doenças crônicas que evoluíram de forma grave, não só o vírus mas uma reação exagerada das defesas do organismo bota tudo a perder. O corpo descarrega uma “tempestade de citocinas”, expressão que pode ser traduzida como um dilúvio de moléculas inflamatórias. Nessas circunstâncias, aumenta o risco de o paciente sofrer insuficiência respiratória e entrar em choque.

O que muda na rotina durante a pandemia de coronavírus

Por causa da maior probabilidade de complicações e do próprio descontrole da asma ou DPOC, os médicos ressaltam a necessidade de cumprir as recomendações de higiene e distanciamento social. “Na vigência da crise, o ideal é não se expor, evitar sair de casa…”, diz Stirbulov.

Mas ficar no próprio lar tem pegadinhas a serem evitadas. “Tem paciente com asma nos procurando e dizendo que piorou, que acha que está com o coronavírus, mas na verdade está em crise porque não está limpando corretamente o ambiente doméstico e ficando no ar condicionado”, relata o professor da Santa Casa.

Por isso o pneumologista recomenda: “É fundamental higienizar o ambiente, tirar a poeira, arejar e umidificar a casa, fazer a manutenção do ar-condicionado…”

E, pensando na prevenção de outros patógenos que estão trafegando por aí, não dá pra esquecer da imunização. “Pessoas com asma e DPOC devem se vacinar contra a gripe e doenças pneumocócicas“, orienta Fiss.

Atenção especial ao tratamento

Este é um momento crítico para seguir as prescrições médicas e usar os remédios como manda o figurino. Na asma, existem tanto medicações de uso contínuo destinadas à prevenção das crises como aquelas que agem se o fôlego faltar. “O paciente deve utilizar os medicamentos inalatórios corretamente e, se houver alguma piora, conversar com seu médico para verificar a necessidade de readequar a dosagem ou algum outro ponto”, diz Stirbulov.

E um alerta da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia: não é para suspender o uso dos corticoides inalatórios que ajudam a administrar as doenças respiratórias crônicas. Tem gente largando o tratamento porque ouviu por aí que o corticoide contribui para a infecção pelo coronavírus.

“Isso é preocupante. Não é para parar o tratamento. O que se sabe é que o corticoide de uso oral não está recomendado para pessoas com a confirmação de Covid-19. A versão inalatória deve ser mantida porque atua no controle da asma”, esclarece o professor da Santa Casa.

Os mesmos cuidados com a asma devem ser seguidos por quem tem DPOC. Stirbulov só chama atenção que indivíduos com essa doença, marcada por bronquite crônica e enfisema pulmonar, normalmente são mais velhos e têm outros problemas como diabetes, obesidade e hipertensão, o que os tornaria mais suscetíveis a complicações da Covid-19.


Tem asma ou DPOC? Saiba como se proteger da Covid-19 Publicado primeiro em https://saude.abril.com.br

Coronavírus: quanto tempo deve demorar até a gente ter uma vacina?

“Se tivéssemos uma vacina, não estaríamos vivendo toda essa situação com o novo coronavírus agora”. Foi assim que o médico Jorge Kalil, professor de imunologia clínica e alergia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Imunologia, começou nossa entrevista. Ele tem razão no que fala: além de ser um dos mais reconhecidos e respeitados cientistas brasileiros, possui ampla experiência como diretor do Instituto Butantan, o maior fabricante de vacinas na América Latina, durante sete anos

Kalil, inclusive, lidera um dos esforços para a criação de uma vacina para combater o Sars-Cov-2, o tipo de coronavírus que está por trás da Covid-19, doença que provoca a pandemia atual. Ele não está sozinho nessa empreitada: a Organização Mundial da Saúde calcula que há pelo menos 20 imunizantes diferentes sendo estudados nesse exato momento em várias partes do mundo. Nas últimas semanas, grupos de cientistas da China e dos Estados Unidos anunciaram testes em humanos, o que significa um avanço e tanto.

Apesar de as notícias serem animadoras, precisamos permanecer com os pés no chão. O doutor Kalil e outras fontes ouvidas por SAÚDE acreditam que, infelizmente, não teremos uma vacina pronta para ser utilizada em menos de 18 meses. “É preciso levar em conta todo o processo envolvido nisso: falamos de um vírus completamente novo, que pulou para a espécie humana há pouco tempo. Precisamos entender se as candidatas que estão análise são seguras, se não trazem nenhum efeito colateral, quantas doses são necessárias para gerar anticorpos…”, lista Kalil.

Uma longa estrada pela frente antes de termos a vacina contra o coronavírus

Em situações normais, vacinas e remédios passam por um rito longo e complexo antes de serem aprovados para uso em seres humanos. Tudo começa com os estudos pré-clínicos, que são feitos em amostras de células e cobaias, nas bancadas de laboratórios. 

Se tudo der certo, o próximo passo são as pesquisas clínicas, que envolvem testes com seres humanos. Esse estágio é dividido em três fases, em que são testadas a segurança e a eficácia daquele novo produto. Em cada uma, o número de voluntários envolvidos aumenta, o que garante confiança e solidez ao processo.

Todas essas informações são divulgadas nos jornais científicos, como The Lancet, Journal of the Americal Medical Association, Nature e Science. Isso permite que outros cientistas, que não estão necessariamente envolvidos com o assunto, possam analisar os dados e checar se tudo está correto.

Essa estratégia, consagrada há décadas, ainda ajuda a repetir o mesmo experimento utilizando os mesmos métodos num outro contexto, para ver se os resultados são iguais. As grandes descobertas científicas, que impactam a nossa vida, acontecem a partir do acúmulo de conhecimento ao longo do tempo.

Os números a seguir dão uma noção do rigor de todo esse procedimento: de cada 5 mil novas moléculas que são testadas em todas aquelas fases que mencionamos acima, apenas uma consegue passar com sucesso e ser aprovada para uso comercial. Os laboratórios gastam, em média, 2,6 bilhões em todo esse caminho, que costuma ser trilhado em cerca de 12 anos.

Situações de exceção

É óbvio que, num contexto adverso, como o surgimento de um novo vírus que provoca uma pandemia, os ritos da ciência se aceleram. Afinal, não dá pra esperar uma década para ter uma solução capaz de se opor a um problema urgente, que está matando milhares de pessoas ao redor do mundo. 

Nesse sentido, as agências regulatórias da Europa e dos Estados Unidos, que controlam quais remédios podem ser vendidos ou não nesses territórios, adotam um regime chamado fast track (ou faixa rápida, numa tradução literal). A ideia é agilizar o processo e permitir que a população tenha acesso a remédios e vacinas mesmo sem a conclusão de todas as fases de pesquisa. A lógica é que os potenciais benefícios suplantam qualquer risco.

E é justamente isso o que está acontecendo agora em relação ao coronavírus: as agências regulatórias já declararam o tal do fast track e poderão aprovar novos produtos que mostrarem bons resultados numa fase intermediária, mesmo sem todas as evidências de eficácia num número maior de voluntários. 

Corrida contra o relógio (e contra o coronavírus)

Mas, afinal, como andam as vacinas capazes de prevenir a Covid-19? De acordo com o doutor Kalil, os grupos internacionais investem num imunizante que utiliza algo chamado RNA mensageiro. Calma que a gente explica: uma vez dentro do organismo, essa molécula teria a capacidade de entrar em algumas células. Elas passariam então a produzir proteínas que também aparecem na superfície do Sars-Cov-2, o novo coronavírus. Com isso, o sistema imune conseguiria reconhecer e rechaçar uma eventual invasão do vírus de verdade.

A estratégia brasileira é diferente: a equipe liderada por Kalil está construindo em laboratório uma “casquinha” que imita o coronavírus. Na superfície dessas moléculas estão as tais proteínas desse agente infeccioso, que suscitariam uma resposta efetiva do sistema imune. “Em vez de dar a informação para que o organismo produza as proteínas, nossa proposta é entregar ao corpo as proteínas prontas”, resume o especialista.

Em outras palavras: no projeto internacional, a candidata à vacina ensina o organismo a pescar. Na iniciativa brasileira, o imunizante já dá o peixe logo de cara.  

Vale mencionar que essa competição não precisa ter um único vencedor. “Seria importante dispormos de mais de um de tipo de vacina, até pelo tempo que levará para produzir as milhões de doses necessárias para proteger toda a população mundial”, vislumbra Kalil. 

Por fim, o especialista destaca que, em situações como a que nós estamos vivendo, a importância de investir em ciência no Brasil se torna evidente. “Trata-se de uma questão estratégica. É lógico que o país que tiver capacidade de produzir um imunizante ou remédios privilegiará sua população antes de exportar o produto para outras nações”, aponta. 

Não tem escapatória: a possibilidade de ter uma vacina contra o novo coronavírus amanhã depende do que cientistas e governantes fizerem hoje.


Coronavírus: quanto tempo deve demorar até a gente ter uma vacina? Publicado primeiro em https://saude.abril.com.br

Larva de 555 milhões de anos é animal mais antigo de nossa linhagem

Há cerca de 600 milhões de anos, a Terra passava por uma era curiosa chamada Ediacarano. Seres bem estranhos viviam por aqui. A vida multicelular, visível a olho nu, estava dando seus primeiros passos – até hoje, fica difícil para os cientistas distinguirem o que era planta e o que era animal dentre os fósseis da época. Mas nós não podemos duvidar que essas criaturinhas pioneiras tiveram uma grande importância. 

Por exemplo: os poríferos – esponjas, para os íntimos – que são considerados os animais mais pretinho básico, pouquíssimo complexos. Mas, nesse bolo, também havia criaturas como o Dickinsonia, um organismo que parece uma folha, mas com certeza não é uma planta. Seria ele um animal? Essa é uma pergunta difícil. Os fósseis escassos não carregam informações suficientes para que os cientistas confirmem com propriedade a que categorias eles pertencem. 

Agora, resquícios recém-descobertos em uma caverna australiana parecem pertencer à espécie da biota ediacarana mais parecida com os animais atuais que já foi encontrada. Pesquisadores da Universidade da Califórnia acreditam que o fóssil de 555 milhões de anos pode ser o representante mais antigo do ramo da árvore da vida que leva a nós. E aos cachorros. E aos elefantes. E às girafas…

A criatura se assemelha a um grão de arroz – é minúscula e tem formato larval. Ela é, provavelmente, o ser mais antigo conhecido com simetria bilateral, ou seja: com o lado esquerdo e o direito do corpo simétricos, como nos seres humanos, e com aberturas em duas extremidades ligadas por um intestino (isso mesmo, boca e ânus). Não só nós, mas os gatos, cachorros, borboletas, formigas e até os dinossauros (hoje pássaros) são assim. Os planos corporais são a característica mais fundamental compartilhada por seres vivos diferentes. 

Mas esse novo camarada é realmente pequeno. Ele cresce, no máximo, uns sete milímetros. Por isso, não tão fácil assim identificá-lo. Os pesquisadores notaram algumas deformações nas paredes da caverna, que por si só não provam nada. Então, com auxílio de um scanner laser tridimensional (viva a tecnologia), conseguiram analisar as forma e bater o martelo: eram corpinhos cilíndricos com cabeça, cauda e musculatura estriada, que permitia sua locomoção. Aqui embaixo, você pode ver as marcas na caverna. 

<span class="hidden">–</span>Droser Lab/UCR/Superinteressante

A espécie antiquíssima ganhou um nome: Ikaria wariootia. A origem é da língua Adnyamathanha, usada pelos indígenas da região dos Montes Flinders, em que ocorreu a descoberta. “Ikara” significa “local de encontro” e “wariootia” é por causa do rio Warioota Creek, que passa por ali. 

Se você não está dando nada pra essa larvinha, saiba que, para a época, ela é bem mais complexa do que parece. Ela provavelmente escavava camadas finas de areia no fundo do oceano em busca de matéria orgânica para se alimentar, demonstrando habilidades sensoriais rudimentares. Suas tocas tinham pequenos desenhos em forma “V”. Isso significa que a Ikaria se movia igual uma minhoca, contraindo os músculos do corpo e realizando locomoção peristáltica. É por causa disso, inclusive, que os cientistas acreditam que havia ali um trato digestivo, já que não há evidências diretas do corpo do animal (só seu “molde” em baixo relevo). 


Larva de 555 milhões de anos é animal mais antigo de nossa linhagem Publicado primeiro em https://super.abril.com.br/feed

E se trabalhássemos para sempre em regime de home office?

Highline, o elevado convertido em parque, em NY. Com mais home office, e menos trânsito, projetos assim pipocariam por mais cidades. (Getty Images)ferrantraite/Superinteressante

Depois da pandemia, ninguém mais voltou ao trabalho. Nas grandes avenidas, os escritórios permaneceram fechados. Empoeirados, computadores, cadeiras, mesas, grampeadores e máquinas de fotocópia encheram caçambas. Depois, o longo silêncio: arranha-céus comerciais esperam o dia de renascer, só que na forma de lares. Às 15h de uma segunda-feira, passeando com o cachorro pelo parque e vendo os prédios no horizonte, você não consegue deixar de escapar da nostalgia:

“Pô. Mas o pessoal do escritório era tão legal…”

Um estudo do Ministério do Trabalho dos EUA calculou que 28,8% das pessoas realizam atividades que podem ser feitas em casa. Lá atrás, imaginava-se que seria muito mais. Nos anos 1990, com a chegada da internet, os gurus da tecnologia profetizaram que o home office se tornaria o padrão de trabalho universal. Estavam errados, como geralmente estão mesmo. Pelos últimos dados, de 2019, dos 92,5 milhões de brasileiros que trabalham, 4,5 milhões (4,8%) o fazem de casa. Nos EUA, é praticamente igual: 5,2%.

Mas agora mudou tudo. Até o fechamento desta edição, não havia dados sobre o aumento do home office com as quarentenas do coronavírus. Só que, sabemos todos, ele aumentou brutalmente. Então vale o exercício de fantasia: e se todo mundo se apegar ao trabalho caseiro, e ninguém, desses quase 30% que podem fazer isso, jamais retorne aos escritórios? Daria certo? A resposta é: depende. A Ctrip, uma agência de viagens da China, fez um experimento em 2013: colocou uma parte de seus 16 mil funcionários trabalhando de casa. E concluiu que a produtividade deles aumentou em 13%. Satisfeita com o resultado, liberaram home office para todos.    

Mas também pode ser o contrário. Paradoxalmente, os empregados em casa tendem a se comunicar menos até digitalmente: um estudo do cientista social Ben Waber, cofundador da consultoria de RH Humanyze, mostrou que, num grupo de engenheiros, aqueles trabalhando no escritório mandavam quatro vezes mais emails de trabalho que o pessoal do home office. Nesse caso, concluíram que a produtividade de quem estava na labuta tradicional era um terço maior.   

Por essas, a então CEO da Yahoo, Marissa Mayer, proibiu o home office. De acordo com ela, atrapalhava o entrosamento da equipe. Ajudar, não ajuda mesmo. A comunicação humana tem nuances que são perdidas sem o contato próximo. Por conta disso, o home office leva a mais mal-entendidos e, daí, a erros.

A parte da solidão, em si, também é um problema. Não evoluímos para passar o dia sozinhos. E isso levaria a outra paradoxo. Com boa parte da força de trabalho operando do lar, os happy hours ficariam mais comuns. Mais do que uma válvula de escape sazonal, eles se tornariam essenciais para que os nossos cérebros, famintos por interação social, mantivessem a sanidade.

A pessoa precisa ter certeza, afinal, de que os colegas de trabalho são seres humanos reais. Seja como for, boa parte de quem faz home office provavelmente encontra formas de diminuir a solidão. Uma pesquisa feita pela empresa TinyPulse, nos EUA, constatou que trabalhadores remotos se consideram 9% mais satisfeitos do que os trabalhadores presenciais.

A falta de horário fixo, porém, tende a pesar. Só os mais disciplinados conseguem emular direitinho o horário de expediente, como se estivessem batendo ponto. Quando você labuta de casa, toda hora vira potencialmente hora de trabalho. Isso cobra seu preço: em uma pesquisa realizada em 15 países, 42% das pessoas que faziam home office relataram insônia, contra 29% de quem trabalhava em escritório.

Se o trabalho em si é um misto de benesses e pioras, a cidade ganharia outra cara. O trânsito, obviamente, seria imensamente beneficiado, mas outras partes podiam sofrer. Prédios obsoletos não costumam ser boas notícias para a vizinhança. Eles se tornam ponto de invasões e insalubridade, fazendo cair o valor da região inteira, o que alimenta o ciclo de decadência urbana que leva a mais prédios vazios. O Centro Velho de São Paulo é um exemplo de região de escritórios que perdeu a relevância. Pujantes edifícios dos anos 1960 aparecem abandonados, subocupados, ou em péssimo estado de manutenção.

Isso pode ser combatido transformando escritórios obsoletos em residenciais. E está sendo feito justamente no centro de São Paulo. Em 2016, um prédio de escritórios que deu lugar a 126 unidades de apartamentos ganhou um prêmio arquitetônico. Mas o centro da maior cidade do País ainda tem 70 prédios abandonados e centenas de subutilizados. Se os prédios de escritórios virassem todos residenciais, certamente seria uma benesse para quem paga aluguel, já que os preços de todos os imóveis cairia, com o aumento de oferta. Mas há um limite imposto pelos altos investimentos na conversão dos prédios e na própria demanda: haveria espaço para uma Faria Lima inteira de apartamentos de luxo?

Outro fator de estresse: a própria economia que funciona em torno de trabalhar longe. Seria o fim do restaurante por quilo. No lugar deles, entrariam as dark kitchens, restaurantes sem balcão que operam exclusivamente por aplicativos.

O transporte coletivo também passaria por uma transformação. Com menos gente usando ônibus, faria sentido substituir parte deles por sistemas de transporte sob demanda. É como a versão “Juntos” do Uber, em que até três passageiros aleatórios compartilham corridas com trajetos semelhantes.

A diferença é que seria um serviço com vans. Já existem serviços assim em operação em Berlim, Milão e em 200 cidades do Japão. É melhor que os ônibus de hoje? Não. Tende a sair mais caro. Mas, numa realidade com menos passageiros, talvez essa se torne a única opção para certos trajetos hoje atendidos pelo ônibus.

Agora a melhor parte: com muito menos trânsito e áreas comerciais transformadas em residenciais, algumas avenidas perderiam a função, podendo ser convertidas em parques. Várias cidades já fizeram isso. Madrid, Portland e Seul tinham seus equivalentes às marginais dos rios Tietê e Pinheiros, em São Paulo, vias arteriais correndo ao lado de seus rios principais. Todas foram destruídas e transformadas em parques extensos.

Só isso já daria um belo upgrade no meio ambiente urbano. Mas tem outra. Nos horários de pico do trânsito, o ar fica quatro vezes mais carregado de poluentes, como monóxido de carbono, sulfatos e metais pesados, que no melhor período, logo antes do nascer do sol.

No mundo, o transporte responde por 15% das emissões de gases-estufa, e, em países com muitos automóveis per capita, como os EUA, chega a 29%. Disso, metade acaba na atmosfera só para realizar o traslado de pessoas até o trabalho. Uma tarefa que, apesar dos pesares, pode se tornar um pouco menos comum depois disso que estamos vivendo agora: o maior experimento de home office da história da humanidade. 


E se trabalhássemos para sempre em regime de home office? Publicado primeiro em https://super.abril.com.br/feed