sexta-feira, 6 de agosto de 2021

A atividade física é aliada ou inimiga da incontinência urinária?

A incontinência urinária é definida pela perda involuntária de qualquer quantidade de urina. E é um problema tão comum como incompreendido: estima-se que mais da metade das mulheres sofrem com ele. Porém, alguns estudos indicam que, dessas, cerca de 60% acabam por não relatá-lo devido ao estigma e à falta de conhecimento, principalmente a respeito do tratamento.

O papel da atividade física nesse contexto muitas vezes causa confusão, já que a prática de exercícios pode ser tanto um fator de risco como uma ótima ferramenta de controle. Tudo vai depender do tipo, da intensidade e da adequação para cada caso.

Para tal análise, é necessária uma abordagem integral e individualizada, começando, preferencialmente, assim que os primeiros episódios da incontinência surgirem.

Por isso, o passo inicial ao detectar uma perda involuntária de xixi é relatar a algum profissional, seja clínico, ginecologista ou urologista, que, além de analisar o histórico para possíveis fatores de riscomenopausa, prática de exercícios de alto impacto, número de partos, distúrbios neurológicos, entre outros —, deve realizar o exame físico para ver se há algo associado, como a famosa bexiga caída (“prolapso vesical”, no dicionário médico).

O médico também deve averiguar a necessidade de exames complementares, que excluam a presença de infecção urinária ou alterações anatômicas e auxiliem a classificar a condição em leve, moderada ou grave. Fora isso, é bem-vindo o exame de urodinâmica, que mede a pressão dentro da bexiga e confirma o tipo de incontinência: pode ser de esforço (relacionado a movimentos), de urgência (vontade súbita) ou mista (ambos os anteriores). Com essas informações, o profissional consegue estudar qual o melhor tratamento — com medicação ou cirurgia.

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Em todos os casos, existem medidas auxiliares que também servem para a prevenção e o controle. E, dentre elas, temos a atividade física, recomendada sempre que não houver contraindicação por outro motivo (limitações ortopédicas ou comorbidades crônicas graves, por exemplo), de preferência com a supervisão de um fisioterapeuta habilitado.

Nesse momento, já se pode estabelecer se o exercício físico praticado também é um fator de risco, o que acontece muito com atletas de alto impacto, podendo adaptá-lo de forma a não piorar o quadro.

Durante o tratamento, os mais indicados são os chamados exercícios hipopressivos (antigamente conhecidos como exercícios de Kegel), que ajudam a trabalhar e a fortalecer a musculatura pélvica, trazendo bons resultados em conjunto com exercícios funcionais, terapias comportamentais e a utilização de absorventes e protetores adequados para os escapes de xixi.

Para conscientizar as mulheres que sofrem com o problema sobre a importância da atividade física nessas circunstâncias, e ajudá-las a entender e a realizar os exercícios mais indicados, desenvolvemos a série de aulas do Treino Viva + Mulher by Plenitud.

No caso da incontinência leve, a orientação e a prática regular dos exercícios corretos podem inclusive resolver o problema. Já na moderada e na grave, são aliados do tratamento clínico e cirúrgico, complementando-o de forma a oferecer a melhor qualidade de vida possível.

* Andrea Menezes Gonçalves é ginecologista e obstetra, mestranda em saúde materno-infantil pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e cocriadora do Treino Viva+Mulher By Plenitud


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quinta-feira, 5 de agosto de 2021

Supostos lagos subterrâneos de Marte podem ser de argila em vez de água

Água é essencial para a vida aqui na Terra. Por isso, encontrar indícios do líquido em outro planeta é algo que costuma empolgar os cientistas. Em Marte, por exemplo, o gelo até que é abundante nos polos – mas procurar o dito-cujo em estado líquido nesse planeta tão frio e seco é uma tarefa ingrata.

Não faz muito tempo, pesquisadores ficaram intrigados – e ouriçados – com dados que pareciam indicar a existência de lagos subterrâneos no Planeta Vermelho. A novidade decepcionante é que, de acordo com um novo estudo, os tais lagos na verdade podem ser depósitos de argila marciana. 

Essa história começou em 2018, quando o MARSIS, um instrumento de radar a bordo da nave Mars Express da Agência Espacial Europeia (ESA), coletou informações compatíveis com a existência de água embaixo das calotas polares do hemisfério sul. 

O radar, posicionado em órbita, emite ondas eletromagnéticas na direção do planeta. Essas ondas batem na superfície e voltam. E as características da reflexão variam conforme o material atingido. 

Mais tarde, outros lagos subterrâneos foram detectados – e, caso fosem mesmo feitos de água líquida, esses reservatórios poderiam abrigar vida. Mas a história estava mal contada: uma quantidade de calor e sal que a geologia de Marte não tem condições de oferecer seriam necessários para formar e manter a água líquida nesses locais. (Ao menos de acordo com o que se sabe sobre o planeta até agora.)

Pensando nisso, um novo estudo, conduzido por Isaac Smith, pesquisador da Universidade de York, no Canadá, sugere que argilas já conhecidas e presentes em abundância no sul de Marte podem explicar os sinais de radar.

“Há ceticismo sobre a interpretação do lago, mas ninguém ofereceu uma alternativa realmente plausível”, afirma Smith. “Portanto, é emocionante ser capaz de demonstrar que algo mais pode explicar as observações do radar e demonstrar que o material está presente onde deveria estar.”

A equipe estudou minerais conhecidos como esmectitas, um tipo de argila cuja composição química é mais próxima à de uma rocha vulcânica do que outras argilas. Esses minerais se formam quando rochas vulcânicas erodidas sofrem mudanças químicas ao interagirem com a água. Essa argila pode reter grandes quantidades de líquido.

 

Os pesquisadores descobriram em laboratório que esmectitas carregadas de água podem gerar o tipo de reflexo detectado pelo MARSIS, mesmo quando junto de outros materiais. Para isso, eles resfriaram os minerais a uma temperatura de -43 °C – o tipo de frio encontrado nas regiões polares marcianas.

Os cientistas sugerem que as esmectitas se formaram no polo sul de Marte numa época mais quente, quando a área ainda era coberta por água. E, posteriormente, essas argilas carregadas de água teriam sido enterradas sob o gelo.

Ou seja: não vai ser dessa vez que Elon Musk vai vender mergulhos marcianos para os clientes da SpaceX. Quem visitar o Planeta Vermelho vai ter que se contentar em chupar gelo.


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Efeito Olimpíadas: os cuidados antes de começar um esporte

Atletas com histórias e feitos inspiradores param o mundo em tempo de Olimpíadas. Assistir às competições das mais de 40 modalidades pode estimular o interesse pela prática de esportes. Mas, antes de se aventurar em manobras e movimentos, é bom checar como vai a saúde do coração e dos músculos – principalmente se estiver saindo do sedentarismo. Quem é mais experiente deve refletir sobre suas aptidões na hora de mudar a rotina de exercícios.

“As Olimpíadas mostram que não faltam opções de atividades, e um profissional de educação física pode fazer adaptações e ajustes para o perfil de cada aluno. Se a pessoa deseja iniciar esgrima, por exemplo, e não há escolas na cidade dela, é nessa hora que um instrutor vai ajudar”, aconselha Yara Fidelix, professora do Colegiado de Educação Física da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), em Pernambuco.

Nada é impossível no mundo esportivo, mas é importante conhecer bem seu corpo e começar devagar. “Em tese, dá para escolher qualquer atividade, mas há algumas particularidades. O skate pode ser preocupante para os mais velhos, por exemplo, porque há maior risco de lesão, sobretudo se a pessoa já apresenta redução do equilíbrio e dos controles motores”, opina o médico Moisés Cohen, presidente da Comissão Médica da Federação Paulista de Futebol (FPF).

No Brasil, as modalidades mais comentadas nas Olimpíadas são futebol, basquete, ginástica, vôlei e tênis, segundo levantamento do Twitter. Elas parecem mais tranquilas, mas também pedem preparo. “De uma forma geral, se a pessoa não tem nenhuma doença ou comportamento de risco, até pode iniciar a prática sozinha. No entanto, o ideal é que ela seja orientada por um especialista na área, já que algumas modalidades exigem maior aptidão cardiorrespiratória”, recomenda Yara.

A corrida e o ciclismo são as atividades aeróbicas mais fáceis de incorporar na rotina, mas vale checar o condicionamento. A preocupação é também evitar lesões. “Descer ladeiras na corrida pode prejudicar quem já tem uma dor no joelho. Orientações assim ajudam o indivíduo a executar a modalidade escolhida de forma saudável”, explica Cohen.

Natação, dança e esportes coletivos, como o vôlei e o futebol, são bem adaptáveis a diferentes perfis, e os efeitos de bem-estar são sentidos em pouco tempo.

Independentemente do exercício escolhido, o fundamental mesmo é que ele proporcione prazer. “Se for feito com gosto, a chance de a pessoa desistir é menor, e os efeitos psicossociais são praticamente imediatos. Já os benefícios para a saúde fisica levam cerca de 12 semanas para aparecer, como melhora na força, na flexibilidade e nas funções cardiorespiratórias”, avalia Yara.

Troca de modalidade

Quem já pratica esporte e quer ir além, variando atividades, tem outras reflexões a fazer. “A mudança fica mais fácil quando a pessoa possui uma habilidade que pode ser aproveitada nessa outra prática. Mas algumas adaptações de treino podem ser necessárias”, relata Yara.

Reconhecer suas aptidões é um bom passo para se encaixar em novos esportes. “A Rayssa [Leal], por exemplo, sabe desde cedo que tem equilíbrio, agilidade e bom reflexo, mas talvez ela não lide tão bem com uma bola na mão. Assim como um bom nadador nem sempre será um ótimo ciclista”, cita Cohen.

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Sem metas olímpicas

É bonito ver a garra dos atletas pela televisão, mas, ao fazer exercícios no dia a dia, meros mortais não precisam ter todo esse espírito olímpico. Quem compete em um evento dessa grandiosidade dedica sua vida ao treinamento e convive com lesões. “O esporte de alto rendimento é sempre mais agressivo do que a prática de lazer. Essa máxima do ‘no pain, no gain’ [sem dor, não há ganho] é controversa para pessoas comuns”, avalia Cohen.

Orientações médicas e de um educador físico podem evitar problemas mais sérios. “Às vezes, queda de pressão, excesso de cansaço, tontura e câimbra são sinais de que a pessoa passou um pouquinho de seus limites”, avisa a educadora física Yara.

Modas de novos esportes vivem surgindo, sejam elas impulsionadas ou não por Olimpíadas ou outros campeonatos. Mas nem sempre a tendência do momento é simples ou serve para todo o mundo. “Uma moda recente é o tênis de praia. Muita gente que não fazia nenhuma atividade toma gosto e se excede, praticando por horas. Só que a incidência de lesões é grande”, relata Cohen.

Movimentar-se todos os dias é a principal recomendação dos médicos, e a novas atividades são mais do que bem-vindas. Basta respeitar limites e cuidar da saúde.

Principais modalidades olímpicas

Tiro com arco
Basquete
Ginástica artística
Nado artístico
Atletismo
Badminton
Baseball e softbal
Vôlei de praia
Boxe
Canoagem
Ciclismo
Saltos ornamentais
Hipismo
Esgrima
Futebol
Golfe
Handebol
Hóquei de grama
Judô
Karatê
Maratona aquática
Pentatlo moderno
Ginástica rítmica
Remo
Rugby
Vela
Tiro
Skate
Escalada
Surfe
Natação
Tênis de mesa
Taekwondo
Tênis
Ginástica de trampolim
Triatlo
Vôlei
Polo Aquático
Halterofilismo
Luta


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O papel da estimulação transcraniana no Parkinson

A estimulação transcraniana por corrente contínua potencializou o benefício do exercício aeróbico e melhorou o andar de pacientes com Parkinson imediatamente após a sessão. Houve ganho na variabilidade da marcha, no tempo de reação e no controle executivo do andar.

O resultado foi observado em estudo feito por pesquisadores do Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista (Unesp), no campus de Rio Claro, com 20 voluntários. O artigo foi publicado na revista científica Neurorehabilitation & Neural Repair.

Os participantes compareceram a duas sessões de 30 minutos de exercícios aeróbicos (ciclismo em intensidade moderada) combinados com diferentes condições de estimulação transcraniana (tDCS, na sigla em inglês) ativa ou placebo, com intervalo de uma semana.

Antes e imediatamente após cada sessão, foram avaliadas funções cognitivas e a atividade cerebral durante o andar. Parâmetros espaço-temporais também foram incluídos na análise para acompanhar a quantidade e o comprimento do passo e medir a velocidade da marcha. No estudo, cruzado randomizado e duplo-cego, houve controle por placebo.

“Em comparação com a pré-avaliação, os participantes diminuíram a variabilidade do tempo do passo, reduziram o tempo de reação simples e de escolha, além de aumentar a atividade na área do cérebro estimulada durante a caminhada após o exercício aeróbico combinado à tDCS ativa”, escrevem os pesquisadores no artigo, que teve apoio da Fapesp.

+ Malhação para o cérebro: exercícios contra Parkinson, Alzheimer e cia.

Um dos orientadores do trabalho, Rodrigo Vitório explica que, para permitir a comparação sem viés, os voluntários receberam intervenções ativas e, em dias separados, uma espécie de placebo, ou seja, estimulação simulada por apenas dez segundos, enquanto nos pacientes pesquisados o tempo foi de 20 minutos. Metade da amostra fez a sequência ativa-placebo, e a outra metade, placebo-ativa.

A estimulação transcraniana é feita por meio de dois pequenos eletrodos retangulares, posicionados em locais específicos do crânio. O aparelho, portátil e movido a bateria, é ligado aos eletrodos fixados sobre o couro cabeludo, criando um circuito elétrico que atravessa o cérebro. A corrente é muito baixa, 2 miliampere (mA), mas suficiente para estimular os neurônios, deixando-os preparados para atuar caso o organismo demande um movimento.

“Mesmo com as limitações do tamanho da amostra, vimos que a estimulação transcraniana aumentou a atividade do córtex pré-frontal, uma área do cérebro que pacientes com Parkinson usam mais para controlar o andar do que indivíduos saudáveis. Com uma única sessão associada ao exercício, observamos melhoras, inclusive das funções cognitivas”, diz Vitório, que atualmente é pesquisador da Faculdade de Ciências e Saúde da Universidade Northumbria (no Reino Unido).

Em entrevista à Agência Fapesp, ele afirma que um dos objetivos do trabalho era entender os efeitos da técnica de estimulação cerebral após estudos anteriores realizados por grupos do qual fez parte já demonstrarem que o exercício aeróbico ajuda na atividade motora de pacientes com Parkinson.

“A estimulação transcraniana, além de segura, se mostra promissora no sentido de potencializar os efeitos de intervenções e tratamentos. Já é prescrita, por exemplo, em casos de depressão”, diz Vitório.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontavam que cerca de 1% da população mundial com idade superior a 65 anos tinha Parkinson em 2019. No Brasil, por não haver uma notificação compulsória de casos, estima-se que 250 mil pessoas sejam afetadas.

O que é o Parkinson

A doença de Parkinson leva a uma degeneração do sistema nervoso central, crônica e progressiva, causada pela queda da produção de dopamina, substância que atua na transmissão de mensagens entre as células nervosas (neurotransmissor).

A dopamina contribui na realização de movimentos voluntários do corpo de forma automática, ou seja, não é preciso pensar no movimento que os músculos devem fazer. Na falta dela, o indivíduo perde o controle motor. Os medicamentos indicados para tratamento da doença geralmente atuam no sentido de repor a dopamina.

+ LEIA TAMBÉM: Como o Parkinson surge, afeta o corpo e causa tremores?

Pacientes com Parkinson têm degenerações específicas em áreas do cérebro envolvidas nesse controle automático dos movimentos. Para compensar esse déficit, usam recursos de atenção. Na pesquisa, o exercício aeróbico associado à estimulação aumentou essa capacidade compensatória dos voluntários.

Entre os principais sintomas da doença estão lentidão motora, rigidez em articulações do punho, cotovelo, ombro, coxa e tornozelo, tremores de repouso nas mãos, chegando ao desequilíbrio. Por isso, melhorar o andar desses pacientes pode fazer diferença na qualidade de vida, evitando quedas, por exemplo.

Recentemente, um outro grupo de pesquisadores da Unesp, no campus de Bauru, concluiu que a sinergia do comprimento do passo de pacientes com Parkinson durante a travessia de obstáculos é 53% menor do que em pessoas saudáveis da mesma idade e peso.

Essa sinergia se refere à capacidade de o sistema locomotor adaptar o movimento – combinando fatores como velocidade e posicionamento do pé – quando é preciso cruzar um obstáculo, como subir a guia da calçada.

O artigo Aerobic Exercise Combined With Transcranial Direct Current Stimulation Over the Prefrontal Cortex in Parkinson Disease: Effects on Cortical Activity, Gait, and Cognition pode ser lido aqui.

*Esse texto foi publicado originalmente na Agência Fapesp.


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Vacinas: o eterno e atual legado do Dia Nacional da Saúde

A Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu, em 1948, que “saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, não apenas a ausência de doença”. Essa premissa continua oportuna para refletirmos hoje, Dia Nacional da Saúde, sobre a importância do autocuidado, sobretudo no cenário global de pandemia.

Poderíamos discutir os impactos da crise sanitária nos diferentes estados de saúde da população mundial, principalmente mental e social. Mas vamos nos ater a uma questão prioritária e que se relaciona com a data, criada para homenagear um dos mais importantes médicos brasileiros, reconhecido aqui e no exterior: Oswaldo Cruz.

Tendo a ciência como guia, ele defendeu a importância da vacinação como poucos àquela época. E, apesar da pressão da população e da imprensa contra sua proposta de imunização para a varíola, que ameaçava o Rio de Janeiro em 1904, o sanitarista se empenhou em garantir que a doença – hoje erradicada – deixasse de matar.

Quase 70 anos depois foi criado o Programa Nacional de Imunização (PNI). Referência mundial, ele oferece gratuitamente 19 vacinas para 20 doenças graves, como poliomielite, hepatite, febre amarela, sarampo, coqueluche, rubéola e caxumba. Dadas as dimensões continentais do Brasil, a missão de imunizar todo mundo não é simples. Ainda assim, o programa erradicou doenças como a varíola e o sarampo.

Atualmente, o PNI sofre com os efeitos de fake news, que impactam a cobertura vacinal. Em 2019, pela primeira vez na história, o Brasil não alcançou a meta em nenhuma das vacinas e perdeu o certificado de país livre de sarampo, concedido pela Organização Panamericana de Saúde (Opas).

Aí veio a pandemia da Covid-19, impondo novos desafios. Além do engajamento pela imunização coletiva nas redes com as hashtags #VacinaBoaÉVacinaNoBraço, mantendo vivo o legado do visionário Oswaldo Cruz, e combate aos #SommeliersDeVacinas, esperamos a ciência desenvolver estratégias para proteger contra os efeitos graves da doença.

+ LEIA TAMBÉM: Por que pegar Covid-19 após vacina não significa que o imunizante falhou

Com aproximadamente 20% de brasileiros imunizados contra a Covid-19, é notável como o tema tem repercutido país afora. Dados do Google Trends mostram que a busca pela palavra ‘vacina’ mais do que quadruplicou de janeiro a junho deste ano.

Esse interesse está refletido também em uma pesquisa publicada em maio pela Ipsos, em parceria com o Fórum Econômico Mundial. Realizada em 15 nações, o levantamento apontou que os brasileiros são os que estão mais estão dispostos a se vacinar conta a Covid-19 (93%), seguidos pelos mexicanos (88%), espanhóis (83%) e chineses (79%).

Nesse 5 de agosto, esse cenário mantém vivo o legado deixado por Oswaldo Cruz. E até que boa parte da população esteja imunizada, todos devemos fazer a nossa parte, mantendo o uso de máscaras e o distanciamento social para evitar a propagação do vírus – medidas também comprovadas de combate à pandemia. Um brinde à ciência e à saúde!

*Maria Isabel de Moraes Pinto é médica infectologista e Gustavo Campana é diretor médico da Dasa


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quarta-feira, 4 de agosto de 2021

Pegar Covid-19 depois da vacina não significa que o imunizante falhou

Sim, você pode pegar o coronavírus depois de tomar as duas doses da vacina. E, quanto mais ele circula, maior a chance disso acontecer. Mas isso está longe de indicar que os imunizantes contra a Covid-19 não funcionam. Os resultados da disseminação da variante Delta em outros países só reforçam a importância da vacinação

“As vacinas ainda protegem dessa mutante, especialmente para evitar hospitalizações e mortes. O que estamos vendo é uma queda na proteção contra a infecção. E isso é mais significativo em pessoas que só tomaram uma dose”, aponta a epidemiologista Denise Garrett, vice-presidente do Sabin Institute, nos Estados Unidos. 

Em um cenário de alta disseminação do vírus, é natural que os escapes (chamados também de breakthroughs vacinais) aumentem e, em paralelo, o efeito protetor se torne mais claro. “A variante até infecta os vacinados, que transmitem a doença. Mas eles próprios praticamente não adoecem”, conta o infectologista Renato Kfouri, da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm)

O caso dos Estados Unidos ilustra bem essa situação. O país vive um aumento de casos com a chegada da Delta, inclusive entre imunizados. Porém, mais de 97% das internações e 99% dos óbitos nessa nova fase da pandemia de coronavírus estão ocorrendo entre os não-vacinados, aponta o Centro de Controle de Doenças do país. 

Dados da mesma entidade do final de julho indicam que 6 500 casos de internação ou morte por Covid-19 foram relatados entre os mais de 160 milhões de norte-americanos vacinados. Isso significa que menos de 0,004% dos totalmente imunizados tiveram que ser hospitalizados por Covid-19 e menos de 0,001% morreu pela doença. Já para quem não recebeu as picadas, há entre 10 e 15% e 1 a 2% de agravamento ou óbito, respectivamente.  

LEIA TAMBÉM: Como interpretar casos de morte pós-vacina

O que acontece quando um vacinado pega Covid-19 

 Antes de tudo, é bom lembrar que nenhuma vacina oferece 100% de proteção. “Vemos a ocorrência de sarampo e gripe entre os vacinados contra essas doenças. Com o coronavírus não é diferente. Mas, mesmo quando a vacina não desperta no organismo uma resposta imune suficiente para prevenir a doença, quase sempre atenua sua gravidade”, aponta Kfouri.

Para entender por que isso acontece, vamos pegar emprestada uma explicação dada pelo imunologista Deepta Bhattacharya, da Universidade do Arizona, ao site The Atlantic. O especialista compara o ataque de um vírus com um exército tentando invadir um forte inimigo. 

O imunizante, nesse exemplo, atua como um espião, que estuda a ameaça antes e entrega informações sobre ela para quem está dentro do forte. Com isso, é possível atuar em várias das frentes de combate: patrulhar melhor a vizinhança em busca do inimigo, construir armas melhores, específicas para ele e, em alguns casos, até eliminar os adversários antes que eles sequer se aproximem dos muros. 

As fórmulas dão uma mãozinha para as defesas, mas a capacidade de resposta depende ainda do organismo da pessoa e do nível de exposição ao vírus. Ora, a vacina não é capaz de neutralizar todas as ofensivas, isso é sabido. Logo, se os ataques não param de acontecer, em algum momento um invasor vai penetrar as defesas do forte. 

A variante Delta parece aumentar a possibilidade disso acontecer, pois se replica rápido nas vias aéreas superiores. “E isso ocorre antes de o sistema imune ser ‘acordado’. Nesse tempo, a carga viral aumenta e a pessoa pode passar o vírus adiante, mesmo que só tenha sintomas leves ou seja assintomática”, comenta Denise. 

As vacinas já oferecem um grau considerável de proteção para versões mais graves da doença mesmo com a primeira dose, pois elas agilizam a resposta a essa investida inicial, liberando anticorpos e outras células de defesa antes que o Sars-Cov-2 atinja pulmões e outros órgãos. 

As vacinas ainda funcionam contra a Delta

Mas, nesse caso, tomar a segunda dose é ainda mais importante. Em estudo publicado no periódico New England Journal of Medicine,  houve redução de efetividade contra infecções no geral após a primeira dose das vacinas da Pfizer e AstraZeneca (a blindagem vai para a casa dos 30%). Com o esquema completo, a proteção salta para 74% e 67%, respectivamente.

Para a Coronavac ainda não temos dados disponíveis. Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, afirmou que ela já foi testada em laboratório contra a nova cepa e funcionou. A entidade está conduzindo um estudo de vida real para confirmar a eficácia da vacina frente à mutante.  

+ LEIA TAMBÉM: Vacina: 5 respostas importantes para quem já pegou Covid-19 

De qualquer maneira, sabe-se que, para idosos e indivíduos com o sistema imune comprometido, o perigo oferecido pelo Sars-Cov-2 é maior mesmo depois da picada, pois as vacinas já tendem a apresentar efeito diminuído nesse público. Nos Estados Unidos, 74% dos casos de infecção pós-vacina ocorreram em pessoas de 65 anos ou mais. 

Vacinados transmitem o coronavírus 

<span class="hidden">–</span>Foto: Unsplash/CDC/Reprodução

Esse é um alerta importante. Como adiantamos acima, vacinados ainda podem passar o vírus adiante. “Reduzir a transmissão é um ganho secundário. Nossa expectativa maior era impedir adoecimento e óbito, que são os problemas mais urgentes durante a pandemia”, explica a epidemiologista Ethel Maciel, professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes)

O objetivo é que, com muita gente vacinada e pouca gente doente, o vírus naturalmente circule menos. E algumas vacinas, em especial as de RNA mensageiro (como as da Pfizer e Moderna), até demonstraram reduzir a capacidade de disseminação do vírus. Mas a Delta está mudando esse cenário. 

“Países que apostaram nisso para relaxar as medidas de contenção do vírus antes de atingir uma boa cobertura vacinal, acima dos 70%, estão tendo que rever sua estratégia”, comenta Ethel. 

Precisamos aprender com isso. “Temos poucas pessoas com o esquema vacinal completo, cerca de um quarto do público alvo. Então, seguiremos com alta circulação do vírus, o que pode ameaçar quem ainda está suscetível”, completa a especialista. E não só eles, mas também os vacinados, ainda que em menor grau. 

Vale lembrar que, quando a Delta surgiu na Índia, à época com baixa cobertura vacinal, o estrago foi um dos mais simbólicos e trágicos da pandemia, chegando a 6 mil mortes por dia.

Para impedir novas subidas nos óbitos por aqui, é importante que indivíduos vacinados (e sobretudo os parcialmente imunizados) mantenham cuidados como usar máscaras e evitar aglomerações até que a maior parte da população esteja vacinada e a transmissão comunitária seja, enfim, reduzida. Temos os caminhos, mas a batalha ainda não está ganha.


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Cor e fluxo diferentes na menstruação podem indicar doenças?

Marrom, vermelho escuro e até rosado. O sangue menstrual pode ter vários tons e isso não é necessariamente um problema. Mais importante do que a cor, são as mudanças no fluxo, que, às vezes, sinalizam algum distúrbio. Por isso a mulher deve estar sempre atenta às características do seu ciclo, inclusive a duração.

Aquele sangue amarronzado — que lembra borra de café — não indica doenças por si só; é apenas um sinal de que já houve oxidação. Ele costuma aparecer logo no início ou no fim de cada período. Também pode ocorrer no formato de escapes, quando sai em pequenas quantidades.

O tom vermelho vivo significa que o endométrio (a camada que recobre o útero) acabou de descamar. Nesses casos, o sangramento pode ser grande e até mesmo em formato de coágulos, como se fossem pedaços mais viscosos.

alterações na intensidade e sangramentos fora de hora merecem atenção. “Esses sinais podem, sim, indicar doenças”, diz Lilian Fiorelli, uroginecologista e especialista em sexualidade feminina pela Universidade de São Paulo (USP).

+ Leia também: O ciclo menstrual influi no ânimo para se exercitar

Os problemas mais comuns por trás do fluxo anormal são pólipos, miomas, lesões no colo do útero e alterações hormonais. Se a perda excessiva de sangue não é interrompida, há risco de anemia.

Por outro lado, uma diminuição abrupta ou mesmo a interrupção do fluxo menstrual não raro aponta para a síndrome dos ovários policísticos. A ginecologista Larissa Cassiano, especializada em gestação de alto risco pela USP, destaca que o quadro também decorre do excesso atividade física.

A influência de medicações

Alguns remédios de uso contínuo afetam a quantidade do fluxo. Tratamentos para o hipotireoidismo, por exemplo, podem levar a um sangramento maior, principalmente em casos de superdosagem. Drogas que levam estrogênio na fórmula também. Por outro lado, certos anti-inflamatórios às vezes reduzem a intensidade da menstruação.

O que é a menstruação?

Ela nada mais é do que a descamação do endométrio. Ao longo do ciclo da mulher, que dura em média 28 dias, esse tecido vai ficando mais espesso para acomodar uma possível gestação. Se isso não acontece, ele é eliminado. A duração do sangramento varia de dois a oito dia.

Às vezes, gestantes têm um pequeno sangramento no início da gravidez, que pode ser confundido com a menstruação. Por isso, vale frisar: qualquer mudança, especialmente se vier acompanhada de outros sintomas, deve servir de alerta.

*Esse texto foi publicado originalmente na Agência Einstein.


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