sexta-feira, 2 de setembro de 2022

Trens poderão ajudar a capturar CO2 da atmosfera

Texto Bruno Garattoni e Maurício Brum 

A melhor solução para conter o aquecimento global é frear as emissões de CO2. Ponto. Mas esse processo é difícil, leva tempo e não é universal – alguns setores industriais (como a produção de cimento, por exemplo, que gera 8% de todo o dióxido de carbono emitido pela humanidade) simplesmente não conseguem operar sem liberar CO2. Entra em cena uma tecnologia controversa e promissora: a captura e sequestro de carbono (CCS, na sigla em inglês).  

Ela consiste em aspirar o CO2 da atmosfera e dar um destino a ele – o gás pode ser convertido num combustível sintético, transformado em material de construção ou enterrado em poços (o que é polêmico, já que o CO2 poderia escapar um dia). Mas o principal problema é que capturar carbono é caro. Existem algumas usinas de CCS espalhadas pelo mundo, mas elas gastam US$ 600 para sugar e processar cada tonelada de CO2 – e a humanidade emite aproximadamente 36,3 gigatons (bilhões de toneladas) desse gás por ano. A conta não fecha. 

Entra em cena uma nova tecnologia, que promete reduzir drasticamente o custo da captura de carbono: um vagão aspirador de CO2, que pode ser instalado nos trens já existentes e vai sugando o gás carbônico da atmosfera conforme se movimenta.

Ele foi criado pela empresa americana CO2Rail, que se uniu à Universidade de Toronto, no Canadá, para estudar sua viabilidade técnica e econômica. 

Os resultados, que foram publicados na revista científica Joule, são promissores. Segundo o estudo, cada trem equipado com a tecnologia seria capaz de capturar até 3 mil toneladas de carbono por ano – o equivalente às emissões geradas por 700 automóveis no mesmo período. E sairia muito mais barato do que as atuais usinas de CCS: o sistema custa US$ 45 por tonelada de CO2 capturada. 

Os trens, que podem ser de carga ou de passageiros, continuariam percorrendo suas linhas atuais. A única mudança seria acoplar o vagão extra, da CO2 Rail.

Enquanto as usinas de CCS gastam energia para sugar o gás carbônico (ele é aspirado por grandes “ventiladores”), a nova tecnologia aproveita o próprio movimento dos trens. 

Ilustração mostrando o vagão capturador de CO2 (na cor verde), que poderia ser instalado em trens de carga ou passageiros.CO2 Rail/Divulgação

O ar entra por um duto no vagão e passa por uma câmara coletora, na qual um filtro absorve apenas o gás carbônico, devolvendo o restante do ar – agora limpo – à natureza. Já dentro do reservatório do vagão, o dióxido de carbono é comprimido até se tornar líquido, e injetado num tanque. 

 

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O vagão da CO2 Rail consegue gerar sozinho a energia necessária para comprimir o gás carbônico. Isso é feito de duas maneiras, ambas sustentáveis: com eletricidade capturada por painéis solares, instalados no teto do vagão, e por um sistema de freio regenerativo, que produz energia quando o trem freia (os eixos do trem movimentam um gerador elétrico). 

Essa tecnologia é usada há mais de uma década na Fórmula 1, e também está presente nos carros elétricos que andam nas ruas. É especialmente boa para uso em trens, pelo seguinte motivo: eles são muito pesados, e por isso possuem muita energia cinética quando estão em movimento (a fórmula da energia cinética, que talvez você lembre das aulas de física no Ensino Médio, é massa x velocidade / 2).

Nos trens atuais, essa energia cinética é convertida em calor, gerado pelo atrito das rodas com os freios. Ela é desperdiçada. Mas, com o sistema regenerativo, poderia ser convertida em eletricidade.  

Quando o tanque de CO2 do vagão fica cheio, ele é tirado e levado para uma estação da CO2 Rail, que o encaminha para seu destino final. Outras empresas ficariam responsáveis por transformar o CO2 em combustível sintético ou injetá-lo em depósitos subterrâneos – e esse é um ponto controverso. 

Além do eventual risco de vazamento (que poderia resultar em crises climáticas no futuro), o ato de enterrar CO2 também pode acabar agravando o aquecimento global. Isso porque, em certos casos, as empresas de petróleo injetam o CO2 em seus poços para conseguir extrair mais óleo deles, numa técnica conhecida como enhanced oil recovery. Ela é um problema, já que mais petróleo extraído e queimado significa mais CO2 lançado na atmosfera.

Já se o gás for transformado em combustível sintético (o que é feito por meio de reações químicas, e foi demonstrado em laboratório pela primeira vez em 2013), tudo bem: quando for queimado, ele vai liberar exatamente o mesmo CO2 que havia sido capturado, sem agravar o aquecimento global. A Fórmula 1 está desenvolvendo um combustível desse tipo, que deve começar a ser usado em 2026. 

O projeto da CO2 Rail tem a vantagem de ser modular, já que os vagões podem ir sendo fabricados e instalados aos poucos. Isso o torna bem mais simples e viável do que construir uma usina de captura de carbono: projeto no qual é necessário adquirir um terreno, fazer estudos de impacto ambiental, conseguir permissão das autoridades e investir centenas de milhões de dólares. Por isso, há pouquíssimas usinas de captura de carbono: são cerca de 20, distribuídas pelo mundo. 

A CO2 Rail pretende instalar os seus vagões em 13 mil trens, nos Estados Unidos, ao longo dos próximos anos. Isso pode parecer só mais uma ambição desmedida típica de startup. Mas pode ter chances reais, graças a um fato: o megapacote de investimentos climáticos que o governo dos EUA anunciou, e o Congresso americano aprovou, para os próximos anos.

Ele inclui US$ 369 bilhões em geração de energia limpa e combate às mudanças climáticas – sendo US$ 12 bilhões só para projetos de captura de carbono, como o da CO2 Rail. Com esse esforço, os Estados Unidos pretendem reduzir em 40% suas emissões de carbono até 2030. 

O estudo da Universidade de Toronto estimou que a tecnologia de vagões aspiradores de CO2 teria potencial para capturar 0,45 gigaton de CO2 por ano já em 2030 – aumentando para 2,9 gigatons em 2050 e 7,8 gigatons em 2075.  

Ela pode ser uma ajuda a mais num esforço extremamente ambicioso, que também terá de envolver a substituição de combustíveis fósseis, a construção de usinas de captura de CO2 e o reflorestamento. O planeta depende disso.

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Falar inspira… Transformação em prol da saúde mental

Este ano marca a terceira campanha de prevenção do suicídio do Setembro Amarelo encabeçada pelo Movimento Falar Inspira a Vida, o que me traz a lembrança de como tudo começou.

Em 2019, a Janssen Brasil decidiu criar um projeto para conscientizar a sociedade sobre a necessidade de se falar abertamente sobre depressão. O projeto foi ganhando corpo e, em 2020, tornou-se um movimento com parceiros que acreditam, tanto quanto nós, que esse tema precisa ser discutido amplamente pela sociedade, sem tabus.

Hoje, o Falar Inspira a Vida é uma coalizão formada por renomadas instituições que acreditam que promover informação de qualidade a respeito de depressão, depressão resistente ao tratamento e suicídio é um dos caminhos para que mais pessoas entendam que é possível enfrentar esses desafios e viver com mais qualidade.

Junto a VEJA SAÚDE, um dos membros da iniciativa, decidimos abrir este espaço para que especialistas possam contribuir com suas perspectivas e consigamos avançar na complexa missão de mudar o cenário da depressão no país.

Se você ainda não conhece o trabalho que o Falar Inspira a Vida vem fazendo, permita-me aproveitar nosso primeiro artigo para apresentar brevemente nossas conquistas ao longo desses últimos anos.

Para marcar nossa primeira campanha do Setembro Amarelo, o movimento usou a linha 4-amarela do Metrô de São Paulo para distribuir mais de 27 mil unidades do guia Depressão: quando saber falar e ouvir inspira a vida, numa ação que impactou 8,45 milhões de pessoas.

No mesmo ano, lançamos junto com a Discovery o documentário Existir e Resistir – O desafio da depressão, que atingiu 91 milhões de espectadores. Em 2021, o movimento foi além e desenvolvemos outros guias para orientar os diálogos sobre o tema em contextos específicos e muito urgentes.

É o caso de Depressão: como acolher no ambiente de trabalho e Papo reto sobre saúde mental, voltado para adolescentes e jovens adultos.

+ LEIA TAMBÉM: Estamos diante de uma nova era contra a depressão

No nosso segundo Setembro Amarelo, criamos ainda o jogo Jornada do Acolhimento, que, de uma maneira inovadora, apresenta diferentes realidades de pessoas com depressão e médicos e redes de apoio que lidam com a doença, pensando em sensibilizar e engajar toda a sociedade.

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Agora, em 2022, o movimento segue promovendo uma conversa empática sobre a importância de compreender a depressão enquanto doença e, principalmente, acreditar que a recuperação é possível.

Por isso, apresentamos uma campanha especial chamada “Mensagens de Transformação”. Os membros do movimento, com a ajuda das redes sociais e de ferramentas de coletas de dados, utilizaram discursos históricos marcantes como inspiração para criar um manifesto potente e impactante direcionado aos pacientes com depressão e suas redes de apoio.

O objetivo é incentivá-los a buscar ajuda especializada, tratamento adequado e, mais do que isso, persistir na jornada pela retomada de uma qualidade de vida plena. Iremos espalhar, com a sua ajuda, essa mensagem de acolhimento e resistência por meio de ações especiais que acontecerão ao longo do mês.

Estamos empolgados com mais essa oportunidade de falar sobre depressão e prevenção ao suicídio de maneira aberta, responsável, empática e colaborativa. Acreditamos na premissa que dá nome ao movimento. Falar, ouvir, abrir-se, acolher e persistir são a chave para mudar a realidade de milhões de brasileiros.

Continue acompanhando essa iniciativa e nossa recém-lançada coluna.

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* Fabio Lawson é psiquiatra e diretor médico da Janssen no Brasil

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quinta-feira, 1 de setembro de 2022

EUA aprovaram novas vacinas contra a Ômicron mesmo sem testes em humanos

FDA decidiu liberar as vacinas BA.4/5 da Pfizer e da Moderna se baseando apenas nos testes realizados em ratos; veja os argumentos a favor e contra a medida, que é polêmica – mas não inédita

Ontem, dia 31 de agosto, a Food & Drug Administration (equivalente americano da Anvisa) concedeu uma “autorização de uso emergencial” para as novas vacinas da Pfizer e da Moderna, que são bivalentes: elas oferecem proteção contra o coronavírus original, que surgiu na China em 2019, e também contra a variante Ômicron. E essas vacinas, que começarão a ser aplicadas nos EUA nos próximos dias, se baseiam na subvariante BA.5, que é a dominante no mundo hoje (também protegem contra a BA.4, cuja proteína spike é idêntica à da BA.5).  

É a primeira atualização das vacinas da Covid desde o início da pandemia. Mas há um porém. A FDA se baseou nos resultados de testes em ratos para liberar os novos imunizantes. Eles não foram testados em humanos. A Pfizer e a Moderna só apresentaram testes clínicos feitos com outras vacinas, baseadas na subvariante BA.1 – que já está extinta. 

A FDA tomou essa decisão porque, na prática, não haveria tempo para realizar um teste clínico completo com as vacinas BA.5, que levaria aproximadamente três meses. Isso significa que elas não ficariam prontas para o inverno americano, no qual é esperado um aumento dos casos de Covid.

Mesmo assim, a mudança de postura divide especialistas. “Você poderia aplicar [a vacina BA.5 em voluntários] e medir os níveis de anticorpos deles duas semanas depois”, declarou o imunologista Paul Offit, um dos maiores especialistas dos EUA em vacinas, à revista Time. Esse teste abreviado já seria melhor do que teste nenhum.

Proteína spike da Ômicron original (BA.1), e subvariantes posteriores. A região identificada como RBD, ou receptor binding domain, é a responsável pela conexão do vírus às células humanas.Nature Communications/Reprodução
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Offit é membro da VRBPAC, uma comissão de especialistas que aconselha a FDA sobre vacinas (e não participou da decisão de ontem, que foi tomada exclusivamente pela própria agência). Ele destaca que a vacina BA.1 -que foi testada em humanos- apresentou um desempenho modesto. “Eles [Pfizer e Moderna] mostraram que os níveis de anticorpos eram de 1,5 a 2 vezes maiores, contra a Ômicron, do que com a vacina original”, disse à Time. 

“Eu gostaria de ver evidências claras de um ganho dramático em anticorpos neutralizantes, mais dramático do que nós vimos com a BA.1, antes de lançar um novo produto. É o mínimo que nós merecemos.” 

Para Offit, a vacina BA.5 poderá acabar não correspondendo às expectativas da população, que enxergaria nela uma solução milagrosa capaz de interromper a transmissão do Sars-CoV-2 e encerrar a pandemia. A ausência de testes em humanos também pode causar desconfiança em parte da sociedade, estimulando grupos antivacina. 

Outros especialistas consideram aceitável a decisão da FDA. Eles destacam que as vacinas de mRNA têm um perfil de segurança e eficácia relativamente bem conhecido, já que foram aplicadas em centenas de milhões de pessoas nos últimos 18 meses. Além disso, liberar a nova versão de uma vacina sem testá-la em humanos não é algo inédito na imunologia: acontece com a vacina da gripe comum, que é atualizada todos os anos – e não passa por testes clínicos completos antes da aprovação. 

As vacinas BA.5 serão testadas em voluntários, mas isso vai acontecer “com a bola rolando”, ou seja, ao mesmo tempo em que elas são aplicadas na população em geral.

Ao menos num primeiro momento, esses imunizantes ficarão restritos aos Estados Unidos. Para os demais países, Brasil inclusive, a Pfizer está oferecendo sua vacina BA.1. Segundo dados da própria empresa, ela é três vezes menos potente contra a subvariante Ômicron BA.5.  

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7 boas e más notícias de um dos maiores eventos sobre saúde do coração

Cardiologistas de todo o mundo se reuniram recentemente no European Society of Cardiology 2022 (ESC), em Barcelona. Entre os estudos e debates, a insuficiência cardíaca ganhou destaque. Mas não foi, nem de perto, a única doença abordada.

A importância da adesão ao tratamento, novas opções terapêuticas e promessas malsucedidas ocuparam as discussões do evento, que, no fim das conta, foca na qualidade de vida do paciente.

“É importante que a população saiba como essas pesquisas podem impactar o tratamento e a visita ao médico”, afirma o cardiologista Leonardo Jorge Cordeiro de Paula, diretor acadêmico da Escola Brasileira de Medicina (Ebramed) e médico do Instituto do Coração (Incor), que acompanhou o evento. Confira.

O efeito da má adesão ao tratamento para o coração que bate fraco

Não seguir o tratamento à risca é uma das causas que agravam o quadro de quem possui insuficiência cardíaca, segundo o estudo brasileiro Breathe (Brazilian Registry of Heart Failure). O médico Denilson Campos de Albuquerque, um dos autores do estudo, aponta que há um desafio em aderir adequadamente ao tratamento, uma vez que boa parte dos pacientes com esse quadro toma um bom número de medicações, inclusive para outros problemas de saúde.

Por essa e outras causas, a taxa de mortalidade da insuficiência cardíaca alcança 10%. Esses dados foram levantados ao acompanhar pouco mais de 3 mil pessoas internadas por um ano em 71 centros de todas as regiões do Brasil, ao longo de 2011 e de 2016.

Remédio para diabetes contra insuficiência cardíaca

A dapagliflozina, utilizada no tratamento do diabetes tipo 2, mostrou-se uma boa aliada para pacientes com insuficiência cardíaca, mesmo entre os não possuem níveis de açúcar no sangue elevados.

“Desde 2019 sabíamos que esse medicamento tinha um efeito robusto em quem sofria de insuficiência grave, reduzindo inclusive a mortalidade. Mas um novo estudo discutido no congresso aponta que há benefícios também a quem possui uma disfunção menos severa”, explica Cordeiro de Paula.

Melhoras foram observadas na redução de internação e de crises. “Com isso, o uso desse medicamento associado a outros já comuns nesses casos passa a beneficiar uma gama maior de pacientes”, conclui o cardiologista.

+ Leia também: Insuficiência cardíaca: fôlego para o coração cansado

Por outro lado, cerca de 40% das pessoas com diabetes desenvolvem problemas cardiovasculares. Como já contamos aqui em Veja Saúde, um novo fármaco pode prevenir essa complicação ente os que convivem com o diabetes tipo 2. É a finerenona, que age contra inflamações, principalmente no músculo cardíaco e nos rins.

Remédio para pressão alta não tem hora certa

Um estudo ligados ao tratamento da hipertensão arterial chamou a atenção durante o congresso ao apontar que o horário para tomar anti-hipertensivos não é importante. “É interessante, porque os médicos sempre tiveram a tendência de solicitar que o paciente tomasse esse medicamento pela manhã, sem muito respaldo científico para isso”, comenta Cordeiro de Paula.

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Após observar pessoas ingerindo esses remédios de manhã ou à noite por cinco anos, ficou claro que não houve diferença no risco de infarto, derrame e morte cardiovascular. Saiba mais neste artigo.

Três benefícios em um comprimido

Não é fácil tomar diversos medicamentos, todos os dias, corretamente. Uma pílula que reúne três substâncias, portanto, facilita a vida de cardíacos – e um estudo comprovou que essa tecnologia faz a diferença.

Pesquisadores disponibilizaram a um grupo o comprimido que agrega as três fórmulas: ácido acetil salicílico, o AAS (que previne formação de coágulos), atorvastatina (redução de colesterol) e ramipril (age contra a hipertensão). Já outra turma continuou tomando as pílulas separadamente.

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Pouco mais de dois anos depois, foi observado que a pílula três-em-um garante uma melhor adesão e evita mais mortes e complicações cardíacas.

“Houve uma nítida redução nos eventos cardiovasculares, já que tínhamos sempre a suspeita de que um ou outro medicamento era esquecido pelo paciente”, observa Cordeiro de Paula.

Diurético baratinho reduz tempo de internação

Quem sofre de insuficiência cardíaca precisa tomar água com moderação. É que pessoas nessas condições tendem a reter líquidos, o que pode até afetar os pulmões e levar o indivíduo para o hospital. Uma vez internado, ele fica dias tomando drogas específicas até “secar” todo esse excesso de água.

“Um novo estudo aponta que a acetazolamida, um diurético antigo e barato que até já perdeu a patente, faz uma grande diferença nesse procedimento”, revela o cardiologista.

Ele foi associado a outra medicação endovenosa, a furosemida, que já era utilizada habitualmente. Essa combinação inédita diminuiu o tempo de internação em até dois dias.

“A redução do tempo de internação propicia menor risco de infecção, economia nos custos hospitalares e um rápido retorno para a vida. Isso com uma droga conhecida e barata”, celebra Cordeiro de Paula.

O dilema da varfarina na fibrilação atrial reumática

Esse tipo de arritmia cardíaca exige bastante cuidado. “Temos, no Brasil, uma quantidade grande de pacientes com necessidade de anticoagulantes para evitar eventos embólicos, como o AVC“, explica Cordeiro de Paula.

Esse anticoagulante é varfarina. O problema: ela é repleta de efeitos colaterais e exige muitos cuidados. “A varfarina interage com outros medicamento e até com alimentos. Para conseguirmos chegar à dose correta, é preciso fazer exames semanais. O Incor possui até um centro especializado nesses testes, é uma rotina bem difícil”, explica o médico.

Leia também: A necessidade de uma medicina (e de uma cardiologia) mais individualizada

Pois havia a esperança de que a rivaroxabana, outro tipo de anticoagulante, pudesse resolver o problema sem a necessidade de um acompanhamento tão próximo. Infelizmente, o estudo Invictus chegou à conclusão de que o anticoagulante em questão não traz benefícios para esse grupo de pessoas.

Para o Brasil, estudos nesse sentido podem fazer diferença. É que aqui há um alto índice de febre reumática – causada pela falta de tratamento de infecções bacterianas de garganta. Uma das consequências dessa doença é fibrilação atrial reumática. “São casos mais raros em países desenvolvidos, em que as pessoas tem mais acesso a serviços de saúde”, pontua o médico.

+ Leia também: Prednisona: o que é, para que serve e como funciona esse corticoide

Aposta perdida

Outro estudo com resultados negativos vale a pena ser citado, segundo o médico. É que muitos cardiologistas eram entusiastas de um remédio chamado alopurinol.  Originalmente utilizado para redução de ácido úrico no tratamento da crise de gota, ele teria ação no tratamento da doença arterial coronariana, ligada ao infarto do miocárdio.

“Só que o estudo não apontou melhora de nenhuma das complicações, como infarto, AVC ou morte cardiovascular”, conta Cordeiro de Paula.

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Os traumas de face no Brasil provocados por acidentes de trânsito

Os acidentes de trânsito no Brasil provocam milhares de mortes todo ano, além de incapacidade física e sequelas pelo resto da vida. Em muitos casos, desestruturam famílias pelo aspecto psicológico e também pelo financeiro – principalmente quando se perde aquela pessoa responsável pelo sustento de todos.

Em 2020, eles vitimaram cerca de 33 mil pessoas, sendo que 36% eram motociclistas e 21% ocupantes de carro, passageiros ou motoristas. Na maioria dos casos, o motivo está relacionado com imprudências, como excesso de velocidade, ingestão de álcool e uso de celular. 

A atitude displicente do condutor afeta a ele próprio, mas também a outros. E, no caso das motos, a gravidade de um acidente é sempre muito maior. Nós, especialistas em Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial, vemos no dia a dia casos complexos de politraumatismo, onde temos que atuar em cirurgias complicadas de reconstrução de face. 

Um levantamento realizado pela Confederação Nacional dos Municípios constatou que o número de motocicletas já é maior que o de carros em 45% das cidades brasileiras. Em 2009, elas correspondiam a 24,76% dos veículos, com 14 695 247 unidades, enquanto outros tipos, como carros, ônibus e caminhões, totalizavam 75,24%, com 44 666 395. Dez anos depois, o percentual de motos subiu para 26,89% (28 179 083 unidades) – o Brasil já conta, aproximadamente, com uma moto para cada oito habitantes. 

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A imprudência é flagrante em qualquer cidade. Motociclistas e motoristas dos demais veículos desrespeitam a legislação e adotam uma postura praticamente bélica no trânsito. Limites de velocidade não são respeitados, capacetes são deixados de lado…

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O Colégio Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial promove há anos campanhas de orientação para o uso adequado do capacete. A utilização correta diminui em 72% o risco e a gravidade de lesões e reduz a probabilidade de mortes em até 39%.

Em Fortaleza, um estudo epidemiológico de pacientes com  fraturas faciais de um dos maiores centros de trauma do Norte-Nordeste, o Hospital Instituto Dr. José Frota, mostrou que 85,4% dos acidentados eram do sexo masculino e 75,6% não usavam capacete. A pesquisa apontou também que 49,6% das vítimas possuíam fraturas múltiplas de face, 73,2% não tinham habilitação e 38,2% haviam ingerido bebidas alcoólicas antes de dirigir.

+Leia também: Salve o esqueleto: como prevenir a osteoporose e as fraturas

Passou da hora de promovermos um pacto pela vida, onde cada um faz a sua parte para que possamos reduzir mortes e o número de pessoas sequeladas pelos traumas provocados por acidentes de trânsito. A fórmula todos nós sabemos: prudência e respeito por si, pelos outros e pela legislação. 

O Cirurgião e Traumatologista Buco-Maxilo-Facial é o profissional mais habilitado para o atendimento em casos de traumas de face. Só no Brasil somos mais de 1 500 especialistas filiados ao Colégio Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial, presentes em mais de 1 200 cidades de norte a sul do país. Mas gostaríamos de quase não ter que atuar nessa área e reservar o nosso conhecimento para pessoas que precisam de uma cirurgia ortognática para a correção de problemas relacionados ao maxilar, por exemplo, entre tantos procedimentos onde podemos atuar. 

Um minuto a menos no trânsito para fazer uma entrega ou chegar mais cedo em uma reunião pode significar o último instante da sua vida ou de alguém que você ama. Pense nisso todos os dias antes de sair de casa. 

*Marcelo Marotta Araújo, presidente do Colégio Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial

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Muitas pessoas terão dor nas costas. Pouquíssimas precisarão operar

Apenas uma pequena parcela da população escapa da lombalgia, a conhecida dor nas costas. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 80% das pessoas têm ou terão dor lombar em algum momento da vida. 

A grande maioria dos casos está associada a problemas posturais. Isso, por sua vez, tem uma ligação direta com o estilo de vida moderno. Elenquei abaixo alguns fatores típicos dos nossos tempos, e que contribuem para a lombalgia:

  • Trabalhar horas a fio à frente do computador sem fazer pausas para se movimentar ou mudar de posição
  • Realizar tarefas em condições ergonômicas inadequadas
  • Obesidade
  • Sedentarismo ou, ao contrário, prática de atividades físicas sem o preparo adequado 

Uma minoria das dores nas costas pode estar relacionada a outras causas, como doenças inflamatórias ou hérnias de disco. Mas atenção: muita gente tem hérnia de disco sem qualquer sintoma associado. 

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Quando procura atendimento com queixa de dor nas costas, o paciente pode até achar estranho se o médico não pedir um raio-X ou uma ressonância magnética. Mas o fato é que, na maioria das vezes, o diagnóstico pode ser feito apenas com base na avaliação física. 

Exames de imagem só são necessários mediante sinais ou sintomas que sugiram outras causas, como irradiação da dor para os membros, perda de força, alterações neurológicas (por exemplo, perda de sensibilidade) ou esfincterianas (controle da urina ou das fezes). Nesses casos, o problema pode, sim, estar relacionado a uma hérnia de disco comprimindo algum nervo. E mesmo nesses quadros, apenas 5% a 7% dos pacientes têm indicação cirúrgica. Isso segundo o Dr. Mario Lenza, que é gerente médico da Ortopedia do Einstein e com o qual conversei para escrever este artigo. 

Assim, o tratamento conservador é a regra para as dores nas costas. Isso significa fisioterapia, medicamentos e mudanças de comportamento.

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A cirurgia é indicada somente quando há:

  • Dores não controladas depois de três meses de fisioterapia e medicações
  • Progressão de déficit neurológico ou das funções motoras
  • Nos raros casos de síndrome da cauda equina, uma hérnia volumosa que comprime o canal vertebral e os nervos da parte mais final da coluna. Essa é uma operação de urgência, pois os nervos afetados podem não voltar mais ao funcionamento normal.

No entanto, a indicação cirúrgica é, na prática, muito mais comum do que deveria, como mostram os dados do Projeto Coluna, criado pelo Einstein em 2011. Trata-se de uma iniciativa que recebe pacientes encaminhados por algumas operadoras de saúde que tiveram indicação cirúrgica e desejam uma segunda opinião. A avaliação é feita por especialistas multidisciplinares (fisioterapeutas, fisiatras, neurocirurgiões, ortopedistas) do Einstein a partir de diretrizes baseadas em evidências científicas. 

+Leia também: Dor nas costas durante o isolamento social: da prevenção ao tratamento

Já foram avaliados cerca de 6 mil pacientes, com conclusões surpreendentes: 70% não tinham critérios para indicação de cirurgia e, sim, de tratamento conservador.

Igualmente surpreendente – neste caso de maneira positiva –  é o índice de satisfação desses pacientes depois de um ano de tratamento (conservador ou cirúrgico): cerca de 90% estão satisfeitos ou muitos satisfeitos.  Os indicadores que avaliam qualidade de vida, dor e função também são semelhantes nos dois grupos ao longo de todo o período de acompanhamento (4 anos). Ambos apresentam níveis igualmente positivos de melhora. 

De tudo isso, podemos extrair duas conclusões. A primeira é que, independentemente da causa, a imensa maioria das lombalgias é diagnosticada clinicamente e resolvida com tratamento conservador – certamente uma boa notícia para aqueles 80% da população que têm ou terão dor nas costas. A outra é que pedir exames desnecessários ou indicar cirurgias que não deveriam ser realizadas é onerar o sistema de saúde e pode até causar dano. 

Saudável, em todos os sentidos, é seguir as práticas baseadas em evidências científicas para fazer o diagnóstico correto e indicar o tratamento mais adequado para cada caso.

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O que acontece quando médicos se encontram no metaverso?

Equipes localizadas em diferentes países reunidas em uma mesma sala virtual, participando de simulações e manipulando imagens em 3D para decidir a melhor abordagem para uma cirurgia. Elas interagem por meio de seus avatares, ou seja, suas versões virtuais. Se necessário, têm a possibilidade de fazer o mesmo encontro virtual em um cenário 3D de uma tuba uterina, para facilitar o entendimento anatômico da estrutura dessa parte do órgão reprodutor feminino. 

Embora ainda sejam desconhecidos os limites das aplicações do metaverso na saúde, na Dasa, maior rede de saúde integrada do Brasil, os resultados dessa realidade virtual imersiva já indicam conquistas significativas em diagnóstico, tratamento, planejamento, desfecho clínico e execução de cirurgias, além de educação médica. “A Dasa está fortalecendo cada vez mais a tríade ensino, pesquisa e inovação, com foco em melhorar a qualidade de vida das pessoas, sejam profissionais de saúde ou pacientes”, diz a dra. Flávia Paiva Lopes, gerente executiva do Instituto de Ensino e Pesquisa Dasa (IEPD) e gerente médica de pesquisa científica na Dasa.

lávia Paiva Lopes, gerente executiva do Instituto de Ensino e Pesquisa Dasa (IEPD) e gerente médica de pesquisa científica na Dasa –Dasa/Divulgação

“A inteligência artificial está por trás de todo o desenvolvimento que envolve essas novas tecnologias”, diz o dr. Heron Werner, especialista em medicina fetal, obstetrícia e ginecologia do Alta Diagnósticos e do CDPI, marcas de medicina diagnóstica pertencentes à Dasa, e coordenador do Biodesign Lab, laboratório mantido por meio de parceria entre a Dasa e a PUC-Rio.

Heron Werner, especialista em medicina fetal, obstetrícia e ginecologia do Alta Diagnósticos e do CDPI –Dasa/Divulgação

Referência no desenvolvimento de tecnologias de realidade virtual e impressão 3D para diversas áreas da medicina, o Biodesign Lab foi concebido para trabalhar de maneira inovadora imagens de ultrassonografia, tomografia e ressonância magnética, que são processadas com o propósito de ajudar em diagnósticos e planos terapêuticos. “Sem contar o fato de se transformarem em ferramenta de estudo em faculdades de medicina e facilitarem a interação médico-paciente”, observa o dr. Heron Werner. “A pessoa ganha empoderamento ao entender o que está acontecendo e como serão as etapas de uma cirurgia proposta, por exemplo. Isso dá segurança”, pondera a dra. Flávia Paiva Lopes.

Modelos ao alcance das mãos: diagnósticos mais precisos

“Toda imagem feita em algum aparelho, seja de ultrassom, tomografia ou ressonância, é segmentada, ou seja, preparadas plano a plano para gerar um modelo virtual em 3D”, descreve o dr. Heron Werner. “A tridimensionalidade melhora a visualização. Na minha área de atuação, ginecologia e obstetrícia, esses recursos facilitam o entendimento de algum tipo de malformação em patologias complexas”, exemplifica. Da mesma forma, auxilia no diálogo com outras especialidades médicas. “Se suspeito da existência de alguma anomalia genética em um feto, uma reconstrução 3D é usada em discussão com um geneticista para fechar o diagnóstico”, completa. 

As imagens tridimensionais dos exames, analisadas em todos os seus pormenores, podem ser geradas em impressoras 3D para a construção de modelos palpáveis ou ser direcionadas para dispositivos de visualização de realidade virtual, em que são observadas com o uso de óculos especiais.1 “É possível também que integrem um ambiente de realidade aumentada ou mista, em forma de holografia. Ou, ainda, encaminhadas para uma imersão complexa no metaverso, onde os especialistas podem se reunir e visualizar o exame ao mesmo tempo para discutirem estratégias cirúrgicas ou de tratamento”,1 diz o dr. Heron Werner.

Para a dra. Flávia Paiva Lopes, ao permitirem simulações, as aplicabilidades do metaverso e tecnologias associadas na medicina são incontáveis. Garantem, por exemplo, mais precisão e reduzem o risco de complicações nas cirurgias. “Os médicos podem discutir cada etapa. Com isso, a equipe fica mais bem preparada para eventualidades, ganha tempo e trabalha com muito mais segurança”, observa.

Foi o que aconteceu, lembra a médica, em recente caso de bastante repercussão, o dos bebês craniópagos, unidos anatomicamente pelas cabeças, separados em uma cirurgia que demandou várias etapas até a conclusão. “Todo o planejamento foi feito a partir dessas novas tecnologias. A equipe inteira, multidisciplinar, conseguia entender o que estava acontecendo. Chamou atenção o relato do neurocirurgião responsável contando que, em determinados momentos, ele recorria aos modelos cerebrais em 3D para entender melhor o que precisava ser feito”, ressalta a dra. Flávia Paiva Lopes. 

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O dr. Heron Werner acompanhou o caso dos gêmeos desde que estavam no útero. “As informações foram sendo geradas e somadas durante a gestação. Como era uma situação muito complexa, oferecemos para a equipe que estava acompanhando o caso tanto as imagens impressas em 3D quanto as de realidade virtual”, conta. “Outra possibilidade em circunstâncias assim é lançar mão da realidade mista, possível com o uso de óculos que permitem a observação das imagens 3D ao mesmo tempo que se enxerga o campo cirúrgico. Outra opção é fazer a fusão da imagem virtual com a imagem física do próprio paciente. Tudo contribui para aumentar a precisão dos movimentos cirúrgicos”, acrescenta o especialista em medicina fetal. 

Discussões multidisciplinares e formação médica

As reuniões remotas com especialistas em ambiente virtual já são uma realidade na medicina e devem ser um recurso cada vez mais utilizado. “No caso dos gêmeos craniópagos, um médico inglês participou da última das nove cirurgias realizadas para concluir a separação. O planejamento para isso foi feito no laboratório, via metaverso, com a equipe toda em uma sala virtual manipulando as imagens. Depois, o cirurgião inglês veio ao Brasil para o procedimento final, mas em breve nem isso vai ser necessário. Já temos tecnologia que permitirá a colaboração à distância em cirurgias. A chegada da conexão 5G, mais rápida, acelerará esse cenário”, antevê o dr. Heron Werner. 

Também no campo da educação médica, a dra. Flávia Paiva Lopes enxerga um caminho repleto de possibilidades, com o treinamento imersivo dos estudantes. “O uso dessas tecnologias amplifica a capilaridade do conhecimento, com profissionais de diferentes áreas atuando em um mesmo projeto de pesquisa, do designer aos pesquisadores e médicos”, diz.

Bioimpressão: a customização dos tratamentos

A transformação de modelos digitais em peças físicas por meio de impressão 3D começa a gerar soluções para a regeneração de tecidos em casos de lesões graves. O procedimento inovador foi apresentado no Hospital Nove de Julho, em São Paulo, que faz parte da Dasa, no mês de julho. Foram realizados dois procedimentos cirúrgicos inovadores no país para regeneração de tecidos em pacientes com lesões graves. A técnica faz uso de uma bioimpressora 3D que, em 30 minutos, sintetiza o tecido usado para recompor a região lesionada a partir das células-tronco do próprio paciente. “O potencial dessa inovação é enorme. A reabilitação e a qualidade da regeneração são muito vantajosas para os pacientes, que recuperam a qualidade de vida. Além disso, a técnica é mais uma solução que os médicos ganham para alcançar um melhor desfecho clínico”, afirma o dr. Bruno Pinto, diretor-geral do Hospital Nove de Julho.

Bruno Pinto, diretor-geral do Hospital Nove de Julho –Dasa/Divulgação

“A lesão foi escaneada e as imagens, levadas para um software que dá a visão volumétrica do problema. Essa imagem final foi encaminhada para a bioimpressora”, explica o dr. Heron Werner. Foram colhidas células-tronco do tecido adiposo do abdômen do paciente, depois misturadas a um composto biológico para dar origem à impressão do novo tecido – que cobre toda a lesão, inclusive na sua profundidade, favorecendo a cicatrização de forma mais rápida do que na terapia convencional. “Como se usam células-tronco do próprio paciente, minimiza-se o risco de rejeição. A bioimpressão abre uma frente importante na medicina regenerativa”, complementa o médico. 

Nesse contexto, a dra. Flávia Paiva Lopes vislumbra a possibilidade, ainda, de uso da bioimpressão em pesquisas de desenvolvimento de produtos dermatológicos, por exemplo, usando tecidos humanos e, portanto, sem fazer teste com animais. “São inúmeras as possibilidades. No futuro, acreditamos que será possível o desenvolvimento de modelos para construção de órgãos”, conclui. 

Saiba mais: https://spatial.io/s/Biodesign-Fetal-628d522a593f95000175185c?share=2981096703873694422

Referência:

  1. https://nav-conteudo.dasa.com.br/trend/experiencia-do-consumidor/metaverso-como-essa-plataforma-pode-revolucionar-a-medicina/
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O que acontece quando médicos se encontram no metaverso? Publicado primeiro em https://saude.abril.com.br