quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

6 dicas para evitar intoxicação alimentar na praia

Ir à praia é um dos grandes prazeres dos dias ensolarados. Naturalmente, a comida é parte dessa experiência, mas é importante garantir a segurança alimentar para evitar problemas de saúde. Para ajudar a evitar contaminações e intoxicações alimentares, aqui estão algumas dicas:

1) Mantenha a comida em temperatura adequada

Uma das maiores preocupações na praia é a temperatura. O calor pode acelerar a multiplicação de bactérias nos alimentos, aumentando o risco de intoxicação alimentar.

Sabendo disso, é importante manter alimentos perecíveis, como carnes, laticínios e saladas, bem refrigerados até a hora de consumi-los.

+Leia também: Sol e praia podem favorecer quadros agudos de diarreia; saiba como evitar

2) Utilize recipientes herméticos para armazenar a comida

Estou me referindo a caixas térmicas, recipientes com tampas bem ajustadas ou sacos para congelar selados. Isso não apenas ajuda a manter a temperatura, como evita a contaminação cruzada entre os alimentos.

3) Lave as mãos adequadamente

Leve sabonete líquido e água limpa em um frasco e use-os para lavar as mãos antes de tocar na comida. Se não houver acesso a água corrente, uma alternativa é levar lenços umedecidos para higienização das mãos.

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4) Embale os utensílios corretamente

Se o planejamento consiste em fazer um churrasco ou preparar alimentos na praia, embale os utensílios de cozinha adequadamente.

Lembre-se de que os utensílios que entram em contato com carne crua devem ser mantidos separados dos que tocam em alimentos prontos para consumo.

5) Evite alimentos suscetíveis a estragar

Alguns itens são mais propensos a estragar em temperaturas quentes, como ovos crus, maionese e molhos com derivados do leite.

A menos que tenha certeza de que pode mantê-los em temperaturas adequadas, é melhor evitar.

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6) Maneire no álcool

Se for consumir bebidas alcoólicas na praia, intercale os goles com bastante água. Isso ajuda a evitar a desidratação, especialmente em dias quentes e ensolarados.

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+Leia também: O que é a febre amarela e quem deve se vacinar contra ela?

Sinais de intoxicação alimentar

Mesmo com todos os cuidados, é importante estar ciente dos sinais de intoxicação alimentar. Se alguém que compartilhou a refeição começar a sofrer com náuseas, vômitos, diarreia, febre ou dores abdominais, procure atendimento médico imediatamente.

Seguir essas dicas simples de segurança alimentar pode garantir que seu dia na praia seja seguro e livre de preocupações.

*Thais Mussi é endocrinologista e metabologista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia

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Dormir bem para viver melhor

Ter uma boa noite de sono é fundamental para o bem-estar físico e mental. Além de trazer benefícios à memória, concentração e cognição, dormir bem é essencial para a regulação dos níveis glicêmicos, a pressão arterial, a produção de anticorpos, entre outras funções.

Segundo o Instituto do Sono, evitar refeições pesadas, situações de estresse e o uso de dispositivos eletrônicos antes de ir para a cama ajuda a ter um sono de qualidade. Outra dica é manter o ambiente com temperatura e iluminação agradáveis e contar com bons colchões e travesseiros.

E, na hora de comprar esses itens, o conforto e a qualidade devem ser prioridade. Afinal, de nada vale investir em um colchão mais barato e precisar trocá-lo pouco tempo depois porque ele já se deformou. Ou adquirir um travesseiro que não contribui para uma boa postura, e acordar com dores pelo corpo.

Para quem quer dormir bem e despertar revigorado, a King Star, empresa com 19 anos de mercado, mais de 50 lojas no estado de São Paulo além da loja online, oferece soluções sob medida. Referência em colchões e travesseiros, a marca seleciona as melhores matérias-primas e investe em tecnologias de ponta para a fabricação de seus produtos. Não à toa, já conta com mais de 10 milhões de clientes satisfeitos.

Linha 100% látex natural

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Segundo Ahmed Darwich, CEO da King Star, um dos principais destaques da marca é o látex natural, presente em três modelos de colchões e cinco de travesseiros. “Eles são os mais indicados por especialistas por promoverem tanto a saúde postural quanto a respiratória. O colchão apresenta um grau de conforto que adapta a postura, sem precisar ser rígido. É macio, a fim de aliviar a pressão e garantir o conforto nas articulações, e, ao mesmo tempo, firme, para fornecer sustentação para a coluna e para o peso do corpo. Já os travesseiros contam com capa removível e lavável, não deformam nem sufocam e oferecem opções de altura e a maciez de acordo com as necessidades e preferências do cliente”, ele conta.

Os colchões

Colchão Latex Firm: nível de conforto que se adapta à postura, sem comprometer a flexibilidade. Já a firmeza proporciona suporte à coluna e ao peso corporal, reduzindo a pressão sobre o corpo. Com isso, há melhora na circulação sanguínea e menos episódios de dormência, garantindo um sono profundo e revitalizador.

Colchão Latex Motion: sua composição de látex sobre molas garante alto desempenho em conforto. Recomendado por especialistas, permite a respiração normal através de sua estrutura. 

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Colchão High Class: com resiliência excepcional, recupera instantaneamente sua forma original. Durante o uso, permanece flexível, proporcionando conforto e maciez contínuos. Sua característica termorreguladora assegura uma temperatura agradável durante todas as estações.

E68A1219 King StarDivulgação
LatexFoam100 (SFI) High Class Ind King StarDivulgação
LatexFoam097 (SFI) Latex Firme Ind King StarDivulgação
LatexFoam103 (SFI) Latex Motion Ind King StarDivulgação

Os travesseiros

Travesseiro Látex Flakes: perfeito para quem dorme com o braço por baixo do travesseiro e se movimenta muito, precisando acomodar a cabeça. Produzido com flocos de látex, alivia os pontos de pressão dos ombro, pescoço e braços para uma boa noite de sono.

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Travesseiro Double Látex: possui dois lados de conforto – um com uma placa de látex, que proporciona o suporte ideal para a cabeça, e o outro com flocos, ideal para quem dorme com o braço por baixo do travesseiro. Reduz a pressão contra o rosto, deixando sua circulação sanguínea livre e reduzindo a dormência da orelha e braço, para um sono mais profundo.

Travesseiro Látex Personal: customizável, ele conta com duas lâminas em placa e uma lâmina de estofamento flocado, ambas 100% de látex natural, que podem ser ajustadas conforme sua preferência, tanto em relação ao conforto quanto à altura. Com alta resiliência, ele volta à forma original imediatamente, mantendo o conforto da maciez durante todo o período.

Travesseiro Látex Star Baby: indicado para crianças de 1 a 4 anos, é antissufocante e oferece a leveza e o suporte necessários para a cabecinha da criança. 

Travesseiro Látex Star Kids: indicado para crianças a partir de 4 anos, também é antissufocante e garante o suporte adequado para a cabeça da criança nessa faixa etária. 

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TRAVESSEIROS DOUBLE E FLAKES King StarDivulgação
DOUBLE-LATEX-9 King StarDivulgação
DOUBLE-LATEX-5 King StarDivulgação
DOUBLE-LATEX-10 King StarDivulgação
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DOUBLE-LATEX-3 King StarDivulgação
FLAKES_4 (2) King StarDivulgação
FLAKES_2 King StarDivulgação
FLAKES_3 King StarDivulgação
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TRAVESSEIRO PERSONAL King StarDivulgação
PERSONAL_5 King StarDivulgação
PERSONAL_2 King StarDivulgação
PERSONAL_1 King StarDivulgação
STAR-BABY_1 King StarDivulgação
STAR-BABY_5 King StarDivulgação
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STAR-BABY_3 King StarDivulgação
STAR-KIDS_1 King StarDivulgação
STAR-KIDS_2 King StarDivulgação
STAR-KIDS_5 King StarDivulgação
STAR-KIDS_3 King StarDivulgação

As principais vantagens do látex natural

“O produto é extraído das seringueiras de forma sustentável e certificada e posteriormente é encaminhado para a Bélgica, onde passa por um processo para se tornar uma borracha. A partir dessa matéria-prima natural produzimos os colchões e travesseiros”, conta Darwich, que cita os seguintes benefícios, percebidos em todos os produtos da Linha 100% Látex Natural: 

  1. Duram três vezes mais em tempo de deformação.  
  2. Naturalmente hipoalergênicos, evitam a proliferação de ácaros, fungos ou bactérias. Nem é preciso expô-los ao sol. 
  3. Reduzem a pressão contra o corpo em 30%, deixando sua circulação livre e promovendo um sono mais tranquilo.   
  4. Repassam o peso do quadril e da bacia para o resto do corpo, de forma a alinhar a postura.
  5. Oferecem maior conforto térmico, reduzindo o suor noturno, pois sua composição com látex gel ajuda a dissipar o calor do corpo.

Inovação e tecnologia de ponta, sempre

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Sempre atenta às necessidades específicas de cada pessoa, a King Star investe constantemente em soluções que promovem aos seus clientes um sono cada vez mais reparador. 

Para quem sente muito calor na hora de dormir, a marca traz o Coolmax, tecido de alta tecnologia muito utilizado por atletas graças à sua capacidade de absorver o suor. “Presente no Colchão Coolmax King Star, esse é um sistema único e patenteado que melhora a circulação de ar e reduz a transpiração, mesmo nas noites mais quentes, para um maior conforto térmico”, explica Darwich. 

King Star
<span class="hidden">–</span>King Star/Divulgação

Já para quem tem dificuldade em pegar no sono, a marca oferece outra solução inovadora. “O Colchão Pocket Visco tem tecido com acabamento Camomile, feito a partir de extratos de camomila, que aliviam o estresse e promovem um sono profundo e realmente reparador”, conta o CEO da King Star.

King Star
<span class="hidden">–</span>King Star/Divulgação
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Dormir bem para viver melhor Publicado primeiro em https://saude.abril.com.br

terça-feira, 2 de janeiro de 2024

O desafio do bem-estar mental nas empresas

Podemos afirmar que uma outra “pandemia”, antes oculta e silenciosa, hoje deixa marcas em diversos aspectos das nossas vidas. Depois de mais de quatro anos de incertezas e turbulências, podemos apontar para a hora e a vez de um epicentro na saúde mental?

Sem dúvida, o enfrentamento da Covid-19 em si encobriu durante muito tempo o crescimento dos transtornos mentais. E são vários: diferentes tipos de depressão, transtornos de ansiedade, consumo de álcool e drogas, declínio cognitivo e quadros demenciais, transtornos da alimentação e obesidade etc. Os desafios não são poucos.

Se é preocupante? Muito. Um dos mais graves aspectos que impede a ajuda é que, muitas vezes, sintomas de depressão ou ansiedade se confundem com tristeza, estresse, preocupações, irritação, cansaço… Ou seja, com sensações que todos nós podemos eventualmente apresentar em alguns dias, inclusive no ambiente de trabalho.

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E, infelizmente, a formação de diferentes profissionais médicos não os permite identificar sutilezas e sintomas que marcam transtornos psiquiátricos.

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Além disso, o estigma de ter um transtorno psiquiátrico no mercado de trabalho é um dos maiores problemas para busca de ajuda – seja pelo temor de ser julgado como fraco ou não esforçado, seja pelo medo de perder o emprego.

Mas o fato é que esses quadros afetam a qualidade de vida e, claro, comprometem a produtividade.

Isso e muito mais nos levou, mais uma vez, a realizar nos dias 17 e 18 de abril de 2024, o SER (Saúde Emocional Ressignificada). É um Summit em São Paulo que terá sua segunda edição com o tema “O impacto da saúde mental no trabalho: a construção do equilíbrio”.

+ Leia também: Viagem terapia: as vantagens de sair de casa

Uma pesquisa de mercado realizada pela Mercer March Benefícios, que consultou 850 grandes empresas (tanto nacionais quanto multinacionais) que operam em todas as regiões do Brasil e trouxe dados instigantes. Praticamente a metade delas (49%) não dispõem de ações de saúde mental. É um sinal vermelho para a saúde mental.

É imprescindível atuar com urgência não apenas na pessoa doente, mas no ambiente de trabalho, enfrentando o preconceito, o estigma e a discriminação. Outra questão fundamental ainda não abordada é a necessidade de encaminhamento ao especialista, sem meias medidas ou temores preconceituosos. O cérebro adoece tal qual o fígado, o coração, o pulmão, o intestino…

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), entre as dez maiores causas de incapacidade no trabalho ou acadêmicas, cinco são psiquiátricas. Essa estatística diz respeito ao número de dias não trabalhados ou perdidos nas atividades acadêmicas ao longo da vida de um indivíduo.

A saber, os cinco quadros psiquiátricos são:

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  • Depressão unipolar
  • Distúrbio bipolar do humor
  • Esquizofrenia
  • Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC)
  • Transtornos por uso de álcool

A atenção com a saúde mental não pode (nem deve) ser apenas representada pelo cuidado específico dado ao colaborador que adoece. Oferecer suporte real e melhoria do clima relacional para que as pessoas que se percebem com problemas emocionais sejam acolhidas com o sigilo e competência técnica é indispensável.

A promoção da saúde mental é também um ato de respeito dentro das instituições e empresas, de transformação do bem-estar social e de luta contra a pobreza. A saúde mental não deve ser entendida apenas como uma forma de aumentar a produtividade e reduzir despesas.

As empresas podem, por meio de suas políticas institucionais (para além da área de recursos humanos, inclusive) ter um papel fundamental na promoção da saúde mental.

+ Leia também: Vai dar certo! É hora de rever conceitos e práticas para o bem-estar geral

Na minha experiência clínica, acadêmica e de pesquisador, é inegável que os transtornos mentais aumentaram muito – e devem crescer mais. Ainda não conhecemos os efeitos a longo prazo de graves situações que atravessamos e as consequências psíquicas podem aparecer anos depois.

Não devemos ser pessimistas, obviamente, mas sejamos realistas: saúde mental é algo sério, que merece tratamento médico, psicológico e acolhimento no ambiente profissional.

As empresas precisam estar alertas e ativamente elaborar programas responsáveis, calcados em evidências científicas, e com a colaboração de especialistas.

O trabalho levará tempo para elaboração. Ele será exaustivo física e mentalmente, com várias barreiras que precisarão ser vencidas.
Mas é viável e, acima de tudo, necessário. Vamos discutir amplamente essas questões no mundo corporativo naquele Summit, com diversos especialistas. É mais uma oportunidade para questionarmos e tornarmos o cuidado com a saúde mental mais amplo e real.

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*Táki Athanássios Cordás é psiquiatra e chairman do Summit SER 2024. É docente dos Programas de Pós-graduação do Departamento de Psiquiatria da Universidade de São Paulo e coordenador do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (IPq/HCFMUSP).

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Pássaro com condição rara é meio macho, meio fêmea 

Algumas espécies têm aparências diferentes dependendo do sexo, algo chamado dimorfismo sexual. Isso é bem comum entre pássaros: os machos costumam ter cores mais vibrantes, enquanto as fêmeas têm plumagens mais discretas. 

Isso acontece porque elas preferem os caras mais coloridos e chamativos, de modo que os genes para uma plumagem marcante passam para mais filhotes. É a seleção sexual, uma variação da seleção natural que o próprio Darwin propôs.

Já os tons mais discretos das moças, como já mencionamos, podem servir para camuflá-las contra predadores (os machos, afinal, correm um risco alto com suas pinturas exuberantes, visíveis de longe). Isso é seleção natural básica, claro.

Esse saí-verde da foto acima (Chlorophanes spiza) tem uma condição rara: sua aparência é dividida entre metade fêmea e metade macho. Seu lado direito tem as penas azuis e cabeça preta típicas dos machos, e o lado esquerdo, as penas verde-esmeralda das fêmeas.

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Pássaro extremamente raro capturado em vídeo
Esse indivíduo da espécie Chlorophanes spiza, conhecida como saí-verde, apresenta uma rara condição: metade de seu corpo é de uma fêmea e a outra metade, de um macho.Foto: John Murillo / University of Otago/Reprodução

O nome disso é ginandromorfismo. A palavra vem do grego gynos, que significa feminino, andros, que significa masculino, e morfo, que é forma.

Essa condição ocorre em insetos, crustáceos, répteis e aves, mas não em mamíferos. Trata-se de algo diferente dos organismos hermafroditas, que têm “só” os órgãos reprodutivos dos dois sexos. Como você já pôde perceber, os ginandromorfos possuem o corpo todo, incluindo a aparência externa, dividido entre macho e fêmea. 

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Uma das hipóteses mais aceitas é que ela aconteça por uma anormalidade no zigoto (o nome que se dá à primeira célula do futuro bebê, após a fusão entre o gameta masculino e o feminino).

Um óvulo mutante com dois núcleos pode acabar tendo cada um desses núcleos fecundado por um espermatozoide diferente. Se um dos espermatozoides for X e o outro Y (ou o equivalente a isso em pássaros, já que eles tem um sistema de determinação de sexos diferente do nosso), o bichinho nasce dividido ao meio. 

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O exemplar em questão foi visto pela primeira vez pelo ornitólogo amador John Murillo, em uma reserva natural perto da cidade de Manizales, Colômbia. Esse é o segundo caso de ginandromorfismo registrado nessa espécie e o primeiro em 100 anos. Ele mostrou o pássaro para Hamish Spencer, professor de zoologia da Universidade de Otago, na Nova Zelândia, que na época estava de férias. 

Então começou um processo de observação do pássaro metadinha. Durante 21 meses, de outubro de 2021 a junho de 2023, os pesquisadores acompanharam as visitas da ave ao bebedouro e comedouro de uma fazenda, onde ela (ou ele) se alimentava de frutas e água com açúcar.

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“Muitos observadores de pássaros poderiam passar a vida inteira sem ver um caso de ginandromorfismo bilateral em nenhuma espécie de ave”, afirma Spencer. “É muito impressionante, tive o privilégio de vê-lo”.

Os dois, junto de colegas ornitólogos, publicaram suas observações no periódico Journal of Field Ornithology. Segundo eles, o comportamento do pássaro era como de qualquer outro membro de sua espécie, só um pouco mais solitário e sem muito interesse em acasalamento.

“Em geral, ele evitou outros da sua espécie, e os outros também o evitavam”, escrevem em sem artigo. “Não observamos nenhum comportamento de corte ou acasalamento na ave e suspeitamos fortemente que ela não se reproduza.”

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O pássaro nunca foi capturado, então os pesquisadores não sabem se os seus órgãos internos também foram divididos meio a meio em macho e fêmea.

Contudo, eles afirmam que essa hipótese é esperada, já que os órgãos sexuais das aves se desenvolvem com base apenas na genética das suas células – enquanto o desenvolvimento da genitália humana e outras características sexuais humanas sofre muita influência de hormônios ao longo da gestação. 

Não são todos os ginandromorfos que têm essa cara simétrica. O tipo dessa saí-verde é chamado de ginandromorfismo bilateral, em que cada lado corresponde ao fenótipo de um sexo. Também existe o ginandromorfismo polar, em que a divisão é pela parte anterior e posterior do corpo; e o oblíquo, em que o corpo se divide diagonalmente.

O ginandromorfismo não é só uma anomalia genética curiosa, ele também é valioso para entender mais sobre desenvolvimento embrionário dos pássaros, já que os genes específicos que controlam o surgimentos das características específicas de cada sexo ainda são um mistério.

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Pássaro com condição rara é meio macho, meio fêmea  Publicado primeiro em https://super.abril.com.br/feed

Transplantes de órgãos: avanços e desafios

O tema de transplantes esteve, recentemente, em evidência e, com isso, chamou a atenção do público leigo para os avanços dos procedimentos que substituem órgãos ou tecidos de uma pessoa doente por outros saudáveis de um doador vivo ou falecido.

Além da cirurgia, uma etapa delicada é a prevenção da rejeição por meio da administração de imunossupressores. Isso porque esses medicamentos podem trazer efeitos colaterais, como problemas renais e maior risco de câncer e infecções pela redução da atividade do sistema imunológico.

Infelizmente, não existem ainda tratamentos que permitam a suspensão dessas medicações e a longevidade do órgão transplantado depende de sua utilização.

No entanto, há avanços que contribuem para diminuir o risco de rejeição ao identificar previamente características genéticas do doador e do receptor. Isso é feito por meio da análise de HLA (antígeno leucocitário humano), uma espécie de código genético imunológico.

O HLA é um grupo de genes que servem para avisar o sistema imunológico se esta ou aquela célula pertence ao próprio organismo – ou se são um agente estranho que precisa ser atacado. A análise do HLA do doador e os anticorpos anti-HLA do receptor permitem identificar os níveis de compatibilidade entre as duas partes.

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+Leia também: A nova vida que um transplante de coração oferece

Há não muito tempo, seria difícil encontrar doador para pacientes com alta carga de anticorpos anti-HLA – ou seja, que tendem a atacar os órgãos transplantados com mais intensidade. Atualmente, como destaca o Dr. José Eduardo Afonso Jr., coordenador do Programa de Transplantes do Einstein, o tratamento de dessensibilização tem possibilitado realizar transplante em indivíduos com esse perfil.

Isso é feito a partir de plasmaférese, uma técnica aplicada antes do transplante para retirar anticorpos anti-HLA circulantes do sistema sanguíneo. Paralelamente, são administrados remédios que inibem a produção de novos anticorpos desse tipo.

Apesar de a dessensibilização ser geralmente adotada no transplante de rim entre vivos, o Einstein usou a técnica em um procedimento emblemático e pioneiro na América Latina: o transplante de pulmão em uma paciente do Rio Grande do Norte que teve o órgão lesionado pela Covid-19 e se encontrava fazendo uso de ECMO (oxigenação por membrana extracorpórea) havia três meses.

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Seu índice de anticorpos anti-HLA era extremamente alto (99%) e o procedimento só foi viabilizado pela terapia de dessensibilização. Recentemente, essa mulher comemorou feliz seu segundo ano pós-transplante.

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O Einstein também foi o primeiro centro da América Latina a realizar com sucesso transplante duplo de coração e pulmão (seis até hoje) e multivisceral (dez), que consiste em transplantar diferentes órgãos ou tecidos em uma mesma cirurgia.

Perspectivas para o futuro

Já existem estudos experimentais usando técnicas que modificam geneticamente as células do sistema imunológico com o objetivo de gerar tolerância ao órgão transplantado (para evitar a rejeição), o que permitiria diminuir a quantidade de imunossupressores utilizada. Não é para agora, mas há um caminho interessante aí.

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Nesse horizonte de perspectivas, desponta também o xenotransplante, ou seja, o uso de órgãos ou tecidos de animais. Já foram realizados transplantes em humanos usando rins e coração de porco geneticamente modificados. Estudos nessa linha seguem em andamento.

Outra frente promissora é a impressão 3D de órgãos, a exemplo do que já acontece hoje com a impressão de tecidos da pele. Imprimir um fígado ou rim é mais desafiador, pois envolve vários tipos de células. Mas há estudos experimentais com esse foco sendo realizados.

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Enquanto o futuro não chega

Independentemente dos avanços tecnológicos, o Brasil tem muitas oportunidades a explorar para reduzir as filas de espera por transplante e para aumentar as taxas de sucesso dos procedimentos.

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Um aspecto fundamental, como observa o Dr. José Eduardo, é estimular a cultura de doação de órgãos no contexto médico-hospitalar. Para isso, é necessário aprimorar as estruturas para a identificação de potenciais doadores, o diagnóstico de morte encefálica e a abordagem familiar.

Além disso, é importante aprimorar todo o processo para a adequada manutenção do potencial doador (de modo a impedir para que ele não tenha uma parada cardíaca, o que inviabilizaria a utilização dos órgãos) até a extração e encaminhamento para o centro transplantador.

Leia também: O que é o transplante ou implante capilar e como funciona?

Existem tecnologias para preservação dos órgãos fora do corpo, que permitem aumentar o tempo entre a retirada e o implante no receptor. Máquinas de preservação renal são frequentemente usadas no Brasil. Também já foram utilizadas tecnologias para preservação de fígado e pulmão fora do corpo humano.

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Outra frente importante é promover a descentralização dos serviços de transplante, preparando equipes e viabilizando a criação de novos centros. Projetos de tutoria desenvolvidos pelo Einstein para o setor público no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS) já permitiram a capacitação de profissionais em instituições de Belém (fígado), Aracaju (rim), Campo Grande (rim) e Rio de Janeiro (pulmão).

Contando com o maior sistema público de transplantes do mundo, precisamos multiplicar o que já fazemos de bom e suprir lacunas regionais evidenciadas, por exemplo, pela disparidade dos índices de doação nas diferentes localidades.

De acordo com dados de 2022 do Registro Brasileiro de Transplantes, a relação de doadores efetivos por milhão de habitantes é de 32,8 na região Sul; 18,2 no Sudeste; 11,5 no Nordeste; 9,1 no Centro-oeste; e apenas 4,4 no Norte.

Impulsionar a cultura de doação e transplantar expertises e boas práticas dos centros de excelência para outras localidades é um bom caminho que nosso país pode seguir.

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Bambu é alternativa barata para produção de próteses

A cada hora, três amputações são feitas no Brasil — o que gera uma enorme demanda por próteses no país. Com o preço estimado de até 8 mil reais por peça, porém, nem todos conseguem pagar por uma.

Além disso, no sistema público, pacientes chegam a aguardar mais de dois anos para receber a sua. Pensando nisso, pesquisadores do Projeto Bambu, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), desenvolveram um modelo de baixo custo.

+ Leia também: Como é feita a cirurgia de prótese do quadril?

“O Protebam é avaliado em apenas 1,5 mil reais e permite que a pessoa amputada trabalhe e inicie o tratamento enquanto aguarda a chegada da prótese definitiva”, explica João Victor Gomes dos Santos, designer e criador da prótese.

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A peça tem durabilidade de ao menos um ano e foi aprovada por voluntários de hospitais do interior de São Paulo.

As vantagens

Conforto e sustentabilidade são as chaves do projeto

Solução ambiental

O modelo é feito de fibra de bambu e resina de mamona, matérias-primas renováveis. Na cadeia de fabricação, há incentivo a pequenos produtores. 

Acessibilidade

Com material barato e sem custos de importação, criadores conseguiram diminuir o preço sem reduzir conforto e funcionalidade.

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+ Leia também: Os mandamentos do pé diabético para prevenir lesões e amputações

Acomodação

A leveza da prótese é essencial para quem está se adaptando, bem como o encaixe da peça ao corpo, que é moldado em resina de mamona.

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Versatilidade

A Protebam é voltada a pessoas com amputação abaixo do joelho, mas, com investimento, próteses de bambu serão comuns para outros casos.

Estatísticas

Segundo levantamento da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), mais de 280 mil amputações de pés e pernas foram realizadas  pelo Sistema Único de Saúde (SUS) desde 2012.

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Em 2022, o Brasil bateu recorde de cirurgias desse tipo provocadas por complicações do diabetes: 31 mil procedimentos.

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segunda-feira, 1 de janeiro de 2024

Remédios psiquiátricos, psicoestimulantes e os impactos no sorriso

Costumo dizer que o sorriso é o retrato de nosso equilíbrio físico e mental. Trabalhando há mais de 30 anos em consultório, tive o privilégio de acompanhar gerações de pacientes. E não é exagero falar que, de minha cadeira de dentista, pude perceber alterações radicais na dinâmica de vida dessas gerações, mudanças essas traduzidas em seus dentes.

Antes, chegavam para mim queixas relacionadas a patologias bucais comuns, tais como cáries ou inflamação gengival. Hoje, um número significativo de casos é ligado à destruição ou à erosão dentária e, também, a problemas graves de dores na face, mandíbula e pescoço, inclusive distúrbios na mastigação provocados em sua maioria pelo bruxismo.

Medicamentos

Um problema que tem nos preocupado muito é o aumento do bruxismo, uma disfunção caracterizada pelo ranger ou apertar dos dentes, sendo o estresse e a ansiedade seus principais causadores. Medicamentos também têm sua parcela de culpa, visto estarem associados à supressão do sono REM, o que pode impactar a qualidade do descanso e limitar a pessoa ao estágio leve do sono, no qual o bruxismo atua intensamente.

Entre os medicamentos, precisamos falar dos ansiolíticos, os antidepressivos, os antipsicóticos e, mais recentemente, os psicoestimulantes. E, mais precisamente, o uso recreativo desses medicamentos.

+Leia também: Janeiro Branco se torna um movimento em prol da cultura da saúde mental

Me debruço aqui para falar de um deles: o Venvanse. Estudos apontam um crescimento de 40% na procura do medicamento na região da Faria Lima, coração financeiro de São Paulo, levando a uma escassez preocupante.

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Apesar de indicado para o tratamento do transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e do transtorno de compulsão alimentar (TCA), ele vem sendo utilizado para o aumento da produtividade, visto os efeitos diretos no aumento do foco e da motivação.

Um estudo da American Psychological Association indica que o uso não prescrito de Venvanse pode causar dependência, ansiedade e problemas cardiovasculares. E não para por aí.

Não foram uma ou duas vezes que recebemos no consultório casos de pacientes que, após fazer uso de forma recreativa, chegaram com queixas de dores intensas de ATM, no pescoço, nos ombros, ou mesmo com um quadro de bruxismo ou agravamento dele.

E, ainda, grau severo de erosão dentária, considerada pelos dentistas “o mal do século” por levar os dentes ao colapso.

Um de nossos pacientes, que fez uso recreativo do psicoestimulante, entrou em um estado crônico de dores no pescoço e na face, principalmente na região da mandíbula, além do agravamento do bruxismo que já vinha com ele. Atualmente, está em um tratamento que inclui a reprogramação da mordida, haja vista o comprometimento na região.

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O que posso dizer é que, por trás de muitos sorrisos, está uma pessoa tomada pelo estresse, pela depressão ou pela ansiedade, ou dependente de medicamentos para manter seu equilíbrio emocional. Ou, mesmo ciente das consequências, tomada pela busca da alta performance a qualquer custo.

De nossa parte, cabe tirar o paciente do estado de dores da região cervical, e de outras regiões, que são as dores da mordida e do estresse, preservar os dentes da erosão, ajudar no controle do bruxismo e, antes de tudo, alertar e orientar quanto a outros meios de conquistar o bem-estar, de forma mais natural e segura.

*Marcelo Kyrillos é sócio fundador do Ateliê Oral, clínica odontológica que está presente no mercado há 33 anos. É também coautor dos livros: “Sorriso Modelo – o Rosto em Harmonia” (2004), “A Arquitetura do Sorriso” (2012); “Precision – Os segredos da Odontologia Estética Minimamente Invasiva” (2014) e “A Arquitetura do Sorriso e a Construção de uma Marca” (2017).

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