sexta-feira, 28 de julho de 2023

Descoberto primeiro supercondutor em temperatura ambiente. Mas vamos com calma.

Em 1987, rolou uma sequência de 51 palestras sobre materiais supercondutores em altas temperaturas na Sociedade Americana de Física. Parece a cura da insônia, mas não se engane com o tédio aparente: os presentes estavam tão ouriçados que a maratona ganhou o apelido de Woodstock da física.

Esse verão do amor (por elétrons) virou até capa da Super. A primeira capa, da primeira edição, em outubro de 1987, que mostrava um trem vermelho levitando sobre os trilhos. Não foi excesso de imaginação do ilustrador. Os supercondutores, de fato, têm esse potencial. Eis a matéria aqui nosso arquivo, para os curiosos. Aqui vai um trechinho:

“Alguns cientistas chegaram a sugerir que estava aberta a via para a levitação: qualquer um poderia andar sobre as águas, a exemplo de Cristo sobre o Jordão. Em vez de esteiras como as que existem nos aeroportos, as pessoas poderão deslizar acima de um tapete magnético prevê, por exemplo, um dos mais imaginativos especialistas nas novas possibilidades da cerâmica, Praveen Chaudhari, vice-presidente da empresa IBM.”

Arthur C. Clarke comentou que qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível de magia. Mas essa aí, apesar de permitir levitação, não é avançada o suficiente para ficar no campo místico. Vamos, então, explicar supercondutores. E entender por que a potencial descoberta de um supercondutor que funciona em temperatura ambiente, anunciada ontem, seria uma revolução na área.

O que são supercondutores?

A corrente elétrica que acende as lâmpadas da sua casa é uma fila indiana de elétrons percorrendo um fio. Essas partículas subatômicas tem carga elétrica negativa (motivo pelo qual sempre correm do polo negativo para o polo positivo de uma bateria: os opostos se atraem).

O problema é que o fio é feito de metal. Cobre, por exemplo. E o metal, como tudo nesse mundo, é feito de átomos. Átomos tem núcleos com carga elétrica positiva, formados por partículas chamadas prótons. E os prótons atraem os elétrons. Isso atrasa o caminho dos elétrons no fio; eles precisam de alguma energia para superar a atração e seguirem seu caminho. É como um monte de maratonistas tentando correr enquanto todo mundo está nas beiradas da pista oferecendo rosquinhas.

Os supercondutores, por sua vez, são materiais em que os prótons estão dispostos de tal forma que facilita o caminho dos elétrons. Facilita a tal ponto que a resistência é virtualmente zero. Trocaram as rosquinhas por Red Bull.

O problema: para fazer os prótons ficarem quietos por um tempo razoável nessa configuração especial, eles precisam estar frios (“temperatura”, em graus Celsius, é justamente o grau de agitação das partículas que compõem alguma coisa).

Muito frios.

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Tão estupidamente frios que era necessário, originalmente, usar hélio líquido para obter a temperatura necessária de, no máximo, 30 °C acima do zero absoluto. (O zero absoluto equivale a -273 °C. Portanto, -243 °C. A temperatura mais fria já registrada na Terra, para fins de comparação, foi de -89,2 °C)

A grande descoberta feita pelos físicos Johannes Georg Bednorz e Karl Alexander Müller em 1986, que rendeu um Nobel e um verão do amor para os físicos em 1987, foi um material supercondutor feito de cerâmica capaz de exibir a propriedade em uma temperatura 12 °C mais alta que os materiais anteriores.

Parece pouco, mas as pesquisas estavam paradas desde 1911 nos -243 °C. Qualquer grau a mais era uma avanço. E no boom de pesquisas subsequentes, apareceram a materiais supercondutores ainda mais quentinhos, que já davam Red Bull para os elétrons em temperaturas que se pode obter com nitrogênio líquido, em vez de hélio líquido.

Nitrogênio líquido é muito mais barato e fácil de se obter (eu mesmo já comi um salgadinho Cheetos congelado com esse troço no Depto. de Física da USP), o que facilitou as pesquisas um bocado.

Os materiais supercondutores apresentam muitas propriedades eletromagnéticas estranhas. A mais estranha, chamada “efeito Meissner”, é o fato de que eles expulsam campos magnéticos de dentro de si. No processo, eles repelem qualquer ímã que estiver por perto. E é por isso que o ímã na foto ali em cima está levitando.

A nova descoberta

Em 1987, em meio ao entusiasmo com a cerâmica supercondutora, a ideia era que um dia teríamos trens e outras coisas voadoras que funcionassem por supercondução em temperatura ambiente. 36 anos depois, a notícia é que um grupo de pesquisadores coreanos  finalmente obteve um material supercondutor que funciona em pressão e temperatura ambientes.

Caso essa descoberta se confirme e seja reproduzida em outros laboratórios, teremos em mãos um dos maiores avanços da história da física experimental. Nas palavras do colunista Derek Lowe, na Science:

“Honestamente, falar que é extraordinário não é suficiente. Estão dizendo que essa coisa faz supercondução à temperatura de ebulição da água. As palavras ‘água em ebulição’ e ‘supercondutor’ não haviam aparecido na mesma frase até ontem, pode confiar.”

O problema é que supercondutores em temperatura ambiente, justamente por serem um Santo Graal dos laboratórios, também estão envoltos em polêmica. Por exemplo: um artigo de 2020 que declarava essa mesmíssima descoberta estava cheio de falhas. Seu experimento não pôde ser reproduzido em outros laboratórios; a Nature foi obrigada a tirar o texto do ar e publicar uma retratação.

E é importante ter paciência, claro: ainda que a descoberta se confirme, há um longo caminho para torná-la viável em aplicações práticas. Você ainda não vai andar no trem voador da capa da Super ano que vem. Mas, agora, há uma chance acima do zero absoluto de que você ande nele alguma vez na vida.

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quinta-feira, 27 de julho de 2023

Adultos com gordura no fígado têm 30% mais risco de desenvolver diabetes

Estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em parceria com cientistas da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), concluiu que adultos brasileiros que possuem esteatose hepática, popularmente chamada de gordura no fígado, têm 30% mais risco de desenvolverem diabetes tipo 2.

Os resultados têm como base o estudo chamado ELSA-Brasil (Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto), que avaliou 8.166 adultos (servidores públicos ou aposentados), com idades entre 35 e 74 anos, de seis capitais do Brasil.

Os voluntários foram seguidos por cerca de 3,8 anos. Foram excluídos os participantes com diabetes no início do estudo, aqueles que relataram consumo excessivo de álcool com hepatite ou cirrose. Os resultados foram publicados nos Cadernos de Saúde Pública.

A esteatose hepática é o acúmulo de gordura no fígado que pode, com o passar do tempo, causar uma inflamação crônica e danos no tecido hepático.

Normalmente é uma situação benigna, mas sem cuidados e na sua evolução ela pode induzir à fibrose do fígado (substituição das células normais do fígado por tecido fibroso) e até evoluir para cirrose, inclusive com aumento de risco de câncer.

Estima-se que o problema atinja ao menos 25% da população adulta – na amostra avaliada a esteatose estava presente em 35,5% dos voluntários.

+ Leia também: Já olhou para o seu fígado?

Segundo a hepatologista Bianca Della Guardia, coordenadora do Grupo Médico Assistencial de Doenças Hepáticas do Hospital Israelita Albert Einstein, esse tipo de estudo é muito importante porque no Brasil não temos muitas pesquisas que avaliem a incidência e prevalência da doença na nossa população.

“Nós imaginávamos uma incidência maior de esteatose no Brasil por questões genéticas que podem estar relacionadas. Mas esse número é preocupante porque quando falamos da doença hepática gordurosa não alcoólica estamos fazendo uma associação direta com a síndrome metabólica”, destacou Della Guardia.

A ultrassonografia abdominal foi o exame usado para a detecção da esteatose hepática, mas o diagnóstico também pode ser feito por outros exames de imagem, como tomografia e ressonância magnética, além de biópsia do fígado.

No período de seguimento, a incidência de diabetes foi de 5,25% em todo o grupo de participantes, sendo de 7,83% entre as pessoas com esteatose hepática e de 3,88% naqueles sem a esteatose. Isso significa um risco aumentado de 30% de desenvolver diabetes.

+ Leia também: Uma fórmula simples para detectar problemas no fígado

Como é o diagnóstico?

De acordo com a hepatologista, o ultrassom é o primeiro exame que vai apontar a presença da gordura do fígado. Mas, ao constatar o problema, outros exames devem ser realizados.

“O ultrassom é um exame sensível, mas precisamos entender se esse paciente tem fibrose hepática, que é a cicatrização do fígado, além da gordura. É essa fibrose que vai determinar o prognóstico a médio e a longo prazo. Se a gordura for identificada no ultrassom, esse paciente precisa ser melhor investigado”, alertou a especialista.

A esteatose hepática é uma doença silenciosa e, por isso, é perigosa. Segundo a médica, em geral, o fígado não costuma dar sintomas de problemas quando ainda estão na sua fase inicial e com a esteatose não é diferente.

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“Não existem sinais específicos para a doença. O paciente terá sintomas quando a doença estiver numa situação de cronicidade, quando o fígado começa a dar sinais de falência. Geralmente, são sintomas que aparecem numa fase mais tardia da doença, que é tudo que precisamos evitar”, disse.

Assim, uma vez constatado o problema, é preciso tratar imediatamente.

“É muito importante tratarmos essa inflamação precocemente para evitarmos a evolução para um quadro de falência hepática mais grave. O exercício físico é determinante para a diminuição da gordura visceral. Se nós tratamos o excesso de gordura (a adiposidade), conseguimos segurar a evolução dessa inflamação”, explicou o endocrinologista Clayton Macedo, que coordena o Núcleo de Endocrinologia do Exercício e do Esporte do Hospital Israelita Albert Einstein e o ambulatório de Endocrinologia do Esporte da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

+ Leia também: Quando a gordura se acumula no fígado − e em outros órgãos

Macedo ressaltou que os indivíduos avaliados tinham circunferência abdominal aumentada (que também é um fator de risco para diabetes), eram mais obesos, tinham mais dislipidemias e mais hipertensão.

“Todos esses são fatores de risco importantes para o desenvolvimento de diabetes. Quem tem esteatose, provavelmente têm mais mecanismos de resistência à insulina, às vezes até alterações de outros fatores de risco, o que coabita o cenário de predisposição ao diabetes”, ponderou.

Segundo o endocrinologista, esses resultados são essenciais para o desenvolvimento de políticas de saúde específicas para esse público, para o planejamento estratégias de prevenção e de tratamento da esteatose hepática.

Macedo explica ainda que existem algumas medicações que podem melhorar o acúmulo de gordura no fígado, mas nenhuma delas com indicação de bula – todas usadas off label.

Dieta e exercícios

“Hoje o tratamento padrão indicado é dieta e exercício físico. As medicações usadas tratam as doenças base [diabetes, obesidade, colesterol] e acabam melhorando, por consequência, a esteatose hepática.

O recomendado é tratar as comorbidades, aliado a um estilo de vida saudável com atividade física e alimentação saudável”, destacou o endocrinologista.

Macedo reforçou também que atualmente a medicina está trabalhando com o conceito de MASH (metabolic steatohepatitis – esteatohepatite metabólica) – antes a nomenclatura mais usada era NASH (nonalcoholic steatohepatitis – esteatohepatite não alcoólica).

“Hoje a ciência tem trabalhado com o conceito MASH para mostrar que fatores metabólicos e não somente o álcool estão fazendo com que o fígado fique doente. A esteatose pode ser controlada, entrando em remissão. Conseguimos melhorar bastante o quadro com perda de peso, principalmente quando aliada à dieta e ao exercício físico”, finalizou.

*Conteúdo publicado originalmente na Agência Einstein.

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Ouça o som produzido pelo brilho das estrelas

“No espaço, ninguém pode ouvir você gritar”, dizia o slogan de Alien – O Oitavo Passageiro (1979). Faz sentido, afinal o som não se propaga no vácuo. Mas, graças a uma recente pesquisa, talvez seja possível escutar o brilho das estrelas.

Você já deve ter percebido que as estrelas “piscam”. Esse brilho inconstante delas, que a gente enxerga a olho nu, é chamado de “cintilar”. Para quem observa da Terra, parte desse fenômeno se deve à atmosfera, que desvia a luz emitida por essas estrelas antes dela chegar aos nossos olhos.

Acontece que as estrelas possuem um efeito de piscar próprio. No decorrer dos meses, ora elas escurecem, ora brilham de forma mais intensa. Se você nunca reparou nisso, não se preocupe: essa alternância é difícil até para telescópios terrestres detectarem. Mas, afinal: por que isso acontece?

Esse fenômeno tem a ver com o gás presente no núcleo das estrelas. Em uma agitação de gases quentes e frios, essa mistura acaba produzindo ondas. Algumas ficam dentro das estrelas, mas outras chegam à superfície, variando assim sua temperatura, e consequentemente, seu brilho.

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Brilha, brilha, estrelinha

Um novo estudo da Universidade de Northwestern (EUA) conseguiu desenvolver uma modelo para determinar o intervalo e a frequência dessas ondulações. Usando simulações 3D, os pesquisadores foram capazes de não só replicar esse brilho, mas também converter essas ondas de gás em ondas sonoras. Você pode ouvir essa cantoria estelar no vídeo abaixo:

Assim como em uma orquestra, a sinfonia celeste possui diferentes sons. “Acontece que estrelas massivas de tamanhos variados são como instrumentos diferentes da mesma família”, diz Evan Anders, pós-doutor no Centro de Exploração e Pesquisa Interdisciplinar em Astrofísica, de Northwestern, e  líder do estudo.

As estrelas menores, com uma cavidade de onda menor, possuem um som mais agudo, parecido com o de um violino. Já as maiores, possuem mais espaço para as ondas ecoarem, produzindo um som mais grave, como o de um violoncelo.

Agora que nós podemos ouvir as estrelas, basta procurar entender o que elas dizem. Para isso, talvez possamos seguir os conselhos do poeta Olavo Bilac: “Amai para entendê-las! Pois só quem ama pode ter ouvido, capaz de ouvir e de entender as estrelas.”

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Consulta pública pode ampliar opções de tratamento para mieloma múltiplo

Os constantes avanços da medicina possibilitam o surgimento de novos tratamentos para os mais diversos tipos de doenças, sendo capaz de oferecer mais tempo e qualidade de vida até mesmo para pacientes que sofrem com condições para as quais ainda não há cura; como é o caso do mieloma múltiplo, um câncer da medula óssea que afeta os ossos. O maior desafio, porém, é que os tratamentos mais modernos e revolucionários cheguem a todos que precisam dele. 

Angelo Maiolino, professor de Hematologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e vice-presidente da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH), explica que o mieloma múltiplo é um tipo de câncer raro, que costuma acometer pacientes com mais de 60 anos – apesar de existirem casos de pacientes mais jovens – e que corresponde a cerca de 15% de todos os tipos de câncer do sangue.

“É uma doença específica que acomete os plasmócitos, uma das células da família dos glóbulos brancos, que são anticorpos, ou seja, apoiam na defesa do organismo. A questão é que ele sofre mutações e pode se tornar maligno, passando a produzir um único tipo de anticorpo, que se prolifera, e que não tem função de defesa, causando problemas ao organismo”, diz.

De acordo com o especialista, o paciente com mieloma múltiplo se torna suscetível a infecções e a doenças ósseas, principalmente porque a condição tem um mecanismo de destruição dos ossos, que causa dores e diminui a qualidade de vida do paciente. 

“Uma das manifestações mais comuns é dor na coluna vertebral e fraturas, além de anemia e até outros quadros, como a disfunção renal. É uma doença que causa um agravo à saúde substancial e consideramos um quadro clínico muito difícil de se conviver”. 

Possibilidades de tratamento

O diagnóstico de mieloma múltiplo nem sempre é rápido ou fácil. Isso porque ter dores nas costas ou apresentar fadiga, por exemplo, podem ser sintomas de diversas causas. Quando descoberta a doença, porém, o início do tratamento se configura como um alívio. 

Maiolino ressalta que a enfermidade segue sendo incurável, mas que diversas opções de tratamento vêm ganhando força e tendo resultados muito bem sucedidos, mudando completamente a expectativa de vida e qualidade de vida dos pacientes. 

“Os pacientes passam a conviver com o mieloma múltiplo como se fosse uma doença crônica – como diabetes e hipertensão – controlada. Esse avanço se deu nos últimos 10 a 15 anos. Tivemos um conjunto de incorporações de novos tratamentos no rol dos planos de saúde, incluindo novas classes de medicamentos com aprovação regulatória ágil pela ANVISA”, diz o professor.

O problema é que nem todos os remédios foram incorporados ao Sistema Único de Saúde – vale lembrar que 75% da população brasileira depende exclusivamente desse serviço para qualquer atendimento de saúde1. O número de pacientes com mieloma múltiplo tratados no sistema público no país é de 27.100 pessoas2. Dessas, 45% não têm acesso a tratamentos avançados e 68% sofrem com indisponibilidade do medicamento prescrito no centro de tratamento.3

“Foi por meio da ABHH que conseguimos a incorporação de alguns medicamentos que são hoje os pilares do tratamento do mieloma múltiplo e que são cruciais no tratamento. Mas ainda há uma discrepância muito grande entre o que é oferecido de forma privada e de forma pública e essa é uma preocupação constante para a sociedade médica”, reforça.

Hoje, há 14 medicamentos para tratar o mieloma múltiplo aprovados no Brasil. O SUS, porém, conta com apenas cinco opções disponíveis, sendo que três dessas são tratamentos quimioterápicos. Por meio de planos de saúde, as alternativas sobem para dez e incluem medicamentos que mostram resultados mais efetivos, quando comparadas às terapias disponíveis atualmente no SUS. 

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Consultas públicas e incorporação de novos medicamentos no SUS 

Atualmente, está sob avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) a incorporação daquele que seria o sexto medicamento a ser oferecido pelo sistema de saúde para pacientes que vivem com a doença: um anticorpo monoclonal indicado para o mieloma múltiplo recidivado – que retornou após ter estado em remissão – ou refratário – que não respondeu ao tratamento inicial ou que teve alguma piora, mesmo com o tratamento.

“Esse medicamento já está aprovado no país há seis anos e deve ser usado em combinação com outros tratamentos. Ele faz uma ação direta contra o alvo, destrói o plasmócito e estimula o sistema imune a fazer o mesmo. É uma poderosa arma para eliminar a doença por um tempo prolongado. Se incorporado ao SUS, será, certamente, um ganho enorme aos pacientes”, explica o médico.

Como parte dos processos de avaliação de inclusão de novas tecnologias no SUS, a Conitec realiza consultas públicas (CP), que têm o objetivo de ouvir a sociedade a respeito das possibilidades de novas incorporações. A participação da sociedade nessas iniciativas é de extrema importância e pode fazer a diferença na vida de milhares de pessoas. 

“O papel da consulta pública é justamente sensibilizar a agência incorporadora, é uma forma democrática do cidadão se manifestar em assuntos de interesse da sociedade. A Conitec abre a possibilidade de médicos, instituições, pacientes, familiares e todos os cidadãos darem suas contribuições e mostrarem o quão prioritária é aquela incorporação. As consultas públicas têm um peso na decisão final e por isso é muito importante ter a participação do máximo de pessoas possível”, afirma. 

Como participar de uma consulta pública

O processo para participar de uma consulta pública é feito de forma inteiramente online, por meio do site da Conitec (https://www.gov.br/conitec) e qualquer pessoa pode contribuir, basta ter cadastro na plataforma GOV.BR.

O passo a passo é o seguinte:

  • Acesse o site da Conitec
  • Clique no botão “Consultas Públicas” 
  • Faça o login com os dados do GOV.BR
  • Acesse as consultas públicas vigentes
  • Contribua para o avanço das incorporações de medicamentos no SUS

A CP para a incorporação desse anticorpo monoclonal estará disponível até o dia 14/08. Para participar, basta procurar pela CP de número 29.

Referências:

1 – Minas Gerais. Secretaria de Estado de Saúde. O Sistema Único de Saúde (SUS) [Internet]. Disponível em: https://www.saude.mg.gov.br/sus#:~:text=O%20SUS%20%C3%A9%20o%20%C3%BAnico,para%20qualquer%20atendimento%20de%20sa%C3%BAde

2 – DataSUS, 2019

3 – Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (ABRALE). Pesquisa Qualitativa da Jornada de Paciente com Mieloma Múltiplo

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Saiba o que fazer para evitar a micose de unha durante o inverno

Durante o frio, os pés passam mais tempo em sapatos fechados, o que favorece o surgimento e a proliferação de fungos, inclusive dos causadores da micose de unha. Sem alguns cuidados, o inverno oferece condições ideais para a manifestação da onicomicose. Nesse período é importante redobrar a atenção com a saúde das unhas.

Uma das orientações mais importantes é manter uma boa higiene. O dermatologista Rafael Azevedo (CRM-SP 0118885) comenta que algumas ações simples no dia a dia ajudam bastante: “Após o banho, a regra é secar muito bem os pés e entre os dedos. Manter as unhas cortadas e não compartilhar objetos pessoais também é importante”.

Os fungos se alimentam de queratina, proteína presente nas unhas. Com isso, é comum que surjam manchas brancas ou amareladas e ocorra o descolamento das unhas. Aos primeiros indícios é importante iniciar o tratamento para evitar complicações. “A micose também pode passar de uma unha para outra ou da unha para a pele, ocasionando frieiras”, explica o médico.

Uma das opções para o tratamento da onicomicose é o Loceryl Esmalte*, uma solução eficiente e de fácil aplicação. O esmalte é um terapêutico composto por cloridrato de amorolfina, que tem ação 3 em 1:1 penetra em todas as camadas da unha, protegendo contra a disseminação da micose; combate diferentes fungos causadores da micose de unha; e ainda conta com um efeito de longa duração – uma aplicação semanal já fornece proteção.2

Loceryl
<span class="hidden">–</span>Loceryl/Divulgação
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Além do tratamento indicado, é importante rever alguns comportamentos prejudiciais à saúde das unhas. Não descuide da limpeza dos sapatos e os mantenha em ambientes arejados após o uso, troque as meias diariamente e opte pelas de algodão e não compartilhe cortadores ou alicates de unha. Consulte sempre o seu dermatologista.

Loceryl® Esmalte (cloridrato de amorolfina) é indicado para o tratamento de micoses de unha (onicomicoses).

Reg. MS 1.2916.0036. GALDERMA BRASIL LTDA./LOCERYLESM-MB02_22/SAC: 0800 015 5552. LOCERYL® ESMALTE É UM MEDICAMENTO. SEU USO PODE TRAZER RISCOS. PROCURE O MÉDICO E O FARMACÊUTICO. LEIA A BULA. SE PERSISTIREM OS SINTOMAS, O MÉDICO DEVERÁ SER CONSULTADO.

1-2LOCERYL® ESMALTE cloridrato de amorolfina [Bula] 202; Pinto, Bagger, Kunze, Joly-Tonetti, Thénot, Osman-Ponchet, Janfelt. 2020.

BR-LCR-2300015 

Agosto de 2023

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Insuficiência renal crônica no diabetes: nova ferramenta ajuda na detecção

O diabetes é a principal causa de doença renal crônica no mundo e uma das principais aqui no Brasil, disputando com a hipertensão o posto de primeiro lugar.

A diminuição da função filtrante dos rins pode acarretar quadros de inchaço, falta de ar, anemia, confusão mental, coceira generalizada e diminuição do volume urinário.

Estes sintomas, porém, são tardios e indicam maior gravidade do quadro.

Para surpresa de muitos leitores, na maior parte do tempo a insuficiência renal passa despercebida. Isso mesmo: muitos podem estar lendo esta matéria e nem saber que o órgão está com problemas.

Além da necessidade de diálise ou de transplante de rim, a diminuição da função renal por si só é uma causa de problemas cardíacos e até morte. E muitos nem sequer conseguem se submeter a estas terapias.

Nos últimos 10 anos, a prevenção e o manejo da insuficiência renal evoluíram muito no Brasil, com a chegada de tratamentos comprovadamente eficazes em retardar a disfunção dos rins (tratamentos disponíveis no SUS, inclusive).

+ Leia mais: O brasileiro precisa cuidar melhor dos rins

Mas nada disso adianta se a pessoa não tiver o diagnóstico em mãos.

Subdiagnóstico é um problema

Até em países desenvolvidos, a taxa de subdiagnóstico ultrapassa os 80% dos pacientes. Dados alemães, por exemplo, apontam que 30% dos pacientes com estágio 4 de insuficiência renal passam em consulta sem diagnóstico.

E olha que o estágio 4 já é a fase pré-diálise. No mesmo estudo, cerca de 50% das pessoas que se encontram no estágio 3 estão sem o correto diagnóstico.

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Falta de diagnóstico é sinônimo de falta de oportunidade de tratamento. Durante a pandemia de Covid, a quantidade de exames para avaliar a saúde renal realizados caiu bastante, assim como caiu o número de consultas médicas.

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Uma ajuda ao rastreamento

O rastreamento é feito com exames simples como a dosagem de creatinina no sangue e a quantificação de proteína na urina (albuminúria em amostra isolada de urina). São exames disponíveis nos convênios e no SUS.

Contudo, num país continental como o nosso, muitos indivíduos não possuem acesso nem a estes exames simples de rastreamento.

E é neste cenário que a empresa Gendius desenvolveu uma ferramenta simples, gratuita e fácil de manusear, capaz de indicar se uma pessoa tem maior risco de formas moderadas ou avançadas de insuficiência renal crônica.

Nesta ferramenta, desenvolvida em parceria com a farmacêutica AstraZeneca e apoio da ADJ Diabetes Brasil, basta a pessoa com diabetes tipo 2 e com mais de 18 anos de idade inserir a sua idade, gênero, duração do diabetes, peso, altura e valor da pressão arterial.

Com estas 6 variáveis, a ferramenta indica um escore de risco do indivíduo. E este escore poderá nortear a conduta da equipe de saúde.

Num ambiente de escassez de recursos como diversas áreas do Brasil, ferramentas como esta podem ajudam a direcionar recursos mais complexos de diagnóstico para aqueles que possuem maior risco de doença renal.

Clique neste link e calcule seu risco de ter doença renal crônica em graus moderados ou avançados. Mostre o resultado para a equipe de saúde e cuide-se.

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quarta-feira, 26 de julho de 2023

5 brinquedos educativos para ensinar ciência às crianças

Aprender é parte essencial da infância, seja na escola ou dentro de casa. Mesmo assim, pode ser difícil inserir novas dinâmicas e atividades na vida das crianças (e, principalmente, tirá-las do celular). Uma boa opção é misturar diversão com aprendizado com brincadeiras e jogos.

Um exemplo é o clássico Operando, que ensina sobre anatomia enquanto as crianças se divertem com os pais ou amigos. Separamos alguns desses brinquedos para você apresentar aos pequenos.

Kit microscópio infantil

Kit microscópio infantil

Esse pequeno microscópio pode ser uma porta de entrada para o mundo da microbiologia. Ele acompanha 1 microscópio, 1 lâmina já preparada, 4 lâminas para preparar, 1 porta objetiva, 1 pinça e 2 frascos de ensaios para armazenar as amostras, todos acondicionados em uma caixa de papelão.

LAB 42 Experiências

LAB 42

O LAB 42 é um jogo da estrela que, como o nome indica, apresenta 42 experiências diferentes aos jogadores. Esta é uma ótima forma de mostrar como a química das substâncias agem de uma maneira divertida e prática.

Quebra-cabeça Explorando o Corpo Humano

Quebra-cabeça Explorando o Corpo Humano

O quebra-cabeça comum já é um jogo que desenvolve a percepção visual, a concentração e a coordenação motora. Explorando o Corpo Humano adiciona mais uma camada de conhecimento para a brincadeira, ao mostrar a anatomia humana para as crianças, incluindo até um guia de curiosidades sobre as partes do corpo.

Astronomia

Astronomia

Astronomia é um kit de ciências que integra conteúdo didático e muita diversão! Ele ensina conceitos relacionados à astronomia por meio de atividades simples e criativas.

Alquimia 45 Experiências

Alquimia 45

O Alquimia 45 funciona de forma parecida com o LAB 42, só que desta vez com 45 experiências. Alquimia possibilita que as crianças brinquem com a mistura de elementos encontrados na natureza para observar as mudanças que eles sofrem, desde a cor até a densidade.

Vale lembrar que alguns destes jogos acompanham substâncias químicas, então devem ser usados sempre na supervisão de um adulto!

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