segunda-feira, 27 de novembro de 2023

O toque retal ainda é necessário para o rastreio do câncer de próstata?

Boa parte dos homens já incorporou a ideia de fazer anualmente os exames para rastreamento do câncer de próstata a partir dos 45 anos: o toque retal e um exame de sangue chamado PSA. E, para homens com histórico familiar ou afrodescendentes, essa rotina se inicia aos 40 anos.

Essa é a recomendação formal da Sociedade Brasileira de Urologia.

A premissa é simples: como os sintomas de câncer de próstata são basicamente inexistentes nas suas fases iniciais, a única possibilidade de diagnóstico precoce é flagrar a doença nos exames de rotina.

Nessa fase inicial, as chances de cura do câncer de próstata superam 90%, enquanto um tumor avançado com metástases, ainda que possa ser controlado, não é mais considerado curável.

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Porém, uma nota técnica do Ministério da Saúde cita outras evidências e recomenda que o rastreamento não seja feito.

+ Leia também: Entenda o debate sobre o rastreamento do câncer de próstata no Brasil

De fato, existe um debate aberto na literatura médica. Sabe-se que muitas vezes o câncer de próstata é uma doença pouco agressiva, e frequentemente não é a causa de morte de pacientes acometidos.

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Para ter ideia, enquanto mais de 70 mil homens recebem esse diagnóstico por ano no Brasil, as mortes causadas por ele ficam ao redor de 15 mil por ano.

Além disso, dois estudos grandes compararam pacientes que faziam e que não faziam os exames de rastreio e chegaram à conclusão de que fazer os exames de rotina não reduzia significativamente o risco de morrer pela doença em 10 anos. Com base nessas pesquisas, em 2013, a força tarefa de serviços preventivos nos Estados Unidos recomendou que o rastreamento deixasse de ser realizado.

Porém, os anos passaram e novas evidências se acumularam. Por um lado, falhas metodológicas desses dois estudos ficaram evidentes. Por outro, atualizações dos trabalhos revelaram que, passados os 10 anos iniciais, a mortalidade a longo prazo era menor entre os homens que fizeram rastreamento.

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+ Leia também: Novas evidências a favor da dosagem do PSA para flagrar câncer de próstata

E mais. Após a suspensão do rastreamento nos Estados Unidos, a incidência de câncer de próstata com metástases (ou seja, espalhado pelo corpo, sem possibilidade de cura) aumentou significativamente naquele país.

Diante dessas evidências, a própria força-tarefa estadunidense revisou sua posição em 2018, e hoje recomenda que o rastreio seja discutido individualmente com cada paciente, explicando os riscos e benefícios. Ou seja, a nota do Ministério da Saúde está em linha com posicionamentos internacionais de um passado recente, mas não com o que há de mais atual.

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É verdade que alguns tumores pouco agressivos acabam sendo tratados sem necessidade. Mas atualmente, temos critérios objetivos para poder propor uma vigilância de tais tumores, evitando cirurgias e outras intervenções. E esses critérios vão se aperfeiçoando a cada ano.

Outro aspecto relevante é que os tratamentos atuais, por exemplo com cirurgia robótica, oferecem resultados com muito menos efeitos colaterais do que as cirurgias do passado.

Uma visão ponderada sobre assunto é entender que existem riscos e benefícios para cada posição. No caso de não se fazer o rastreamento, corre-se o risco de morrer por um câncer cujos efeitos poderiam ter sido evitados. No caso de se fazer o rastreamento, corre-se o risco de realizar uma cirurgia que poderia ter sido desnecessária.

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É justo que cada paciente seja informado desses riscos e benefícios e tome uma decisão que atenda seus anseios.

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Covid-19: veja o esquema vacinal de acordo com idade e condição de saúde

Ao longo da pandemia, as recomendações sobre a vacina da Covid-19 passaram por modificações com base em evidências científicas sobre a duração da imunidade e da proteção contra a doença.

O número de doses é estabelecido pelo Ministério da Saúde, com aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e seguindo a bula dos fabricantes das vacinas.

A imunização é a principal forma de prevenção contra o agravamento da doença, evitando hospitalizações e reduzindo o risco de morte.

A partir do ano que vem, a vacinação contra o coronavírus será incluída no Programa Nacional de Imunizações e deve ser rotineira para grupos de risco.

+ Leia também: Nobel de Medicina celebra vacinas da Covid-19

Como fica a vacinação contra a Covid em 2024

A imunização contra o coronavírus será incluída no Calendário Nacional de Vacinação. Dessa forma, ficará disponível para grupos prioritários durante o ano inteiro no Sistema Único de Saúde (SUS).

“Com a transformação da Covid-19 em uma doença mais endêmica, muito semelhante à gripe, não faz mais sentido a revacinação periódica de toda a população mundial. Não é recomendação de nenhum programa de imunização, tampouco da Organização Mundial da Saúde”, esclarece o médico Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

Nesse contexto, a decisão do ministério é de priorizar crianças de 6 meses a menores de 5 anos e os indivíduos com maior risco de desenvolver as formas graves da doença.

A lista estipulada pela pasta inclui:

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  • Idosos
  • Imunocomprometidos
  • Gestantes e puérperas
  • Profissionais de saúde
  • Pessoas com comorbidades
  • Indígenas, ribeirinhos e quilombolas
  • Indivíduos que vivem em instituições de longa permanência e seus trabalhadores
  • Pessoas com deficiência permanente
  • Pessoas privadas de liberdade maiores de 18 anos
  • Adolescentes e jovens em medidas socioeducativas
  • Funcionários do sistema prisional
  • Pessoas em situação de rua

Com exceção das crianças, eles devem repetir a imunização todos os anos, como é feito com a gripe. Isso não quer dizer que pessoas fora desse recorte não devam se vacinar.

“A imunização contra a Covid-19 deve ser, idealmente, universal, por se tratar de uma doença de rápida propagação e com capacidade de gerar vírus com mutações com alta frequência. Entretanto, quando falamos em políticas públicas, devemos priorizar grupos mais vulneráveis”, diz o médico infectologista Pedro Campana, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e membro do corpo clínico do Núcleo de Medicina Afetiva (NuMA).

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Vacinas Covid-19 pediátricas da PfizerFoto: Myke Sena/MS/Divulgação

A inclusão da Covid-19 no calendário de rotina para grupos semelhantes aos recomendados para a gripe tende a ampliar a adesão, esperam os especialistas.

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“Isso permite aplicar as vacinas conjuntamente e facilita a comunicação para quem está nos serviços de saúde. Assim, todos entendem que as pessoas que têm maior risco para hospitalização de influenza também estão em maior risco de internação por Covid-19”, afirma o médico infectologista Julio Croda, professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).

Além da preocupação com o agravamento da doença, outros fatores influenciam na escolha dos grupos prioritários. “Priorizar grupos como crianças diminui a transmissão viral, uma vez que elas são grandes vetores de doenças respiratórias”, acrescenta Campana.

+ Leia também: OMS endurece recomendação contra ivermectina em diretriz sobre Covid-19

O esquema vacinal para crianças, adultos e idosos

Atualmente, as vacinas contra o coronavírus estão recomendadas para toda a população a partir de 6 meses de idade com diferentes orientações sobre dosagem.

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  • Crianças dos seis meses aos cinco anos: três doses das vacinas monovalentes (feitas com base na cepa original do coronavírus) pediátricas.
  • Pessoas dos 5 aos 17 anos: duas doses das vacinas monovalentes + um reforço
  • Pessoas dos 18 aos 39 anos: duas doses das vacinas monovalentes + um reforço, que pode ser feito com a bivalente
  • Pessoas com 40 anos ou mais: duas doses das vacinas monovalentes + dois reforços, que pode ser feito com a bivalente

A vacina bivalente da Pfizer é formulada a partir da cepa original do coronavírus e de linhagens mais recentes em circulação.

Ela é adotada como uma dose de reforço para a população a partir de 12 anos de idade, se grupo prioritário, e para toda a população a partir de 18 anos de idade.

+ Leia também: A revolução do RNA: muito além das vacinas

Para as pessoas imunossuprimidas (veja quem são), o plano vacinal é o mesmo para todas as faixas etárias, com a diferença de inclusão de uma dose a mais para cada esquema. Ou seja, uma criança imunossuprimida toma quatro doses, em vez de três.

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Trata-se de uma dose adicional, uma vez que o grupo apresenta maior vulnerabilidade para o risco de adoecimento e complicações da doença. De acordo com o Ministério da Saúde, as vacinas disponibilizadas são as de plataforma RNA mensageiro, da Pfizer.

Findo esse esquema inicial, os grupos prioritários devem refazer a vacina todo ano, como explicado anteriormente.

Proteção

Quem ainda não completou o ciclo vacinal ou está com alguma dose de reforço em atraso pode atualizar a caderneta em unidades de saúde do SUS.

Após a finalização do esquema básico de imunização, quem não faz parte dos grupos prioritários citados anteriormente poderá receber doses adicionais da vacina na rede privada.

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Seria uma proteção extra, mas, segundo o médico Alberto Chebabo, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) os públicos que não foram contemplados com a inclusão da vacina no calendário de rotina permanecem protegidos.

“Em termos de estratégia de saúde pública, é preciso definir onde alocar o recurso e qual população mais vai se beneficiar. O restante da população tem proteção e ela não parece se reduzir, principalmente para os quadros graves, que é o mais importante em relação à vacinação”, diz Chebabo.

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Um plano de ações contra o câncer

Na abertura do 10° Congresso Todos Juntos Contra o Câncer, realizado em setembro deste ano, apresentamos um levantamento que procurou identificar as percepções dos profissionais especialistas em saúde e gestão sobre as ações que devem ser priorizadas no desenvolvimento de um plano de combate ao câncer para os próximos 10 anos.

Na pesquisa de opinião do Movimento Todos Juntos Contra o Câncer, foram abordados temas como políticas públicas, prevenção, assistência, gestão e financiamento, formação e pesquisa e participação social.

Entre as ações prioritárias para enfrentamento ao câncer, os respondentes indicaram o investimento em prevenção (com estratégias de rastreamento e diagnóstico precoce), ampliação da rede assistencial pública e adoção de modelos mais atrativos e viáveis de financiamento em oncologia.

Da parte do governo, como medidas de atuação imediata, o principal ponto colocado foi a necessidade urgente de melhoria na gestão pública e coordenação entre os entes para redução das ineficiências do SUS.

A melhor capacitação e qualificação dos profissionais da atenção primária (APS) foi a iniciativa de destaque quando questionamos sobre as ações para garantir uma abordagem mais abrangente, com 38% das respostas sobre o que deveria ser prioridade neste aspecto.

A geração de dados, diligência e busca de novas fontes de recursos para a oncologia seriam, segundo os entrevistados, as principais alavancas para promover a sustentabilidade financeira.

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Como conclusão, o alinhamento entre as partes envolvidas no ecossistema da saúde é fator imprescindível de sucesso para o direcionamento, priorização e consecução de políticas públicas efetivas e assertivas.

+ Leia também: Desigualdade racial atrapalha o diagnóstico e o tratamento do câncer

Portanto, vimos ser imprescindível um engajamento de todos os atores, assim como o reforço do compromisso público de que o efetivo enfrentamento do câncer é uma agenda prioritária de Estado.

Este é um problema complexo, cuja a solução se mostra multissetorial e intersetorial. O Movimento Todos Juntos Contra o Câncer tem estreitado cada vez mais o diálogo com as autoridades, sempre no sentido de colaborar com a atuação sobretudo do poder Executivo.

Trata-se de uma emergência de saúde pública, uma emergência epidemiológica. A agenda pública para debater a questão deve ser positiva, e com ações rápidas, além de um plano de médio e longo prazos.

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Como Movimento, a partir da pesquisa realizada e do trabalho de advocacy que fazemos continuamente, apresentamos análise de problemas e propostas de soluções para construir, a exemplo de outros países, uma estratégia específica para a prevenção e combate ao câncer no Brasil.

Uma política estruturante é importante, com toda certeza. Mas, agora, precisamos unir esforços para agir de forma acelerada em relação a alguns tipos de tumores mais incidentes e de maior mortalidade no país, tendo o aspecto emergencial da questão como norte.

E, ainda, atuar pensando nos cânceres evitáveis, preveníveis e tratáveis, para ser possível a conquista de melhores resultados com uma ação estratégica. Sem esquecer, é claro, das neoplasias menos incidentes, cujos pacientes também necessitam de cuidado e suporte.

Qualquer solução que seja proposta no âmbito da Política Nacional de Combate ao Câncer tem que acontecer de uma maneira efetiva, e para todos os pacientes. Toda vida importa, e a sociedade precisa saber e participar desse cenário.

* Catherine Moura, médica sanitarista, CEO da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale) e líder do Movimento Todos Juntos Contra o Câncer

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domingo, 26 de novembro de 2023

Ressonância magnética: os cuidados necessários para a realização do exame

A ressonância magnética começou a ser desenvolvida em 1946, sendo suas primeiras imagens geradas pelos físicos Paul Lauterbur em 1972 e Peter Mansfield em 1976.

Desde então, a técnica vem contribuindo– e muito – para o avanço da medicina diagnóstica, tanto que os dois físicos mencionados foram agraciados com o Nobel de Medicina e Fisiologia em 2003.  No Brasil, a tecnologia chegou em 1986 e representou um grande avanço.

Hoje, a ressonância magnética é um procedimento corriqueiro no rastreio e descoberta de doenças importantes, como aneurismas, derrames, tumores, processos inflamatórios, malformações, doenças cardíacas e até mesmo alterações intraútero.

O exame utiliza alta tecnologia, empregando um campo magnético e ondas de radiofrequência para criar imagens detalhadas do interior do corpo.

+ Leia também: Qual é a diferença entre tomografia e ressonância?

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Durante o procedimento, o paciente é colocado em uma “máquina” (geralmente dentro de um cilindro) que contém um magneto potente, capaz de criar um campo eletromagnético ao seu redor, interagindo com os átomos de hidrogênio do corpo.

Cuidados para realizar a ressonância magnética

O exame funciona como um grande imã capaz de atrair metais ferromagnéticos e induzir corrente elétrica. Por isso, é fundamental seguir certas recomendações para garantir a segurança de todos os envolvidos e a precisão dos resultados.

É imprescindível, por exemplo, que o paciente avise se possui dispositivos médicos implantados no corpo, como próteses, marcapassos e clipes de aneurisma. Materiais metálicos, como piercings, joias, grampos de cabelo e próteses dentais removíveis também precisam ser retirados, já que podem ser deslocados pelo campo magnético, com alto risco de acidentes graves.

O que muitos pacientes não sabem é que deve-se tomar cuidado também com as tatuagens e micropigmentações. Alguns pigmentos contêm uma maior concentração de ferro e podem induzir corrente elétrica e aquecimento local. Por isso, é fundamental informar no setor e evitar realizar o exame nas primeiras semanas após a realização.

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Para cílios postiços (fixados com cola ou por técnica fio a fio), vale a mesma regra da tatuagem. Embora isso aconteça raramente, o local pode aquecer, causando dor e vermelhidão. Os cílios fixados com imã são contraindicação absoluta para a realização do procedimento.

No dia do exame, é importante ainda que os cabelos estejam secos, sem o uso de gel ou cremes, pois as moléculas de água e alguns materiais presentes nesses produtos podem interagir com imã, levando a aquecimento.

Celulares, tablets, relógios inteligentes, cartões de crédito também devem ficar fora do ambiente da RM, com risco de desmagnetização.
Vale a pena frisar que o exame pode ser feito, na maioria das vezes, com segurança e sem intercorrências, mas a comunicação efetiva é fundamental para isso.

Um detalhe importante é que o uso de marca-passo, anteriormente considerado uma contraindicação absoluta ao exame, se mostrou seguro, possibilitando que pacientes com esse dispositivo possam realizar seus exames de forma segura, desde que tenha sido discutido com seus médicos previamente.

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sábado, 25 de novembro de 2023

Incontinência urinária não é um mero detalhe do câncer de próstata

Eu não esperava, já tendo avançado consideravelmente na sétima década de vida, passar por uma peregrinação. Mas foi o que ocorreu: por mais de cinco anos, sofri com uma incontinência urinária de difícil controle, o que derrubou minha qualidade de vida.

Tudo começou com o diagnóstico de um câncer de próstata em fase inicial. Os exames confirmaram a necessidade de tratamento e, no início de 2017, passei por uma retirada total da próstata e das vesículas seminais. 

A cirurgia foi considerada um sucesso, mas acabei sendo “sorteado” com um dos efeitos colaterais desse tratamento: a tal incontinência urinária por deficiência uretral, também conhecida como micção involuntária por esforço. Essa é uma condição em que o esfíncter urinário é danificado e, portanto, não consegue mais segurar o xixi na bexiga.

A incontinência urinária significa ficar com roupa molhada o tempo todo. Após o diagnóstico, passei a usar fralda, duas ou três ao dia. Depois, tentei a sonda, mas, mesmo assim, sempre havia algum escape nas minhas roupas e me incomodava muito viver com odor de urina. É algo angustiante.

Enquanto buscava alternativas, em 2018 recebi a notícia de que o câncer tinha voltado, e que precisaria fazer sessões de radioterapia. Realizado esse tratamento, ainda persistia a incontinência urinária. 

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Aí fiquei entre a cruz e a espada: usar fraldas, instalar uma nova sonda… ou partir para tal o esfíncter artificial.

+ Leia também: Entenda o debate sobre o rastreamento do câncer de próstata no Brasil

O esfíncter artificial é uma prótese colocada em volta da uretra que tem a capacidade de segurar a urina – e liberá-la em um momento oportuno, quando acionada por um botão implantado na bolsa escrotal. 

Avaliei as alternativas a partir do objetivo de não mais “exalar urina o tempo todo”. Isso me incentivou a optar pelo esfíncter artificial. 

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Foram duas tentativas de implante da prótese. Na primeira, em 2019, uma infecção local obrigou a remoção do esfíncter artificial. Consegui fazer uma nova tentativa só em 2022, três anos depois da primeira. 

Mas, de novo, não deu certo: a prótese teve que ser removida após um acúmulo de urina na região operada. 

Diante das más notícias, a equipe que realizou esses primeiros procedimentos sugeriu abandonarmos essa ideia. A ideia seria viver com uma sonda na bexiga para sempre. 

A incontinência urinária pode parecer um  mero detalhe diante do diagnóstico de câncer – ainda mais depois de duas tentativas fracassadas de resolver o problema. Não é, e eu posso enumerar vários problemas: vergonha de sair de casa, dor ao urinar, falta de convívio social, presença constante de um odor desagradável…

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Nesse momento desafiador, tive o apoio incondicional da minha família. Compartilhar momentos com a minha esposa, as minhas filhas, as minhas quatro netas e a minha bisneta foram o diferencial para me manter motivado. 

+ Leia também: Quais são os principais tipos de cirurgia para próstata?

E foi justamente o apoio da família que trouxe mais uma vez a esperança. Em uma conversa informal na sala de espera do odontologista, uma das minhas filhas conheceu a Patrícia, que é a secretária do Marcelo Bendhack, um médico especializado no meu problema e que poderia, pelo menos, avaliar a situação. 

Por causa desse contato, marquei uma consulta com ele para entender a possibilidade de uma terceira tentativa de colocar o esfíncter artificial. Aí descobrimos que sim: essa era uma opção. 

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Embora provavelmente não eliminasse a incontinência, essa nova tentativa, se desse certo, reduziria consideravelmente o escape de urina. Ou seja, ela me devolveria uma vida mais próxima do “normal”.  Após uma análise profunda, eu, minha família e os médicos decidimos em conjunto seguir em frente e gastar esse “último cartucho”, assim por dizer. 

Naquele momento, os médicos precisavam seguir um plano minucioso. Foram muitos exames antes de termos certeza que eu poderia ir para a cirurgia. Eu estava perto de completar 80 anos, mas confesso que me senti um jovem estudante, aprovado em todos os processos seletivos, e pronto para entrar novamente na sala de operação. 

A cirurgia foi realizada pelos médicos Marcelo Bendhack e André Cavalcanti. Esse último saiu de sua cidade, a bela Rio de Janeiro, para Curitiba, onde moro, só para fazer esse procedimento complexo. 

Após sete semanas, voltei para uma reavaliação. Resultado: o terceiro esfíncter artificial estava funcionando e não havia mais os vazamentos urinários constantes. Como antecipado, a técnica não resolveu por completo o problema, mas diria que me sinto 70% melhor. Retornei às atividades, ao trabalho, aos exercícios físicos, às minhas caminhadas diárias. 

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O aparelho, aliás, já não incomoda mais, até porque esse é um detalhe frente ao ganho que tive. 

Olhando para trás, compreendo que a saúde física (ou a falta dela) interfere diretamente no humor e, sobretudo, nas relações pessoais. Uma doença ou uma condição como a incontinência urinária, se não bem tratada, pode nos isolar em casa e gerar vergonha. 

Sou grato por ter encontrado profissionais dedicados e cientes de suas responsabilidades. Eles me deram uma nova chance de viver uma boa vida, agora com meus 80 anos, que celebrei no dia 30 de agosto de 2023. 

Depois de dois tratamentos para o câncer de próstata e três tentativas de implante do esfíncter, hoje olho para o futuro e sei que a medicina pode ser baseada em ciência e, ao mesmo tempo, pensada para promover qualidade de vida.

*José Gmach nasceu em Curitiba, no Paraná, e foi diagnosticado com câncer de próstata em 2017.

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sexta-feira, 24 de novembro de 2023

Câncer de próstata: testagem genética contribui para prevenção da doença

No Brasil, o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens (atrás apenas do câncer de pele não melanoma).1 Por outro lado, entre todos os tipos de tumores, ele é um dos com maior chance de cura, chegando a 97% se rastreado em estágio inicial.2

Apesar desse prognóstico tão positivo, a realidade ainda parece bastante distante, já que 62% dos homens só procuram ajuda médica diante de sintomas insuportáveis.3 Em outras palavras, menos da metade deles consulta o médico para a prevenção e rastreio precoce de doenças.

O resultado? “Enquanto nos meios onde o acompanhamento é feito através do toque retal e PSA casos avançados representam menos do que 30%, em países em que isso não é feito de rotina, como no Brasil e, particularmente, dentro do SUS, casos avançados podem chegar até 60% a 70% dos pacientes”, diz Fernando Cotait Maluf, diretor médico associado do Centro de Oncologia da BP e membro do Comitê Gestor do Centro de Oncologia do Hospital Israelita Albert Einstein.

Tudo sobre o câncer de próstata

A próstata, glândula masculina que está localizada abaixo da bexiga e à frente do reto, é um órgão pequeno e que faz parte do sêmen.1 Essa glândula cresce naturalmente ao longo da vida, mas o câncer surge quando células se multiplicam de forma anormal e formam um tumor.1 Setenta e cinco por cento dos casos no mundo ocorrem a partir dos 65 anos, sendo considerado um câncer da terceira idade.1 

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Geralmente a doença não provoca sintomas. Porém, em estágio avançado ela pode causar micção frequente, fluxo urinário fraco ou interrompido, vontade de urinar frequentemente à noite (nictúria), sangue na urina ou no sêmen, disfunção erétil, dor no quadril, costas, coxas, ombros ou outros ossos, caso o câncer tenha se disseminado para outras regiões do corpo, e fraqueza ou dormência nas pernas ou pés.5

Como grande parte desses problemas pode ser provocada por outras condições clínicas que não o câncer de próstata, é importante buscar a orientação do médico caso sinta algum sintoma.5

Exames e prevenção

Seguir uma alimentação saudável, não fumar, praticar atividade física e visitar regularmente o médico são atitudes que contribuem para a boa saúde em geral e podem ajudar na prevenção desse câncer.6 Mas, como a enfermidade é silenciosa e pode começar sem que o paciente sinta algum sinal, a realização de exames preventivos para o diagnóstico precoce é determinante para um final feliz.

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Por meio de uma simples coleta de sangue é medida a quantidade de proteína produzida pela próstata – o antígeno prostático específico (PSA). Níveis alterados podem indicar câncer ou outras doenças benignas, antes de quaisquer sintomas.7 

O exame deve ser feito em combinação com o toque retal, no qual o médico pode observar alterações no formato, tamanho e consistência da glândula prostática. Se o resultado desses testes for anormal, é indicado a realização de exames adicionais para verificar se o homem tem câncer.7 Com os exames de rotina em dia, o câncer de próstata provavelmente será diagnosticado em estágio inicial, aumentando as chances de cura desse paciente.7 

Testagem genética para um tratamento personalizado

“Nesse sentido, os avanços da medicina de precisão têm se mostrado incrivelmente importantes para levantar a suspeita e a confirmação de tumores de próstata secundários a alterações genéticas passadas de pai para filho. Hoje sabemos que em torno de 10% a 15% dos pacientes com câncer de próstata têm alguma alteração genética que pode levar esse câncer a aparecer. A importância disso é que os tratamentos podem ser modificáveis e também o aconselhamento para aquele paciente e para a sua família”, explica Maluf. 

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Como o câncer de próstata é heterogêneo, ou seja, pode ter diversas assinaturas genéticas, a realização de um exame clínico-patológico para identificar os biomarcadores oncológicos – proteínas, genes ou outras moléculas que influenciam na maneira com que as células cancerígenas crescem, se multiplicam e respondem ao tratamento8 – tem se mostrado extremamente importante. Isso porque, a partir desse laudo, o médico conta com informações necessárias para eventualmente traçar uma terapia personalizada e mais adequada àquele paciente, especificamente.8 

O especialista explica que, graças ao avanço na oncologia de precisão, mesmo em casos de descoberta tardia da doença as perspectivas para os pacientes têm sido promissoras. 

“Ela tem um papel muito importante no sentido de eventualmente selecionar tratamentos e, também, você conseguir identificar quais são as mutações que não são exclusivas do tumor e do corpo para, eventualmente, proceder o aconselhamento genético para o paciente e sua família. É importante entender que as alterações mutacionais do tumor, sejam elas germinativas, casos em que a pessoa nasce com elas em todas as células do corpo, ou exclusivas do tumor, que são vistas através da medicina de precisão, têm um impacto significativo no manejo da doença localizada, mas, principalmente, na doença avançada”, destaca Maluf.

De acordo com diretrizes da European Society for Medical Oncology (ESMO), National Comprehensive Cancer Network (NCCN) e European Association of Urology (EAU), é recomendado que o teste HRR (sigla em inglês de reparo por recombinação homóloga) seja aplicado em todo diagnóstico com metástase,4,9 já que o rastreamento dos biomarcadores por meio do teste genético pode permitir oferecer ao paciente um tratamento personalizado. 

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Diagnóstico precoce de gerações futuras

A descoberta da mutação contribui, ainda, para o diagnóstico precoce das gerações futuras. É sabido que 15% dos homens com câncer de próstata avançado vão apresentar mutação BRCA1, BRCA2 ou ATM.2 Inclusive, pacientes com mutação de BRCA2, gene também presente no câncer de mama, têm um risco elevado de desenvolver tumores de próstata mais agressivos e em idades mais jovens.2 Por isso, nesses casos, pessoas com próstata devem começar a realizar os exames preventivos com 40 anos.2 A mesma indicação é para indivíduos que tenham caso de pai e irmãos diagnosticados com câncer de próstata, devendo iniciar também a avaliação entre os 40 e 45 anos, devido ao maior risco.

Ele conta que a importância da realização de teste genético é tamanha que a NCCN10 e o ESMO11 recomendam o teste HRR em pacientes com câncer de próstata metastático ou na progressão para resistente à castração, um exame feito em amostra tumoral para a investigação de variantes somáticas e potencialmente herdadas nos genes da via de HRR, como BRCA1, BRCA2, ATM, entre outros. 

O teste germinativo, realizado por amostra de sangue ou saliva, também é fundamental no tratamento e avaliação de risco do câncer de próstata, recomendado para pacientes com câncer de próstata metastático ou em casos com histórico familiar sugestivo de câncer de próstata hereditário,2 uma vez que a hereditariedade é um dos principais fatores de riscos para o desenvolvimento da doença. O Philadelphia Prostate Cancer Consensus Conference 2019, um consenso multidisciplinar, preconiza o teste genético germinativo nesses casos.12

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A realização desse teste também é recomendada pela NCCN,13 já que entre um e quatro pacientes com câncer de próstata metastático resistente à castração apresentam mutações nos genes de via HRR e 50% destes correspondem a mutações germinativas.13

Importância da realização de testes genéticos

Os testes genéticos são um passo fundamental para permitir a descoberta da mutação e, consequentemente, possibilitar a escolha de um tratamento personalizado, além de alertar as novas gerações no grupo familiar sobre a importância de iniciar a realização de exames preventivos cedo e trazer uma diferente perspectiva prognóstica. 

Material destinado a todos os públicos. BR- BR-27075. Aprovado em novembro de 2023.

Referências

  1. INCA – Instituto Nacional de Câncer – Câncer de Próstata. Disponível em: https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/cancer/tipos/prostata. Acesso em: 25 out 2023.
  2. Maluf FC. Vencer o câncer de próstata. 2 ed. São Paulo: Dendrix, 2020.   
  3. Instituto Lado a Lado pela Vida / Núcleo de Pesquisas LAL. Pesquisa “10 respostas sobre a saúde do homem”. 2021. Disponível em: https://drive.google.com/file/d/1n0ai4PjRPch6yYVErGk-t0VQz0FAkmB3/view. Acesso em: 25 out 2023.
  4. Parker C, et al. Anns Oncol. 2020;31:1119-1134.
  5. Oncoguia. Sinais e sintomas do câncer de próstata. Disponível em: https://www.oncoguia.org.br/conteudo/sinais-e-sintomas-do-cancer-de-prostata/1188/289/. Acesso em: 25 out 2023. 
  6. Biblioteca Virtual em Saúde. Dicas em saúde. Câncer de próstata. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/dicas/137cancer_prostata.html. Acesso em: 25 out 2023.
  7. Oncoguia. Detecção precoce do câncer de próstata. Disponível em: https://www.oncoguia.org.br/conteudo/deteccao-precoce-do-cancer-de-prostata/5855/289/. Acesso em: 25 out 2023.
  8. Oncoguia. Biomarcadores oncológicos. Disponível em: https://www.oncoguia.org.br/conteudo/biomarcadores/7204/840/. Acesso em: 25 out 2023. 
  9. Referenced with permission from the NCCN Clinical Practice Guidelines in Oncology (NCCN Guidelines) for Prostate Cancer V.3.200. @National Comprehensive Cancer Network, Inc. 2020.
  10. NCCN. Clinical practice guidelines in oncology: prostate cancer version 4.2018. 15 August 2018.
  11. Parker C, et al. Anns Oncol. 2020;31(9):1119-1134.
  12. Onconews. Teste genético no câncer de próstata: como e para quem?. Disponível em: https://www.onconews.com.br/site/noticias/noticias/ultimas/5067-testes-gen%C3%A9ticos-no-c%C3%A2ncer-de-pr%C3%B3stata-como-e-para-quem.html. Acesso em: 25 out 2023.
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  14. Lang SH, et al. Int J Oncol. 2019 Sep; 55(3): 597-616; Pritchard CC, et al. N Engl J Med 2016;375:433-453. Na R, et al. Eur Urol 2017;71:740-747; 5. Nicolosi P, et al. JAMA Oncol 2019;5:523-528.
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Câncer de próstata: testagem genética contribui para prevenção da doença Publicado primeiro em https://saude.abril.com.br

Educação sexual: informar adequadamente protege a criança

Falar sobre sexo ainda é tabu para boa parte das famílias brasileiras, uma situação que tenta-se evitar. No entanto, especialistas garantem que esta é uma conversa imprescindível para ter com crianças e adolescentes.

“Às vezes, os pais têm uma ideia errada de que, se discutirem sexo ou outras questões mais delicadas, estarão estimulando as crianças a comportamentos inadequados”, afirma Luciana Rodrigues Silva, membro da diretoria científica da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

Na verdade, o que ocorre é o contrário. “Conversar abertamente faz com que elas se sintam mais protegidas”, assegura a pediatra baiana.

Professora titular da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Silva é responsável pela tradução para o português do livro Corpo, amor e sexualidade: 120 perguntas que crianças e adolescentes fazem os pais (Editora Manole), escrito pela educadora francesa Charline Vermont.

A obra traz orientações e informações seguras e adaptadas para diversas idades. À VEJA SAÚDE, Luciana fala sobre como a literatura pode ajudar nessa missão e a importância da educação sexual para a segurança dos pequenos.

+ Leia também: “É mito que a educação sexual estimule a sexualidade precoce”

VEJA SAÚDE: O que te motivou a traduzir o livro?

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Luciana Rodrigues Silva: Foi uma honra poder traduzir este livro para o português, porque não dispúnhamos de nada semelhante no Brasil.

De uma maneira simples, ele aborda como os pais devem se posicionar diante de dúvidas infantis muito naturais a respeito do corpo, das emoções e da sexualidade.

A obra organiza essas perguntas a partir da idade das crianças e orienta como os responsáveis devem respondê-las: com amor, tranquilidade e de forma que satisfaça a curiosidade dos pequenos.

Qual é a melhor forma de conversar com as crianças sobre o assunto?

O que a gente vê em todas as gerações é que as crianças e os adolescentes geralmente descobrem essas coisas na escola ou na internet. E, muitas vezes, as informações que encontram são inadequadas.

Por isso, é muito importante que elas encontrem o conhecimento adequado com os próprios pais.

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Isso aproxima a família e faz os filhos desenvolverem uma confiança maior para falar sobre o que lhes der vontade. É muito melhor na construção da autoestima das crianças, porque elas tendem a sentir mais fortes, mais protegidas.

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Além disso, esse diálogo as ajuda a identificar um assédio e defender seu próprio corpo. Às vezes, os pais têm uma ideia errada de que, se conversarem sobre sexo ou sobre algumas questões mais delicadas, estarão estimulando as crianças a comportamentos inadequados.

Pelo contrário, conversar abertamente faz com que elas se sintam mais protegidas e mais seguras, e possam se proteger de doenças sexualmente transmissíveis e da violência sexual quando crescerem.

E quando os pais não têm essas informações?

Quando os pais não souberem o que responder, é melhor dizer claramente: “vou me informar e depois a gente volta a conversar sobre isso”.

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Então, à medida que as crianças quiserem retornar ao assunto e crescerem mais um pouco, eles podem se preparar para dar as informações mais adequadas.

O que deve ser dito em cada faixa etária?

Não há uma idade certa para falar sobre isso ou aquilo — mas você deve estar aberto para responder quando a criança perguntar.

Dos 5 aos 12 anos, algumas perguntas surgirão espontaneamente, e é muito importante que os pais não as tratem de forma preconceituosa ou irônica, que não deem risada, mas sim ouçam e acolham o que a criança está trazendo. 

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É importante falar sobre consentimento, explicar para a criança que ninguém deve mexer em seu corpo sem a permissão dela, que as emoções e sentimentos que ela vai sentir conforme for crescendo são naturais, que um dia ela vai se atrair por uma pessoa, vai se sentir mais confortável com uma pessoa do que com outra.

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São questões que podem ir aparecendo com a puberdade, por exemplo.

Os pais devem começar essa conversa ou as crianças que geralmente iniciam?

As crianças pequenas geralmente vão começar a perguntar: “De onde é que vem os bebês? Como é que os bebês nascem?” Essas perguntas vão sendo feitas conforme situações vão acontecendo ao redor delas na família, na escola.

Cada criança é diferente da outra e, por isso, não tem uma receita de bolo que diga quando e como responder. Mas há orientações sobre o que é mais comum em cada idade. De regra, é importante deixar a criança e o adolescente à vontade para se aproximar.

Assim eles se sentirão seguros. Isso é importante, porque, caso elas se sintam tolhidas, ironizadas ou tratadas com pouco caso, vão procurar respostas em outros lugares. 

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Quais são as principais dúvidas e preocupações dos pais sobre o tema?

A maioria dos adultos não teve abertura com os próprios pais para conversar sobre isso, que é um assunto importantíssimo da vida de qualquer ser humano. Então, há uma dificuldade de, primeiro, reconhecer que é um tema a ser conversado em família.

É necessário também que o diálogo ocorra de forma tranquila e que desinformações não sejam passadas à frente para as novas gerações. Sobretudo na era atual, em que a tecnologia facilita o acesso a informações adequadas e falsas na mesma medida — e muitas vezes é difícil distingui-las.

Uma criança ou um adolescente que recebe essa informação segura em casa vai lidar com essas questões de maneira mais assertiva e tranquila no futuro.

Corpo, amor e sexualidade: 120 perguntas que crianças e adolescentes fazem os pais

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