terça-feira, 23 de janeiro de 2024

Compulsão alimentar: o que causa e como lidar com o trantorno

O transtorno de compulsão alimentar ganhou os holofotes recentemente por causa da modelo e influenciadora Yasmin Brunet, participante do programa Big Brother Brasil 24. Após comentários maldosos sobre a quantidade de comida que estava ingerindo, ela desabafou que estava sofrendo com crises de compulsão, um problema que já vinha tratando fora do confinamento.

E ela não é a única: no início do ano, a influenciadora e ex-participante do BBB 22 Jade Picon disse em um podcast que também teve compulsão alimentar em sua passagem pelo reality.

Essa distúrbio, claro, é um tipo de transtorno alimentar (TA). De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais 5.ª edição (DSM-5), problemas dessa natureza são caracterizados por uma perturbação persistente na alimentação, ou no comportamento relacionado à alimentação, que compromete significativamente a saúde física ou o funcionamento psicossocial.

A compulsão alimentar precisa ser diagnostica e tratada, já que compromete significativamente o bem-estar e, com o tempo, favorece doenças crônicas, como diabetes, obesidadehipertensão.

Mas o que exatamente é esse transtorno? E como situações estressante, a exemplo do confinamento do BBB, exacerbam o risco de ele dar as caras? Confira a seguir.

O que é compulsão alimentar e quais os sintomas

A característica essencial dessa condição são episódios recorrentes de comer exagerado. Para serem enquadrados como compulsão alimentar, esses momentos devem ocorrer ao menos uma vez por semana, durante três meses.

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Mas entenda: comer muitos pedaços de pizzas em um rodízio não caracteriza esse transtorno. Quem sofre com a questão não tem controle sobre o que come (mesmo em ambientes que aparentemente não instigam exageros) e precisa de ajuda profissional para lidar com a condição.

“O termo foi banalizado, como se fosse apenas uma questão de alimentação excessiva. Mas isso é diferente do transtorno de compulsão alimentar, em que é preciso uma série características para receber o diagnóstico”, explica a nutricionista Nathalia Teixeira, especialista em comportamento alimentar.

O DSM-5 (aquele guia de diagnósticos psiquiátricos) é detalhado nesse aspecto: para ser considerado um caso de compulsão alimentar, ele precisa contemplar essas três características:

  1. Ingestão, em um período determinado (de duas em duas horas, por exemplo), de uma quantidade de alimento definitivamente maior do que a maioria das pessoas consumiria no mesmo período, sob circunstâncias semelhantes.
  2. Sensação de falta de controle sobre a ingestão durante o episódio (como sentimento de não conseguir parar de comer ou controlar o que e o quanto se está ingerindo).
  3. Sofrimento marcante em virtude do episódio de compulsão alimentar.

+Leia Também: Os 12 principais tipos de transtorno alimentar

E as especificações não param por aí. Os episódios de exagero que caracterizam o transtorno precisam estar associados a três (ou mais) dos seguintes sintomas:

  • Comer mais rapidamente do que o normal.
  • Comer até se sentir desconfortavelmente cheio.
  • Comer grandes quantidades de alimento na ausência da sensação física de fome.
  • Comer sozinho por vergonha do quanto se está ingerindo.
  • Sentir desgosto de si mesmo, sintomas depressivos ou muita culpa em seguida do episódio.

E atenção: quem fecha um diagnóstico de transtorno de compulsão alimentar é um psiquiatra, não o amigo ou colega do BBB.

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+Leia Também: Restrição à mesa aumenta risco de transtorno alimentar

O que causa a compulsão alimentar?

A ciência ainda não sabe ao certo. No próprio DSM-5, está escrito: “Pouco se sabe a respeito do desenvolvimento do transtorno de compulsão alimentar”.

Especialistas acreditam que dilemas emocionais, ansiedade e estresse podem estar por trás das crises desse transtorno. Questões como preocupação com a forma corporal também estariam relacionadas. Aliás, ele costuma aparecer já na adolescência ou na idade adulta jovem, quando a pressão estética e emocional é grande.

Mas ainda não se sabe explicar porque esses sentimentos repercutem dessa forma em algumas pessoas, mas, em outras, não.

“O craving é o desejo de repetir uma experiência boa que veio através de algo ingerido, experimentado ou usado. Quando comemos, liberamos uma série de neurotransmissores que geram bem-estar, e muitas vezes o desejo de sentir de novo essa sensação positiva pode ser uma forma de escape para quem passa por alguma questão mais profunda”, pontua Teixeira. “Mas não é do nada: é preciso vários antecedentes para surgir o transtorno”, pondera.

Acredita-se também que há um fator genético para o surgimento dessa condição.

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+Leia Também: O que explica o aumento da obesidade entre jovens no Brasil?

Qual o tratamento para a compulsão alimentar?

Basicamente se age nas duas principais frentes: cuidar da mente e do corpo. É comum o uso de terapia cognitivo-comportamental e a indicação de exercícios físicos para aliviar o estresse. A depender da gravidade do caso, medicamentos podem ser considerados, desde que receitados por um profissional habilitado.

Não se recomenda tratar compulsão com dietas restritivas, menos refeições ao dia ou hábitos alimentares que fujam muito da realidade do indivíduo. Essas práticas inclusive podem acabar virando gatilhos para novos episódios de exagero.

“Quando vai abordar a compulsão, o nutricionista não fala sobre quantidades, nem impõe uma dieta. O que se faz é tentar chegar à raiz daquele comportamento“, explica Teixeira. “Para isso, é essencial o uso da comunicação não violenta e da valorização de cada passo dado e das atitudes positivas”, complementa.

O transtorno de compulsão alimentar parece ser persistente, e pode vir acompanhado  de outros problemas como depressão. O ideal é que haja uma abordagem multidisciplinar de cuidados, com psiquiatra, endocrinologista, nutricionista e psicólogo.

+Leia Também: Chega ao Brasil um novo remédio para a compulsão alimentar

O caso de Yasmin Brunet e os gatilhos da compulsão alimentar

Yasmin Brunet é uma modelo reconhecida por sua beleza – como tal, acredita-se que sua alimentação seja “perfeita”. Há até uma pressão para isso, na verdade. Mas, ao entrar no BBB e ter que lidar com um ambiente totalmente diferente do comum, outros participantes começaram a notar momentos em que ela “comia demais”.

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Em uma ocasião, Yasmin Brunet comeu um pote de requeijão inteiro sozinha. Em outra, escondeu alimentos para consumir depois, sem ter ninguém por perto.

A questão ganhou mais peso no programa desde que Rodriguinho, seu colega de confinamento, começou a fazer piadas e até dizer que ela tinha “largado a mão” ali dentro. No comentário mais agressivo, o cantor afirmou que Yasmin receberia uma mordaça da produção do programa para conter sua compulsão.

Foi aí que a modelo desabafou sobre sua compulsão alimentar em um “Raio-X”, momento do BBB em que os participantes fazem vídeos diários para conversar diretamente com o público. Ela afirmou que já tratava questões alimentares fora do programa, mas que lá dentro começou a descontar a ansiedade na comida.

“Há uma série de gatilhos que podem reacender um transtorno antes controlado, como um ambiente estressor em que você convive com pessoas que não necessariamente queria estar e há julgamentos, comentários, olhares e até apelidos constantes”, destrincha a nutricionista Nathalia Teixeira. “Uma condição de restrição alimentar, que estimula a ingestão exagerada quando há comida disponível, também”, complementa.

Diante das piadas dentro do programa, a modelo pediu para ser deixada “em paz” e que parassem de falar sobre sua compulsão. Recentemente, ela voltou a fumar para tentar conter a compulsão, mas ainda é constantemente julgada pelo transtorno que possui.

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segunda-feira, 22 de janeiro de 2024

A Disney pode construir uma usina nuclear na Flórida, se quiser

A Disneyland, primeiro parque temático da Disney, abriu em 1955 em Anaheim, cidade nos arredores de Los Angeles, na Califórnia. Foi um sucesso: nos primeiros dois meses, recebeu um milhão de visitantes. Ao final da primeira década de existência, 50 milhões de pessoas passaram por lá.

Walt Disney queria mais. Só tinha um problema: o crescimento de Anaheim impedia a expansão do parque. O jeito, então, era achar outro lugar – uma área grande, com clima agradável e por um preço baixo.

A escolhida foi a Flórida, do outro lado dos EUA. Ela cumpria todos os requisitos, com um bônus: o governo local abraçou a ideia, mirando no aumento de empregos e do turismo. Nos anos 1960, o pai do Mickey comprou, em segredo, várias porções de terra na região central do estado.

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Em 1967, a Disney conseguiu transformar seu loteamento de 131 km² (uma Zona Oeste de São Paulo) em um “distrito especial”, no qual um conselho tem autonomia para regular a construção de prédios, estradas, redes de esgoto… Foi parte do plano de Walt, que não queria que burocracias governamentais atrasassem o seu projeto de expansão.

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A lei que criou o distrito especial deu à Disney carta branca para a construção de uma usina nuclear, que serviria para alimentar o complexo de parques da empresa. Não só: Walt poderia criar a própria força policial e até uma fábrica de bebidas alcoólicas destiladas.

Difícil imaginar uma realidade em que as orelhas do Mickey estampem a farda de algum policial ou de uma garrafa de uísque. É bem provável que tudo isso tenha passado junto ao pacote de autonomia que os advogados da Disney conseguiram na época – e que não necessariamente estavam nos planos originais de Walt.

Mas a ideia de um reator nuclear por lá não é tão absurda, já que, além dos parques, o empresário também tinha planos utópicos para seu novo reduto: uma cidade futurista, à la Os Jetsons.

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EPCOT, a “cidade do amanhã”

Esqueça o castelo da Cinderela. O verdadeiro sonho de Walt Disney na Flórida era construir um município para valer, com gente morando e trabalhando. O projeto recebeu o nome de EPCOT (sigla em inglês para “Comunidade Protótipo Experimental do Amanhã”) e, no papel, abrigaria até 20 mil pessoas, numa área com soluções inovadoras de habitação, transporte e abastecimento sustentável.

A cidade seria num formato circular: no centro, os prédios comerciais e administrativos; no entorno, as residências, mais afastadas da agitação. O vaivém aconteceria, principalmente, em monotrilhos e com pequenos trens. Os carros trafegariam no subterrâneo – mais segurança para os pedestres.

Em 1966, Disney detalhou todo o projeto em uma apresentação. Você pode assistir ao vídeo aqui.

A proposta do EPCOT faz com que a construção de uma usina nuclear não pareça uma ideia tão absurda assim. Anos antes, em 1957, a Disney lançou uma animação chamada Nosso Amigo, o Átomo – um desenho educacional que fazia propaganda sobre os benefícios da energia nuclear. Walt era um futurista convicto, e é provável que ele tenha considerado algo do tipo.

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Mas ele não viveu para dar sequência ao projeto. Disney morreu no final de 1966, poucas semanas depois de gravar a apresentação sobre a cidade. O projeto acabou engavetado, e o EPCOT só seria inaugurado em 1982, como um misto de parque e centro educacional.

A energia do rato

Na Flórida, a Disney tem, atualmente, quatro parques de diversões, dois parques aquáticos e 21 resorts, além de campos de golfe, casas de shows e centros de compras. Custa US$ 10 bilhões por ano para manter todo esse complexo, chamado de Disney World, que consome um bilhão de quilowatts-hora (kWh) anualmente (para comparar, é 25% do que uma cidade como Ribeirão Preto, do interior de São Paulo, consome no mesmo período).

Segundo cálculos do cientista James Conca em um artigo para a revista Forbes, bastariam dois pequenos reatores modulares para suprir as necessidades energéticas do Disney World. São modelos bem menores que reatores nucleares convencionais – e que, portanto, minimizam os efeitos de um eventual acidente. Seria uma energia limpa: fissão nuclear não emite CO2.

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Mas é pouco provável que a Disney invista nisso num futuro próximo, e por uma série de razões. A primeira é que ela precisaria gastar bilhões para construir e regulamentar as usinas – há muito mais normas de segurança para reatores nucleares hoje do que nos anos 1960.

Além disso, a má fama da energia nuclear, frequentemente associada a grandes desastres, poderia afastar uma parcela do público dos parques (setor que representa quase 28% do faturamento de toda a Disney).

O foco da empresa, hoje, é a energia solar. Com planos de zerar as suas emissões de carbono até 2030, o Disney World tem várias fazendas solares que garantem até 40% da eletricidade do complexo. Em uma dessas instalações, diga-se, os painéis foram instalados no formato das orelhas do Mickey:

Painel solar em forma de Mickey Mouse perto do Epcot
<span class="hidden">–</span>Duke Energy/Reprodução

Em 2019, Bruce Antone, deputado estadual da Flórida, sugeriu a criação de uma lei que impedisse a Disney de construir uma usina nuclear. No mesmo ano, Victor Torres, senador estadual, disse que era hora de rever a legislação que deu à empresa essa possibilidade.

“Não acho que a Disney algum dia [construiria uma usina nuclear], não prevejo isso, mas só quero evitar que algo assim ocorra – ponto final”, declarou ao jornal Orlando Sentinel.

Só para garantir, né.

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Vacinas protegem crianças de Covid longa, infecção e morte

A efetividade das vacinas contra a Covid-19 usadas em crianças e adolescentes é de quase 90%, e os efeitos adversos graves são raramente relatados, reforça uma nova nota técnica da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A imunização também é uma ajuda a prevenir a Covid-19 longa.

Os cientistas da fundação responsáveis pelo texto coordenam o Projeto VigiVac, que monitora dados de vacinação, como adesão, efetividade e ocorrência de eventos adversos.

A nota reforça que as vacinas CoronaVac, do Butantã, e a BNT162b2, da Pfizer, têm alta efetividade contra infecção e, principalmente, contra hospitalização por covid-19.

“Já em relação aos efeitos adversos, a CoronaVac apresentou taxa de 5% para eventos leves, enquanto a Pfizer, os eventos adversos graves foram raramente relatados”, diz a Fiocruz.

+Leia também: O retorno das vacinas monovalentes contra a Covid-19

Covid longa em jovens

As vacinas também protegem contra o quadro crônico chamado de Covid longa, uma condição em que a pessoa permanece com sintomas após a fase aguda da doença, o que ocorre em até 30% dos casos.

Segundo a nota técnica, a vacinação reduz em 41% o risco de crianças e adolescentes desenvolverem Covid longa, proteção que é ainda maior para crianças com até seis meses da última dose da vacina, chegando a 61%.

“Esse conjunto de achados demonstra a proteção das vacinas contra Covid-19, inclusive em casos considerados como “falha vacinal”, isto é, em casos em que a pessoa não é protegida da infecção.

Portanto, as vacinas contra Covid-19 são efetivas em proteger contra formas graves da doença e suas complicações residuais”, diz a Fiocruz.

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Baixa adesão

A fundação lembra ainda que a covid-19 foi a principal causa de morte por doença prevenível por vacina, em menores de 19 anos, entre agosto de 2021 e julho de 2022.

A cada 100 mil bebês de até 1 ano, ao menos quatro morreram de Covid-19. Mesmo assim, reforça a Fiocruz, “a cobertura vacinal desse imunizante no Brasil ainda encontra-se em números abaixo do esperado, chegando a menos de 25% na faixa etária de 3 a 4 anos de idade com duas doses”.

*Este conteúdo foi produzido pela Agência Brasil.

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Obesidade infantil: destaques recentes da Academia Americana de Pediatria

Em 2023, a Academia Americana de Pediatria publicou um guia prático de avaliação e tratamento de crianças e adolescentes com obesidade. Desde as recomendações de 1998 e de 2007, o órgão defende a mudança intensiva de comportamento e de estilo de vida, com foco na criança, com a família no centro do processo, com abordagem multiprofissional e com técnicas motivacionais. 

Isso, é claro, demanda mais tempo e recursos do que costuma se colocar em uma rotina típica de cuidado pediátrico. Nota-se que, quanto maior o tempo dedicado ao tratamento e quanto maior a frequência das visitas, melhor o resultado das intervenções

Da mesma forma, abordagens que incluem mudança de comportamento, atividade física e nutrição estão associadas a maior efetividade. O consenso atual pede que a criança receba o melhor tratamento intensivo disponível, com colaboração de especialistas e de programas que a comunidade disponha. 

+Leia também: Passar protetor solar causa deficiência de vitamina D?

Na diretriz, discute-se ainda a dificuldade em aderir a mudanças de estilo de vida no contexto da desigualdade socioeconômica, que se sobrepõe às barreiras já conhecidas e discutidas nos outros documentos. 

A maior compreensão dos determinantes sociais para a saúde nas doenças crônicas implica uma visão de tratamento que se integre às necessidades da comunidade, à medida que a obesidade é mais prevalente entre crianças que vivem na pobreza, com escassez de recursos; entre imigrantes e entre as que sofrem preconceito. 

Mesmo com um tratamento eficaz, o curso natural da obesidade é o reganho de peso. Por isso, as estratégias precisam abarcar um trabalho contínuo com o intuito de sustentar o resultado – ou seja, usar estratégias que foquem na manutenção do peso perdido.

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Há uma discussão sobre o diagnóstico e o tratamento da obesidade na infância trazer, precipitadamente, um excesso de atenção à alimentação, à forma e ao tamanho corporal, o que poderia culminar num transtorno alimentar. 

A diretriz, entretanto, refuta essa relação, apontando que dietas por conta própria são um fator de risco, mas que o cuidado especializado está associado com redução dos sintomas associados ao comer transtornado. 

Inclusive, muitas das estratégias dos programas de tratamento da obesidade aparecem também em iniciativas contra transtornos alimentares, tais como alimentação saudável, atividade física por prazer e para o autocuidado, valorização da autoimagem e da autoestima. 

Outro ponto de destaque é o lembrete para que se evite rotular os pacientes, adequando a linguagem. Em vez de falar “a criança é obesa” , o melhor seria “a criança tem obesidade”. 

+Leia também: O que explica o aumento da obesidade entre jovens no Brasil?

Aqui temos sete estratégias de alimentação e estilo de vida recomendadas por órgãos de saúde e que aparecem nos programas de tratamento com melhores resultados:  

  1.  Aconselhamento nutricional, sem a necessidade de dieta estruturada. Essa medida permite que as orientações sejam customizadas para a necessidade do paciente e criadas com o envolvimento da família, considerando a motivação para execução em cada etapa. 
  2. Redução do consumo de bebidas açucaradas. A  American Heart Association (AHA) limita a recomendação de açúcar a  25 gramas por dia. A Associação Americana de Pediatria não recomenda o uso de suco de frutas para crianças com excesso de peso, que devem priorizar a fruta in natura. 
  3. Inclusão de 60 minutos por dia de atividade física moderada. O exercício está associado à perda de peso e à melhora da glicemia e de outros parâmetros de saúde.   
  4. Limitar atividades sedentárias: a Associação Americana de Pediatria recomenda que não se utilize tela até 18 meses, que se limite a 1 hora entre 2 a 5 anos e que haja monitoramento parental para as crianças mais velhas, sem uso excessivo.
  5. Não pular o café da manhã. Evidências apontam que não fazer essa refeição associa-se a uma pior qualidade da dieta e a um maior risco de excesso de peso. 
  6. Garantir as horas de sono indicadas para a idade. Dormir pouco leva a um maior consumo de alimentos calóricos, menos pique para atividade física e mais fome. 
  7. Aplicar o “Método 5 2 1 0”, que compreende consumir 5 porções de vegetais e frutas por dia, limitar o uso de tela em 2 horas, fazer 1 hora de atividade física e não consumir nada de bebidas açucaradas

Como em toda doença crônica, o paciente deve gerenciar as demandas da doença e do tratamento em conjunto com a família, com a comunidade e com a equipe. 

Se você ou sua família vivem esse desafio da obesidade na infância, é importante contar com uma equipe que facilite esse processo, individualizando o cuidado, dando soluções criativas e mitigando as barreiras. 

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Quatro graus de separação entre o Alckmin e O Alquimista

Geraldo Alckmin

Vice-presidente do Brasil Geraldo Alckmin.
<span class="hidden">–</span>Getty Images/Montagem sobre reprodução

O vice-presidente do Brasil começou cedo na política: aos 19 anos foi eleito vereador em Pindamonhangaba (SP). E sua formação como médico permitiu que ele atuasse como colunista de saúde em 2019 no programa de TV Todo Seu, comandado por…

Ronnie Von

Foto do apresentador Ronnie Von.
<span class="hidden">–</span>Reprodução/Instagram/Montagem sobre reprodução

O cantor e apresentador começou a carreira nos anos 1960, no programa O Pequeno Mundo de Ronnie Von. Na véspera de sua estreia na TV, ele conheceu a banda Os Bruxos, e sugeriu que trocassem de nome para Os Mutantes, a banda de…

Rita Lee

Foto da cantora Rita Lee
<span class="hidden">–</span>Reprodução/Montagem sobre reprodução

Em 1972, a cantora foi expulsa d’Os Mutantes e seguiu carreira com a banda Tutti Frutti. O disco Fruto Proibido inclui as músicas “Cartão Postal” e “Esse Tal de Roque Enrow”, compostas em parceria com…

Paulo Coelho

Foto do escritor Paulo Coelho.
<span class="hidden">–</span>Getty Images/Montagem sobre reprodução

O escritor (que já namorou Rita) também compôs músicas com Raul Seixas, como “Sociedade Alernativa” e “Eu Nasci Há 10 Mil Anos Atrás”. Ambas abordam ocultismo e misticismo, assuntos que também rodeiam seu livro…

O Alquimista

Livro O Alquimista sobre fundo laranja.
<span class="hidden">–</span>Reprodução/Montagem sobre reprodução

O livro brasileiro mais traduzido conta a história de um jovem que viaja ao Egito em busca de um tesouro e encontra um velho alquimista. A palavra vem do árabe al-kimiya, que significa “a química” – a provável origem do sobrenome Alckmin.

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domingo, 21 de janeiro de 2024

Radar da saúde: fraudes e desperdícios em convênios e uma conta bilionária

Falsos pedidos de reembolso, superfaturamento de procedimentos e exames repetidos sem necessidade são exemplos de situações que oneram e colocam em xeque a sustentabilidade das operadoras e dos planos de saúde no Brasil.

É o que denuncia um estudo encomendado pelo Instituto de Estudos da Saúde Suplementar (IESS) à consultoria Ernst & Young em cima de dados de 14 grandes empresas do setor. Ele conclui que fraudes e desperdícios levaram a perdas financeiras de até 34 bilhões de reais só no ano de 2022.

O problema é crítico e respinga para todos os lados, incluindo o do usuário, que, com frequência, tem de pagar mensalidades mais caras a fim de suprir os rombos crescentes.

Daí a mobilização da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde) e o investimento das próprias companhias em tecnologias e campanhas de conscientização para suprimir as más práticas dentro desse ecossistema.

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+ Leia também: Uma bússola para prevenir o câncer na América Latina

100 anos do primeiro eletroencefalograma

O exame que registra as ondas cerebrais em tempo real estreou na medicina em 1924 graças ao psiquiatra alemão Hans Berger (1873–1941).

O método foi testado pioneiramente em um jovem de 17 anos durante uma neurocirurgia. Ainda hoje — e mais moderno, claro —, ele ajuda os especialistas a identificar uma série de distúrbios no cérebro.

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Biomaterial promete acelerar a regeneração do osso

Atualmente, é comum, após cirurgias de fraturas ou próteses dentárias, ter de retirar um pedaço de um osso de outro canto do corpo para utilizar como enxerto no local do procedimento.

Pois uma experiência da Unesp, em Botucatu, abre caminho a um biomaterial à base de fosfato de cálcio e cobalto que poderá servir de alternativa na reparação óssea.

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Biomaterial à base de fosfato de cálcio e cobalto pode acelerar regeneração ósseaIlustração: Julia Lopes/Veja Saúde

+ Leia também: Nobel de Medicina celebra vacinas da Covid-19

26 milhões de moradias sem acesso regular a água tratada

É chocante! O último levantamento do Instituto Trata Brasil revela que quase 9 milhões de lares no país não têm conexão com a rede de abastecimento de água e outros 17 milhões não contam com fornecimento assíduo.

Mais: 22 milhões de casas não dispõem de coleta de esgoto. Números que contribuem para perpetuar doenças infecciosas.

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+ Leia também: O movimento pela semana de quatro dias de trabalho

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Índia é um dos maiores<br />produtores de insumos farmacêuticos do mundoIlustração: Julia Lopes/Veja Saúde

Índia, a farmácia do terceiro mundo

O gigante asiático é um dos maiores produtores de insumos farmacêuticos do planeta e se tornou o maior exportador de medicamentos genéricos, fornecendo boa parte deles a países em desenvolvimento.

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Fruto de investimento na ciência nacional, o empreendimento coloca a Índia como o nono polo farmacêutico do mundo — e ela não para de crescer no segmento.

Uma frase

“Estamos apenas no início de uma incrível jornada de descobertas sobre as propriedades terapêuticas das múltiplas combinações possíveis de tantas moléculas diferentes [da cannabis]. Há flores boas para rir, se concentrar, se distrair, dormir, trabalhar, esperar, brincar, gozar ou parir (…) Os efeitos não dependem apenas da sua genética, mas também das características da sua colheita, maturação, extração e administração.”

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Sidarta Ribeiro, neurocientistaIlustração: Julia Lopes/Veja Saúde

Sidarta Ribeiro, neurocientista, no livro As Flores do Bem (Fósforo)

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sábado, 20 de janeiro de 2024

Como enfrentar o calorão?

Férias, praia, piscina, mais atividades ao ar livre com familiares e amigos. Para muitos, o verão é a melhor estação do ano. Mas este verão promete continuar com dias de temperaturas bastante elevadas, ultrapassando os 40 graus e com sensação térmica superior a 50 em algumas localidades. Como aproveitar a temporada sem abrir mão da saúde e do bem-estar? De forma geral, bastam alguns cuidados bem simples.

Um dos principais problemas associados ao calor excessivo é a desidratação. Portanto, a não ser para pessoas com restrição hídrica (como os portadores de doença renal crônica e insuficiência cardíaca), a regra é beber água. A indicação de volume varia de acordo com as características e atividades do indivíduo, mas costuma girar em torno de 2 litros a 2,5 litros por dia

O doutor Rafael Ornelas, médico da família e comunidade do Einstein, costuma resumir a orientação da seguinte forma: “Não precisa esperar sentir sede. É fundamental hidratar-se”. Assim, aquele hábito de levar uma garrafinha de água para onde for se torna especialmente precioso nesta época do ano. 

Outra recomendação é evitar a exposição ao calor em excesso, principalmente entre as 10 e as 15 horas. Como nem sempre isso é possível, o jeito é proteger-se usando chapéu ou boné, roupas leves que “respiram” – e, se tiver a opção, escolher o lado do caminho com mais sombra. 

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+Leia também: Calor, sim. Diarreia, não!

Para lidar com o estresse fisiológico relacionado ao calor, o corpo aumenta a sudorese, a frequência cardíaca e respiratória. Sem hidratação e cuidados adequados, isso pode levar a quadros graves até para quem não tem problemas de saúde preexistentes. 

Mas, como observa o doutor Ornelas, o risco das altas temperaturas é maior para pessoas que já têm comorbidades, como alguma doença cardíaca ou pulmonar.

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Os extremos de idade também exigem atenção especial. Os idosos (principalmente acima de 75 anos), porque já têm o organismo mais fragilizado e podem conviver com uma ou mais doenças crônicas. 

As crianças, porque não costumam perceber o calor excessivo, nem reclamar de sede ou interromper a brincadeira para beber água com frequência. E os bebês, porque ainda não sabem falar e, portanto, não conseguem dizer “estou com muito calor, preciso de uma roupa mais leve”.

Se a ingestão de água e de líquidos, como isotônicos e água de coco, joga a favor da saúde e do bem-estar para enfrentar as altas temperaturas, o consumo de outras substâncias têm efeito contrário. Estou falando de café, energéticos e bebidas alcoólicas, que aceleram o ritmo respiratório e cardíaco.

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Quanto à alimentação, a dica é optar por produtos frescos, leves e naturais, que não sobrecarregam o sistema digestivo.

Uma sensação térmica elevada também pode ser inimiga de uma boa noite de sono. Felizmente, o ar-condicionado ou o ventilador ajudam bastante nesse sentido.

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Também é importante deixar o quarto bem ventilado e a cama livre de colchas, cobertores e roupas pesadas, que impeçam o corpo de dissipar seu calor no ambiente. 

Nos dias e noites mais quentes, um banho com água mais fria ou a colocação de toalha umedecida no pescoço ou nas axilas também traz algum alívio.

Para a maioria das pessoas, essas providências ajudam a lidar com a situação. Mas é importante ficar atento a sintomas como tontura, sensação de desmaio, dor de cabeça atípica, sede excessiva e suor exagerado. 

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+Leia também: Passar protetor solar causa deficiência de vitamina D?

Se eles persistirem mesmo depois de ter bebido bastante água e buscado mitigar o calor do corpo, a recomendação é buscar uma avaliação médica. 

Cuidar da saúde e do bem-estar é fundamental em todas as estações do ano. E, no verão, a fórmula “sombra e água fresca” costuma ser uma boa aliada. 

Aliás, segundo o doutor Ornelas, a expressão ideal seria invertida, com a água fresca (e bastante) em primeiro lugar, porque é mais importante que a sombra. 

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