quarta-feira, 24 de janeiro de 2024

Sobre honrar os nossos desejos

“Cookie bem chocolatudo e fácil de fazer“. Essa era a chamada no feed de uma nutricionista. Salivei e fui checar os ingredientes. Ovo, chocolate 70%, farinha de amêndoas, farinha de arroz, açúcar de coco, óleo de coco, extrato de baunilha e bicarbonato de sódio. O preparo era jogo rápido, mas só se eu fosse antes no mercado. E eu nem queria um cookie low carb, só queria um cookie bem chocolatudo e fácil de fazer…

Não precisava ser nutritivo, só gostoso mesmo. Outro dia caí no conto do mousse de chocolate delicioso e com apenas dois ingredientes. Fui ver e era abacate com chocolate em pó. Pode apostar: geralmente as receitas incríveis com apenas dois ingredientes são cilada. 

Vamos concordar que, às vezes, a gente só quer o gostoso mesmo. Pode ter açúcar, gordura, glúten, lactose. O pacote completo, se for o caso.

+Leia também: Adoçante ou açúcar: qual devo usar?

Devemos honrar os nossos desejos. Nem tudo que comemos precisa ser nutritivo. A base da alimentação deveria ser, mas não tudo. Precisa haver espaço para o “só gostoso”. 

É sem lactose? Sem glúten? Não, só gostoso mesmo. É sem açúcar? Não, só gostoso mesmo.

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Muito se fala em propósito de vida, que devemos buscar nossa missão por aqui. Pois eu acredito que cada alimento tem seu propósito. 

E o do brigadeiro, por exemplo, não é ser fit, diet, light ou low carb. Ele veio ao mundo para nos dar prazer. Para fazer a gente fechar os olhos enquanto saboreia.

Brigadeiro, pudim, quindim, chocottone recheado, ovo de Páscoa. Eles só existem para serem gostosos, escandalosamente gostosos. A gente tem outras trilhões de oportunidades para ser saudável.

E é aí que está o pulo do gato: para que os “só gostosos” façam parte da nossa rotina – sem culpa, sem neura -, boa parte da alimentação deveria pertencer à categoria “gostoso e nutritivo”. Comida saborosa, cheirosa, apetitosa e repleta de nutrientes. E que privilegia alimentos frescos e integrais.  

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Olha só: nada contra as versões mais saudáveis de pratos ou doces tradicionais. Se elas forem realmente gostosas e fizerem você sorrir, tá valendo. 

Tem espaço, sim, para carboidrato na dieta. Espaguete, lasanha e arroz nos dão energia. Não há motivo algum para demonizá-los. Farelo de arroz não é e nunca será nada parecido com um arroz feito na hora, com alho e cebola refogadinhos. Parem, simplesmente parem.

Honre seus desejos. Isso vale para a comida, o trabalho, as relações pessoais, os momentos de lazer. No final das contas, estamos todos aqui com a mesma missão: sermos felizes. E isso a gente dificilmente alcança com versões fit dos nossos desejos. 

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A luz pode desacelerar?

Pode sim. Sabe-se que o limite de velocidade do Universo é a velocidade da luz no vácuo, equivalente a 299,7 mil quilômetros por segundo (km/s).

Mas a radiação eletromagnética viaja mais devagar na água, no ar e em outros meios transparentes – esse é um fato conhecido desde 1850 – e o tanto exato de velocidade que ela perde depende de uma propriedade intrínseca a cada um desses materiais, o índice de refração. Na água, são 225 mil km/s; no vidro, 200 mil km/s. 

Existem ocasiões em que uma partícula subatômica qualquer “quebra a barreira da luz” – como um avião quebrando a barreira do som. Essa peripécia não é possível no vácuo, porque nada pode ir mais rápido que 299,7 mil km/s. Nos oceanos da Terra, porém, trata-se de algo corriqueiro.

Partículas que superam a velocidade da luz na água (aqueles 225 mil km/s) emanam um brilho azulado fantasmagórico chamado radiação Cherenkov.

Um uso importante da radiação Cherenkov é a detecção de neutrinos – um tipo de partícula subatômica imperceptível e inofensiva; há mastodontilhões delas vagando pelo Universo. A maioria dos neutrinos de alta energia atravessa o planeta sem qualquer percalço. Você pode ignorá-los completamente.

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Mas, quando algum deles dá o azar de colidir com uma partícula terráquea – digamos, um elétron –, a pobrezinha é arremessada como uma bola de sinuca. Se sua velocidade após a colisão for mais alta que a da luz, bingo: temos radiação Cherenkov.

O maior detector de neutrinos do mundo fica na Antártica. Afinal, lá existe uma grande quantidade de água congelada, que é sinônimo de controle total sobre o experimento.

O IceCube consiste em 5.160 detectores de luz redondinhos distribuídos como contas de um colar ao longo de 86 cabos, em intervalos de 17 metros. São 60 por cabo. Esses cabos têm 2,5 km de comprimento e ficam enfiados verticalmente no lençol de gelo – que, no Polo Sul, é profundo o suficiente para isso. 

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Usar detectores de luz para captar a radiação Cherenkov é a única maneira de identificar a passagem de neutrinos pela Terra: não há nenhum equipamento conhecido capaz de interagir diretamente com eles. Leia mais sobre o IceCube nesta matéria da Super.

Fonte: textos “Is the speed of light constant?”, e “Is there an equivalent of the sonic boom for light?” de Philip Gibbs. 

Pergunta de @jvcalderaro, via Instagram.

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Exercícios na água: mergulhe nessa!

Nadar deixou de ser o único verbo regido por quem gosta de se exercitar debaixo d’água.

Hoje dá para correr, pedalar, se alongar e até fazer posturas de ioga dentro da piscina ou em cima de uma prancha na praia.

É líquido e claro: as modalidades aquáticas, praticadas em academias, clubes ou mesmo no mar, vivem um processo de diversificação e popularização. Pudera: com um calor desses, nada melhor do que unir o útil dos movimentos com o agradável dos esguichos.

Diante da necessidade (e da oportunidade) de tornar as piscinas tão atraentes quanto as salas de musculação e as arenas esportivas, surgiram adaptações de atividades originalmente concebidas para terra firme, caso da hidrobike e do biribol, o vôlei aquático.

Sim, foi-se o tempo em que só havia espaço para natação e hidroginástica. Agora as pessoas procuram treinos de força na água, aulas de surfe em piscinas com ondas e até o ketball, uma mistura de squash com beach tênis jogada no rasinho com uma rede no meio.

+Leia Também: Quanto de água é preciso tomar por dia?

Mas o que explica essa onda? Fora o calorão que acompanha as mudanças climáticas, o médico do esporte e ortopedista André Pedrinelli credita o avanço na oferta a inovações de mercado para fisgar praticantes.

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“Entre chegar, trocar de roupa, entrar na água e tomar banho, muita gente achava que perdia tempo demais na piscina em comparação com a academia comum”, avalia o professor da Universidade de São Paulo (USP).

Solução: encontrar outras iscas para o povo mergulhar e cumprir esse ritual.

Os precursores foram os esportes em equipe, como polo, vôlei e basquete aquático, que nem exigiam grandes adaptações no ambiente. Mas práticas individuais foram ganhando espaço, com direito a surfe no meio da cidade.

Quer algo mais suave e bacana para aprimorar o equilíbrio? Sessões de ioga na água podem ser uma boa pedida. Prefere uma prática mais dinâmica capaz de queimar calorias? Que tal o HIITAQ, sigla em inglês para treino intervalado de alta intensidade na água?

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<em>O que você precisa saber antes de começar!</em>Ilustração: Rafaela Pascotto/SAÚDE é Vital

Uma revisão de estudos conduzida por pesquisadores noruegueses acaba de concluir que a versão aquática do HIIT, famoso nos circuitos tradicionais em solo, é tão efetiva para pessoas que convivem com doenças crônicas (diabetes, hipertensão…) quanto o treino original.

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Contudo, as modalidades que mais carregam evidências de benefícios à saúde, talvez por serem justamente as mais praticadas e estudadas, são a natação e a hidroginástica.

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Na Universidade Federal do Paraná (UFPR), experimentos buscam saber que perfil mais tiraria vantagem das aulas de hidro — o destaque, por ora, vai para idosos com artrose no joelho, obesidade e Parkinson.

“Para essas condições, o meio aquático é a única forma de realizar um treino mais intenso sem o impacto nas articulações”, resume o educador físico Paulo Cesar Bento, líder das pesquisas.

A mecânica de caminhar ou fazer ginástica é a mesma fora e dentro d’água, mas as variáveis de cada ambiente modulam os efeitos no corpo.

Devido ao empuxo da água, ficamos mais leves, o que interfere na percepção de esforço: você exige mais dos músculos sem notar e seu corpo responde a esse empenho intensificando os batimentos cardíacos e a circulação.

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Nesse modo “consumo de energia”, o coração aumenta a produção do peptídeo natriurético atrial, molécula que participa da queima de gordura.

Ao mesmo tempo, a resistência da água requer um esforço extra: ou seja, você está trabalhando mais os músculos e as articulações sem sentir o baque e os impactos que poderiam levar a lesões.

“Tanto nas sessões de hidroginástica como nas de HIITAQ, é possível alcançar uma frequência cardíaca intensa sem o desconforto e a pressão nas articulações. Se fizessem o mesmo exercício fora da água, muitas pessoas simplesmente não conseguiriam”, observa a educadora física e pedagoga Maria de Fátima Aguiar Lopes, doutora pela UFPR.

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E não pense que é preciso passar dos 50 para tirar onda disso. A pesquisadora desenvolveu um estudo com o treino intervalado dentro da piscina recrutando adolescentes com obesidade entre 12 e 17 anos.

Eles foram avaliados antes e depois de três meses de exercícios. Além da redução no índice de massa corporal (IMC), métricas como taxa de metabolismo basal e níveis de colesterol também melhoraram.

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Os achados evocam a já citada revisão norueguesa publicada no braço de medicina esportiva do British Medical Journal. Segundo o artigo, pessoas com condições crônicas, como doenças respiratórias ou cardiovasculares, se saem bem com o HIITAQ, com a vantagem de poder praticar algo que provavelmente não seria indicado fora da piscina — a pesquisa levou em consideração dados de 868 pessoas que praticaram pelo menos seis semanas de treino intervalado aquático.

A capacidade respiratória também tem o que comemorar. Assim como o músculo cardíaco, os pulmões são pressionados quando estamos com o tronco submerso.

Então, no momento de expirar o ar, é preciso imprimir mais potência, o que fortalece a dupla pulmonar. A benesse é tão conhecida e respaldada pelos médicos que a natação virou recomendação para asmáticos.

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Já reparou que uma porção de atletas olímpicos começou a cair na água para enfrentar, quando pequenos, as crises de asma? Medalhistas como o brasileiro César Cielo fazem parte desse time.

“Conseguir respirar no meio aquático é um treino que modifica a capacidade respiratória por completo, já que você precisa expirar o ar contra a resistência da água”, descreve Bento.

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Para compensar tanto esforço, um relaxamento: a pressão hidrostática funciona como um massageador natural da musculatura, favorecendo o que os cientistas chamam de “reeducação circulatória” das pernas.

“É o casamento perfeito. Temos os benefícios da imersão e do exercício combinados”, afirma Ana Kanitz, doutora em ciências do movimento pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Os frutos dessa união? Melhora do condicionamento, aumento de força, ganho de mobilidade e equilíbrio… Dentro e fora da água.

Tantos trunfos, é claro, exigem dedicação e regularidade. Máxima que se aplica a qualquer modalidade, na água ou no solo.

“A atividade física só começa a ser prazerosa depois de um tempo, algo ao redor de um mês, e a partir daí vêm os resultados”, esclarece Pedrinelli.

Mas, nesse quesito, os esportes aquáticos saem na frente. O simples fato de estar submerso induz o corpo a liberar hormônios com propriedades anti-inflamatórias, tornando o processo de adaptação ao exercício menos doloroso do que fora d’água.

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Apesar de associarmos água com verão, as modalidades aquáticas na piscina não são necessariamente refrescantes — nem devem ser. A temperatura da piscina deve estar amena: cerca de 24°C para a natação e 30°C para a hidroginástica.

O ajuste no termômetro é necessário para controlar a perda de calor corporal. No ambiente seco, transpiramos como forma de aliviar o esforço físico. Na água não é bem assim. O organismo dissipa o calor naquele meio.

De modo que, se a piscina estiver fria além da conta, o corpo precisará de empenho extra para manter o equilíbrio térmico e poderá ser alvo de uma sobrecarga.

“Nesse cenário, o sangue se concentra mais nos órgãos vitais e menos nos músculos, prejudicando o rendimento”, avisa Bento. Não é à toa que as modalidades esportivas em mar aberto não costumam ser indicadas a iniciantes.

Quem pula de cabeça nos exercícios aquáticos também precisa se munir de alguns cuidados. Um deles é botar a pressa de lado para se adaptar ao estado pós-exercício — e não só pelo risco de escorregar no piso na saída.

“Na natação, que é praticada na horizontal e costuma ser intensa, quando você para e fica em pé, uma alteração brusca na pressão arterial pode causar tontura e perda de consciência”, diz o cardiologista Marcelo Leitão, que acompanhou a delegação paralímpica nacional nas competições de Sydney (2000) e Atenas (2004).

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Outro ponto de atenção diz respeito ao cloro e demais produtos utilizados no tratamento da água.

Embora não exista um consenso cristalino a respeito, o pneumologista Sérgio Pinto, professor da UFRGS e ex-atleta olímpico, sugere observar como o corpo reage aos componentes presentes na piscina após os treinos.

Ele mesmo nunca sentiu nenhum incômodo, mas há quem reporte piora em quadros alérgicos e respiratórios — para driblar esses riscos, hoje alguns estabelecimentos tratam a água com sal marinho ou ozônio.

O que todo mundo concorda é que, especialmente na presença de doenças crônicas, cabe escutar o médico e o treinador antes de eleger a modalidade ideal, E, de passo em passo bem molhado, evoluir nas braçadas, caminhadas ou pedaladas sob as águas.

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<span class="hidden">–</span>Ilustração: Rafaela Pascotto/SAÚDE é Vital

NATAÇÃO

O mais famoso, praticado e difundido dos esportes aquáticos é também o mais completo em termos de benefícios ao corpo: reduz impacto nas articulações, melhora a circulação e a capacidade respiratória e trabalha vários grupos musculares.

Diferentes estilos de nado turbinam músculos específicos, dependendo do objetivo. A modalidade demanda esforço físico, e uma temperatura da água mais fria do que as de hidroginástica, em torno de 24 a 27°C.

Não é recomendada para pessoas com insuficiência cardíaca, pois exige bastante do coração. A frequência cardíaca média de quem nada fica acima dos 150 batimentos por minuto, elevada para quem tem condições do gênero.

Para pessoas com quadros respiratórios, como a asma, o esporte é indicado, sim, mas cobra cuidados. “Evite choques térmicos na saída da piscina. Eles podem causar problemas entre indivíduos alérgicos e mais sensíveis às variações de temperatura”, diz o pneumologista Sérgio Pinto.

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HIDROGINÁSTICA

Apesar do rótulo de ser ideal para idosos e gestantes, a hidroginástica é bem democrática e pode inclusive ser intensa.

São atividades feitas em grupo, com músicas e instruções do professor, que contam com flutuadores, boias de espaguete, pranchinhas e halteres. Os alunos intercalam alongamentos com exercícios aeróbicos e de força.

A temperatura da água tende a ser mais quente, ficando próxima aos 29°C. Não tem como fugir: o corpo humano precisa desse calor para se sentir confortável durante a prática.

Não faltam benefícios com aulas regulares de hidro, mas dois são vistos como os principais: os ganhos na circulação sanguínea dos membros inferiores (por ser praticado em grande parte em pé dentro da piscina) e no equilíbrio através do ganho de massa muscular.

Em uma sessão puxada, o aluno chega a perder 500 calorias, índice na cola da média de 600 calorias da natação.

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<span class="hidden">–</span>Ilustração: Rafaela Pascotto/SAÚDE é Vital

TREINO AERÓBICO DE FORÇA

O treino intervalado de alta intensidade na água (HIITAQ) ainda não está entre as modalidades mais populares, mas tem tudo para deslanchar. É um dos estilos que melhor usam o empuxo da água a favor do atleta — páreo duro para a consagrada natação.

As sessões englobam exercícios que alternam ritmos intensos e mais leves, utilizando a resistência da água e o peso corporal como carga. Também pedem que o praticante fique boa parte do tempo na vertical, otimizando a circulação nas pernas.

Como o HIITAQ depende de picos de esforço físico para evoluir e atingir os resultados, convém checar a saúde cardíaca antes de se jogar na piscina.

Para evitar que o metabolismo se acostume e o condicionamento e o ganho de massa muscular estacionem, é recomendado que os treinos aumentem de intensidade e velocidade com o passar do tempo.

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WATER YOGA

Até a milenar ioga caiu na água. As ásanas, nome dado às posturas clássicas, exigem equilíbrio em qualquer ambiente, mas, dentro da piscina, o peso do corpo é anulado, com a vantagem de evitar quedas e torções — limitação eventualmente apontada na prática em solo.

Não são todas as posições que podem ser executadas, claro. Porém, dá para realizar desde posturas como a da árvore como contar com o auxílio de boias e pranchas.

A water yoga é indicada para aquele perfil que quer algo a mais que um exercício físico.

Às ásanas aliam-se os pranayamas (o controle da respiração) e os recursos da meditação e do agradecimento. Em sânscrito, “yoga” significa “união” — do corpo, mente e espírito. O relaxamento proporcionado pela água, dizem os especialistas, favorece esse matrimônio.

A ioga também pode ser praticada sobre a prancha em piscina ou mar calmo — algo mais indicado aos iniciados.

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SURFE NA PISCINA

Essa versão do esporte imita as características da prática no mar em um ambiente mais seguro e controlado.

É válido lembrar que existem dois tipos de piscinas de ondas, e cada uma estimula o corpo de forma diferente. No mais difundido, a água se comporta de forma semelhante a uma correnteza, o que induz o atleta a treinar o equilíbrio e a força dos membros inferiores sobre a prancha.Embora seja uma atividade física, esse modo costuma ser mais visto em ambientes de lazer, como parques aquáticos e cruzeiros.

O outro modelo, menos comum no Brasil, simula as ondas de forma mais realista, e exige muito dos braços, músculos dorsais, membros inferiores e abdômen. A tecnologia ainda não consegue reproduzir com perfeição os grandes tubos que os surfistas profissionais rasgam nas competições, mas pode servir como uma preparação para o surfe no mar — a despeito da idade de quem vai se aventurar.

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ESPORTES COLETIVOS

Com exceção do polo aquático, que surge a partir de uma mistura entre futebol, rúgbi e natação, a maioria das modalidades aquáticas em equipe é uma adaptação da versão homóloga praticada em terra, como biribol, ketball e basquete.

O basquete aquático segue a mesma lógica de encestar a bola (impermeável). No vôlei na água (ou biribol), o objetivo é fazer a bola cair do lado do adversário. Até aí tudo quase igual, incluindo a infraestrutura das piscinas, que não precisa de muitas mudanças para se tornar adequada para esses esportes.

A sacada está na movimentação submersa, que passa por uma resistência maior conforme a área de contato e profundidade.

Tirando o ketball, em que os jogadores ficam submersos só até o joelho, nos demais grande parte do corpo fica dentro da água, e a resistência funciona com uma carga natural, exigindo um gasto energético maior.

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Para praticar no mar

As opções para quem mora no litoral ou tem acesso fácil a praias exigem mais experiência, cautela e orientação

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<span class="hidden">–</span>Ilustração: Rafaela Pascotto/SAÚDE é Vital

Mergulho
Exercita toda a musculatura do corpo, com foco nos tríceps e nos ombros. Como é necessário racionar o oxigênio, o sistema respiratório é recrutado o tempo todo. A prática envolve diferentes etapas e tipos, com cilindro ou controle da respiração.

Surfe
O esporte olímpico por trás de toda uma cultura requer condicionamento, força, coordenação, equilíbrio e resistência. Apesar de não ficar o tempo todo com o corpo submerso, o surfe é considerado um treino para o corpo inteiro. Mas cobra prudência.

Windsurf
Uma mistura de vela com surfe na qual o atleta controla os movimentos do mastro através de uma barra. Exercita muito pernas, costas e braços. Lembre-se de prestar atenção na posição correta da lombar para evitar dores e torções. Só dá para fazer após instrução.

Nado livre
Bota o corpo para enfrentar a resistência da água e as ondas, proporcionando cargas naturais e trabalhando o ritmo cardiorrespiratório, o gasto calórico e o ganho de massa muscular. Mas deve ser praticado apenas por quem já sabe nadar.

Kitesurf
Semelhante ao surfe, com manobras acrobáticas e tudo, tem como diferencial a necessidade de manter o equilíbrio mesmo sendo puxado por um paraquedas. Podendo ser praticado em lagos e no mar, mesmo em água calma, exige bastante dos músculos.

Stand up paddle
Com a tradução literal para “remo em pé”, pode ser praticado no mar, rios ou lagos com água mais calma. Trabalha a musculatura do abdômen, com foco nas laterais e na lombar, além de aprimorar o equilíbrio e reduzir o estresse.

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terça-feira, 23 de janeiro de 2024

Microbiota do sêmen pode estar por trás da infertilidade masculina, segundo estudo

Você já ouviu falar da microbiota intestinal – o conjunto de bactérias que vive no seu sistema digestório, e são importantíssimas para o funcionamento do intestino e até do cérebro. A microbiota da pele e da vagina também influenciam a saúde desses órgãos.

O sêmen, por outro lado, geralmente não têm bactérias enquanto está nos testículos. Mas isso muda quando o fluido passa pela última porção do pênis, que carrega sua própria população de micróbios. O sêmen sai, então, com algumas bactérias, dependendo de como está a microbiota daquela região.

Nem todas as bactérias são danosas. Assim como em outras partes do corpo, o equilíbrio da microbiota é benéfico para o sêmen. No entanto, um estudo da Universidade da Califórnia mostrou uma relação entre algumas bactérias e a baixa mobilidade dos espermatozoides – que pode ser uma das causas da infertilidade masculina.

O artigo foi publicado no periódico Nature Scientific Reports. Os pesquisadores analisaram amostras de sêmen de 73 homens que procuravam fazer uma avaliação de fertilidade ou exames preparatórios para vasectomia.

Das amostras coletadas, os espermatozoides de 27 homens apresentaram mobilidade fora do normal – basicamente, os gametas tinham mais dificuldade para chegar ao óvulo. Os outros 46 estavam dentro do esperado. O grupo de esperma anormal também tinha maior concentração da bactéria Lactobacillus iners (9,4%) em comparação ao segundo grupo (2,6%).

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Essa bactéria faz parte da microbiota vaginal, e geralmente encontra-se em níveis saudáveis para a mulher. No entanto, os pesquisadores acreditam que a L. iners pode estar impactando a fertilidade dos homens. 

Estudos in vitro realizados com outras espécies revelaram que o ácido lático pode reduzir a mobilidade dos espermatozoides. E a bactéria L. iners produz, justamente, ácido lático. 

Vale lembrar que a nova pesquisa encontrou apenas uma relação estatística entre a concentração de bactérias e o sêmen de baixa mobilidade. Ainda não sabemos se a L. iners é, necessariamente, a causa do problema. É possível que exista um terceiro fator em jogo, que influencia tanto os espermatozoides quanto as bactérias.

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Além disso, três bactérias do gênero Pseudomonas também foram encontradas – tanto no sêmen “normal” quanto no “anormal”. As espécies P. fluorescens e P. stutzeri eram mais comuns no grupo com baixa mobilidade de espermatozoides, enquanto a P. putida aparecia em baixas quantidades, quando comparado ao outro grupo de homens.

É cedo para dizer se essas bactérias também podem estar relacionadas à fertilidade. O estudo só começa a olhar a microbiota do sêmen, e abre possibilidades de investigação para pesquisas mais rigorosas.

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Febre oropouche: entenda a doença com sintomas parecidos com os da dengue

O Amazonas registrou mais da metade do número de casos de febre oropouche na primeira quinzena deste janeiro, em comparação com todo o ano passado — foram 223 casos da doença nas primeiras duas semanas de 2024, contra 424 registros totalizados em 2023. Devido ao aumento expressivo de registros, a Fundação de Vigilância em Saúde (FVS) do estado emitiu um alerta epidemiológico.

Segundo o órgão estadual, não há registro de mortes. A febre oropouche causa sintomas parecidos com os da dengue e os da chikungunya:

  • Dor de cabeça
  • Dor muscular
  • Dor nas articulações
  • Tontura
  • Náusea
  • Diarreia

A febre oropouche é uma arbovirose, ou seja, é transmitida pela picada de um mosquito, o Culicoides paraense, também conhecido como maruim.

No entanto, de acordo com Tatyana Amorim, diretora-presidente da FVS, os mosquitos do gênero Culex – mais espalhados pelo país – também podem ser vetores. No ciclo selvagem, os hospedeiros são animais primatas e o bicho-preguiça, enquanto no ciclo urbano o ser humano continua sendo o principal hospedeiro.

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+ Leia também: Com mudanças climáticas, doenças causadas por mosquitos avançam pelo mundo

“A transmissão do vírus ocorre pela picada do mosquito infectado. Não há registro de casos de transmissão de pessoa para pessoa diretamente”, explica Amorim.

O período de incubação do vírus é de quatro a oito dias, quando surgem os primeiros sinais. A manifestação dos sintomas costuma durar de cinco a sete dias, mas, segundo o alerta emitido, a recuperação total do paciente pode levar semanas.

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Os casos atuais estão concentrados em adultos jovens, com idades entre 20 e 59 anos, embora existam registros confirmados em todas as faixas etárias.

+ Leia também: Dengue, fungos, Covid… Os micróbios que preocupam os infectologistas

O tratamento e o risco de a febre oropouche se espalhar pelo Brasil

Pelos sinais clínicos semelhantes, as arboviroses dificultam o diagnóstico correto e a intervenção médica adequada para evitar a ocorrência de formas graves e, eventualmente, mortes.

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O tratamento da febre oropouche é realizado com medicamentos para tratar os sintomas e hidratação. Até o momento, não existe vacina ou um antiviral disponível para essa doença.

De acordo com a infectologista Emy Akiyama Gouveia, do Hospital Israelita Albert Einstein, a emergência do vírus oropouche no Brasil está sendo alertada há anos por cientistas e pesquisadores. Para ela, esse aumento considerável no número de casos é preocupante pelo risco de a doença se espalhar para outros estados.

+ Leia também: Hidratação em dias quentes: por que é importante ir além da água pura?

“O homem acaba se infectando acidentalmente ao entrar nas matas e acaba levando a infecção para as cidades, mantendo o ciclo de transmissão. Há uma grande preocupação de que ocorra surtos nas cidades”, reforça a médica.

Gouveia acrescenta que nem todos os laboratórios do país estão capacitados para a realização do diagnóstico correto. “O vírus já pode estar circulando em algumas regiões do Brasil sem sabermos. Os casos no Amazonas podem estar refletindo apenas a ponta do iceberg”, alertou.

O Amazonas ainda não define o aumento de casos como um surto, mas reconhece a necessidade de monitoramento constante.

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+ Leia também: Dengue em 2024: podemos estar perto de uma nova epidemia

Como evitar a febre oropouche?

As medidas de prevenção são as mesmas de outras doenças causadas por picadas de mosquitos:

  • Usar repelentes, principalmente no início e no fim do dia
  • Vstir preferencialmente blusa de manga longa e calça comprida ao entrar áreas de mata e beira de rios
  • Instalar telas e mosquiteiros em áreas rurais e silvestres

Segundo Amorim, da FVS, a eliminação dos criadouros do mosquito envolve evitar acúmulo de lixo, limpar terrenos, caixas d’água, cisternas, realizar vistorias para evitar água parada que propicie que os mosquitos depositem os ovos, entre outras.

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A FVS também emitiu uma nota técnica orientando sobre a intensificação das ações de vigilância, prevenção e controle da doença.

*Conteúdo publicado originalmente na Agência Einstein.

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Câncer de colo do útero: pouco mudou em 25 anos

Um quarto de século pode parecer bastante tempo. Mas, no combate ao câncer de colo do útero, o relógio parece que pouco andou: terminamos 2023 com um contexto pouco diferente daquele de 1998, quando foi lançada pelo Ministério da Saúde a campanha nacional de combate a este que era – e continua sendo – o câncer ginecológico mais incidente nas brasileiras.

Na ocasião, o ministro da Saúde, José Serra, na presença da primeira-dama Ruth Cardoso, anunciou que, até o dia 19 de setembro daquele ano, seriam realizados 4 milhões de exames de papanicolau gratuitamente em mulheres entre 35 e 49 anos que nunca haviam passado pelo procedimento.

A proposta, considerando o conhecimento da época em políticas de prevenção secundária (que foca no diagnóstico precoce), visava diagnosticar as lesões pré-cancerígenas o mais rapidamente possível.

+Leia também: Câncer: ao menos um quarto dos casos seria evitado com hábitos saudáveis

Em 1998, o câncer de colo do útero foi diagnosticado em cerca de 21 mil brasileiras. Para 2024, apesar do crescimento populacional, são previstos 17 mil novos casos desta doença.

Olhando apenas para estes números, parece que temos uma ótima notícia. Porém, na prática, pouco avançamos em como evitar este que é o mais evitável de todos os tipos de tumor.

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Essa afirmação é possível porque sabemos qual é o vilão e como ele pode ser eliminado. O papilomavírus humano (HPV) gera lesões potencialmente cancerígenas e é responsável por 99,7% dos casos de câncer de colo de útero, além de influenciar em outros tumores de órgãos genitais.

Não existe uma relação tão estreita entre um agente causador e um câncer como a do HPV e os tumores malignos de colo de útero. Nem a do cigarro com câncer de pulmão chega perto.

Se duas décadas e meia atrás havia a falta de acesso ao exame de papanicolau (um gargalo que persiste), vemos também uma baixa adesão à vacina contra HPV no Brasil. Criada em 2006, na Austrália, essa vacina integra o programa de imunização de mais de 50 países.

No Brasil, é distribuída gratuitamente pelo Sistema Público de Saúde (SUS) desde 2014 (para meninas) e 2017 (meninos). O melhor resultado foi obtido, justamente, em 2014, quando foram aplicadas quase 8 milhões de doses nas meninas brasileiras.

O número caiu para abaixo de 6 milhões de doses no ano seguinte e, entre 2016 e 2022, não superou nem a marca de 2 milhões. Entre os meninos, o número de doses aplicadas também vem caindo desde quando eles tiveram acesso a elas pelo SUS, em 2017.

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Com isso, estamos distantes da meta almejada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Em 2020, a entidade declarou que seria necessário reduzir a incidência do câncer de colo de útero para abaixo de quatro casos por 100 mil mulheres por ano, em todos os países, até 2030.

No Brasil, os números estão três vezes acima disso. Para termos um país sem câncer de colo do útero, devemos fortalecer as campanhas de conscientização, aumentar o acesso aos exames preventivos e fazer subir as taxas de adesão à vacina contra HPV.

Unindo vozes, com gestão pública de qualidade, conseguiremos desfrutar melhor do tempo e avançar verdadeiramente.

*Gustavo Cardoso Guimarães é cirurgião oncológico, diretor do Instituto de Urologia, Oncologia e Cirurgia Robótica (IUCR) e diretor dos departamentos cirúrgicos oncológico da BP – A Beneficência Portuguesa de SP. Andréa Gadêlha Guimarães é oncologista clínica, coordenadora de advocacy do Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA) e líder da Oncologia do Centro de Referência de Tumores Ginecológicos do A.C.Camargo Cancer Center.

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Câncer de colo do útero: pouco mudou em 25 anos Publicado primeiro em https://saude.abril.com.br

Compulsão alimentar: o que causa e como lidar com o trantorno

O transtorno de compulsão alimentar ganhou os holofotes recentemente por causa da modelo e influenciadora Yasmin Brunet, participante do programa Big Brother Brasil 24. Após comentários maldosos sobre a quantidade de comida que estava ingerindo, ela desabafou que estava sofrendo com crises de compulsão, um problema que já vinha tratando fora do confinamento.

E ela não é a única: no início do ano, a influenciadora e ex-participante do BBB 22 Jade Picon disse em um podcast que também teve compulsão alimentar em sua passagem pelo reality.

Essa distúrbio, claro, é um tipo de transtorno alimentar (TA). De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais 5.ª edição (DSM-5), problemas dessa natureza são caracterizados por uma perturbação persistente na alimentação, ou no comportamento relacionado à alimentação, que compromete significativamente a saúde física ou o funcionamento psicossocial.

A compulsão alimentar precisa ser diagnostica e tratada, já que compromete significativamente o bem-estar e, com o tempo, favorece doenças crônicas, como diabetes, obesidade e hipertensão.

Mas o que exatamente é esse transtorno? E como situações estressante, a exemplo do confinamento do BBB, exacerbam o risco de ele dar as caras? Confira a seguir.

O que é compulsão alimentar e quais os sintomas

A característica essencial dessa condição são episódios recorrentes de comer exagerado. Para serem enquadrados como compulsão alimentar, esses momentos devem ocorrer ao menos uma vez por semana, durante três meses.

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Mas entenda: comer muitos pedaços de pizzas em um rodízio não caracteriza esse transtorno. Quem sofre com a questão não tem controle sobre o que come (mesmo em ambientes que aparentemente não instigam exageros) e precisa de ajuda profissional para lidar com a condição.

“O termo foi banalizado, como se fosse apenas uma questão de alimentação excessiva. Mas isso é diferente do transtorno de compulsão alimentar, em que é preciso uma série características para receber o diagnóstico”, explica a nutricionista Nathalia Teixeira, especialista em comportamento alimentar.

O DSM-5 (aquele guia de diagnósticos psiquiátricos) é detalhado nesse aspecto: para ser considerado um caso de compulsão alimentar, ele precisa contemplar essas três características:

  1. Ingestão, em um período determinado (de duas em duas horas, por exemplo), de uma quantidade de alimento definitivamente maior do que a maioria das pessoas consumiria no mesmo período, sob circunstâncias semelhantes.
  2. Sensação de falta de controle sobre a ingestão durante o episódio (como sentimento de não conseguir parar de comer ou controlar o que e o quanto se está ingerindo).
  3. Sofrimento marcante em virtude do episódio de compulsão alimentar.

+Leia Também: Os 12 principais tipos de transtorno alimentar

E as especificações não param por aí. Os episódios de exagero que caracterizam o transtorno precisam estar associados a três (ou mais) dos seguintes sintomas:

  • Comer mais rapidamente do que o normal.
  • Comer até se sentir desconfortavelmente cheio.
  • Comer grandes quantidades de alimento na ausência da sensação física de fome.
  • Comer sozinho por vergonha do quanto se está ingerindo.
  • Sentir desgosto de si mesmo, sintomas depressivos ou muita culpa em seguida do episódio.

E atenção: quem fecha um diagnóstico de transtorno de compulsão alimentar é um psiquiatra, não o amigo ou colega do BBB.

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+Leia Também: Restrição à mesa aumenta risco de transtorno alimentar

O que causa a compulsão alimentar?

A ciência ainda não sabe ao certo. No próprio DSM-5, está escrito: “Pouco se sabe a respeito do desenvolvimento do transtorno de compulsão alimentar”.

Especialistas acreditam que dilemas emocionais, ansiedade e estresse podem estar por trás das crises desse transtorno. Questões como preocupação com a forma corporal também estariam relacionadas. Aliás, ele costuma aparecer já na adolescência ou na idade adulta jovem, quando a pressão estética e emocional é grande.

Mas ainda não se sabe explicar porque esses sentimentos repercutem dessa forma em algumas pessoas, mas, em outras, não.

“O craving é o desejo de repetir uma experiência boa que veio através de algo ingerido, experimentado ou usado. Quando comemos, liberamos uma série de neurotransmissores que geram bem-estar, e muitas vezes o desejo de sentir de novo essa sensação positiva pode ser uma forma de escape para quem passa por alguma questão mais profunda”, pontua Teixeira. “Mas não é do nada: é preciso vários antecedentes para surgir o transtorno”, pondera.

Acredita-se também que há um fator genético para o surgimento dessa condição.

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+Leia Também: O que explica o aumento da obesidade entre jovens no Brasil?

Qual o tratamento para a compulsão alimentar?

Basicamente se age nas duas principais frentes: cuidar da mente e do corpo. É comum o uso de terapia cognitivo-comportamental e a indicação de exercícios físicos para aliviar o estresse. A depender da gravidade do caso, medicamentos podem ser considerados, desde que receitados por um profissional habilitado.

Não se recomenda tratar compulsão com dietas restritivas, menos refeições ao dia ou hábitos alimentares que fujam muito da realidade do indivíduo. Essas práticas inclusive podem acabar virando gatilhos para novos episódios de exagero.

“Quando vai abordar a compulsão, o nutricionista não fala sobre quantidades, nem impõe uma dieta. O que se faz é tentar chegar à raiz daquele comportamento“, explica Teixeira. “Para isso, é essencial o uso da comunicação não violenta e da valorização de cada passo dado e das atitudes positivas”, complementa.

O transtorno de compulsão alimentar parece ser persistente, e pode vir acompanhado  de outros problemas como depressão. O ideal é que haja uma abordagem multidisciplinar de cuidados, com psiquiatra, endocrinologista, nutricionista e psicólogo.

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O caso de Yasmin Brunet e os gatilhos da compulsão alimentar

Yasmin Brunet é uma modelo reconhecida por sua beleza – como tal, acredita-se que sua alimentação seja “perfeita”. Há até uma pressão para isso, na verdade. Mas, ao entrar no BBB e ter que lidar com um ambiente totalmente diferente do comum, outros participantes começaram a notar momentos em que ela “comia demais”.

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Em uma ocasião, Yasmin Brunet comeu um pote de requeijão inteiro sozinha. Em outra, escondeu alimentos para consumir depois, sem ter ninguém por perto.

A questão ganhou mais peso no programa desde que Rodriguinho, seu colega de confinamento, começou a fazer piadas e até dizer que ela tinha “largado a mão” ali dentro. No comentário mais agressivo, o cantor afirmou que Yasmin receberia uma mordaça da produção do programa para conter sua compulsão.

Foi aí que a modelo desabafou sobre sua compulsão alimentar em um “Raio-X”, momento do BBB em que os participantes fazem vídeos diários para conversar diretamente com o público. Ela afirmou que já tratava questões alimentares fora do programa, mas que lá dentro começou a descontar a ansiedade na comida.

“Há uma série de gatilhos que podem reacender um transtorno antes controlado, como um ambiente estressor em que você convive com pessoas que não necessariamente queria estar e há julgamentos, comentários, olhares e até apelidos constantes”, destrincha a nutricionista Nathalia Teixeira. “Uma condição de restrição alimentar, que estimula a ingestão exagerada quando há comida disponível, também”, complementa.

Diante das piadas dentro do programa, a modelo pediu para ser deixada “em paz” e que parassem de falar sobre sua compulsão. Recentemente, ela voltou a fumar para tentar conter a compulsão, mas ainda é constantemente julgada pelo transtorno que possui.

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Compulsão alimentar: o que causa e como lidar com o trantorno Publicado primeiro em https://saude.abril.com.br