segunda-feira, 1 de julho de 2019

Líquens se deram bem com a morte dos dinossauros

Não foram só os dinossauros que sucumbiram quando um asteroide quilométrico acertou nosso planeta, 66 milhões de anos atrás. Cinza e poeira se espalharam pela atmosfera, bloquearam a luz solar e resfriaram a superfície. Plantas, que precisam de luz para comer, morreram aos montes. Insetos, alguns dos primeiros pássaros e outras formas de vida também sofreram. Cientistas acabam de descobrir como os líquens reagiram ao apocalipse.

E, para surpresa geral, viram que eles se deram muito bem, obrigado. “Nós originalmente esperávamos que os líquens tivessem sido afetados de um jeito negativo, já que contêm coisas verdes que precisam de luz”, disse em comunicado Jen-Pang Huang, pesquisador à frente do novo estudo publicado no periódico Scientific Reports. Mas nem só de planta um líquen é feito: ele é meio alga (ou cianobactéria), e meio fungo.

Líquens são um dos melhores exemplos na natureza de como uma parceria pode ser muito benéfica às partes envolvidas. São organismos compostos que vivem em simbiose. Tanto a alga quanto a cianobactérica, que fazem fotossíntese, produzem para si carboidratos que também alimentam o fungo; este, por sua vez, funciona como uma estufa que mantém a umidade e oferece proteção. Juntos, ambos são mais fortes.

Trevor Howard, liquenólogo e naturalista canadense, usa um conceito intrigante para definir esse grupo tão incrível de seres vivos. “Líquens são fungos que descobriram a agricultura”. Uma das descobertas mais interessantes do estudo foi que, conforme os vegetais eram dizimados mundo afora pela mesma escuridão que vitimou os dinossauros, muitos líquens aproveitaram a chance para ganhar protagonismo. Eles se diversificaram rapidamente.

“Alguns líquens cresceram estruturas 3D sofisticadas como folhas de plantas e ocuparam os nichos das plantas que morreram”, diz Huang, do Centro de Pesquisa em Biodiversidade da Academia Sinica, em Taiwan. É importante lembrar que a principal função dos fungos é decompor a matéria orgânica de organismos que morreram para que seus nutrientes retornem à natureza. E, há 66 milhões de anos, o mundo virou um cemitério a céu aberto.

No caso dos líquens, restava saber qual lado falava mais alto: o lado planta, negativamente afetado pelo asteroide, ou o lado fungo, influenciado positivamente. Como não há muitos fósseis dos seres simbióticos que viveram naquela época, os pesquisadores recorreram ao DNA. Sequências genéticas de três famílias de líquens foram comparadas por um software que montou uma árvore genealógica e estimou quando surgiram os ramos atuais.

Os resultados apontam um boom de líquens 66 milhões de anos atrás. Mais que um estudo esclarecedor sobre o passado desses organismos, a pesquisa ressalta como essa extinção em massa moldou o nosso mundo. “Boa parte do que vemos hoje na natureza originou-se depois dos dinossauros”, afirma um dos autores, Thorsten Lumbsch. A vida renasce, sim, após um eventos catastrófico desses — mas muda de rumo para sempre.


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Por que as plantas de Chernobyl não morreram com a radiação?

Quem assistiu à série Chernobyl, da HBO, pode ter se questionado o que aconteceu com as vegetação local depois do acidente. Os episódios mostram pessoas queimadas pela radiação e animais que tiveram que ser mortos por estarem contaminados, mas nenhuma árvore seca ou murcha, como é típico de filmes apocalípticos. Não foi falha do roteiro: as plantas de Chernobyl realmente não morreram com a radiação. E vamos explicar o porquê.

Após o acidente de 1986, foi criada a Zona de Exclusão — um perímetro de 2.600 quilômetros quadrados em que a moradia e acesso público são restritos — o que corresponde a uma área maior que o estado de São Paulo. Essa medida foi necessária para evitar que a população local tivesse contato com a radiação e pudesse desenvolver câncer posteriormente. As plantas, por outro lado, não podiam simplesmente fugir de lá, então precisaram se adaptar.

A radiação emitida por Chernobyl afeta a estrutura celular dos seres vivos. Algumas dessas estruturas podem se regenerar, mas não o DNA. Mesmo em doses baixas, a radiação pode causar mutações genéticas e alterar a maneira como a célula funciona, tornando-as cancerígenas e fazendo com que elas se multipliquem e se espalhem pelo corpo.

Os humanos, assim como outros animais, possuem células com funções muito específicas. As células do estômago, por exemplo, são diferentes das células do cérebro, e precisamos das duas para sobreviver. Se um animal sofre uma mutação cancerígena nas células do estômago, as células do cérebro ou de qualquer outro órgão não são capazes de se transformar para substituí-las — e aí uma das funções vitais fica comprometida.

Nas plantas a situação é um pouco diferente. Suas células possuem, sim, diferenciação entre si — as células da raiz são diferentes das células da folha, por exemplo — mas elas são mais flexíveis. De acordo com Stuart Thompson, professor de bioquímica das plantas da Universidade de Westminster, a maioria das células vegetais consegue criar tipos diferentes de células, dependendo do que a planta precisa. Isso explica por que é possível plantar uma árvore usando tanto uma semente quanto um galho daquela espécie. Dessa forma, a planta pode substituir células afetadas de maneira bem mais fácil do que os animais. 

A parede celular vegetal também possui um papel importante na sobrevivência das plantas: ela ajuda a barrar a disseminação das células mutadas pela radiação. As plantas podem ter tumores, mas eles não se espalham da mesma forma que o câncer nos humanos. A parede celular vegetal é bem mais rígida do que a animal, evitando que o tumor chegue em outros tecidos vegetais.

Como se todos esses mecanismos não fossem suficientes, as plantas presentes na zona de exclusão de Chernobyl criaram formas de proteger o próprio DNA da radiação. Elas alteram o próprio funcionamento químico para se tornarem mais resistentes e consertarem o dano causado.

Hoje, 33 anos após o desastre, algumas populações de plantas são maiores do que antes do acidente, devido à ausência de interferência humana no local. A cidade de Pripyat, na Ucrânia, é um exemplo disso. A chamada “cidade fantasma”, que fica dentro da zona de exclusão, foi coberta de vegetação após a saída de seus habitantes.

A radiação pode, sim, afetar negativamente as plantas e encurtar seu tempo de vida. Porém, se as condições externas — água, luz, temperatura e nutrientes — forem favoráveis e os mecanismos de defesa permitirem, o prejuízo de um acidente nuclear pode ser menor do que anos de intervenção humana.


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Saiba como assistir ao vivo o eclipse total de 2 de julho

O último eclipse solar total que nosso planeta viu foi o chamado ‘Grande Eclipse Americano’, que escureceu o céu de parte dos EUA em 21 de agosto de 2017. Só um ano e meio depois acontecerá um fenômeno semelhante: ao final da tarde do dia 2 de julho, a Lua cobrirá novamente toda a luz do Sol, e os sortudos agora são a Argentina e o Chile, que vão ver o Sol apagar totalmente.

O chamado ‘Grande Eclipse Solar Sul-Americano’ começará por volta das 17h, horário de Brasília. Seu estreito caminho se estenderá pelo Pacífico Sul – sendo perfeitamente visível em cidades como La Serena, no Chile, e Buenos Aires, Argentina.

Infelizmente, aqui do Brasil (assim como do Peru, Equador, Uruguai e Paraguai) só será possível observar um eclipse parcial. Mas não precisa ficar (tão) triste: algumas opções online oferecerão transmissões ao vivo do fenômeno completo.

Uma delas é o Observatório Interamericano de Cerro Tololo, no Chile. Localizado no Vale de Elqui, cerca de 80 km da cidade de La Serena, o observatório (que conta com sete grandes telescópios) está exatamente na rota do eclipse total. Neste link, ele transmitirá imagens exclusivas de seus telescópios ao vivo, a partir das 17h, horário de Brasília.

Outra opção é através da plataforma de astronomia online Slooh. A partir das 16h15, horário de Brasília, começará uma transmissão de imagens do eclipse a partir de telescópios e observatórios localizados em todo o mundo.

A IBM também vai oferecer uma cobertura completa Em parceria com observatórios da Argentina, Chile e NASA, a transmissão ficará por conta da The Weather Company, parceira da grande empresa de tecnologia. A transmissão terá comentários de especialistas (em inglês) enquanto o fenômeno ocorre. Você poderá conferir tudo neste link, a partir das 17h.

Apesar de sempre chamar a atenção, eclipses solares totais não são raros. Eles acontecem a cada 18 meses, mas só dá para ver se você estiver diretamente sob a umbra da Lua, ou seja, a parte mais escura da sombra pela qual todo o Sol é coberto.

O caminho de um eclipse é comprido e fininho. Como a maior parte da superfície da Terra é água, quase toda a extensão dos eclipses se dá sobre os oceanos, sem testemunhas. A área de sombra total a cada momento costuma ter entre 150 e 250 quilômetros de extensão. O do dia 2 abrangerá 201 quilômetros. E quem tirou a sorte grande foi Buenos Aires, que ficará completamente sob a umbra a partir das 17h44.

Ao longo do século 21, teremos 68 eclipses solares totais. Mas o espetáculo só vai chegar ao território nacional em todo o esplendor daqui a algumas décadas – em 2046, quando os moradores de Belém (PA), São Luís (MA), Teresina (PI), João Pessoa (PB) e Recife (PE) verão o dia virar noite sobre suas cabeças.

Quer se programar para ver um eclipse total com os seus próprios olhos? Pode checar aqui.


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Carta ao leitor: outros terraplanismos

Marca de loção para crescimento de barba é proibida no Brasil

Voltado para o crescimento da barba, a loção Van Beards Minoxidil 8% não pode mais ser vendida no Brasil. A decisão é da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que detectou a comercialização desse produto sem qualquer cadastro.

A medida, segundo a entidade, vale para os lotes fabricados a partir de 17 de abril de 2019. Cabe destacar que o registro na Anvisa serve para facilitar a fiscalização e garantir a segurança dos produtos.

A loção Van Beards Minoxidil 8%, vendida pela internet, deveria ser aplicada diretamente no rosto. Entre os benefícios prometidos em diferentes sites, está o de acelerar o crescimento da barba e o de tonificar os pelos.

O minoxidil, aliás, é uma substância usada com certa frequência para atenuar a queda de cabelo. A questão é que, sem um registro, fica difícil saber o que realmente vai dentro da embalagem.


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Entrevista: veganismo é coisa de rico?

Ainda que a premissa do veganismo de proteger a vida dos animais seja admirável, não é todo mundo que adere a esse estilo de vida. As justificativas vão desde “faz mal à saúde” — o que diversos estudos contestam — até “é coisa de rico”. Mas será que abolir os alimentos e produtos de origem animal sai tão caro assim?

De fato, há itens veganos nas prateleiras dos supermercados que pesam no bolso. No entanto, nem só de leite vegetal de caixinha e tofu vive essa turma.

Duvida? Pois inclusive tem gente na internet tentando quebrar essa ideia, como a estudante Carolina Soares, de 29 anos. Cansada de só encontrar receitas à base de ingredientes com preço salgado (e que às vezes nem eram vendidos no nosso país), em 2016 ela criou o grupo “Veganos Pobres Brasil” no Facebook.

Esse espaço virtual pretende mudar a percepção de que o veganismo é um estilo de vida elitizado. A ideia é que os participantes compartilhem receitas saborosas e com ingredientes acessíveis. Hoje, o grupo reúne mais de 90 mil membros.

SAÚDE conversou com Carolina sobre sua iniciativa e o veganismo como um todo. Confira:

SAÚDE: Como você se tornou vegana?

Carolina Soares: Demorei um pouquinho pra chegar ao veganismo em si. Parei de comer carne há dez anos, porque não achava certo consumir animais, pagar para alguém matá-los. Mas como não tinha consciência de que a exploração ia além da carne, fiquei um bom tempo como ovolactovegetariana, só não comendo carne.

Um belo dia, por volta de quatro ou cinco anos atrás, tive um problema de saúde grave. Tenho asma e sofri uma parada respiratória dentro de casa. Morri e minha mãe me ressuscitou. Quando voltei, percebi que havia coisas na vida que não eram tão importantes. Tive uma epifania, sabe? Aí, fiz a transição para o veganismo.

As duas mudanças foram da noite para o dia. Os produtos de marcas que testam em animais, conforme iam acabando, fui trocando.

De onde veio a ideia de criar o grupo?

Eu sou periférica. Se a gente joga veganismo no YouTube ou no Google, só aparecem coisas de alimentação e dieta caras. Aquilo não me representava. Não me sentia representada pela quantidade e pelo preço.

Por causa disso, passei a publicar receitas no meu perfil do Facebook. Tenho um álbum de fotos com receitas chamado “Vivendo de alface”, no qual posto a imagem e a descrição da receita. Quando ele bateu mais de mil curtidas e comentários, percebi que não era só eu que tinha esse problema.

Aí, criei o grupo. Pensei em milhares de nomes, mas nenhum parecia certo. Até que cheguei a “Veganos Pobres”. Só acrescentei o “Brasil” no final por causa dos produtos que vêm de fora. Eu mesma sentia uma carência de coisas baratas no nosso país.

O grupo cresceu muito rápido pela falta de representatividade que a galera periférica tem. Quando aparece alguém, eles já se sentem representados.

Produtos veganos normalmente são mais caros mesmo. Como você lida com isso?

Então, é caro, mas também não é. Muitas marcas não são veganas, mas surfam na ideia e querem vender pelo preço de um rim. [risos]

Existem pequenos produtores que fabricam itens de qualidade por serem artesanais. A gente dribla as grandes empresas e foca neles. Aí, sai mais barato.

Dá para manter uma alimentação bem balanceada baseada em itens mais básicos ou fazer comida em casa com algumas substituições. Eu, particularmente, opto por fazer hambúrguer, coxinha, leite e queijo vegetal porque os industrializados, além de não serem tão saudáveis, muitas vezes a gente não sabe o que tem ali dentro.

Então, dá para ser vegano e gastar pouco, como dá para ser e comer só industrializados. Mas eu optei por consumir apenas aquilo que eu conheço a fabricação ou de pequenos produtores.

Você considera o movimento vegano elitista?

O veganismo não é elitista. Porém, algumas empresas, assim como fazem com os itens para celíacos e intolerantes à lactose, vendem mais caro porque na cabeça deles, se você não comer isso, não come mais nada.

Elas é que tornam os produtos elitizados, mas o veganismo é baseado em uma alimentação simples, como macarrão de sêmola, temperos baratos, legumes de fim de feira, hambúrguer de lentilha ou de grão de bico… A base alimentar do brasileiro é arroz e feijão, por exemplo. O que torna caro são as corporações. Você pode viver só de industrializados ou pode gastar menos com alimentação natural. A gente aprende a economizar comendo tudo do bom e do melhor.

As marcas de outros segmentos que não a alimentação [cosméticos e itens de uso geral do dia a dia] estão se conscientizando também. Há dez anos, não tinha nada barato. Haviam três opções caríssimas, no máximo. Hoje, existem os pequenos produtores e os grandes têm concorrência. Consigo me manter, na questão de cosméticos, gastando pouco.


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Ajuste o lanche no trabalho de forma saudável

Pesquisadores dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), nos Estados Unidos, alertam: para reduzir os altos índices de obesidade e doenças como diabetes e câncer, os empregadores deveriam implementar medidas a fim de oferecer opções atraentes e saudáveis em cafeterias e máquinas automáticas.

É que, ao analisar os dados de 5 222 pessoas, eles observaram que quase um quarto obtém alimentos e bebidas no trabalho pelo menos uma vez por semana — resultando em quase 1 300 calorias, embutidas em refrigerantes, biscoitos e batatas fritas.

A nutricionista Camila Gracia, de São Paulo, pondera: “Sempre é possível levar snacks saudáveis de casa. E, na lanchonete, dá para pedir uma salada de frutas em vez do pão de queijo de todo dia”. Estratégias assim evitam que a paradinha para comer no meio do trabalho arruíne uma rotina saudável.

Saboreie sem culpa

Frutas e palitos de legumes: se for levar de casa, planeje. Ou seja, compre, deixe tudo lavado e fatiado.

Sanduíche leve: a escolha dos ingredientes é crucial. Opte por pão integral e recheios como ricota ou queijo branco.

Mix de nuts: castanhas e nozes reúnem fibras e gordura monoinsaturada, que reduzem o colesterol ruim.

Chips variados: de batata-doce, banana ou mandioquinha, são fáceis de preparar. E não faltam boas opções prontas no mercado.

É bom não abusar

Salgadinhos: em geral são feitos com farinha branca e fritos. Sem contar os de saquinho, repletos de sódio.

Achocolatado: na caixinha ou batida com leite, a bebida leva doses excessivas de açúcar — e inclui pitadas de sódio.

Doces: além do açúcar, a presença de ingredientes gordurosos, como manteiga e creme de leite, alavanca o colesterol.

Biscoitos recheados: o perigo está na carga elevada de gordura (trans ou saturada).


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