segunda-feira, 4 de abril de 2022

Vacina da gripe 2022: qual a diferença entre a particular e a do SUS

Começou a campanha anual de vacinação contra a gripe – agora já com a cepa atualizada, a H3N2 Darwin, que pegou o Brasil de surpresa no fim do ano passado. A vacina está recomendada para idosos, crianças, profissionais de saúde e outros grupos, mas a imunização será feita em etapas.

Quem está fora do público-alvo ou quer se adiantar pode recorrer ainda ao sistema privado. Há uma diferença nos imunizantes, no entanto. O Sistema Único de Saúde (SUS) aplica a versão trivalente, enquanto algumas farmácias e clínicas têm a opção da tetravalente.

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Especialistas defendem que o mais importante é se proteger, independentemente de qual a vacina a escolhida. Entenda.

Quem pode tomar a vacina da gripe no SUS?

Entre 4 de abril e 2 de maio, o calendário dará prioridade aos idosos com mais de 60 anos e profissionais de saúde. De 3 de maio a 3 de junho, as doses serão liberadas para crianças de 6 meses a 4 anos, 11 meses e 29 dias, grávidas, pessoas com comorbidades, como o diabetes, entre outros grupos prioritários.

Entram na lista ainda indígenas, indivíduos com deficiência permanente, policiais, bombeiros e militares, trabalhadores do sistema rodoviário, funcionários do sistema prisional e a população privada de liberdade.

“Essa parcela atendida pelo sistema público alcança 77 milhões de pessoas, incluindo as que podem desenvolver formas graves de gripe e também os trabalhadores dos quais alguns serviços dependem para funcionar plenamente”, afirma Mônica Levi, médica e presidente da comissão de revisão de calendários vacinais da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

Algumas faixas etárias ficam de fora do plano federal, como adolescentes e adultos, mas parte deles acaba se vacinando de graça por meio de campanhas empresariais, ou no segundo semestre, com as doses excedentes do SUS.

Quais são as diferenças entre a vacina da gripe particular e a gratuita?

Todos os anos, os imunizantes contra o influenza têm a sua composição definida pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que divulga ao Brasil e outros países quais cepas circularam mais no inverno do hemisfério norte, que chega antes.

+ Leia também: Gripe H3N2: como evitar, quais os sintomas e a eficácia da vacina

“Sempre há cepas das linhagens H1N1, H3N2 e influenza B. Como o tipo B tem duas sublinhagens predominantes, Victoria e Yamagata, criou-se uma versão com as duas mutações na composição, a opção tetravalente”, explica Mônica.

O sistema público, no entanto, compra as doses do Instituto Butantan com os vírus influenza H1N1, H3N2 Darwin e B Victoria, que é o subtipo mais comum.

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  • Trivalente: Tipo A (H1N1 Victoria e H3N2 Darwin) e tipo B Victoria
  • Tetravalente: Tipo A (H1N1 Victoria e H3N2 Darwin), tipo B (Victoria e Yamagata)

Qual devo escolher?

Neste ano, há a possibilidade de pagar pela tetravalente ou receber a trivalente pelo SUS, que tem um calendário específico para cada idadeFoto: Diana Polekhina/Unsplash/Divulgação

Em termos de saúde pública, a trivalente tem uma eficácia muito boa porque contempla as variantes mais prevalentes”,  avalia Gustavo Cabral, imunologista e pesquisador da Universidade de São Paulo (USP).

No âmbito individual, é possível obter proteção extra investindo na dose com quatro cepas. A opção é interessante principalmente para quem está no grupo de risco ou convive com pessoas que fazem parte dele.

Tomar a vacina tetravalente tem suas vantagens, mas a principal recomendação da SBIm é que todas as pessoas com mais de seis meses de vida recebam a dose contra o influenza, não importa com qual composição.

“Não consideramos a disponibilidade da vacina, mas a importância de ter uma alta taxa de imunização para evitar a transmissão da doença e proteger ainda mais as pessoas vulneráveis”, afirma a médica.

Ela só dá a dica de atenção ao preço, pois alguns locais vendem a trivalente com preço de tetra. Os valores variam entre R$80 e R$150.

Quem tomou a vacina da gripe no fim do ano precisa tomar de novo?

Sim. Primeiro, porque esta fórmula está atualizada com a cepa H3N2 Darwin, que protagonizou a epidemia fora de época. A campanha do final do ano foi realizada com a dose antiga, que continha a cepa H3N2 Hong Kong e oferecia proteção parcial contra a nova mutante.

+ LEIA TAMBÉM: Quem está com gripe pode tomar a vacina na campanha?

Como o intervalo de doses é de apenas um mês, já dá tempo de receber o imunizante reformulado. “Além disso, é importante que as pessoas tirem proveito das campanhas para garantir que a proteção fique em dia”, alerta Monica.

Três campanhas ao mesmo tempo

Além da vacina da gripe, as entidades de saúde incentivam a participação da população em outras duas campanhas: contra o sarampo, para crianças de seis meses a menores de 5 anos, e a da Covid-19. Até agora, menos da metade da população adulta tomou a terceira dose e já tem gente que deve tomar a quarta.

“Maiores de 12 anos podem tomar a vacina de Covid e da gripe ao mesmo tempo”, esclarece a médica. As crianças com mais de cinco anos que tomarem a injeção contra o coronavírus, no entanto, precisam fazer um intervalo de 15 dias para tomar outras doses.

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O que muda para os pacientes com a nova regra do rol da ANS

A mobilização da sociedade em defesa do rol mínimo de procedimentos e eventos em saúde suplementar, editado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), teve como escopo reconhecer o abuso dos convênios médicos ao recusar exames, cirurgias ou medicamentos devido à ausência de sua incorporação na famigerada lista criada pela entidade.

Está evidente que o rol no formato atual é falho, e, por esse motivo, a Lei 14.307/2022 pretende estabelecer os parâmetros dessa atualização com a criação de um processo administrativo célere, sob responsabilidade regulatória da agência.

A comissão com a participação do Conselho Federal de Medicina (CFM) e de representantes de domínios distintos avaliará as evidências científicas e econômicas, além de apurar o custo-benefício em relação às coberturas já previstas na lista atual. O prazo de conclusão será de 180 dias, a contar do protocolo do pedido, prorrogável por 90 dias.  

Há previsão de inclusão automática do medicamento, produto ou procedimento de interesse para a saúde desde que o prazo tenha finalizado sem manifestação conclusiva da ANS. Mesmo que, após o prazo estabelecido, a autarquia tenha entendimento contrário à inserção no rol, o plano de saúde deve garantir a continuidade da assistência ao paciente.

Apesar de a lei ressaltar a importância do poder regulatório da ANS, o que engloba inclusive a realização de transplantes e outros procedimentos de alta complexidade, bem como estabelecer metodologia para atualização da lista, a delimitação não garante a devida transparência ao consumidor.

É um contrassenso admitir tantas restrições técnicas para o custeio e a incorporação de novas tecnologias, sendo que a própria Lei 9.656/98 determina que todas as enfermidades listadas na Classificação Internacional de Doenças (CID) sejam de cobertura obrigatória.

+ LEIA TAMBÉM: Conheça seus direitos na assistência à saúde

Um exemplo claro dessa incongruência envolve medicamentos endovenosos contra o câncer, uma vez que, aplicados em ambiente hospitalar, basta a aprovação da Anvisa e a precificação pela Câmara de Regulação de Mercado de Medicamentos para que a operadora seja obrigada a fornecer ao beneficiário.

Mas, quando usado em ambiente domiciliar, o medicamento necessita de nova submissão para inclusão no rol da ANS de forma prioritária. A inovação da lei foi estabelecer o prazo de dez dias, a contar da prescrição médica, para fornecimento da droga.

Recentemente, a Lei 14.313, de 21 de março de 2022, reforçou a ideia de ampliar o acesso ao autorizar a incorporação de medicamentos considerados off label no SUS. São aqueles remédios de indicação médica distinta daquela originalmente aprovada no registro da Anvisa. Para isso, o uso off label tem de demonstrar eficácia e segurança em estudos e ser recomendado pela Conitec. 

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Em paralelo, o debate se arrasta no Judiciário, em razão da divergência entre a 3ª e a 4ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que precisam uniformizar uma tese. Atualmente, a votação está empatada após pedido de vista coletivo dos ministros.

A 3ª Turma defende o caráter meramente exemplificativo do rol da ANS, questionando a abusiva negativa de cobertura pelo plano de saúde de um tratamento determinado pela equipe médica, pois cabe ao convênio custear as despesas da melhor técnica para combater a doença e assistir o paciente.  

Nesse sentido, a Ministra Nancy Andrighi alertou sobre a exorbitância do poder regulamentar exercido pela agência, bem como lembrou da condição de vulnerabilidade do consumidor, que não detém o conhecimento técnico a respeito. 

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Contudo, o entendimento da 4ª Turma do STJ é de que a lista é taxativa, sendo a preocupação primordial a sustentabilidade do setor, mediante mensuração dos riscos e delimitação dos deveres. O Ministro Luis Felipe Salomão ressaltou que, para garantir o funcionamento adequado, o sistema depende de critérios técnicos sobre a necessidade e a pertinência da intervenção, sendo vedado ao Judiciário substituir a administração no exercício da função regulatória.

É importante mencionar que o sistema de saúde suplementar possui mecanismos de cobrança no caso de desequilíbrio, mas a curva descendente do índice de sinistralidade mostrou o contrário, ou seja, acarretou o crescimento do lucro das operadoras em 2020 e o aumento recente no número de beneficiários.

Diante deste contexto, o rol engessado não representa as necessidades dos beneficiários, o que frustra a expectativa do consumidor, que contrata os serviços sem informações claras sobre as limitações impostas pelo mercado.

As mudanças recentes com fusões e aquisições de empresas transparecem o foco no lucro, com prevalência do interesse meramente econômico dos grandes grupos, em detrimento da saúde do paciente, desvirtuando a própria natureza do contrato da assistência médica.

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domingo, 3 de abril de 2022

Quando foi a última vez que você visitou o cirurgião-dentista?

A saúde começa pela boca. Essa é uma afirmação que sempre ouvimos, mas as consequências de não ter um acompanhamento regular com o cirurgião-dentista precisam ser mais claras.

De acordo com uma pesquisa divulgada em 2020 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com o Ministério da Saúde, menos da metade da população brasileira (49%) vai ao cirurgião-dentista regularmente.

O perigo disso não tem a ver só com os dentes. Algumas infecções originadas na boca podem afetar o coração ou os rins, por exemplo.

Para ter ideia, a endocardite bacteriana é uma complicação grave provocada por bactérias que entram na circulação sanguínea e que prejudicam o funcionamento do coração. Esses micro-organismos podem surgir em infecções bucais.

As doenças nessa parte do corpo são capazes, portanto, de abalar a saúde global do indivíduo. Entre as mais comuns – sobretudo em quem não vai ao cirurgião-dentista – estão cárie, gengivite e periodontite.

A cárie

Trata-se da patologia bucal mais antiga e comum no mundo. Se não tratada, pode evoluir e atingir o canal do dente.

Essa doença é causada pelos restos alimentares – principalmente o açúcar – que, em contato com as bactérias existentes na boca, transformam-se em ácido, afetando o esmalte do dente. Isso culmina em sua descalcificação.

Para os leigos, ela só é reconhecida quando há lesão cavitada, que é aquele “buraquinho” no dente, mas esse estágio anterior, a descalcificação, caracterizada por uma mancha branca com uma característica específica, já é cárie.

Nesse estágio, ela pode ser tratada sem a necessidade de restauração dental. Quando combatemos a cárie sem intervenção (a obturação), devolve-se a saúde sem perda da estrutura do dente.

+ LEIA TAMBÉM: O relógio da cárie: o momento em que as bactérias atacam os dentes

O açúcar branco é o que tem maior potencial cariogênico, porém, é preciso levar em conta que vários alimentos possuem “açúcar escondido”, como é o caso dos salgadinhos.

O risco de desenvolver cárie é individual, depende dos hábitos de higiene, dos costumes alimentares e da experiência anterior do indivíduo com o problema.

Por isso, as consultas de retornos devem ser determinadas pelo cirurgião-dentista de acordo com esse risco, podendo variar de três a seis meses.

A gengivite e a periodontite

Enquanto a cárie afeta os tecidos duros do dente, a gengivite e a periodontite são doenças relacionadas à gengiva e aos tecidos que dão suporte aos dentes (osso e ligamento periodontal).

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Tanto a cárie quanto a gengivite e a periodontite dependem da presença da placa bacteriana, também chamada de biofilme, que se adere à superfície dos dentes.

A gengiva saudável tem um contorno regular, é rosada e, em alguns lugares, possui uma característica pontilhada, parecida com a casca da laranja. Ela não deve sangrar – nem na escovação nem quando se passa o fio dental.

Quando a gengiva está inflamada (gengivite), ela perde essa característica de casca de laranja: fica lisa, brilhante, avermelhada ou arroxeada, sem contorno e inchada. São indícios de que há uma lesão ali.

Já a periodontite é a inflamação que atinge o ligamento periodontal e o osso que dá suporte aos dentes, provocando mobilidade e até a perda deles.

O câncer bucal

Outro perigo de ignorar as consultas regulares com o cirurgião-dentista é não flagrar o câncer bucal. Se diagnosticado precocemente, o tratamento funciona melhor e há maior chance de cura. Porém, caso detectado mais tarde, pode ser letal.

Esse câncer envolve estruturas muito delicadas da face e, dependendo do estágio, a intervenção cirúrgica pode envolver a remoção de língua, mandíbula e maxila. São tratamentos muito invasivos e que deixam o paciente mutilado.

Esse tipo de câncer é identificado pelo cirurgião-dentista e tratado pelo oncologista.

Fatores como uso de tabaco e álcool contribuem com o aparecimento da doença – falamos do quinto tumor maligno mais comum entre homens. E, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), a estimativa de novos casos é de 15 mil por ano para o triênio de 2020/2022.

No geral, 70% dos casos acometem indivíduos com idade superior a 50 anos, mas aproximadamente ¼ dos diagnósticos pode ocorrer em pessoas mais jovens.

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A verdade é que, infelizmente, grande parte da população ainda procura o profissional da odontologia por conta de questões estéticas, e não devido à saúde.

É necessário modificar essa linha de raciocínio. A população precisa entender que a consulta é imprescindível para avaliar sua saúde bucal – e quem pode dizer qual o melhor intervalo para esses atendimentos é o cirurgião-dentista.

Essa é uma atitude básica para se manter livre das mais variadas doenças.

*Sofia Takeda Uemura é mestre em Odontologia pelo Centro de Pesquisas Odontológicas São Leopoldo Mandic, doutora em Ensino de Ciências pela Universidade Cruzeiro do Sul e especialista em Odontopediatria, Odontologia para pacientes com necessidades especiais e em Odontologia hospitalar.

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sábado, 2 de abril de 2022

A contribuição da investigação genética no diagnóstico do autismo

Desconstruir a visão estereotipada sobre o transtorno do espectro autista (TEA) é um desafio que cabe a todos nós. Nesse contexto, é celebrado todo o dia 2 de abril o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, período de conscientização que se estende para o Abril Azul.

O TEA é um transtorno do neurodesenvolvimento com prejuízos precoces no âmbito social, comportamental e na comunicação, possuindo grande variabilidade clínica.

Isso quer dizer que suas características podem ser completamente diferentes, inclusive entre dois irmãos que sejam autistas. Como afirmou certa vez a Dra. Brenda Smith-Myles, uma das maiores estudiosas do tema no mundo: “se você viu uma criança com autismo, de fato você só viu uma criança com autismo”.

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Devido a essa variabilidade, o Manual Diagnóstico e Estatístico da Associação Americana de Psiquiatria (DSM-5) deixou de utilizar apenas o termo “autismo” e passou a se referir ao quadro como “espectro”, o que permite vislumbrar as diferentes características clínicas presentes em cada paciente.

Existem autistas que não falam, outros com ecolalia – ato de repetir mecanicamente as palavras ou as frases que ouve – e ainda os completamente verbais, mas com dificuldades de distinguir certas nuances da comunicação, como ironias ou figuras de linguagem. Mesmo assim, todos estão dentro do espectro.

+ Leia também: Atraso no desenvolvimento da fala: quando se preocupar

Estudos apontam para um aumento na prevalência do TEA nas últimas décadas. E, devido à heterogeneidade de manifestações e de causas dessa condição, ela representa um grande desafio para os profissionais da saúde.

Apesar de o diagnóstico ser clínico, baseado nos sintomas do portador, a investigação sobre as origens do TEA por meio de testes genéticos tem muito a contribuir com esta causa.

O papel dos testes genéticos no TEA

Além das questões relativas ao tratamento, o diagnóstico etiológico, que é a identificação das causas do transtorno, representa um grande desafio para os profissionais de saúde.

Em linhas gerais, o TEA é considerado um transtorno multifatorial, ou seja, não há uma causa específica. Ao longo do tempo, no entanto, especialistas observaram que a incidência de características autistas é maior em indivíduos com certas condições genéticas.

A primeira associação neste sentido foi feita com a síndrome do X-Frágil, uma condição ligada ao cromossomo X. Além de ser a principal causa de deficiência intelectual gênica em meninos, ela também é encontrada como comorbidade em até 5% dos portadores do transtorno.

A partir daí, surgiram mais estudos correlacionando outras síndromes genéticas com o TEA. Essa identificação é fundamental, pois altera de forma importante o aconselhamento genético e acompanhamento clínico.

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Com o avanço do conhecimento sobre o genoma humano, a busca por alterações que expliquem o TEA teve um crescimento expressivo. Há mais de 9.200 artigos indexados na base de dados PubMed sobre autismo e genética.

TEA Complexo x TEA Essencial

Dada a variabilidade das manifestações clínicas, em 2005, a especialista Judith Miles propôs dividir o quadro em dois subgrupos: o transtorno do espectro autista complexo (ou sindrômico) e o transtorno do espectro autista essencial.

Essa classificação foi baseada nas diferenças observadas por ela entre o histórico familiar, comorbidades e características fenotípicas (observáveis) dos pacientes.

Os pacientes com TEA essencial têm menos dismorfismos (características físicas que chamem a atenção), deficiência intelectual ou comorbidades associadas, como epilepsia ou transtorno de déficit de atenção e hiperatividade.

O grupo do TEA complexo, por outro lado, carrega chances maiores de síndromes genéticas, dismorfismos e comorbidades.

+ LEIA TAMBÉM: Novo exame diagnostica autismo em bebês com 3 meses de vida

Além disso, há outras duas diferenças entre esses grupos importantes de serem ressaltadas. A primeira é que aqueles com TEA essencial apresentam maior histórico familiar de doenças psiquiátricas, enquanto os com TEA complexo, apesar de terem uma chance maior de possuírem uma síndrome genética, na maioria das vezes são a primeira pessoa da família a apresentar tal alteração.

A segunda diferença é que, no TEA essencial, existe a já conhecida maior incidência no sexo masculino, com a prevalência de uma menina diagnosticada para cada quatro meninos. Já no TEA complexo essa relação entre os sexos se aproxima de um para um.

Os testes genéticos usados hoje

Atualmente, já é possível contar com testes genéticos para auxiliar no diagnóstico de possíveis causas para o TEA. Entre eles, está o Microarray, indicado para todos os pacientes com o diagnóstico, já que cerca de 20% dos autistas apresentam alguma alteração no DNA detectável por este exame.

Também é recomendada a investigação da síndrome do X-Frágil, através de PCR ou Southern-Blot [técnicas de análise genômica], e o sequenciamento de genes selecionados por meio dos painéis NGS ou Exoma. Mais de 250 genes já estão associados ao TEA Complexo.

Cabe dizer que esse protocolo de investigação é baseado nas evidências científicas mais atuais. As novas tecnologias e pesquisas em desenvolvimento podem proporcionar a inclusão de ainda mais exames.

O rápido avanço na genômica tem contribuído para a personalização da medicina em diversas áreas, e veio somar também no cuidado e no diagnóstico mais assertivo do TEA e de suas origens.

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sexta-feira, 1 de abril de 2022

A criança e o direito ao saneamento básico

A primeira infância é o período da vida que vai do nascimento até os 6 anos de idade e é reconhecida como a grande janela de oportunidade de investimentos para o desenvolvimento integral de uma pessoa.

Nesse contexto estão compreendidas as áreas da saúde, da nutrição, da educação, dos cuidados parentais, da segurança e da proteção. E ainda inclui o ambiente em que a criança vive, por que ele interfere diretamente em seu bem-estar.

Mas a verdade é que o local de moradia não deveria ser um fator determinante para assegurar todo o potencial de desenvolvimento de meninos e meninas.

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Por isso, é importante que sejam realizados todos os investimentos necessários para garantir igualdade de oportunidades a todas as crianças – de todas as raças, etnias e grupos sociais.

Nesse sentido, é preciso focar no planejamento da infraestrutura e dos serviços das cidades.

A falta de acesso ao saneamento básico, por exemplo, tem impacto direto na saúde pública, com prejuízos especialmente para as crianças pequenas – elas ficam expostas a doenças como diarreias, gastroenterites, desidratação e outros quadros capazes de afetar seu desenvolvimento físico, cognitivo e emocional.

Segundo estudo do Unicef, de 2015, um milhão e meio de crianças morrem de diarreia a cada ano no mundo, sendo que 90% desses óbitos estão ligados ao consumo de água contaminada, à falta de saneamento e aos hábitos de higiene.

Ainda segundo a Unicef, a diarreia é, inclusive, a segunda maior causa de mortes no mundo em menores de 5 anos de idade. A doença que mais tem matado crianças em todo o planeta é a pneumonia – foram cerca de 800 mil óbitos em 2019.

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No Brasil, a falta de saneamento básico sobrecarregou o sistema de saúde com mais de 273 mil internações por doenças de veiculação hídrica em 2019, de acordo com dados do Instituto Trata Brasil.

+ LEIA TAMBÉM: Água contaminada de enchentes causa doenças sérias, mas há alternativas

Nesse mesmo ano, a falta de acesso à água tratada e ao esgotamento sanitário levaram a mais de 2 700 mortes. Foram 81 mil internações de crianças de zero a 4 anos devido a essas doenças, que levaram a 124 mortes nessa faixa etária – sendo 54 delas na região Nordeste, 41 na região Norte, 14 na região Sudeste, 12 no Centro-Oeste e três na região Sul.

Além dessas doenças reconhecidas como de veiculação hídrica, já existem evidências de que a falta de saneamento básico impacta no desenvolvimento do cérebro da criança na primeira infância, comprometendo suas habilidades cognitivas.

Uma pesquisa coordenada pela Universidade Harvard, nos Estados Unidos, com o apoio da Fundação Bill e Melinda Gates, chegou a avaliar o impacto da má-nutrição crônica e da falta de saneamento no cérebro de crianças de Bangladesh, na Índia.

Resultados preliminares apontam que doenças inflamatórias, como as intestinais, são as que têm maior impacto na atividade cerebral. A revista Nature afirmou, em artigo dedicado à pesquisa, que se a informação for confirmada, fica reforçada a importância do saneamento para o desenvolvimento da criança na primeira infância.

Se a falta do saneamento básico é um problema, a priorização do fornecimento desse serviço deve ser a solução. Ele tem que ser considerado um importante investimento para a saúde das crianças pequenas e suas famílias, uma vez que reduz internações hospitalares e índices de mortalidade.

*Heloisa Oliveira é diretora-presidente do Instituto Opy de Saúde, e Renata Ruggiero Moraes é presidente do Conselho de Administração do Instituto Opy de Saúde e Diretora-Presidente do Instituto Iguá de Sustentabilidade

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Dia da Mentira: conheça 11 mitos sobre alimentação e emagrecimento

Primeiro de abril é considerado o Dia da Mentira. A antiga moda de pregar peças nos outros está caindo em desuso, mas outras mentiras, que de inofensivas não têm nada, seguem circulando com força por aí.

A saúde é uma das áreas que mais sofre com fake news, com destaque para a alimentação e a perda de peso. Para te ajudar a separar o joio do trigo, a equipe de VEJA SAÚDE separou alguns conteúdos do site que esclarecem mitos sobre o assunto.

De quebra, aproveite para ver nosso guia para fugir da desinformação. As notícias falsas colocam a saúde em risco e podem até matar.

1. Comer (ou deixar de comer) determinados alimentos cura o câncer

A preferência por alimentos integrais e in natura em detrimento dos ultraprocessados e refinados de fato pode diminuir o risco de alguns tipos de câncer. Mas não existe solução mágica no prato. A regra de ouro é garantir variedade, com espaço para todos os nutrientes. Isso vale para quem está em tratamento, para aqueles que já o concluíram e até para reduzir a probabilidade de o tumor aparecer.

Leia mais sobre o assunto aqui.

2. Carboidratos fazem mal à saúde

Eles ganharam fama de vilões, mas são um nutriente fundamental para o organismo. O que faz mal é o exagero, em especial dos grãos refinados, como os da farinha de trigo branca, e do açúcar. Mas atenção: cortar os carboidratos de vez da dieta também pode trazer problemas. É o que explicamos nesta reportagem.

3. Alimentos sem glúten são mais saudáveis e/ou leves

É muito comum ver nas prateleiras e nas rodas de conversa alegações de benefícios sobre produtos sem glúten. Mas eles só devem ser utilizados por pessoas com doença celíaca, sensibilidade ou intolerância ao glúten, devidamente diagnosticadas por um médico. A exclusão desnecessária do nutriente da dieta pode trazer problemas de saúde e até atrasar o diagnóstico de doenças.

Ah, e não é a retirada do glúten que emagrece, mas sim o fato de comer menos pães e massas, suas principais fontes. Saiba mais.

4. Alimentos podem “desintoxicar” o organismo

Obviamente, uma alimentação equilibrada e saudável faz o organismo funcionar melhor e, portanto, ser mais eficaz ao eliminar toxinas. O problema é a promessa por trás da dieta detox. Nas palavras do nosso colunista, o gastroenterologista Dan Waitzberg, da Universidade de São Paulo (USP):

“A perda de peso resultante da restrição calórica por detox aumenta os níveis dos hormônios do estresse em mulheres, favorecendo o rápido reganho de peso, como demonstram pesquisas.

Isso ajuda a explicar por que muitas pessoas viram reféns da dieta detox, vivendo num ciclo de perda e ganho de peso capaz de afetar a saúde. Até porque a restrição energética e nutricional típica dessas intervenções pode resultar em deficiências de proteínas, carboidratos, gorduras, vitaminas e minerais.

Quando essa estratégia se soma ao uso de medicamentos como laxantes, visando à eliminação das toxinas e ao emagrecimento, não raro causa desidratação, desequilíbrio eletrolítico e problemas intestinais, gerando graves consequências.

Podemos concluir, então, que, para um efetivo processo de desintoxicação, não precisamos nos ater a uma dieta específica, mas, sim, a um estilo de vida saudável, que inclua regularmente o consumo de todos os alimentos antes citados. Não há uma dieta de curta duração que limpe o organismo de vez.”

Leia o texto completo.

5. Dietas restritivas emagrecem mais

É um dos mitos mais persistentes (e danosos) do universo do emagrecimento. Apostar em dietas restritivas até promove uma perda de peso rápida, mas há vários efeitos colaterais, como o efeito sanfona, a dificuldade de manutenção em longo prazo, problemas psicológicos e desequilíbrios no organismo.

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Saiba mais sobre o assunto clicando aqui.

6. Tudo que é diet/light é melhor para quem precisa perder peso

Nem sempre. O light indica teor reduzido de gordura, enquanto diet é o produto que não leva açúcar. Só que, para compensar a ausência de um ingrediente importante, os fabricantes podem acabar acrescentando outros para garantir o sabor daquele item.

Por exemplo: sem açúcar, mas com mais gordura. O mesmo alerta vale para produtos com rótulo “zero” alguma coisa.

Além disso, estudos apontam que eles não necessariamente são capazes de evitar o ganho de peso.

7. Se eu me exercitar, não preciso cuidar da alimentação (e vice-versa)

Existe um consenso entre os especialistas de que é mais fácil alcançar o déficit calórico necessário ao emagrecimento cortando calorias da dieta. Mas os exercícios são quase igualmente importantes. Com a dieta, ocorre a quebra da gordura localizada no tecido adiposo. Mas não basta só tirá-la dali. Temos que gastá-la para que efetivamente saia do corpo. É aí que entra a atividade física.

Além disso, o exercício também preserva a massa magra. E, em longo prazo, indivíduos que combinam as duas estratégias se saem melhor na manutenção do peso e da saúde como um todo.

Leia mais no nosso dossiê sobre o tema.

8. Chás e ervas ajudam a emagrecer mais rápido

O caso da enfermeira Mara Abreu, de 42 anos, que faleceu depois de consumir um composto de ervas proibido pela Anvisa, e da cantora Paulinha Abelha, da banda Calcinha Preta, levantam um alerta antigo. Não dá para apostar em soluções mágicas ou mais “naturais” para perder peso rápido.

Além das ervas vendidas de forma clandestina, é preciso atenção com o consumo de qualquer proposta “alternativa” para um problema complicado como a obesidade. Clique para ler mais.

9. Emagrecer é só questão de força de vontade

Uma das principais barreiras no tratamento adequado da obesidade é o estigma que acompanha a doença. É comum a pessoa acima do peso ser maltratada nos consultórios médicos e ouvir que “basta fechar a boca” para emagrecer.

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Esse preconceito não só está longe de ser verdade como ainda atrapalha o tratamento. Uma pesquisa com profissionais de saúde revelou que os estigmas estão muito presentes nos consultórios, impedindo conversas sérias e o engajamento do paciente.

10. Devo tomar suplementos para ser mais saudável

Em alguns casos, a suplementação de vitaminas e minerais realmente é necessária. A situação mais certeira é quando há alguma deficiência comprovada ou indicação feita pelo médico. Gestantes também precisam reforçar a ingesta de algumas substâncias.

O problema é sair ingerindo cápsulas para melhorar a imunidade, evitar a queda do cabelo, tratar ou prevenir Covid-19 e até mesmo para compensar a falta de vegetais no cardápio.

11. Musculação não emagrece

Os exercícios de força também promovem o emagrecimento e são muito importantes para regular o metabolismo e a saúde como um todo. O que acontece é que a gordura é substituída por músculo, por isso o efeito não é tão perceptível na balança.

Isso leva a uma percepção errônea sobre o papel do fortalecimento na perda de peso, alertam pesquisadores. Clique para ler uma matéria sobre um estudo que avaliou a questão.

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Cólica, sangramento e dificuldade para engravidar? Pode ser adenomiose

Você que é mulher pode até imaginar: de fato, existem diferentes problemas capazes de afetar o útero, muitos deles com sintomas parecidos. E estamos em um momento propício para fazer um alerta importante sobre uma condição frequentemente confundida com outras, adenomiose.

Neste mês de conscientização, o Abril Roxo, temos a oportunidade de falar sobre o controle dessa doença, que, segundo estimativas, atinge mais de 150 mil brasileiras por ano.

A adenomiose ocorre quando a camada do endométrio, o tecido que reveste o útero, cresce de forma anormal na musculatura uterina. Pense no abdômen como se fosse uma casa e no útero como o quarto. Quanto a tinta da parede descama, é o endométrio cumprindo seu papel natural associado ao ciclo menstrual. Porém, quando essa tinta impregna os tijolos, temos a adenomiose.

Seus sintomas são facilmente confundidos com outra condição que acomete a região, a endometriose. Nesse caso, é preciso consultar o ginecologista quanto antes. O sangramento uterino com fluxo aumentado e a presença de sangue fora do período menstrual são sinais de adenomiose. Da mesma forma, cólicas mais fortes e dificuldade de engravidar e manter a gestação são reflexos do quadro.

Mas o que pode causar adenomiose? Os principais fatores de risco são traumas uterinos (ocasionados por procedimentos como cesárea e curetagem), menstruação antes dos 10 anos de idade e histórico de mais de duas gestações.

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Embora seja mais comum mulheres apresentarem os sintomas a partir dos 40 anos, também encontramos aquelas que desenvolvem o problema a partir dos 20 anos.

Feito o diagnóstico correto, a primeira pergunta que ouço no consultório é: “terei que passar por uma cirurgia?” Como falamos de uma doença progressiva, é essencial tratá-la o mais rápido possível. É por isso que nós, ginecologistas, reforçamos a necessidade do vínculo com as pacientes e orientamos consultas anuais.

O tratamento é feito em dois pilares: o uso de remédios e o procedimento cirúrgico. Inicialmente, os medicamentos controlam os sintomas, como dor e sangramento. O bloqueio da menstruação com hormônios, por sua vez, melhora a qualidade de vida e pode estabilizar a evolução da adenomiose.

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Tudo depende muito da resposta ao tratamento, mas, se a paciente deseja engravidar, geralmente é preciso fazer um procedimento cirúrgico. Nesse caso, a fertilização in vitro também pode ser uma opção.

Pensando nas pacientes que terão de operar, em geral recorremos à cirurgia minimamente invasiva e, hoje, a cirurgia robótica tem sido uma grande aliada na ressecção da adenomiose, já que a técnica é muito mais precisa e bem-sucedida para preservar a fertilidade.

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Outro procedimento possível é a radiofrequência: por meio da emissão de calor no local, ela destrói os tecidos que estão doentes. Claro, tudo depende de cada caso e do histórico da paciente. É conversando com o especialista que se chega à melhor proposta terapêutica, que também deixará a mulher mais segura.

Vamos pensar juntos: não dá para deixar a dor e outros sintomas atrapalharem a qualidade de vida quando temos tratamento para a adenomiose e outras condições uterinas. Que este mês sirva para sensibilizar as mulheres que estão sofrendo a procurar ajuda médica sem demora.

* Thiers Soares é ginecologista, cirurgião especialista em endometriose, adenomiose e miomas e presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Minimamente Invasiva e Robótica – Capítulo Rio de Janeiro

 

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Cólica, sangramento e dificuldade para engravidar? Pode ser adenomiose Publicado primeiro em https://saude.abril.com.br