Eu sou Pedro, tenho 27 anos. Trabalho no banco Bradesco como programador web há 3 anos. Inicie como estagiário e fui efetivado após 1 ano de empresa. Sou bastante determinado, organizado e flexível. Pratico natação e tenis duas vezes por semana. Adoro viajar com a namorada para lugares que tenha praia. Tenho bastante interesse por aviação e não dispenso um bom prato de lasanha.
Na madrugada de 26 de abril de 1986, o reator 4 da usina nuclear deChernobylexplodiu, o que é lembrado até hoje comoo maior acidente nuclearda história. A região permaneceinabitada, com níveis de radiação ainda anormais, mesmo passados mais de 35 anos do desastre.
A exposição a altas doses de radiação teveconsequências severasnão só para as pessoas da região – muitas morreram ou desenvolveram problemas graves de saúde para o resto da vida – mas também para o meio ambiente. Entre fauna e flora contaminada e devastada pelaradiação, alguns cientistas se dedicam a pesquisar como esses organismos se adaptaram para continuar vivendo na zona.
Pesquisadores identificaram na região, em 2016, a presença derãsHyla orientalisum pouco diferentes. Em vez do verde brilhante costumeiro para a espécie, aquelasrãstinham uma cor preta incomum. Agora, a dupla de cientistas publicou umestudo, em que descreve como a pigmentação dessas pererecas reflete a ação daseleção natural.
Depois de encontrar os primeiros animais, eles decidiram se aprofundar no papel damelaninana vida selvagem de Chernobyl. Entre 2017 e 2019, examinaram em detalhes as cores de mais de 200 rãs machos, capturadas em 12 diferentes áreas do norte da Ucrânia. Esses pontos estavam distribuídos ao longo de um amplo gradiente de contaminação, incluindo, claro, algumas das áreas mais radioativas do planeta – mas os pesquisadores também usaram quatro locais de fora da Zona de Exclusão deChernobylcomo grupo de controle.
Melanina é a substância responsável pela cor escura de muitos organismos – inclusive as variações detons de peleem humanos. Outra função importantíssima dela é reduzir os efeitos negativos daradiação ultravioleta.Estudos anterioresmostraram que, além dos raios UV, a melanina também pode atenuar os efeitos da radiação ionizante – o tipo de radiação que tem energia suficiente para tirar um elétron de um átomo ou molécula, e causar mutações genéticas.
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Amelaninaabsorve e dissipa parte da energia dessa radiação, e pode eliminar e neutralizar moléculas ionizadas que já estejam dentro das células graças às suas propriedades antioxidantes. Esses mecanismos tornam menos provável que indivíduos expostos à radiação sofram danos celulares, o que aumenta suas chances de sobrevivência.
A análise dos pesquisadores revelou que os sapos de Chernobyl tinham umacoloraçãomuito mais próxima do preto do que aqueles capturados fora da área. No geral, as que viviam dentro da Zona de Exclusão eram percebidas compeles43,6% mais escuras, em média, do que as rãs estrangeiras.
As rãs das áreas mais próximas à usina eram consideravelmente mais escuras do que as do grupo controle.Germán Orizaola/Pablo Burraco/Creative Commons
Esta coloração não está relacionada com os níveis de radiação que as rãs experimentam atualmente. Os cientistas apontam que acorescura é proveniente de rãs que estavam dentro ou perto das áreas mais contaminadas na ocasião do acidente.
“Os resultados do nosso estudo sugerem que as rãs de Chernobyl podem ter sofrido uma rápidaevoluçãoem resposta à radiação. Nesse cenário, aquelas rãs com coloração mais escura no momento do acidente, que normalmente representam uma minoria em suas populações, teriam sido favorecidas pelaação protetorada melanina,” escrevem para o site de divulgação científicaThe Conversation.
É exatamente assim que funciona aseleção natural: mais aptos a sobreviver à radiação, os sapos mais escuros se reproduziram com mais sucesso e passaram seus genes para frente. Mais de dez gerações se passaram desde o acidente e esse rápidoprocesso evolutivopode explicar o motivo dos sapos escuros, antes uma minoria, serem agora o tipo dominante na Zona de Exclusão de Chernobyl.
O Hubble está perdendo altitude, e o fim de suas atividades se aproxima – a menos que alguém dê um empurrãozinho no telescópio espacial da Nasa. E esse é o plano da SpaceX, empresa do bilionário americano Elon Musk. Ele fechou um acordo com a agência espacial para estudar a possibilidade de corrigir a órbita do Hubble e prolongar sua vida útil.
A SpaceX já transporta astronautas e cargas para a Estação Espacial Internacional (ISS), a serviço da Nasa, com sua cápsula Dragon. Agora, deve coletar dados para determinar se conseguiria encontrar, ancorar e mover o telescópio. O estudo será financiado pela empresa. A Nasa divulgou a parceria na última quinta (29).
O lançamento do Telescópio Espacial Hubble aconteceu em 1990, quando a Nasa o posicionou a 600 quilômetros de altitude. Desde então, a agência espacial realizou cinco missões de reparo durante o Programa Space Shuttle, que aconteceu de 1981 a 2011.
A última missão de reparo, em 1993, deixou o Hubble a 560 quilômetros de altitude. Nos últimos 13 anos, ele caiu até os 540 quilômetros. O telescópio não está em perigo imediato. Mas, nesse ritmo, é provável que ele caia o suficiente até o fim da década para que a Nasa tenha que planejar sua reentrada na atmosfera.
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A SpaceX poderia enviar uma espaçonave na direção do Hubble e agarrar o telescópio de 12 toneladas usando um “anel de captura” que a última missão do Space Shuttle deixou anexado a ele. Mas não existe uma data para a missão acontecer – ou sequer a garantia de que ela de fato vai acontecer.
Seria uma tarefa com um nível de complexidade mais alto do que as atuais missões da SpaceX para a ISS. Por enquanto, está tudo em aberto. “Queremos fazer o estudo para ver o que é realmente viável”,disseThomas Zurbuchen, diretor de ciência da Nasa.
Além de Elon Musk, outro bilionário e empresário americano envolvido no estudo é Jared Isaacman, que comandou a missão Inspiration 4, lançada em setembro de 2021 pela SpaceX. Ele tem um programa chamado Polaris, que visa a impulsionar tecnologias espaciais comerciais.
O Hubble já fez mais de 1,5 milhão de observações desde seu lançamento, e gerou dados para mais de 19 mil artigos científicos. A Nasa lançou o sucessor do Hubble, o Telescópio Espacial James Webb, em dezembro de 2021, mas a esperança é de que os dois telescópios ainda possam trabalhar juntos pelos próximos anos.
Setembro é o mês de conscientização sobre a doação de órgãos e tecidos, e o Brasil é considerado um dos países que mais realizam transplantes. Infelizmente, com a pandemia, o número de procedimentos diminuiu por aqui e no resto do mundo.
A recusa familiar na hora da doação ainda é um grande fator limitante para o avanço do número dos transplantes e, segundo estimativas do Ministério da Saúde, em torno de 38% das famílias ainda são contrárias a ela. Quando a doação envolve crianças, então, a situação fica mais complicada.
Para esclarecer um pouco mais sobre esse tema, que precisa ser discutido por toda a sociedade, convidei para um bate-papo a Dra. Luiza do Nascimento Ghizoni Pereira, especialista em transplante renal do Sabará Hospital Infantil.
Felipe Monti Lora: Qual é a maior dúvida dos familiares na hora de autorizar a doação de órgãos ? Luiza Pereira: Os motivos são diversos, mas o principal ainda envolve a confirmação da morte encefálica do paciente, conhecida popularmente por morte cerebral. Muitas pessoas ainda esperam por um milagre, principalmente quando falamos sobre crianças. Mas, quando se chega a esse diagnóstico e a família é abordada, vários testes já foram realizados e a irreversibilidade do quadro está confirmada, caracterizando a morte do paciente. Então, diante da fatalidade irreversível, a doação de órgão poderá ser a forma de ressignificar aquela dor e salvar outras vidas.
Mas também tem os órgãos que podem ser doados em vida. Quais seriam eles, Dra. Luiza? Alguns órgãos e tecidos realmente podem ser doados em vida, tais como rim, parte do fígado e medula óssea. No caso dos doadores com morte encefálica, isso passa a abranger, além de rins e fígado, órgãos como coração, pulmão e pâncreas, e tecidos como córnea, pele, ossos, cartilagem, válvulas cardíacas etc. Inclusive, uma única pessoa pode ajudar vários pacientes.
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Para as crianças na fila de espera para o transplante de rim, como é realizada a distribuição dos órgãos doados ? Há uma série de políticas que priorizam as crianças na fila, e a principal delas é que rins de doador pediátrico, aqueles menores que 18 anos, vão sempre para a lista de receptores menores de 18 anos. Isso faz com que as crianças fiquem menos tempo na fila e também recebam órgãos com maior qualidade e compatibilidade de tamanho. Quanto ao transplante, existem muitos outros critérios que precisam ser observados, já que a criança, como dizemos aqui no hospital, não é um adulto pequeno.
Qual é a maior fila de transplante pediátrico hoje?
O transplante renal é o mais realizado no Brasil, e também o responsável por 35% das crianças que estão na fila aguardando por um órgão. A principal causa de doença renal crônica na infância são as malformações renais, e no Brasil vivemos a triste realidade do atraso no diagnóstico.
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×O conteúdo apresentado no resultado da pesquisa realizada (i) não representa ou se equipara a uma orientação/prescrição por um profissional da saúde e (ii) não substitui uma orientação e prescrição médica, tampouco serve como prescrição de tratamento a exemplo do que consta no site da Farmaindex:“TODAS AS INFORMAÇÕES CONTIDAS NESTE SITE TÊM A INTENÇÃO DE INFORMAR E EDUCAR, NÃO PRETENDENDO, DE FORMA ALGUMA, SUBSTITUIR AS ORIENTAÇÕES DE UM PROFISSIONAL MÉDICO OU SERVIR COMO RECOMENDAÇÃO PARA QUALQUER TIPO DE TRATAMENTO. DECISÕES RELACIONADAS AO TRATAMENTO DE PACIENTES DEVEM SER TOMADAS POR PROFISSIONAIS AUTORIZADOS, CONSIDERANDO AS CARACTERÍSTICAS PARTICULARES DE CADA PESSOA”• O conteúdo disponibilizado é meramente informativo, tendo sido obtido em banco de dados fornecido exclusivamente pela Farmaindex, sendo de única responsabilidade daquela empresa;• Isenção de qualquer garantia de resultado a respeito do conteúdo pesquisado;• Informativo de que caberá ao usuário utilizar seu próprio discernimento para a utilização responsável da informação obtida.
E qualquer pessoa pode realizar essa doação, Dra. Luiza?
Doar um órgão em vida é algo muito sério, exige muita responsabilidade por parte da equipe que determina a factibilidade da doação. É importante que, além da compatibilidade, o doador tenha excelentes condições de saúde, seja adulto e juridicamente capaz. Se o doador for um parente de até quarto grau não há necessidade de autorização judicial. Para doar órgãos após morte encefálica, além da autorização familiar obrigatória, o doador não poderá ter nenhuma contraindicação, como infecção grave ou contagiosa ou câncer, por exemplo.
Qual é a principal particularidade do transplante pediátrico?
As crianças são seres em evolução, crescimento e desenvolvimento. Além de uma cirurgia delicada, tem aspectos imunológicos específicos, questões nutricionais envolvidas, risco de infecções, além de uma longa trajetória a percorrer junto com o órgão recebido. Portanto, elas devem ser acompanhadas por uma equipe multidisciplinar altamente especializada e receber atendimento humanizado e planejado para que possam compreender o processo pelo qual estão passando, além do acolhimento e o apoio dos seus pais e família, com o objetivo de minimizar as dificuldades, manter a clareza, a tranquilidade e a segurança necessária no percurso.
Em tempos de polarização ideológica e discurso de ódio nas redes sociais, convém pedir emprestada a sabedoria dos clássicos e ler dois ensaios que viraram referência sobre o que é ser tolerante.
No livro que reúne essas peças, Sobre a Tolerância (Penguin Companhia), temos a oportunidade de acompanhar as reflexões do filósofo inglês John Locke e do francês Voltaire, ambos escrevendo com o pano de fundo da intolerância religiosa.
Descontando certas preferências espirituais e políticas dos autores, seus insights não se restringem à liberdade de crença nem caducaram.
Pelo contrário, nos instigam a usar a razão para respeitar os outros, ainda que não compartilhemos do seu ponto de vista. Uma questão inclusive de saúde mental!
Novo tratamento reverte a deficiência de AADC, uma condição em que o corpo não consegue produzir dopamina; vírus carrega um gene humano e é injetado diretamente no cérebro; aplicação deverá custar milhões de dólares
A deficiência de AADC (descarboxilase de L-aminoácidos aromáticos) é uma doença genética rara, na qual o corpo não fabrica corretamente essa enzima – e, por causa disso, o cérebro não consegue produzir o neurotransmissor dopamina. As consequências são devastadoras: a criança não consegue andar, falar ou mesmo mexer a cabeça, tem dificuldades respiratórias. Na forma mais severa da doença, ela geralmente morre antes de completar 7 anos.
A doença, que afeta 1 em cada 32 mil bebês, é causada por mutações no gene DDC, que é o responsável pela produção da enzima. Não há cura. O tratamento consiste em tentar substituir parcialmente a dopamina (isso é feito usando os mesmos remédios usados contra o Parkinson, que também é causado pela falta de dopamina).
Mas um tratamento radical promete reverter a doença. Ele usa uma versão modificada do vírus adeno-associado 2 (AAV2), que foi acoplado a uma cópia “boa” do gene humano DDC. O vírus é introduzido diretamente noputâmen, uma região cerebral relacionada ao controle dos movimentos – o que requer a abertura de incisões no crânio.
Procedimento para injeção do vírus geneticamente modificado no putâmen, região cerebral relacionada ao controle dos movimentos.European Medicines Agency/Reprodução
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Usando uma cânula, o cirurgião faz quatro infusões, de 0,08 mL cada uma, da solução contendo o vírus. Ele infecta as células do putâmen, e transfere a elas o gene humano corrigido.
Com isso, o cérebro se torna capaz de produzir a enzima AADC – e passa a fabricar dopamina, reduzindo ou eliminando os sintomas da doença. Segundo cientistas do National Taiwan University Hospital, que testaram o vírus em 30 crianças,elas se tornaram capazes de andar, falar e brincar normalmente.
O efeito colateral mais frequente foi discinesia (movimentos involuntários), que afetou 85% dos pacientes. Em 90% dos casos, ela foi leve ou moderada e cessou após dois meses.
O vírus modificado foi desenvolvido pela empresa americana PTC Therapeutics, que pretende comercializá-lo com o nome de Upstaza. Ele não é capaz de se replicar, não se reproduz no organismo (e não é contagioso). Mas seu efeito pode ser perene. Em um dos testes clínicos, que acompanhou oito crianças ao longo de cinco anos,todas se mantiveram livres da doença.
O produto foi aprovado pelas autoridades regulatórias da Europa em julho. Seu preço ainda não foi divulgado, mas deve ficar na casa dos milhões – no mesmo patamar de outros medicamentos genéticos ultra caros, como o Zolgensma (do laboratório Novartis), que cura a atrofia muscular espinhale custa US$ 2,1 milhões, e o Zynteglo, da empresa americana Bluebird Bio, que trata a talassemia beta (falta de hemoglobina no sangue) e custa US$ 2,8 milhões. O fabricante do Upstaza pretende submetê-lo à FDA americana nos próximos meses.
Cerca de 3,9 milhões de pessoas no mundo que perderam suas vidas por causa do diabetes tipo 1 poderiam estar vivas. Isso se houvesse mais informação e acesso a tratamentos e insumos. Esse é um dos prognósticos trazidos pelo Índice de Diabetes Tipo 1, documento que reuniu dados do mundo inteiro para avaliar o impacto dessa doença na saúde pública.
O estudo foi liderado pela JDRF, organização global de pesquisa e defesa do diabetes tipo 1, e envolveu mais de 500 endocrinologistas e 400 publicações.
Sobre a falta de informação, a confusão já começa ao falarmos sobre os tipos de diabetes. Tanto o tipo 1 como o 2 são caracterizados por um excesso crônico de açúcar no sangue.
Só que o diabetes do tipo 1 é uma doença autoimune. Ou seja, as próprias unidades de defesa do corpo passam a destruir o pâncreas, responsável pela produção de insulina. O tratamento, portanto, envolve a reposição desse hormônio, que permite o aproveitamento do açúcar pelas células.
Cegueira, risco de infarto, AVC e amputações estão entre as possíveis complicações da doença e, segundo esse estudo, fazem um indivíduo perder, em média, 33 anos de vida saudável.
No diabetes do tipo 2, só para esclarecer, a causa da glicemia alta vem de um fenômeno conhecido como resistência à insulina. Em resumo, o hormônio até é produzido, mas não consegue atuar direito. E os sintomas aparecem anos depois da instalação da doença. Saiba mais sobre esse quadro aqui.
Voltando ao estudo sobre o diabetes do tipo 1: além de fazer um retrato do que ocorre no mundo, o documento traz previsões preocupantes, inclusive para o Brasil. O país é o terceiro no mundo com mais casos da doença, e tende a chegar em primeiro lugar nos próximos anos.
Pelos dados atuais, estima-se que 235 mil mortes em decorrência do quadro poderiam ter sido evitadas por aqui. Se nada for feito, esse número pode chegar a cerca de 465 mil em 2040.
O relatório aponta para soluções globais nesse sentido. É preciso, por exemplo, melhorar o diagnóstico e garantir o acesso a medicamentos e novas tecnologias – como os diversos tipos de insulina e as tiras de reagentes e os monitores utilizados no controle da glicemia. Áreas como prevenção e pesquisa também carecem de investimento, claro.
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Por aqui, algumas conquistas até chegaram ao Sistema Único de Saúde (SUS), mas muitas vezes o paciente sofre com a falta do básico.
“Conseguimos incorporar muitas medicações nos últimos anos, mas ouvimos relatos, por exemplo, de falta de insulina e tiras de glicemia em postos. Quem convive com a doença precisa desses itens diariamente, não é algo que possa aguardar um mês”, relata Barone. “Saber que isso é um direito empodera as pessoas, que passam a exigi-los”, completa o médico.
O estudo, por exemplo, calcula que a cada tira de insulina a que uma pessoa tem acesso, sua expectativa de vida aumenta algumas horas.
Outra questão urgente diz respeito à desinformação. Para resolvê-la, esclarece Barone, é importante batalhar por uma melhor formação dos profissionais de saúde.
“Quem tem diabetes tipo 1 precisa tomar decisões o tempo todo, como escolher o alimento certo após verificar se a glicemia está baixa ou alta. Muitos associam o diabetes à proibição de doces, por exemplo. Mas, na doença do tipo 1, há o risco de hipoglicemia, quando a pessoa precisa de açúcar”, exemplifica o médico.
Um outro engano frequente é de que a identificação do diabetes tipo 1 só ocorre entre crianças e adolescentes. O relatório da JDRF aponta que 50% dos diagnósticos estão concentrados nos mais velhos.
“Quando o adulto descobre a doença, ele associa ao tipo 2, que remete a obesidade e má alimentação, quando, na verdade, ela tem base genética. A partir daí, ele comete erros ao praticar atividade física, montar a dieta, etc.”, ensina Barone.
Vale lembrar que associações também fazem o papel de disseminar informações sobre a doença e seus tipos, como a Sociedade Brasileira de Diabetes. Quanto mais conhecimento, menor o risco de números tão desastrosos, como os levantados pelo estudo, se confirmarem.
Da formação silenciosa de placas de gordura nas artérias aos efeitos do estresse na pressão arterial, não são poucas as ameaças capazes de resultar em desfechos cardiovasculares graves nas salas de emergência dos hospitais. Uma das estratégias para conter esse perigo é a informação. Isso porque, com ajustes no estilo de vida, boa parte dos eventos do coração e do cérebro pode ser evitada.1“O principal pilar para a prevenção de doenças cardiovasculares é a adoção de determinados princípios, como evitar o sedentarismo, ter uma dieta saudável, evitar fumar e controlar a pressão arterial e os níveis de colesterol e de glicose”, informa o dr. Ronaldo Leão, cardiologista do CDPI, marca de diagnósticos da Dasa, maior rede de saúde integrada do Brasil, no Rio de Janeiro, que conta com o espaço CDPI Cardio para a realização de exames específicos dessa área. Essas premissas, bem conhecidas dos profissionais de saúde e um verdadeiro mantra entre os cardiologistas, têm potencial para reduzir significativamente os riscos de infarto ou acidente vascular cerebral, o AVC.2
Trabalhar por políticas de saúde para motivar as pessoas a adotar e manter comportamentos saudáveis, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), é o caminho para reduzir a mortalidade por doenças cardiovasculares, que hoje chega a cerca de 18 milhões por ano no mundo.3
“Somente no Brasil, como se observa no Cardiômetro, ferramenta desenvolvida pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) que registra as mortes por doenças cardíacas, alcançaremos aproximadamente 400 000 mortes este ano relacionadas a esse motivo”,4lamenta o dr. Rafael Vilanova, gerente médico de cardiologia do Complexo Hospitalar de Niterói (CHN), referência em atendimentos cardiológicos de emergência no Rio de Janeiro e também pertencente à Dasa. “Uma boa parte dessas mortes seria evitável. Por isso é tão importante que circulem informações a esse respeito não apenas em datas como o Dia Mundial do Coração, mas ao longo de todo o ano”, completa.
Dr. Rafael Vilanova, gerente médico de cardiologia do Complexo Hospitalar de Niterói (CHN), da rede DasaDasa/Divulgação
“As principais doenças cardiovasculares são infarto agudo do miocárdio e AVC e suas consequências, como insuficiência cardíaca”, continua o cardiologista do CHN. “E a mortalidade é alta, sobretudo, porque as condições que favorecem a ocorrência desses eventos, a exemplo da pressão arterial não controlada e o diabetes, não são adequadamente observadas”, pontua o dr. Rafael.
De acordo com as Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial, 50% das pessoas com pressão alta nem sabem que têm o problema,5um dos grandes responsáveis por ataques cardíacos, além de AVC e insuficiência renal.6
Para reverter esse panorama de subdiagnóstico, segundo a dra. Núbia Welerson Vieira, cardiologista e diretora médica do Hospital Brasília Unidade Águas Claras, que faz parte da Dasa no Distrito Federal, o recomendado é medir a pressão como parte do check-up de rotina, feito pelo menos uma vez ao ano. “Também é importante consultar um médico sempre que alguma medição fora do consultório indicar 14 por 9 ou mais, pois isso pode significar tanto hipertensão, que deve ser tratada, quanto uma elevação isolada”, observa a médica.
Dra. Núbia Welerson Vieira, cardiologista e diretora médica do Hospital Brasília, que faz parte da DasaDasa/Divulgação
Ajustes no estilo de vida diminuem os riscos
Alimentação saudável é a chave quando se trata de proteger o coração. “Nossa dieta está cada vez mais industrializada, com maior consumo de sódio”, avalia o dr. Rafael Vilanova. Atentar para essa questão não significa dizer que a pessoa tem que se privar de tudo, e sim fazer mudanças em prol do equilíbrio à mesa. As Diretrizes Brasileiras de Hipertensão mencionam os benefícios de seguir a DASH (do inglês, Dietary Approaches to Stop Hypertension, ou dieta para combater a hipertensão), que prega um cardápio baseado em mais frutas, verduras e legumes, com pouco sal e menos gordura de origem animal.7
Sair do sedentarismo é outra atitude cada vez mais encorajada pelos profissionais de saúde. E o dr. Rafael Vilanova acrescenta: “Isso inclui as crianças, que hoje estão muito ligadas às telas de eletrônicos, o que leva ao sedentarismo e ao aumento do estresse”.8
O controle do estresse é sempre lembrado pelos especialistas como mecanismo de proteção. Isso porque uma condição de tensão permanente contribui para a liberação de hormônios relacionados à elevação da pressão, como adrenalina e noradrenalina.9
“Um aspecto cada vez mais valorizado é o sono, que deve seguir um padrão regular e uma quantidade adequada de horas para prevenir doenças cardiovasculares”, lembra o dr. Ronaldo Leão, do CDPI. A atenção deve ser redobrada em casos de apneia do sono, aqueles roncos e engasgos que interrompem a respiração e acabam diminuindo a oxigenação, propiciando alterações de pressão e frequência cardíaca.10
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Para contribuir no esclarecimento da população sobre a importância de monitorar a saúde cardiovascular, o Hospital Brasília Unidade Águas Claras produziu a websérieCardiologia – Ouça seu coração. Em cinco episódios, especialistas alertam sobre as principais doenças e como manter as artérias em dia. A série pode ser vista no canal do YouTube do hospital (https://bityli.com/CwlzcPP), bem como nas redes sociais Instagram (@hospitalbrasilia) e Facebook.
Check-up deve fazer parte da agenda
“Para pessoas sem histórico familiar que nunca sofreram eventos cardiovasculares, a recomendação é realizar uma avaliação médica periódica, com exame clínico e testes complementares, que vão depender da faixa etária e da presença de fatores de risco, como hipertensão, obesidade, sedentarismo, tabagismo e diabetes”,2pondera o dr. Jadelson Andrade, diretor de cardiologia da Dasa.
No caso de histórico familiar de doenças cardiovasculares, uma consulta, no mínimo, anual é requisito básico. “Nela, o médico orientará sobre os exames mais importantes, entre eles o escore de cálcio e o ultrassom das carótidas para pesquisa de aterosclerose”, exemplifica o dr. Ronaldo Leão, que é também coordenador de medicina nuclear do CDPI, no Rio de Janeiro. “O CDPI dispõe de todo o arsenal de exames cardiovasculares, com os equipamentos mais modernos e médicos competentes e multidisciplinares para fazer avaliações, desde as mais simples, como ecocardiograma, até as mais complexas, como cintilografia miocárdica, angiotomografia coronariana e ressonância magnética do coração”, enumera.
A dra. Núbia aponta, ainda, alguns sinais da existência de doença cardiovascular, sobretudo em fase mais avançada, como dor no peito ou falta de ar, especialmente depois de realizar esforço físico ou em momentos de maior tensão. “Os sintomas também podem incluir tontura, vertigem, náusea, fraqueza, sensação de cansaço e desconforto no peito, que pode, inclusive, irradiar para outras partes do corpo”,11pontua a médica.
Tratamentos cada vez mais promissores
A assistência de uma equipe multidisciplinar é um diferencial nos centros de referência da Dasa. “Esse acompanhamento é fundamental tanto nas estratégias de prevenção, com a participação de nutricionistas, profissionais de educação física e psicólogos, quanto na tomada de decisão da melhor conduta para o tratamento, feita peloheart team, formado por diferentes especialistas da cardiologia”, ressalta o dr. Jadelson Andrade. Oheart teamse reúne em torno do programa Segunda Opinião, em que cardiologistas clínicos, hemodinamicistas e cirurgiões cardíacos discutem e dão assessoria inclusive para médicos de outras instituições a respeito de casos mais complexos.
“No campo terapêutico, um número expressivo de medicamentos de última geração vem sendo continuamente desenvolvido, com eficácia comprovada para controle da hipertensão, colesterol, diabetes, insuficiência cardíaca, arritmias, fenômenos trombóticos e infarto”, afirma o dr. Jadelson Andrade. Soma-se a isso, continua o médico, a evolução do manejo percutâneo, por cateteres, com implante de stents, válvulas e próteses sem a necessidade de cirurgias abertas, o que representa um avanço considerável no enfrentamento dessas doenças.
O dr. Rafael Vilanova, do CHN, lembra, ainda, o recurso das terapias genéticas e os avanços em transplantes cardíacos, realizados na instituição desde 2020. “Os tratamentos hoje estão em outro patamar, incluindo os dispositivos de assistência circulatória, ou corações artificiais, que são uma realidade, embora ainda haja uma limitação de acesso em razão de custos”, completa.
Na emergência, cada minuto conta
Em episódios cardiovasculares graves, assegurar a agilidade no atendimento deve ser parte do protocolo. “O infarto do miocárdio, por exemplo, é uma das doenças mais tempo-dependentes, porque estamos falando de uma patologia com interrupção de sangue na artéria. Então, toda a musculatura que seria nutrida por ela está sob risco. Quanto mais tempo demora, mais células vão morrendo e é maior a probabilidade de evoluir para uma insuficiência cardíaca ou morte”, diz o dr. Rafael Vilanova.
“Hoje, há uma série de indicadores hospitalares de qualidade de assistência de acordo com o tempo. No caso de infarto, tem que ser feito eletrocardiograma em até 10 minutos, analisado por um especialista. Em, no máximo, 90 minutos o paciente tem que estar na hemodinâmica, setor em que é feito o cateterismo quando indicado. O desfecho depende muito desse tempo”, destaca. Por isso, instituições como o CHN contam com pelo menos dois cardiologistas na emergência, além de garantia de acesso rápido a outros especialistas necessários em cada caso.
“Os centros de cardiologia precisam estar qualificados para oferecer um cuidado integral. A partir do atendimento ambulatorial, a oferta ampla de exames de diagnóstico, programas de prevenção cardiovascular consistentes e, quando indicados, os tratamentos de excelência baseados em guias de condutas dentro das melhores evidências científicas nacionais e internacionais”, resume o dr. Jadelson Andrade. “É requisito também estarem estruturados para o seguimento e orientações após a alta hospitalar. Esse é o conceito de ecossistema de saúde que estamos implementando nos centros de excelência e referência em cardiologia dos hospitais da Dasa”, conclui.