terça-feira, 4 de outubro de 2022

Mudanças no ambiente podem melhorar a alimentação

O ambiente que nos cerca exerce uma grande influência sobre a nossa alimentação. Muitas vezes, o simples fato de um alimento estar no nosso campo de visão faz com que a gente o consuma, meio que no piloto automático mesmo.

E quando temos alimentos tentadores à disposição o tempo inteiro, pode ficar difícil se controlar…

Mas quero te apresentar uma estratégia. Você já ouviu falar na técnica de controle de estímulos? Ela implica em realizar algumas alterações no ambiente para que sejamos estimulados a realizar escolhas saudáveis.

Isso é feito através de mudanças físicas (em casa ou no trabalho) e comportamentais quando você estiver diante a comida.

Afinal, naturalmente somos conduzidos a selecionar os alimentos mais acessíveis e que causam maior prazer momentâneo. Sendo assim, não é suficiente só pensar na qualidade nutricional da comida.

De olho nisso, é preciso repensar, por exemplo, a organização da geladeira ou da despensa. Os alimentos considerados mais tentadores devem ser guardados no fundo do refrigerador e dos armários.

Na verdade, no mundo ideal eles nem deveriam ser comprados e estocados: essa é a forma mais eficiente de evitar o consumo.

Continua após a publicidade

De um modo geral, quando não vemos o alimento, pensamos nele com menos frequência. E o contrário também é verdadeiro. Por isso, tudo aquilo que desejamos comer mais, como frutas, deve ficar no nosso campo de visão.

Parece simples demais para funcionar, né? Mas acredite: os resultados de quem executa o básico com excelência são muito bons.

Beleza se põe à mesa

A estética do prato também influencia na sua tomada de decisão na hora de escolher o que comer. Por isso, deixe as saladas, vegetais, legumes e frutas em vasilhas bonitas.

Outro truque para comer menos petiscos é não levar pacotes de bolachas, salgadinhos e afins para fora da cozinha. Dessa forma, há uma chance de a preguiça falar mais alto e fazer você desistir de repetir a porção.

Se você realiza suas refeições em casa, escolha um prato cuja cor contraste com a da comida. Uma pesquisa bem legal mostrou que se o prato e a comida tiverem o mesmo tom, existe a possibilidade de você comer 18% a mais. Interessante, né? Eu sempre falo para os meus pacientes usarem prato azul…Difícil pensar em uma comida azul, né?

Fora isso, ao usar pratos, vasilhas e talheres menores (de servir e comer), você terá a ideia de estar comendo mais. Tente fazer isso na sua próxima refeição!

A hora de comer é um desafio à parte: televisão, computador, rádio, celular, joguinhos ou qualquer coisa capaz de nos distrair não devem estar presentes nas refeições.

Viu como deixar o ambiente favorável para o emagrecimento é simples? Não subestime essa possibilidade. Ela é uma das que mais ajuda a controlar o impulso por comer.

Continua após a publicidade

Mudanças no ambiente podem melhorar a alimentação Publicado primeiro em https://saude.abril.com.br

Como superar um trauma?

Você lembra onde estava na manhã de 11 de setembro de 2001? A empresária paranaense Adriana Maluendas, de 50 anos, não consegue esquecer.

Hospedada no 6° andar do Hotel Marriott, que fazia parte do complexo World Trade Center (WTC), em Nova York, ela tinha prova às 9h30 no 17° andar da Torre Sul. Ainda estava à procura de um sapato que combinasse com a bolsa quando, às 8h46, um barulho estremeceu o quarto 635.

Assustada, tentou ligar para a recepção, mas ninguém atendeu. “Preciso descer agora”, pensou. Ao correr pelas escadas, muitos hóspedes, ainda de pijama e aos gritos, empurravam uns aos outros. Ali, Adriana levou o primeiro de seus muitos tombos. Na calçada, tentou ficar o mais longe possível dos escombros.

“Parecíamos animais escapando de um incêndio na floresta”, compara. Durante a fuga, foi empurrada e caiu no chão. Pisoteada, quebrou dentes, fraturou costelas, ganhou hematomas. “A nuvem era escura e o ar, irrespirável. Não conseguia enxergar a um palmo de distância”, recorda. “Tinha certeza de que não conseguiria sair com vida daquele pesadelo.”

Mas ela conseguiu. É uma das sobreviventes do pior atentado terrorista de todos os tempos, os ataques às Torres Gêmeas e ao Pentágono, nos Estados Unidos, que deixaram um saldo de quase 3 mil mortos e 7 mil feridos. Um episódio, no mínimo, traumático.

Os dicionários ensinam que “trauma” deriva de “traumatismo” e significa “estado resultante de ferimento grave” — vem do grego traumatos, que quer dizer “ferida”. Tanto o corpo como a mente podem ser traumatizados.

“Em geral, usamos a palavra ‘trauma’ para nos referir a um evento estressor potencialmente marcante, como um assalto. Mas o mais adequado seria usá-la para falar da resposta emocional que cada pessoa vivencia após ser exposta a esse evento”, explica Christian Haag Kristensen, professor do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS).

“Nesse sentido, trauma é uma resposta complexa, caracterizada por diferentes reações: há as fisiológicas, como insônia e taquicardia; as interpessoais, como isolamento e desconfiança; as cognitivas, como memórias indesejáveis e dificuldade de concentração; e as emocionais, como raiva e medo”, destrincha o psicólogo.

+ LEIA TAMBÉM: A geração Covid – como a pandemia moldou o desenvolvimento das crianças

Cada ser humano reage a algo traumático de um jeito. No livro Os Traumas do Dia a Dia — Como Blindar Seu Cérebro contra o Estresse e a Ansiedade (Melhoramentos), a neurocientista americana Tracey Shors conta a história de um casal que, certo dia, se envolveu em um engavetamento com mais de 100 carros. Preso às ferragens, foi obrigado a ver uma criança morrer carbonizada em um veículo próximo.

Enquanto o homem quebrou o para-brisa para sair dali, a mulher paralisou de medo. No entanto, os dois conseguiram escapar. Passado o susto, ele, por muito tempo, evitou a estrada onde ocorreu o acidente. Ela, porém, nunca mais quis saber de dirigir. “Eventos traumáticos são experiências durante as quais você, pessoal e realisticamente, sente-se ameaçado de morte ou sofre lesões graves”, descreve Tracey, que é professora da Universidade Rutgers, nos EUA.

“Mas o trauma também pode surgir quando ouvimos algo chocante que aconteceu a outra pessoa, como a morte inesperada de um ente querido ou amigo próximo. Eventos traumáticos são abrangentes, incluem desde acidentes automobilísticos e abusos sexuais até desastres naturais e problemas de saúde”, completa.

Um estudo com 68,8 mil cidadãos de 24 países revelou, em 2017, que 70% deles já foram expostos a um ou mais traumas em algum momento da vida. A boa notícia é que um número reduzido de pessoas, algo em torno de 6 a 8%, vai desenvolver um transtorno mental por causa disso. Autor de Trauma — A Epidemia Invisível (Sextante), o psiquiatra americano Paul Conti divide o problema tratado em seu livro em três tipos: o agudo, o crônico e o vicário (do latim vicarius, ou seja, o que faz as vezes do outro).

O trauma agudo resulta de um evento específico de curta duração: um ataque terrorista, um acidente de carro ou até mesmo o diagnóstico de uma doença grave. O trauma crônico vem da exposição prolongada a situações prejudiciais à saúde ou a pessoas tóxicas: maus-tratos na infância, violência doméstica, preconceito racial… O vicário, por sua vez, é quando médicos, enfermeiros e socorristas, entre outros profissionais, são expostos aos traumas de seus pacientes que acabam, eles mesmos, traumatizados — o indivíduo não precisa ser vítima do trauma, basta testemunhá-lo.

“O trauma é como um vírus. Invisível e contagioso, deixa um rastro de gente morta ou sofrendo efeitos colaterais. Infelizmente, ainda não há estudos para criar uma espécie de vacina para ele”, expõe o psiquiatra. Tanto Conti quanto Tracey já sofreram traumas.

Um homem tentou invadir a casa da neurocientista na Califórnia enquanto ela se preparava para dormir. “Estava sozinha em casa e fiquei paralisada de medo”, relata. Já o irmão do médico se matou com a arma do pai quando tinha 20 anos. “Decidi me tornar psiquiatra porque queria fazer a diferença para pessoas como meu irmão”, conta. E fez!

Uma de suas pacientes mais famosas, a cantora e compositora Lady Gaga, assina o prefácio do livro. “Esse homem salvou a minha vida”, escreveu.

+ LEIA TAMBÉM: Como prevenir o suicídio entre os mais jovens?

O trauma enquanto doença

Era para ser um dia de aula como outro qualquer. Mas o 7 de abril de 2011 registrou o pior ataque a escolas do Brasil. Às 8h15 daquela quinta-feira, Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, um ex-aluno da Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, zona oeste do Rio, se apresentou como palestrante e entrou na unidade. Munido de dois revólveres, invadiu duas salas e matou 12 alunos, com idade entre 13 e 15 anos.

Thayane Tavares e Liliane Santos, hoje com 23 anos, são duas sobreviventes do Massacre de Realengo. Thayane levou quatro tiros e ficou paraplégica. Só não levou mais porque fingiu que estava morta. “Entrei na escola andando e saí de lá com uma lesão na medula. Tive que reaprender a viver”, afirma a estudante de direito que sonha em prestar concurso para juiz.

Liliane aproveitou o momento em que o atirador recarregou as armas para fugir. Encontrou abrigo na casa de uma vizinha. “Minha vida mudou completamente. Apesar de todos os medos, quero fazer valer o fato de ter recebido uma segunda chance”, garante a aluna de enfermagem, que ama ler e viajar.

“Traumas que ocorrem na infância tendem a ser mais graves. Afinal, a personalidade ainda está em formação, a sensação de impotência é maior e as estratégias de adaptação e resiliência não estão plenamente desenvolvidas”, observa o psiquiatra William Berger, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Psiquiatria e Saúde Mental da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Segundo o especialista, essas marcas no cérebro da criança aumentam a probabilidade de carregar sequelas psíquicas ou mesmo desenvolver o transtorno do estresse pós-traumático (TEPT). “Mas o diagnóstico de TEPT envolve necessariamente risco de morte, ferimento grave ou violência sexual”, esclarece.

Continua após a publicidade

Se o 11 de Setembro e o Massacre de Realengo ilustram o trauma agudo, rápido e temeroso, a pandemia de Covid-19 representa o trauma crônico, lento e estressante. Desde março de 2020, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou estado de pandemia, a população mundial é obrigada a conviver com incontáveis temores: de contrair o vírus, de ser intubado em uma UTI, de ficar desempregado, de perder amigos e familiares, de morrer… Ao todo, a Covid-19 já matou mais de 6,4 milhões de pessoas, 680 mil só no Brasil.

“Traumas são perfeitamente superáveis, e os da pandemia são um exemplo disso. Quando a ciência desenvolve uma vacina, fica mais fácil dominá-los. O que pode levar mais tempo para superar é a experiência de perder um ente querido e não poder se despedir direito dele”, avalia o psicanalista Joel Birman, autor de O Trauma na Pandemia do Coronavírus: Suas Dimensões Políticas, Sociais, Econômicas, Ecológicas, Culturais, Éticas e Científicas (Civilização Brasileira).

Agudos ou crônicos, traumas podem ser tratados e curados. Na maioria das vezes, os episódios de menor repercussão, como o fim de um relacionamento ou a perda de um emprego, tendem a desaparecer espontaneamente, sem a necessidade de intervenção, depois de alguns dias ou semanas.

Já os traumas de maior gravidade, como aqueles que envolvem violência física, sexual ou psicológica, requerem cuidados profissionais. Se não forem abordados adequadamente, podem perdurar por décadas, deixar marcas profundas e derrubar a qualidade de vida.

“Durante cerca de um mês, a pessoa ainda pode viver em estado constante de alerta, a chamada hipervigilância, como se algo muito ruim estivesse para acontecer. No entanto, se esse e outros sintomas, como flashbacks intensos e pesadelos recorrentes, persistirem por mais tempo, é sinal de que o problema se cronificou”, alerta a psicóloga Adriana Mozzambani, coordenadora de neuropsicologia do Programa de Atendimento a Violência e Estresse Pós-Traumático da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “Esse estado de alerta constante é perigoso porque adoece o corpo e pode levar a um colapso mental.”

Segundo estimativas, homens tendem a sofrer mais experiências traumáticas. No entanto, o número de mulheres diagnosticadas com TEPT é até três vezes maior.

Adriana Maluendas, vítima do 11 de Setembro, é uma delas. Durante muito tempo, onde quer que estivesse, sentia o coração disparar, a boca ficar seca e as mãos suarem frio só de ouvir sirenes. À noite, não conseguia dormir se estivesse de pijama: tinha pavor de que outra tragédia daquelas acontecesse se não estivesse pronta para sair correndo. Por essa razão, ia pra cama de tênis e moletom. “Até hoje, não tenho palavras para descrever o que vivi naquele dia…”, desabafa.

<span class="hidden">–</span>Ilustração: Veja Saúde/SAÚDE é Vital
Compartilhe essa matéria via:

Vida depois do trauma

Nanette Blitz Konig foi uma das convidadas da festa de aniversário em que Anne Frank (1929-1945), então com 13 anos, ganhou seu famoso diário com capa de pano xadrez. As duas amigas estudaram juntas no Liceu Judaico, em Amsterdã, na Holanda. E, por infelicidade, voltaram a se encontrar, anos depois, através de uma cerca de arame farpado, no campo de concentração de Bergen-Belsen, a 65 quilômetros de Hannover, na Alemanha. “Anne estava careca e debilitada. Praticamente uma morta-viva”, recorda Nanette, de 93 anos, 69 deles vivendo no Brasil.

A autora de Eu Sobrevivi ao Holocausto — O Comovente Relato de uma das Últimas Amigas Vivas de Anne Frank (Universo dos Livros) se dedica, desde 1999, a visitar escolas, bibliotecas e universidades para compartilhar sua história. “Cerca de 90% das pessoas com quem converso nunca ouviram falar do Holocausto. É por isso que faço o que faço. Se os sobreviventes se calarem, é possível que aconteça tudo de novo. Se depender de mim, o mundo jamais vai se esquecer daquelas atrocidades”, disse em 2018.

Episódios traumáticos, como o vivido por Nanette durante a Segunda Guerra, não podem ser apagados da memória, como sugeriu o filme Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, estrelado por Jim Carrey e Kate Winslet. Não podem e não devem, ressalta a neurocientista Tracey Shors.

“Não há como deletar memórias. Mesmo se houvesse, não recomendaria. A maior parte delas é útil porque nos ajuda a aprender com o passado e nos prepara para o que pode acontecer no futuro”, justifica. Ela própria, depois de ter sua casa quase invadida, passou a tomar uma série de precauções: a residência agora conta com um cachorro grande que rosna ao menor sinal de barulho e um sofisticado sistema de segurança.

Nas ruas, a especialista fica atenta quando sai à noite, evita lugares escuros, perigosos e desertos, e sempre olha ao redor para ter certeza de que não está sendo seguida.

Adriana, Paul, Tracey, Thayane, Liliane, Nanette… Todos eles confirmam o que a ciência já descobriu: sim, há vida depois do trauma. Muitas vezes, a superação envolve apoio médico e psicológico, com terapia e, eventualmente, prescrição de medicamentos como antidepressivos. E, em alguns casos, as pessoas conseguem tirar lições dos males que viveram e desenvolvem o que os estudiosos chamam de crescimento pós-traumático.

“Toda experiência, por pior que seja, pode nos trazer algo de bom”, sintetiza o psiquiatra William Berger. “Depois de superarem eventos potencialmente traumáticos, certos indivíduos repensam sua maneira de viver, dedicam mais tempo ao lazer e à família e passam a desfrutar de melhor qualidade de vida”, descreve o docente da UFRJ.

BUSCA DE MEDICAMENTOS Informações Legais

DISTRIBUÍDO POR

Consulte remédios com os melhores preços

Favor usar palavras com mais de dois caracteres
DISTRIBUÍDO POR

O que não mata fortalece

O conceito de crescimento pós-traumático foi desenvolvido, ainda nos anos 1990, por dois pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte, nos EUA, os psicólogos Richard Tedeschi e Lawrence Calhoun. Em poucas palavras, pode ser descrito como uma mudança psicológica positiva que pode ocorrer depois de um período de estresse ou adversidade intensa. Desde então, o fenômeno está sendo estudado sobretudo entre ex-combatentes de guerra, sobreviventes de desastres naturais e testemunhas de ataques terroristas.

“Há algum tempo, pensava-se que o crescimento pós-traumático e o estresse pós-traumático seriam os dois lados de uma mesma moeda. Ou seja, após um evento estressor, o indivíduo poderia crescer ou adoecer. Mas não é assim que funciona”, revela o psicólogo Christian Kristensen. “Pessoas que tendem a interpretar o evento estressor como algo definidor de seu futuro apresentam mais risco de desenvolver TEPT. Por outro lado, quem vê o episódio como um ponto de inflexão em sua vida tem chances aumentadas para o crescimento pós-traumático”, diferencia o professor da PUC-RS.

Adriana Maluendas, por incrível que pareça, escolheu morar na cidade onde viveu seu pior pesadelo, Nova York. Fez terapia, tomou remédios e escreveu um livro, o autobiográfico Além das Explosões — Como o Ataque Terrorista ao WTC Mudou Minha Vida para Sempre (Editora Viena).

Hoje, admite que muitos de seus traumas ficaram para trás. “Se tivesse que dizer algumas palavras a quem está passando por uma experiência estressante ou desafiadora, diria: ‘Nunca desista de você! A vida é algo mágico que não pode ser desperdiçado’.”

<span class="hidden">–</span>Ilustração: Veja Saúde/SAÚDE é Vital
Compartilhe essa matéria via:
Continua após a publicidade

Como superar um trauma? Publicado primeiro em https://saude.abril.com.br

Nobel de Física 2022 vai para experimentos de entrelaçamento quântico. Entenda

Nesta terça (4), três cientistas foram laureados com o Nobel de Física 2022: John Clauser, Alain Aspect e Anton Zeilinger. Eles levaram o prêmio por… realizarem experimentos com fótons entrelaçados e serem pioneiros na ciência da informação quântica. Se você não entendeu bem do que trata, não se preocupe: a gente te dá uma mãozinha.

A primeira coisa a ter em mente é que o trio fez estudos importantes para a mecânica quântica. Este é um ramo da física que descreve o funcionamento do mundo em escala minúscula: o comportamento das partículas fundamentais. Esses são os menores tijolos que constroem tudo que há por aí, como prótons e nêutrons, que estão no núcleo dos átomos.

Existem alguns fenômenos curiosos na mecânica quântica, como o “entrelaçamento” que está por trás do Nobel de Física deste ano. Ele permite que duas ou mais partículas (como os fótons, partículas da luz) existam em um estado compartilhado, onde quer que elas estejam. O que acontece com uma partícula determina o que acontece com a outra, mesmo que elas estejam distantes entre si.

Imagine que as partículas são bolinhas que ficam em uma sobreposição de estados diferentes (vermelho e amarelo, por exemplo). Você não sabe qual é a cor de cada uma até realizar uma medição – nesse momento, a bola “assume” uma das cores. Quando duas partículas estão entrelaçadas, no momento em que uma assume o vermelho, a outra assume o amarelo.

A questão é que essas bolinhas já podem estar distantes quando você faz essa medição. Uma não teria como “saber” qual cor a outra escolheu – mas, mesmo assim, esse fenômeno acontece. Você só precisa saber o que acontece com uma partícula em um par entrelaçado para descobrir o que acontece com a outra, mesmo que elas já tenham se afastado.

Para Albert Einstein, essa “ação assustadora à distância” era inviável – segundo a teoria da relatividade, pelo menos do modo como era entendida originalmente, nada poderia ligar duas partículas instantaneamente no espaço. Assim, as bolas do nosso exemplo já teriam assumido uma cor antes de se separarem.

O dinamarquês Niels Bohr estava do outro lado dessa discussão. Ele acreditava que as partículas de um par entrelaçado realmente ficam indecisas até o momento da observação e colapsam em sincronia – assumindo o vermelho ou amarelo – apesar da distância entre si.

O americano John Clauser ajudou a resolver essa questão com um experimento de 1972, em que ele usou átomos de cálcio para emitir fótons emaranhados e mediu sua polarização. (Imagine que cada fóton carrega uma seta apontando em uma direção. Essa propriedade seria a polarização.) “Eu estava apostando em Einstein, mas infelizmente eu estava errado”, disse Clauser em um comunicado.

Continua após a publicidade

Depois de 1972, Clauser e outros físicos continuaram a discutir o experimento e suas limitações. Um trabalho chave para essa discussão foi o do francês Alain Aspect. Ele adaptou (e refinou) o experimento de Clauser, atingindo os resultados mais compreensíveis e conclusivos até então – que demonstraram que as partículas realmente ficavam em uma sobreposição de estados diferentes.

A ciência da informação quântica

O austríaco Anton Zeilinger conduziu mais experimentos como os de Clauser e Aspect – baseados no teorema de Bell, publicado pelo físico irlandês John Bell em 1964. Em vez de partir de átomos de cálcio, Zeilinger criou partículas entrelaçadas apontando um laser em um cristal – e testou ainda mais configurações de medição.

Zeilinger e sua equipe foram os primeiros a explorar sistemas com mais de duas partículas entrelaçadas. Em 1977, eles demonstraram que se um par de partículas entrelaçadas encontra uma terceira partícula, todas elas podem entrar em um novo estado compartilhado. Imagine que, nesse caso, várias bolinhas colapsam em sincronia e assumem uma cor de forma dependente.

Essa maneira de transferir um estado quântico desconhecido de uma partícula para outra é chamado de teletransporte quântico – e é o único jeito de transferir informações quânticas de um sistema para outro sem perder nenhuma parte dele.

Thors Hans Hansson, membro do Comitê do Nobel para Física, explica que os vencedores do prêmio usaram experimentos inovadores que têm demonstrado o potencial para investigar e controlar partículas entrelaçadas. Além de ser relevante por aumentar nossa compreensão do mundo que vai além dos nossos olhos, os experimentos têm aplicações práticas.

No futuro, com a criptografia quântica, poderemos usar o entrelaçamento para transmitir informações a longa distância de modo que seja impossível interceptar a mensagem. Isso porque (como vimos com as bolinhas indecisas sobre sua cor) um sistema quântico pode conter várias versões de cada propriedade simultaneamente, que têm certa chance de aparecer durante uma medição. É impossível reconstruir o sistema.

Hoje, graças ao trabalho de físicos como os do trio que recebeu o Nobel, há um grande campo de pesquisa sobre comunicação criptografada dessa maneira, mas também sobre redes e computadores quânticos.

Você pode ler mais sobre física quântica nesta matéria da Super e entender as descobertas por trás dos prêmios Nobel deste ano acompanhando nosso site durante esta semana. Ontem (3), na primeira premiação de 2022, o biólogo sueco Svante Pääbo ganhou o Nobel de Medicina graças a seu trabalho com os genomas de hominídeos extintos.

Compartilhe essa matéria via:
Continua após a publicidade

Nobel de Física 2022 vai para experimentos de entrelaçamento quântico. Entenda Publicado primeiro em https://super.abril.com.br/feed

Canetas inteligentes de insulina podem facilitar controle do diabetes

Recentemente, a equipe de Veja SAÚDE esteve no 58º congresso da Associação Europeia para Estudo do Diabetes (EASD, na sigla em inglês), realizado em Estocolmo, na Suécia.* Uma pauta importante por lá foi a chegada de novas tecnologias para melhorar o controle dos níveis de glicemia e insulina no sangue. 

Uma que chamou bastante a atenção foram as canetas inteligentes de insulina. Trata-se de uma inovação que registra automaticamente as doses aplicadas, com data e hora, e conversa com dispositivos ou aplicativos de gestão da doença. 

O objetivo de um dispositivo do tipo é evitar erros na dosagem ou esquecimentos. Pacientes com diabetes tipo 1 e alguns pacientes com diabetes tipo 2 precisam injetar insulina ativa algumas vezes ao dia, como antes das refeições, por exemplo. 

Isso geralmente é feito com canetas descartáveis. Mais recentemente, chegaram ao país as versões duráveis, que podem ser usadas mais de uma vez, recarregadas com novos cartuchos e agulhas. A próxima evolução são justamente as canetas conectadas, como as apresentadas no congresso da EASD. 

+ Leia tambémVem aí a caneta inteligente de aplicação de insulina

Estudos já comprovaram que o uso desses dispositivos é custo-efetivo e de fato melhora o controle da doença. Uma análise de vida real da Suécia, onde o produto é distribuído pelo sistema público de saúde, mostrou que houve ganho de qualidade de vida e menos complicações do diabetes após a incorporação do aparelho no dia a dia dos pacientes.  

“Indivíduos com diabetes passam, em média, uma hora por dia em autocuidado, o que equivale a dois anos completos dedicados exclusivamente à sua doença. O dispositivo tem potencial de reduzir essa carga”, comenta Priscilla Mattar, diretora Médica da Novo Nordisk. 

Outra pesquisa, apresentada no congresso da EASD pela empresa dinamarquesa de maneira preliminar (ainda não revisada por pares e publicada em periódicos científicos), apontou que o uso do dispositivo evita a perda de injeções e aumenta o tempo dentro do intervalo de glicemia ideal. 

Como funciona a caneta de insulina inteligente

No congresso da EASD, as empresas Medtronic, Sanofi e Novo Nordisk apresentaram seus modelos. No geral, eles registram as doses, enviam para um banco de dados e permitem visualizar quantas injeções de insulina ativa foram tomadas durante o dia, como está o nível de insulina ativa no organismo.

Alguns modelos ainda conversam com os sensores de glicemia e emitem alarmes quando ela começa a subir. 

Continua após a publicidade

O funcionamento varia um pouco de acordo com a marca. A versão da Sanofi, Solo Smart, é uma tampa removível, recarregável e acoplável nas canetas recarregáveis da marca, que registra as doses e envia para aplicativos no celular via Bluetooth.   

Ela guarda na memória as últimas 100 doses de insulina e será lançada na França, na Alemanha e no Japão no primeiro semestre de 2023. 

Compartilhe essa matéria via:

Já os produtos da Novo Nordisk, NovoPen 6 e NovoPen Echo Plus, são baseados na tecnologia NFC, a mesma usada nos pagamentos por aproximação. Eles têm um display que mostra a quantidade de doses e o tempo que se passou desde a última aplicação. Basta passar a caneta no celular para descarregar os dados. 

No futuro, de acordo com o que escutamos na Esmo, essa tecnologia pode se aprimorar ainda mais, conversando com bibliotecas de comida, por exemplo, e com outros dados do indivíduo para oferecer doses ainda mais personalizadas. 

Resta saber se os milhões de brasileiros que vivem com a doença terão acesso a essas novidades, pois ainda não há previsão de lançamento de nenhuma marca por aqui.

Vej,a no vídeo abaixo, feito pelo repórter Tom Bueno, do canal Um Diabético, um pouco mais sobre elas: 

*A reportagem viajou a convite da Novo Nordisk. 

Continua após a publicidade

Canetas inteligentes de insulina podem facilitar controle do diabetes Publicado primeiro em https://saude.abril.com.br

Afinal, a tecnologia vai substituir os médicos um dia?

A habilidade de prever o futuro sempre foi um grande desejo da humanidade. Quem não gostaria de prever o próximo número da loteria, a ação na bolsa que irá decolar ou até mesmo o resultado da Copa do Mundo que está chegando? Por mais que prever o futuro seja uma tarefa complicada, imaginar como ele seria é algo sempre divertido e, por vezes, pode se provar inspirador. As viagens do homem à Lua foram inspiradas pelos livros de Julio Verne e os primeiros telefones celulares, inspirados nos comunicadores de Star Trek.

Na área da saúde não é diferente. Muitos livros, séries e filmes de ficção científica imaginaram como seria a relação dos humanos do futuro com tratamentos e doenças. Star Trek nos introduziu ao Tricorder, um scanner capaz de identificar e diagnosticar condições de saúde de forma indolor e imediata.

Já o filme Elysium apresentou uma máquina semelhante a um equipamento de tomografia, mas com a capacidade de alterar o DNA e curar doenças instantaneamente. Nem mesmo os filmes de super-herói ficaram de fora: na segunda aparição dos Avengers, em Era de Ultron, o personagem Hawkeye tem uma parte de seu abdômen reconstruída por um aparelho que recria tecidos.

Mas quão próximos estamos de confiar nossos corpos aos cuidados da tecnologia? Bom, todos nós já fazemos isso quando pesquisamos sintomas no Google ou realizamos qualquer exame de imagem (na prática, é basicamente uma máquina mostrando para um médico o que há de errado por dentro do corpo). E o fato é que, ano a ano, cada vez mais tecnologias são incorporadas ao diagnóstico e ao tratamento médico.

Logo, dá pra imaginar que esses profissionais serão substituídos por máquinas inteligentes? Sim! E não!

+ LEIA TAMBÉM: A ascensão das healthtechs em meio à regularização da telemedicina no país

Vejamos os exames de imagem. Antigamente, caso houvesse algo de errado com uma pessoa e o médico não fosse capaz de diagnosticar apenas com o exame físico, era necessário abrir o corpo  para se compreender o que estava acontecendo. Esse procedimento se chamava cirurgia exploratória. Com a introdução de exames como raio-x, tomografia e ressonância magnética, os cirurgiões passaram a atuar apenas em cirurgias necessárias ao tratamento e não mais para diagnóstico. Portanto, eles foram substituídos, mas ainda assim mantiveram outro papel fundamental.

Continua após a publicidade

Consequentemente, o mesmo é de se esperar com qualquer avanço futuro. Quando mãos de robôs forem mais precisas que mãos humanas para realizar as cirurgias comuns, os cirurgiões estarão dedicados a fazer as cirurgias mais complexas ou a desenvolver novas técnicas cirúrgicas. Quando uma inteligência artificial laudar um raio-x com maior precisão que um radiologista, novos exames estarão surgindo e precisarão de uma interpretação humana.

Em suma, a tecnologia avança, mas a atuação humana também. No futuro, tudo que um médico faz hoje poderá ser substituído, sim, e isso significará que os médicos, provavelmente, também estarão realizando novas funções e procedimentos que ainda não existem. A tecnologia da saúde anda de mãos dadas com os profissionais da área e todos estão caminhando na direção de melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

Compartilhe essa matéria via:

* Carlos Zago é médico e CEO da MKM Biotech

Continua após a publicidade

Afinal, a tecnologia vai substituir os médicos um dia? Publicado primeiro em https://saude.abril.com.br

segunda-feira, 3 de outubro de 2022

Labrador virtual pode ajudar a reduzir o número de mordidas de cães

A realidade virtual está sendo usada como ferramenta educacional para ajudar a prevenir mordidas de cães. O projeto é liderado por pesquisadores da Universidade de Liverpool, na Inglaterra.

Como parte de seu estudo, pesquisadores testaram um labrador de realidade virtual apelidado de DAVE (Dog Assisted Virtual Environment) para explorar como os humanos reconhecem e interpretam sinais agressivos em cães.

Mordidas de cães são uma preocupação crescente da saúde pública da Inglaterra. Pesquisas da Universidade de Liverpool apontam que adultos vão três vezes mais ao hospital por mordidas de cães no país entre 1998 e 2018. Os pesquisadores acreditam que DAVE possa melhorar a compreensão das interações comportamentais entre humanos e cães e ajudar os pesquisadores a enfrentar esse problema.

De acordo com os pesquisadores, estudar a interação humana com um cão agressivo é eticamente difícil, não só por causa do risco para a pessoa, mas também porque os cientistas não querem forçar os animais a um estado desconfortável. Um cachorro virtual resolve ambos problemas.

Continua após a publicidade

Para seu estudo inicial, os pesquisadores recrutaram dezesseis adultos e os deixaram explorando uma sala de estar virtual com o modelo também virtual do labrador deitado no canto oposto do cômodo.

A equipe perguntou aos participantes se eles reconheciam e entendiam os sinais de comportamentos agressivos exibidos pelo cachorro – como lamber os lábios, levantar a pata dianteira, recuar, latir, rosnar e mostrar os dentes. Comportamentos assim são sinais de que o animal não quer que você se aproxime.

Os participantes se comportaram e interagiram com o modelo da mesma forma que se esperava que agissem com um cão de verdade – os participantes perceberam o cão como realista. Dito isso, três deles chegaram perto demais do animal agressivo e foram mordidos. Virtualmente, é claro. 

Os pesquisadores sugerem que DAVE possa ser usado em outras áreas de pesquisa comportamental, como aulas de segurança para cães e no tratamento de fobias.

Paula Boyden, diretora veterinária da Dogs Trust, uma instituição britânica de bem-estar animal especializada cães e que ajudou a financiar o estudo, espera que o projeto ensine as pessoas a ficarem seguras pertos de cachorros: “Antes de ocorrer uma mordida, um cão geralmente exibe comportamentos sutis para indicar que está desconfortável e não quer ser abordado. Ao educar as pessoas sobre esses comportamentos, esperamos que as incidências de mordidas de cães possam ser significativamente reduzidas”.

Compartilhe essa matéria via:
Continua após a publicidade

Labrador virtual pode ajudar a reduzir o número de mordidas de cães Publicado primeiro em https://super.abril.com.br/feed

Bebês estão mais vulneráveis à Covid; governo ainda não liberou vacinação

A vacina da Pfizer contra a Covid-19 para crianças de 6 meses a 4 anos foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 16 de setembro. Só que o Ministério da Saúde ainda não liberou a distribuição de doses nem regras de como será a vacinação para esse grupo, o que tem gerado preocupação.

É que, apesar da falsa sensação de fim da pandemia, a certeza de especialistas é que as crianças não imunizadas se tornaram o grupo mais vulnerável ao coronavírus.

Entre julho e setembro deste ano, as crianças pequenas foram o público mais hospitalizado, segundo análise do Observa Infância (Fiocruz/Unifase) com base nos dados divulgados pelo Ministério da Saúde na semana passada. Essa faixa etária representou 8,5% do total das internações por Covid-19 no Brasil nesse período, um aumento de 50% em relação ao primeiro semestre.

Entre os maiores de 60 anos, que eram os mais vulneráveis no início da pandemia, houve redução de 325% na média diária de óbitos por Covid-19, queda atribuída à vacinação. As mortes entre os pequenos caíram menos, 250%, e foram 383 óbitos só neste ano.

Espera-se, ainda, que o governo dê prioridade aos menores de 1 ano na fila pelo fato de eles serem ainda mais vulneráveis. Desde o início da pandemia, já foram somadas 1 070 mortes de bebês de até 11 meses. Entre os contaminados de 1 a 2 anos, foram 341 mortes, e entre aqueles de 3 a 4 anos, 156.

Compartilhe essa matéria via:

A Fiocruz constatou que, nos dois primeiros anos da pandemia, a Covid matou mais crianças de até 3 anos do que outras 14 doenças juntas em dez anos. Na lista estão males como tétano, sarampo, rubéola, coqueluche e meningite meningocócica do tipo B.

+ Leia também: Onda silenciosa de Covid-19 põe idosos e crianças em risco

Como e quando começa a vacinação

Ainda não há data para o início de imunização do grupo de 6 meses a 4 anos. Em nota, o Ministério da Saúde informa que aguarda a autorização de um técnico responsável da pasta para liberar instruções sobre a vacinação e tirar dúvidas, como a necessidade ou não de um intervalo em relação a outras vacinas do calendário.

A Anvisa, no entanto, já adiantou dados sobre a vacina, que virá em um frasco de cor vinho e deverá ser aplicada em três momentos. Veja as peculiaridades de acordo com a faixa etária:

  • 6 meses a 4 anos: frasco de cor vinho, com 0,2 ml. A segunda dose vem três semanas após a primeira e, a terceira, oito semanas depois da anterior
  • 5 a 11 anos: cor laranja, 0,2 ml. São duas doses com intervalo de 28 dias
  • Acima de 12 anos: cor roxa, 0,3 ml. São duas doses com intervalo de 21 dias

“O frasco muda de cor porque as concentrações são diferentes. A composição para os maiores de 12 anos é de 13 microgramas, de 5 a 11 anos é de dez e, agora, para os bebês, é de 3 microgramas”, comenta Juarez Cunha, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

Continua após a publicidade

“Serão três doses porque foi observado que duas injeções não seriam suficientes para proteger adequadamente essa faixa etária de casos graves e mortes”, informa o pediatra sobre os mais novinhos.

Como já divulgado no caso de outras faixas etárias infantis, os efeitos colaterais esperados após a aplicação vacina são leves, como febre e dor no local da picada.

Não houve nenhum óbito registrado no mundo relacionado à imunização, e casos de miocardite são raros. Não custa reforçar: os perigos são muito maiores se a criança for infectada pela Covid.

+ Leia também: As principais perguntas dos pais sobre as vacinas da Covid para crianças

Após amplo uso do imunizante nos Estados Unidos, a Pfizer anunciou que a eficácia da vacina para esse grupo é de 73,2%. Estudos preliminares apontavam para 80%.

Mesmo com essa queda, que é comum quando o imunizante é avaliado na vida real, o dado é otimista. “Ela não foi formulada para combater a Ômicron, variante que está dominante agora. E, mesmo assim, se mostrou eficaz e segura para esse grupo”, nota Cunha. 

Falando em variante, a mesma Pfizer já está tentando aprovar, nos Estados Unidos, a primeira vacina atualizada para as crianças. “É chamada de bivalente por proteger contra a cepa original de Covid, identificada em Wuhan, e também contra as filhas da Ômicron, a BA.4, e a BA.5”, conta o presidente da Sbim.

A ideia é usar essa injeção repaginada como reforço para as crianças de 5 a 11 anos que já foram vacinadas. Mas ainda não há previsão de quando isso começaria. 

Imunização lenta nos demais grupos

As crianças de 3 a 5 anos também já podem ser vacinadas com a Coronavac. Desde julho, a prioridade era para os pequenos com comorbidades, mas, aos poucos, os estados estão abrindo a imunização para todo o grupo. Em São Paulo, isso ocorreu na semana passada (28 de setembro).

Liberada em janeiro, a vacinação para os que têm entre 5 e 11 anos ainda não é a das melhores. A média nacional de aplicação da primeira dose é de 66,7%, sendo que a meta é de 90%. E há vários relatos de falta de doses pelo país.

 
Continua após a publicidade

Bebês estão mais vulneráveis à Covid; governo ainda não liberou vacinação Publicado primeiro em https://saude.abril.com.br