segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

O papel essencial do médico de família e comunidade na promoção da vida

Tratamento de doenças crônicas como pressão alta, diabetes ou asma? A gente faz. Pré-natal? Também. E depois que a criança nasce? Pode trazer que a gente acompanha. E quem não quer ter filhos agora? Vem que a gente conversa sobre contracepção, escolhe o método mais adequado e ainda bate um papo sobre rastreio de infecções sexualmente transmissíveis.

Mas e se quiser colocar o DIU? A gente coloca. E outros procedimentos, como retirada de cisto sebáceo ou remoção de unha encravada? É com a gente mesmo. Mas e quem não consegue ir até o posto? Não tem problema, a gente visita em casa.

Essas são apenas algumas das muitas atribuições do médico de família e comunidade (MFC).

Trata-se do profissional responsável pelo atendimento médico na Atenção Primária à Saúde (APS). A APS é a porta de entrada dos usuários no SUS: é a Clínica da Família, a Unidade Básica de Saúde ou o postinho.

Existem muitas complexidades na APS, como em outras áreas da saúde, e a faculdade não é suficiente para capacitar o profissional a atender estas demandas. Da mesma forma que um médico deve se especializar para fazer cirurgias ou trabalhar em uma UTI, também precisa adquirir habilidades específicas para atuar no postinho.

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Especificidades do dia a dia

O profissional da Atenção Primária precisa ter não apenas conhecimentos biomédicos, mas também saber mapear o seu território de atuação para entender as demandas locais, usar técnicas de abordagem familiar, trabalhar em conjunto com outros profissionais da equipe (como enfermeiro, técnico e agentes comunitários de saúde), além de atuar em parceria com os Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF), os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e serviços da atenção secundária.

A Medicina de Família e Comunidade é uma especialidade médica reconhecida oficialmente pela Associação Médica Brasileira. Os primeiros programas de residência começaram em 1976 em Porto Alegre, Recife e Rio de Janeiro.

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Com a implementação da Estratégia de Saúde da Família no SUS desde 1994, a especialidade ganhou força e muitos outros programas foram criados.

+ Leia também: SUS: orgulho e desafio do Brasil

Isso se intensificou ainda mais na última década, quando o governo federal tomou uma série de medidas para fortalecer a Atenção Primária à Saúde em todo o país, com o objetivo de diminuir desigualdades regionais e ampliar a cobertura da atenção básica.

Garantir acesso a atendimento adequado em saúde não significa apenas abrir unidades e contratar médicos: é fundamental qualificar adequadamente os profissionais que vão atender à população.

Com capacitação de profissionais e infraestrutura apropriada, cerca de 90% das demandas podem ser resolvidas na Atenção Primária, sem necessidade de encaminhamento.

A pandemia de Covid-19 mostrou claramente o papel fundamental do médico de família e comunidade e da Atenção Básica no SUS. Trabalhadores de UTI e enfermarias foram importantes, sem dúvida, mas a verdadeira “linha de frente” foi a equipe de saúde da família.

A grande maioria das pessoas com sintomas de Covid-19 recebeu atendimento, teste e aconselhamento no seu postinho local. E quando finalmente chegaram as vacinas, foi lá também que essa população foi imunizada.

Que neste 5 de dezembro, Dia Nacional do Médico de Família e Comunidade, a gente possa reconhecer a potência da especialidade para combater as desigualdades no Brasil e viabilizar um SUS cada vez mais humano, democrático e eficiente.

*Mariana Fonseca é médica de família e comunidade e guia da Equipe Halo, da ONU

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sábado, 3 de dezembro de 2022

Leite vegetal à base de inhame

Parente da mandioca e da batata, o inhame é um alimento rico em carboidratos com baixo índice glicêmico, ou seja, fornece energia sem elevar tanto a taxa de glicose no sangue. Além disso, é fonte de fibras, proteínas, minerais e vitaminas C e do complexo B.

Com tantos atributos, a startup Yamo resolveu fazer dele o protagonista de um leite vegetal. “Junto com a Embrapa e a Universidade Federal de Uberlândia (UFU), montamos uma fazenda para desenvolver o inhame mais nutritivo do Brasil. E é a partir dele que produzimos nossa bebida”, relata Fábio Neto, fundador da Yamo.

Encontrado em diversos sabores, o leite de inhame não leva conservante, é livre de glúten e considerado fonte de cálcio, vitaminas e minerais, sendo opção até ao leite de vaca.

O crescimento dos leites vegetais no Brasil chegou a 51%, com um consumo de mais de 105 milhões de litros em 2018. O setor avalia que hoje esse número já está bem maior.

+Leia Também: Leite muito além da vaca 

Clique aqui para ampliar e aproximar!kaanates/Getty Images
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sexta-feira, 2 de dezembro de 2022

Gota: a doença que atormenta o homem há séculos

Descrita por Hipócrates dois séculos antes de Cristo, a gota foi chamada de “Doença dos Reis” porque a nobreza e os intelectuais da Idade Média e dos séculos XVII e XVIII pareciam mais vulneráveis a essa moléstia.

O que é a gota

A gota é uma doença inflamatória que ocorre por conta do aumento de ácido úrico no sangue, o que os médicos chamam de hiperuricemia.

Quando o excesso dessa produção não é eliminado pelos rins, ocorre um depósito de cristais (ou monourato de sódio) nas articulações, causando inflamação e, consequentemente, dor, calor, vermelhidão e inchaço.

A gota acomete principalmente as articulações do dedão do pé (hálux), tornozelos e joelhos.

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O sintoma mais comum consiste em dor lancinante (isto é, pontadas agudas muito fortes), que frequentemente começa durante a madrugada e, por ser tão intensa, chega a acordar o paciente. Para ter ideia, é difícil suportar o peso do lençol na área dolorida.

Embora qualquer articulação possa ser afetada, sobretudo as dos membros inferiores, a do dedão é a vítima mais frequente na primeira crise, sendo conhecida como podagra.

A gota também pode ser caracterizada por depósitos de cristais debaixo da pele, formando protuberâncias localizadas nos dedos, cotovelos, joelhos e pés. Conhecidos como tofos, podem causar deformidades e diminuir a amplitude articular.

+ Leia também: Doenças reumatológicas limitam a vida da mulher

Considerada uma das doenças reumatológicas mais comuns, a gota tende a acometer homens adultos (são dois a sete homens para cada mulher). A maior incidência é entre 40 e 50 anos.

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Já as mulheres raramente desenvolvem gota antes da menopausa, devido à maior excreção de ácido úrico na urina durante o período fértil. De forma geral, estima-se que a gota atinja aproximadamente 4% da população.

As principais causas

Nas últimas décadas, observou-se um aumento expressivo de casos de gota em diversos países, possivelmente relacionado a diferentes fatores:

  • Alimentação, com maior ingestão de proteínas, bebidas adoçadas, bebida alcoólica
  • Aumento da longevidade
  • Uso de alguns medicamentos prescritos nas doenças cardiovasculares (como os diuréticos)
  • Presença de outras comorbidades, como obesidade, hipertensão e dislipidemia (gordura no sangue)

Como acontece o diagnóstico

Normalmente, é feito por avaliação clínica e exames de dosagem de ácido úrico no sangue e na urina, associados aos de imagem (ultrassom e radiografias) das articulações acometidas.

No entanto, o método “padrão-ouro” para o diagnóstico definitivo da identificação dos cristais é baseado no líquido aspirado da articulação acometida.

+ Leia também: Você sabe quais são as doenças reumáticas?

Como é o tratamento

A gota não tem cura, mas pode ser bem controlada. O tratamento ocorre em duas etapas: na primeira, o objetivo é aliviar a dor, diminuir a inflamação e a incapacitação articular, com uso de anti-inflamatórios comuns, a colchicina e/ou corticosteroides.

A segunda etapa é uma terapia de longo prazo e visa a redução da uricemia e a prevenção da formação de novos cristais.

O método mais efetivo para alcançar essas metas é a redução de uratos, com o uso de alopurinol e a benzobromarona, disponíveis no mercado brasileiro.

Nos casos de intolerância ou falha por ineficácia, o febuxostate e a pegloticase surgem como alternativas terapêuticas. No entanto, não há previsão da entrada desses medicamentos no Brasil.

A Sociedade Paulista de Reumatologia alerta para a importância do diagnóstico preciso e do tratamento dos pacientes com gota, que necessitarão de terapia ao longo da vida para reduzir as complicações associadas à doença. O reumatologista é o médico especialista capacitado a cuidar do paciente com gota.

*Dra. Renata Rosa é reumatologista membro da Sociedade Paulista de Reumatologia, assistente responsável pelo ambulatório de Artrites Microcristalinas da Reumatologia do HSPE e doutora em reumatologia pela FMUSP

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O que fazer diante dos sintomas e da suspeita de uma candidíase?

Campeã de buscas no Google e de reclamações nos consultórios ginecológicos, a candidíase é uma infecção marcada por sintomas muito característicos, como dor ao urinar, corrimento branco pastoso, coceira na vulva e até incômodo na hora do sexo.

Algumas estimativas apontam que 75% das mulheres já apresentaram pelo menos um episódio na vida.

Apesar de ser confundida com uma infecção sexualmente transmissível (IST), a doença na verdade é causada por um fungo que é habitante natural da flora vaginal, o Candida albicans. Ele só provoca problemas quando ocorre algum desequilíbrio na região, o que permite ao micro-organismo se proliferar demais.

O excesso de umidade é uma dos motivos por trás dessa instabilidade. Exatamente por isso é comum que pessoas do sexo feminino sofram com coceira, corrimento fora do normal e outros sintomas da candidíase no verão, período do ano em que acabamos usando roupas de banho molhadas por mais tempo do que o recomendado.

Outros fatores que podem gerar o desequilíbrio da flora vaginal são: o uso de roupas justas, o estresse, a má alimentação, a baixa imunidade, a ingestão de alguns antibióticos, o diabetes e até mesmo a gravidez.

+ LEIA TAMBÉM: Solução contra vaginose chega às farmácias

Ainda que seja uma doença muitas vezes apontada como unicamente feminina, a candidíase é uma infecção que também pode afetar os homens. Neles, os sintomas mais comuns são: inchaço no pênis, machucados em forma de pontos, pequenas manchas vermelhas e a coceira.

Mesmo não estando na categoria das ISTs, o contato direto com uma pessoa que está com candidíase pode levar ao desenvolvimento da infecção. Além disso, a relação sexual (mesmo protegida) pode causar feridas e inflamações no local afetado. Exatamente por isso orientamos evitar a relação com penetração no período agudo da doença, ou seja, enquanto há coceira e corrimento atípico.

Apesar de os sintomas serem os principais indícios da candidíase, um diagnóstico correto só pode ser feito através da consulta com um ginecologista e de exames como a cultura de secreção vaginal. É que outras infecções podem se manifestar de forma parecida, e a automedicação e o tratamento incorreto não raro agravam o quadro.

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Exatamente por afetar um número grande de mulheres, não é incomum escutar por aí receitas caseiras para aliviar os sintomas da candidíase. Desde a ducha vaginal, passando por truques com iogurte, até o famoso “OB de alho”. Essas opções podem até parecer inofensivas, mas são capazes de mascarar o problema momentaneamente, tornando-o pior mais pra frente.

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Segundo um estudo feito por pesquisadores americanos, menos de 60% das mulheres que se autodiagnosticaram e se automedicaram apresentaram uma melhora diante dos sintomas da infecção. Enquanto isso, 84% das que procuraram ajuda médica e um tratamento correto pararam de sentir os incômodos.

Portanto, para se livrar de uma vez do problema, busque um ginecologista, que poderá receitar medicamentos e pomadas específicas para a região.

Aliás, quando uma mulher tem quatro ou mais episódios de candidíase no mesmo ano, a infecção é considerada de repetição. Especialmente nesses casos, o suporte médico é essencial, inclusive para descobrir o que está por trás dessa recorrência.

Então já sabe: sempre que sentir coceira na vulva, observar corrimento fora do normal e tiver dor ao urinar, entre em contato com um ginecologista e procure o melhor tratamento para o seu caso.

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* Caroline Ingold é ginecologista e integrante do corpo médico da Oya Care, a primeira clínica virtual de saúde feminina no Brasil

Este texto foi produzido em uma parceria exclusiva entre VEJA SAÚDE  e Oya Care

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quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

Computador quântico simula buraco de minhoca pela primeira vez

A possibilidade de pegar um atalho e ir de um ponto do Universo a outro muito distante, se é que existe (como dá a entender a Teoria da Relatividade), começa a ser testada via tecnologia.

Maria Spiropulu, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, e colegas pesquisadores usaram o computador quântico Sycamore, do Google, para simular um “buraco de minhoca holográfico” – na linguagem da astronomia, “buraco de minhoca” (warmhole em inglês) seria um túnel através do espaço-tempo que permitiria viagens pelo infinito, tendo buracos negros em cada ponta.

Os cientistas simularam um tipo de buraco de minhoca através do qual poderiam passar uma mensagem, e examinaram como seria essa jornada.

Para esta simulação, a “mensagem” era um sinal contendo um qubit (bit quântico) em uma superposição de 1 e 0. Ele entrou de um lado do buraco de minhoca artificial e saiu do outro. Sucesso! Como num teletransporte.

Se estivéssemos tratando de um buraco de minhoca real (ninguém ainda conseguiu provar que existe; é só uma possibilidade teórica), essa jornada seria bem diferente, mediada pela gravidade. Mas o modelo holográfico usa efeitos quânticos como um substituto para a gravidade. E isso simplifica bastante a simulação. 

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“O sinal embaralha, torna-se mingau, torna-se um caos e, em seguida, é recomposto e aparece imaculado do outro lado”, diz Spiropulu. “Mesmo neste minúsculo sistema, poderíamos sustentar o buraco de minhoca e observar exatamente o que esperávamos.” Isso ocorre por causa do emaranhamento quântico entre os dois buracos negros, que permite que a informação que cai em uma extremidade do buraco de minhoca saia preservada na outra extremidade. 

A maior de todas as questões

Simulações como essa podem ajudar a entender como combinar esses dois conceitos em uma teoria da gravidade quântica – talvez o problema mais difícil e mais importante da física no momento. Porque tanto a mecânica quântica, que governa o muito pequeno, quanto a relatividade geral, que descreve a gravidade e o muito grande, são bem-sucedidas em seus respectivos domínios… mas nem se cumprimentam na rua. Simplesmente não se encaixam.. 

E é aí que entra a holografia. Ela permite que os físicos criem um sistema menos complexo, mas que seja equivalente ao original, da mesma forma que um holograma bidimensional pode mostrar detalhes tridimensionais.

A criação desses cientistas mantém o mistério sobre a existência dos buracos de minhoca. Mas dá pistas de como eles poderiam nos levar a viagens interestelares incríveis no futuro, se um dia isso for possível – não apenas no campo da teoria.

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HIV: um olhar muito além do vírus

Costumo dizer que o cenário de enfrentamento do HIV hoje é muito diferente do que se via há alguns anos, quando a infecção era quase uma sentença de morte.

Podemos citar dois marcos importantes no combate ao vírus da imunodeficiência humana (HIV) em nosso país: a introdução da terapia antirretroviral com distribuição gratuita pelo SUS e o acesso aos serviços de saúde especializados para prevenção e diagnóstico.

Isso abriu a perspectiva de pessoas com o vírus viverem mais e melhor, uma das grandes conquistas nessas quatro décadas que se passaram desde a identificação dos primeiros casos da infecção e da descoberta da aids.

Hoje é comum o paciente com HIV ter uma vida normal. O tratamento é seguro e eficaz, com uso e dosagem confortáveis e efeitos adversos mínimos. A expectativa de vida é a mesma de quem não tem o vírus. Além dos benefícios para a saúde, o acesso às terapias antirretrovirais permitiu que essas pessoas retomassem e concretizassem seus projetos de vida.

Segundo o último Relatório de Monitoramento Clínico do HIV, no final de 2021 havia aproximadamente 960 mil pessoas vivendo com HIV no país, das quais 89% estavam diagnosticadas e 82% faziam o tratamento com antirretrovirais. Das pessoas em tratamento há pelo menos seis meses, 95% atingiram supressão viral (carga virológica inferior a 1.000 cópias/mL) e 90% estão com o vírus intransmissível.

+ LEIA TAMBÉM: Vivemos a era das pandemias virais?

Com esses números, o Brasil, que já era referência em diagnóstico e tratamento do HIV, entra na meta global do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) no critério supressão viral, que é de 95%.

Nesses 40 anos de avanços, foi possível observar uma menor incidência de outras infecções e a queda de mortalidade nos pacientes, o que possibilitou o envelhecimento dessa população. Tivemos um aumento significativo da população 50+ com HIV nas últimas décadas em todo o mundo.

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O Relatório de Monitoramento Clínico do HIV de 2021 também mostra que, entre os brasileiros vivendo com o vírus hoje, cerca de 33% fazem parte da população acima dos 50 anos. Desses, 90% estavam em tratamento e 82% dos que estavam em tratamento haviam atingido supressão viral.

Acontece que, mesmo com essas conquistas, o envelhecimento também traz alguns desafios, como o maior risco de desenvolver doenças mais comuns com a idade, caso de hipertensão, colesterol alto, problemas cardiovasculares e renais. E a situação pode ser agravada em pacientes com HIV quando não fazem um acompanhamento médico correto.

Desse modo, precisamos olhar para o contexto global de atenção à saúde dessas pessoas. Os profissionais e o próprio sistema precisam estar preparados para ter um olhar integral e cumprir uma assistência qualificada.

+ LEIA TAMBÉM: Por que (ainda) é preciso falar da prevenção ao HIV?

O indivíduo com HIV que vai às consultas e aos exames periódicos consegue manter a imunidade em dia e tratar outros problemas de saúde precocemente. Essa avaliação contempla a checagem da pressão arterial e da função renal, a triagem para depressão, entre outras análises importantes, e permite dar orientações de estilo de vida, como os cuidados com a alimentação e a prática de atividade física.

Olhar para as eventuais comorbidades, buscando diagnóstico e tratamento adequados, é fundamental, assim como fazer o monitoramento da carga viral. Podemos e devemos, como sociedade e rede de apoio, dar a devida atenção a esses cidadãos que hoje conseguem envelhecer com qualidade de vida, apesar do vírus. Essa é uma missão de todos nós!

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* Álvaro Furtado é infectologista, médico assistente do Departamento de Moléstias Infecciosas e Parasitárias da Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e integrante do Ambulatório de HIV/Aids do CRT/Santa Cruz da Secretária de Saúde de São Paulo

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Os trunfos e os desafios do Brasil na área de pesquisas clínicas

O Brasil é a nação que mais concentra pesquisas clínicas na América Latina. De cada dez estudos conduzidos no continente, mais de quatro são realizados por aqui.

No recorte da América do Sul, a vantagem é ainda maior, com 68% do total. Atualmente, 8 805 pesquisas clínicas estão em andamento no país.

Apesar da liderança no cenário regional, essa marca representa apenas 2% do total de estudos realizados em todo o mundo. Estados Unidos e Europa são os principais mercados, e a China vem crescendo de forma consistente e ocupa a terceira posição desse ranking.

A pesquisa clínica, vale lembrar, é aquela que testa e valida uma nova solução, produto ou medicamento em humanos. Dividida em fases, é indispensável para aprovar (ou não) um remédio ou uma vacina que será utilizada pela população.

Alguns trunfos podem fazer com que o Brasil cresça de forma significativa nesse setor nos próximos anos, tornando-se um dos grandes players globais em pesquisa clínica.

Primeiro, os centros de estudo e os pesquisadores brasileiros já contam com grande reputação no exterior. A pandemia de Covid-19 e o desenvolvimento de vacinas para a doença, que se deu em tempo recorde, trouxe muita visibilidade para a área de pesquisa clínica no país.

Nos últimos seis anos, o tempo de aprovação para uma checagem de eficácia pelas autoridades regulatórias caiu em cerca de 40%. Além disso, há um projeto de lei, atualmente em tramitação no Congresso, que busca aprimorar a regulação das pesquisas no Brasil, garantindo mais agilidade e segurança jurídica para os participantes e as empresas. Todos esses fatores colaboram para que sejamos mais produtivos e atrativos nesse contexto.

+ LEIA TAMBÉM: As descobertas do atlas das células humanas

Afinal, trata-se de um grande mercado. Desde 2016, as grandes companhias farmacêuticas aumentaram em 44% o investimento em pesquisa e desenvolvimento, chegando a um total de 133 bilhões de dólares no último ano.

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Uma das áreas que vêm recebendo mais recursos é a farmacogenética, que estuda a forma com que variações presentes no genoma dos indivíduos influenciam a resposta do organismo aos medicamentos. O objetivo é personalizar o tratamento de acordo com as características genéticas de cada pessoa.

O Brasil tem uma população multiétnica de quase 220 milhões de habitantes que falam o mesmo idioma e dimensões continentais com diferentes tipos de clima. Reúne, assim, condições ideais para ser um polo de pesquisa em farmacogenética.

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A falta de infraestrutura, principalmente em localidades mais afastadas das grandes cidades, é um dos principais gargalos existentes. Esse problema pode ser contornado com uma pesquisa clínica mais descentralizada, capaz de eliminar as barreiras tradicionais para pacientes (voluntários), médicos e empresas.

Nesse novo modelo, que dispõe de uma combinação de infraestrutura móvel para pesquisas, profissionais itinerantes e cientistas atuando também de forma virtual, podemos desenvolver pesquisas com potencial de salvar vidas e criar novas terapias mais rapidamente. Isso já existe nos EUA, onde a pesquisa clínica atrai investimento e oferece a comunidades diversas e mais carentes acesso a tratamentos de ponta.

Graças aos estudos com medicamentos, vacinas e equipamentos médicos, a população mundial vem alongando seu tempo médio de vida, ultrapassando os 80 anos de idade em muitos países.

O Brasil ainda perde oportunidades de acesso a estudos clínicos devido a burocracia regulatória e falta de logística adequada. Precisamos mudar esse cenário, inclusive para dar à nossa população a possibilidade de viver mais e melhor.

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* Luis Russo é endocrinologista, membro da Academia Nacional de Medicina Farmacêutica e CEO da IBPCLIN Instituto Brasil de Pesquisa Clínica, empresa do grupo Care Access Brasil. Entre outros trabalhos, liderou estudos para a aprovação da utilização da vacina da Janssen contra Covid-19 no país

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