Eu sou Pedro, tenho 27 anos. Trabalho no banco Bradesco como programador web há 3 anos. Inicie como estagiário e fui efetivado após 1 ano de empresa. Sou bastante determinado, organizado e flexível. Pratico natação e tenis duas vezes por semana. Adoro viajar com a namorada para lugares que tenha praia. Tenho bastante interesse por aviação e não dispenso um bom prato de lasanha.
Em 2018, cientistasdescobriramuma oficina de embalsamento na necrópole de Saqqara, no Egito. Junto dela estavam copos de medida, potes de cerâmicas e cinco corpos mumificados.
“Estamos diante de uma mina de ouro de informações”,disseRamadan Badry Hussein. Na ocasião, ele era diretor do Saqqara Saite Tombs Project, que supervisionava aescavação.
Agora, cinco anos mais tarde, pesquisadorespublicaramna revista científicaNaturealgumas das informações descobertas. E elas eram impressionantes.
Analisando o resíduo das cerâmicas por meio de técnicas biomoleculares, os cientistas conseguiram novos vislumbres de como os egípcios mumificavam seus mortos.
Na oficina, muitos dos jarros de cerâmicas, copos de medida e tigelas recebiam inscrições de acordo com seu conteúdo ou seu uso. Os pesquisadores examinaram 31 dos 121 recipientes encontrados, e assim foram capazes de determinar os ingredientes do embalsamento.
Embora conhecessem os nomes das substâncias utilizadas, os cientistas antes só eram capazes de supor do que cada uma delas era exatamente feita. O que era nomeado pelos egípcios comoantiu, por exemplo, costumava ser traduzido como mirra ou incenso. Agora, os pesquisadores são capazes de afirmar que se tratava de uma mistura de vários ingredientes diferentes. Mais especificamente, óleo de cedro, óleo de zimbro ou cipreste e gordura animal – embora a mistura possa variar de lugar para lugar e de tempos em tempos.
Alguns recipientes vinham com instruções específicas de como cada mistura era usada: como “para colocar na cabeça”, “para fazer bandagem ou embalsar” e “para tornar seu odor agradável”. Com essas informações, somadas ao conteúdo de cada pote, os pesquisadores determinaram como cada mistura era usada.
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Alguns dos potes encontrados na oficina.M. Abdelghaffar/Saqqara Saite Tombs Project, University of Tübingen/Divulgação
Oito recipientes diferentes davam instruções sobre o tratamento da cabeça do falecido; resina de plantas do gêneroPistaciae óleo de rícino eram dois ingredientes que só apareciam nesses vasos, muitas vezes associados em uma mistura com outros elementos, como resina de elemi, óleo vegetal e cera de abelha. Gordura animal e resina de plantas da famíliaBurseraceae(como a mirra e o incenso) foram usadas para lidar com o cheiro do corpo em decomposição. Já a gordura animal e cera de abelha visavam tratar a pele no terceiro dia de tratamento. Óleos de árvores ou alcatrões, juntamente com óleo vegetal ou gordura animal, poderiam ser usados para tratar as bandagens usadas para o embalsamento, encontrados em mais oito vasos.
“Eu fiquei fascinado com esse conhecimento de química”,afirmao arqueólogo Philipp Stockhammer, um dos autores do estudo.“Eles sabiam quais substâncias deveriam pôr na pele – antibacteriano e antifúngico – para ela ficar o mais preservada possível; mesmo sem ter qualquer conhecimento microbiológico, sem nem ao menos saber sobre bactérias.”
Os resíduos também revelam características peculiares sobre o comércio da época. Betume natural, uma substância semelhante ao alcatrão, teria vindo do Mar Morto. Resinas de zimbro e cipreste e resina dePistaciasprovavelmente foram provenientes da costa leste do Mediterrâneo. Eles também usaram resina de elemi, uma árvore que cresce nas florestas tropicais da África e da Ásia.
O mais intrigante é que os cientistas descobriram a resina dammar, que vem de uma família de árvores que cresce nas florestas da Índia e do Sudeste Asiático. Como a árvore de onde é tirada a resina de elemi também cresce no sudeste da Ásia, os pesquisadores acreditam que essas duas resinas fizessem a mesma rota de importação; demonstrando um grande esforço em adquirir os ingredientes certos – ou os maisexóticos– para o embalsamento.
A equipe vai continuar trabalhando com os outros 90 recipientes recuperados da oficina. “Graças a todas as inscrições nos vasos, no futuro seremos capazes de decifrar ainda mais o vocabulário da química egípcia antiga que não entendíamos suficientemente até o momento”, afirma Stockhammer.
Infelizmente, Hussein, arqueólogo membro do estudo que liderava a escavação,faleceuno ano passado – antes de seu trabalho ser completo.
Há cerca de 125 mil anos, neandertais se organizavam em grupos sociais muito maiores do que se acreditava. O motivo era a sobrevivência. Eles se reuniam para caçar elefantes de cerca de quatro metros de altura, quase três vezes o tamanho dos atuais elefantes asiáticos. Cada bichão desses rendia por volta de 4 toneladas de carne. O suficiente para alimentar 350 indivíduos por uma semana.
Sabemos agora desse passado misterioso graças a um estudo atual que se debruçou sobre uma descoberta da década de 1980, quando mineradores de carvão do centro-leste alemão acharam ossos de mais de 70 elefantes machos de presas retas (Palaeoloxodon antiquus), em sua maioria adultos, uma espécie extinta. Encontraram também muitas ferramentas de pedra.
Só agora, pesquisadores alemães analisaram 3.400 ossos desses animais para chegar à conclusão de que foram mortos e fatiados por neandertais: a primeira evidência de caça em larga escala feita por esses indivíduos.
O estudo diz mais do que isso. Até recentemente, pensava-se que os neandertais viviam em grupos pequenos e altamente móveis, de cerca de 20 indivíduos no máximo. Mas a abundância de elefantes sugere que os grupos “consumidores” eram muito maiores – grandes o suficiente para abater, processar um elefante inteiro e consumi-lo sem deixar restos.
Além dessa organização em grupos maiores, a descoberta revela que também eram mais sofisticados do que se supunha. Tinham estratégias para a caça, por exemplo: escolhiam machos adultos porque estes, mais aventureiros, costumavam vagar sozinhos, diferentemente das fêmeas, que contavam com a proteção dos grupos para proteger seus filhotes. Uma seleção típica feita por caçadores experientes.
A grande quantidade de alimento extraída de cada elefante também revela que os neandertais podiam se estabelecer por mais tempo num único local. Ou seja: eram capazes de se adaptar conforme as condições do lugar.
Se havia toneladas de carne para abastecer o grupo por semanas, por que ir embora tão cedo?
O boletim epidemiológico mais recente da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), divulgado no dia 25 de janeiro, mostra que o Brasil registrou, no ano passado, 265 265 casos suspeitos de chikungunya. A entidade tem representação em 27 países da região das Américas.
Segundo a Opas, 99,6% dos casos da doença no continente americano se concentraram em apenas três países: Brasil (98%), Paraguai (0,9%) e Guatemala (0,7%). Ofuscada pela pandemia de Covid-19 nos últimos três anos, e dividindo alertas com outras doenças endêmicas (como a dengue e o zikavírus), a chikungunya tem passado despercebida aos olhos da sociedade brasileira.
Como arbovirose, também é transmitida por nosso muito conhecido mosquito Aedes aegypti. Em geral, é uma doença infecciosa e que provoca sintomas como febre alta, dores no corpo e nas articulações, manchas vermelhas na pele e conjuntivite.
O que muita gente desconhece é que, às vezes, as dores intensas nas articulações e nos músculos podem persistir por dias e até meses. Para ter uma ideia, entre algumas pessoas a doença se torna incapacitante.
Em casos pontuais, ainda mais graves, a partir de um quadro de chikungunya, os pacientes podem desenvolver meningite, problemas cardíacos ou até ir a óbito.
Inclusive, o mesmo boletim da Opas informa que, em 2022, 94 pessoas morreram nas Américas em decorrência da chikungunya – todas viviam no território brasileiro.
A vacina
É só conhecendo esse contexto que podemos compreender o porquê de cientistas terem se mobilizado em torno de uma vacina contra a chikungunya, produto que agora está em estudo clínico de fase 3 no Brasil.
A fase 3 é a que necessita de um número maior de participantes para avaliar a segurança e eficácia de imunizantes. Trazida ao país pelo Instituto Butantan, em parceria com a farmacêutica austríaca Valneva, a vacina é inédita no mundo.
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Na Grande São Paulo, o Centro de Pesquisa do Instituto de Infectologia Emílio Ribas participa do estudo que acontece no Brasil com adolescentes – mas há mais nove centros envolvidos com essa pesquisa clínica em todo o Brasil.
Iniciado no ano passado, o estudo já conseguiu todos os voluntários de que precisava na faixa etária de 15 a 17 anos. O esforço agora se concentra em divulgar a pesquisa para jovens de 12 a 14 anos.
Em adultos, a vacina já havia passado pelo mesmo estudo clínico de fase 3, só que nos Estados Unidos. Ao todo, 4 115 voluntários participaram. Dados preliminares apontaram que a vacina é segurae conseguiu produzir anticorpos em 96,3% dos voluntários.
Como em qualquer estudo clínico com vacina, a organização e o acompanhamento dos voluntários são feitos de forma muito criteriosa. Por nossa experiência com o estudo da Coronavac, contra a Covid-19, em 2020, fomos convidados para participar desse estudo com a vacina de chikungunya.
Nosso centro de pesquisa foi auditado e recebemos uma certificação internacional da EMA (Agência Europeia de Medicamentos).
Os interessados em se voluntariar devem estar acompanhados de seus responsáveis legais. Primeiramente eles são informados de todos os detalhes do estudo, tiram suas dúvidas e, após o “aceite”, devem assinar o termo de consentimento para autorizar o início da coleta dos exames e o acompanhamento da equipe.
Metade dos participantes recebe a vacina e a outra metade, o placebo – essa informação é mantida sob sigilo até o final do estudo. A equipe médica do centro faz o monitoramento e dá orientações online aos participantes durante mais de um ano. Para mais informações, é só ligar para (11) 9 1026-6996.
Mais uma vez, assim como aconteceu com a Covid-19, o que mais tem estimulado os voluntários é a vontade de ajudar o país a ter uma vacina. Agora, são as novas gerações que chegam com um senso de altruísmo e a confiança na ciência de que o mundo tanto precisa.
*Ana Paula Rocha Veiga é médica infectologista, foi coordenadora do estudo com a vacina Coronavac e agora coordena o estudo com a vacina de chikungunya no Instituto de Infectologia Emílio Ribas
Umcometade cauda verdeestá passando pelas redondezas do nosso planeta. Será a primeira vez em 50 mil anos que isso acontece; da última vez, os neandertais (hominídeos extintos há 37,5 mil anos) ainda estavam por aqui. No Hemisfério Sul, o cometa será visível a partir desta noite (1) até por volta do dia 10.
O cometa fez sua maior aproximação com oSolno último dia 12, quando chegou a 166 milhões de quilômetros da estrela, e deve chegar “perto” da Terra nesta quinta-feira (2). Os astrônomos estimam que, neste dia, ele passará a 42 milhões de quilômetros de nós – aproximadamente 110 vezes a distância daqui até a Lua.
O nome do cometa é C/2022 E3, e ele foi descoberto em março de 2022 por astrônomos que usavam um telescópio na Montanha Palomar, na Califórnia (Estados Unidos). Trata-se de um aglomerado de poeira e gases congelados que teria se originado da Nuvem de Oort – assim batizada em homenagem ao astrônomo holandês Jan Hendrik Oort (1900-1992), que demonstrou sua existência.
A Nuvem, uma coleção de pequenos corpos gelados, teria se formado nos primórdios do Sistema Solar. Ela existe bem distante de nós, a mais de mil unidades astronômicas daqui – ou seja, mil vezes a distância entre a Terra e o Sol. Seria a fonte da maioria dos cometas de longo período (que levam mais de 200 anos para orbitar o Sol) já observados.
O brilho verde que aparece ao redor do cometa é uma característica interessante, mas não exclusiva, do C/2022 E3. Os astrônomos acreditam que é o resultado da interação entre a luz do sol e o carbono diatômico, uma forma instável e gasosa desse elemento, que surge no cometa quando ele se aproxima da estrela.
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Mas você não deve enxergar o brilho verde quando procurar o C/2022 pelo céu, porque o olho humano não é sensível o suficiente para captar o fenômeno – isso só é possível com a longa exposição de uma câmera fotográfica, por exemplo. Por isso, se você encontrá-lo no céu, mesmo usando binóculos ou um telescópio, verá um ponto de luz não muito parecido com a imagem que abre este texto.
Mas afinal: como encontrá-lo? Primeiro: utilize um aplicativo gratuito paracelular, como o Stellarium ou o Star Walk, para conferir a localização dos astros no céu. Se possível, vá para um lugar longe da poluição luminosa das grandes cidades e tenha um binóculo em mãos.
A expectativa é que o brilho do C/2022 aumente nos próximos dias, e que ele permaneça visível no céu de todo o Brasil durante a primeira quinzena de fevereiro, sempre nas primeiras horas da noite. Por volta do dia 5 de fevereiro, procure ocometanos arredores de uma estrela brilhante e azulada chamada Capela, com a ajuda dos aplicativos de localização. Por volta do dia 10, ele estará mais alto no céu, mais próximo do ponto que Marte ocupa.
Uma alternativa mais fácil é assistir à visita do telescópio a partir da live organizada pelo Virtual Telescope Project (VTP), que começa à 1h desta quinta (2). Você pode conferir no site do projeto, clicando aqui.
Astrônomos de todo mundo também estarão de olho na passagem do C/2022. Isso porque os cometas são comofósseisdo Sistema Solar: eles têm informações importantes sobre a formação do Sistema, a origem da Terra e, possivelmente, da vida por aqui. Esta é mesmo uma oportunidade única: a influência gravitacional do Sol pode forçar o cometa a dar mais uma volta ao redor dele e nos visitar novamente, daqui a 50 mil anos, ou expulsá-lo doSistema Solar.
Considerada uma das esculturas mais famosas do mundo, o Davi de Michelangelo (1475-1564) tem a mão direita desproporcional em relação ao resto do corpo. O exagero no tamanho seria referência a um dos significados do nome do herói bíblico, que, no latim, foi traduzido como fortis manu, ou mão forte.
Diferentemente da colossal obra de arte, é justamente a fraqueza das mãos que, junto de outros sinais, dá pistas da sarcopenia — condição marcada pela redução significativa de massa, força e função muscular, e que pode inclusive derrubar a qualidade de vida.
O envelhecimento é o principal fator por trás dessa perda progressiva, que atinge entre 11 e 17% da população mundial com mais de 60 anos e bate 50% em indivíduos acima dos 80.
Acontece assim: com o avanço da idade, ocorrem naturalmente alterações fisiológicas que afetam o trabalho e as características das fibras musculares. Os processos biológicos responsáveis por tonificar pernas, braços e companhia passam a não ser tão eficientes como na juventude.
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A perda de massa e força desencadeia um quadro que, quando não é detectado e revertido a tempo, aumenta o risco de queda e instabilidade postural, gerando insegurança para a prática de exercícios e tarefas simples do cotidiano. E a inatividade, por sua vez, cria um círculo vicioso prejudicial ao organismo.
O diagnóstico da sarcopenia vem à tona após um profissional de saúde avaliar a marcha do indivíduo e a presença de sintomas como cansaço, lentidão ou dificuldade ao subir escada ou levantar-se da cadeira, medir a circunferência da panturrilha e solicitar exames como a densitometria. Perda de peso não intencional é outro motivo de suspeita.
Mais um parâmetro, que nos remete à estátua de Michelangelo, é a força da mão, mensurada com o auxílio de um aparelhinho chamado dinamômetro (ou handgrip). Para esse último critério, inclusive, os cientistas estão pedindo a revisão das métricas.
É que novas medidas para referência surgiram em um estudo internacional, com dados de 6 182 pacientes britânicos acompanhados por 14 anos, conduzido pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e a University College London, no Reino Unido.
O trabalho comparou os pontos de corte de preensão palmar encontrados entre os voluntários e os de pesquisas anteriores. “Nossa conclusão e sugestão é aumentar o valor mínimo, tornando o teste mais preciso e melhorando o diagnóstico da sarcopenia”, conta o fisioterapeuta Tiago da Silva Alexandre, professor do Departamento de Gerontologia da UFSCar e líder do trabalho.
alimentação para os músculosEstudio Coral/SAÚDE é Vital
Quanto mais cedo se descobre a perda de massa e força muscular, maiores as chances de intervir com sucesso e estender a autonomia, a disposição e os anos pela frente.
“Hoje se sabe que garantir a saúde do sistema musculoesquelético é fundamental para diversos processos vitais”, diz o nutricionista Hamilton Roschel, do Grupo de Pesquisa em Fisiologia Aplicada e Nutrição da Escola de Educação Física e Esporte e da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).
Nesse sentido, a obra de outro mestre renascentista pode ser útil para entender tantas atribuições da musculatura. Estudioso do corpo humano, Leonardo da Vinci (1452-1519) deixou uma porção de desenhos que detalham a beleza da engrenagem que compõe esse maquinário.
Além das funções nos movimentos e na postura, como a estabilização do tronco, músculos vigorosos protegem as articulações e os ossos dos impactos. Não bastassem as funções conhecidas há séculos, a ciência moderna tem mostrado que preservar a musculatura repercute na imunidade, no coração e até no cérebro. E não param de surgir notícias de que a famosa dobradinha dieta e exercício tem um peso enorme no vigor muscular.
Embora a proteína continue sendo o ingrediente de destaque nesse cenário, é bom saber que outros nutrientes dão um apoio para a musculatura se manter em cima e não desmoronar
A palavra “sarcopenia” é originária do grego sarx, que significa carne, e penia, perda. Foi Irwin Rosenberg, professor do Centro de Pesquisa de Nutrição Humana sobre Envelhecimento, da Universidade Tufts, nos Estados Unidos, que cunhou o termo em 1989.
Antigamente, o conceito se referia apenas à redução de massa magra, ou seja, não incluía força e desempenho físico. Aliás, no dicionário dos experts, há um verbete exclusivo para a fraqueza da musculatura, que é dinapenia. Consta ainda osteosarcopenia, que junta o decréscimo ósseo ao muscular.
De fato, músculos e ossos estão em constantes trocas de informações — e ambos são impactados com o avançar dos anos. “Assim, a tendência é que prejuízos ocorram simultaneamente”, explica a geriatra Maisa Kairalla, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Quando há déficit na síntese proteica, processo natural no envelhecimento, observam-se prejuízos tanto na densidade do esqueleto quanto nas fibras musculares. Daí que sarcopenia e osteoporose costumam andar lado a lado.
Mesmo que os declínios sejam inevitáveis, caprichar no cardápio e evitar o sedentarismo (quanto antes, por favor!) contribui para minimizar os estragos. Embora o ideal seja adotar tais hábitos ainda na infância, os experts garantem que sempre há tempo para correr atrás do prejuízo.
Não é nenhuma novidade que mexer o corpo provoca uma série de efeitos benéficos. A lista é enorme. Independentemente da atividade escolhida, a tendência é de redução da gordura corporal e aumento da densidade óssea e massa muscular. Sem contar as repercussões no cérebro, algo também mediado, quem diria, pela musculatura.
Cientistas têm desvendado o papel de determinadas moléculas derivadas do músculo esquelético na regulação do humor e na cognição. “Conhecidas como miocinas, elas são liberadas nas contrações musculares e se comunicam com regiões cerebrais”, revela o médico do esporte Fabrício Buzatto, do Hospital Universitário da Universidade Federal do Espírito Santo.
Mas nunca é demais ressaltar que a prática de exercícios deve ser algo prazeroso, quase um momento de lazer, só assim vai gerar adesão e trazer saúde em um sentido amplo, proporcionando tanto bem-estar físico quanto mental. Ninguém que já passou por tanta coisa na vida merece sofrer em cada sessão, concorda? O mesmo recado vale para o que vai ao cardápio. É preciso ajustar as coisas, mas sem desrespeitar as preferências.
Idosos tendem a apresentar alterações na mastigação e no paladar, além de certas dificuldades digestivas. Por tudo isso, não é raro que rejeitem carnes, por exemplo. Essas situações pedem um olhar ainda mais zeloso a fim de adequar as quantidades de nutrientes, sobretudo em relação às necessidades proteicas.
Formada a partir da combinação dos aminoácidos, a proteína é comparada aos tijolos que formam as paredes. Isso porque tem papel fundamental na constituição dos órgãos e demais tecidos. Ela é indispensável na formação e reparação das fibras musculares, colaborando para o incremento da massa magra.
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E, aqui, outra vez vamos bater na tecla da dupla ginástica e dieta. Afinal, de nada adianta levantar os halteres se não abastecer o organismo adequadamente. O resultado depende dessa combinação.
As recomendações diárias variam de acordo com o perfil e a idade, mas, entre os mais velhos, geralmente os valores ficam entre 1 e 1,5 grama de proteína por quilo de peso corporal. Exemplo: um indivíduo de 80 kg requer 120 g diários.
“Para suprir essa demanda, o ideal é apostar na variedade, alternando fontes proteicas vegetais e animais”, sugere a nutricionista Celma Muniz, do Ambulatório de Cardio-Oncologia da Unifesp.
Ovos, peixes, carnes magras, além de leite e seus derivados, fornecem diversos tipos de aminoácidos. Já no reino vegetal, o grupo das leguminosas faz bonito: ervilhas, lentilhas, soja, grão-de-bico, além dos inúmeros tipos de feijões.
Deslizes por trás da fraquezaEstudio Coral/Divulgação
Dar um chega pra lá na monotonia alimentar só traz vantagens — e em todas as fases da vida. Em se tratando de proteína, a alternância de fontes e receitas acrescenta sabores e pode fazer toda a diferença para a saúde muscular. De um lado, temos os redutos de origem animal, que são badalados por apresentarem um perfil de aminoácidos de excelente aproveitamento pelo organismo.
Do outro, destacam-se as leguminosas (soja, ervilha, feijão, lentilha), que têm a vantagem de, além do conteúdo proteico, oferecer fibras, ingrediente crucial para a microbiota e o bem-estar intestinal.
E até isso tem reflexos na musculatura. Estudos mostram que, quando há desequilíbrio da flora, a tal disbiose, ocorre o aumento da permeabilidade intestinal, levando substâncias inflamatórias a viajar pela corrente sanguínea e deixar um rastro de encrencas pelo organismo.
“Observa-se, na população idosa, que quadros de inflamação sistêmica de baixo grau, batizados de inflammaging, estão associados a doenças crônicas, incluindo a sarcopenia”, conta a nutricionista Natália Magalhães, do Centro de Gasto Energético e Composição Corporal da Faculdade de Medicina da USP.
É justamente por esse elo que o ômega-3, gordura encontrada em peixes e sementes, desponta como protetor dos músculos — ora, ele atua contra a inflamação. Garantir que não faltem antioxidantes no dia a dia é mais uma atitude nesse sentido. Tais substâncias, encontradas em frutas e hortaliças, neutralizam os radicais livres, moléculas que, em excesso, estão por trás da atrofia.
A nutricionista Natália Lopes, do mesmo grupo de estudos da USP, reforça a importância do balanço entre nutrientes. “Embora a proteína tenha destaque, se faltam carboidratos, gorduras, vitaminas e minerais, o estímulo para a síntese de massa muscular é prejudicado”, justifica a pesquisadora.
Mas há situações em que a comida já não dá conta do recado, e os suplementos precisam ser convocados. O uso deve ser feito sob supervisão profissional, já que alguns grupos pedem maior cautela na ingestão, como hipertensos e portadores de doenças renais.
“Antes de qualquer indicação, avaliamos o perfil e a rotina do paciente, e são feitos ajustes no cardápio com atenção para as calorias”, esclarece a nutricionista Myrian Najas, professora da Unifesp.
Com o envelhecimento, além da propensão à magreza e à desnutrição, os decréscimos hormonais favorecem o acúmulo de gordura na região abdominal. A escolha e a dose, portanto, devem ser individualizadas. Suplementos de aminoácidos, com leucina, creatina e proteína do soro de leite, estão entre os mais prescritos.
Geralmente, esses produtos são combinados com a vitamina D, grande aliada do sistema musculoesquelético. Um trabalho recente do grupo do professor Tiago Alexandre, na UFSCar, comprova esse papel.
Sinergia conta muitos pontos quando o assunto é afastar a sarcopenia — e isso envolve a combinação de exercícios, dos suplementos e até dos ingredientes das refeições. Daí a razão de a festejada dieta do Mediterrâneo ser tida como exemplo para resguardar os músculos e a saúde, como confirma um estudo da Universidade Colúmbia, nos Estados Unidos.
Afinal, mais que um cardápio, trata-se de um estilo de vida. Mas, como estamos do lado de cá do oceano, nada melhor do que valorizar o arroz com feijão de cada dia e lançar mão daquilo que nossa terra dá.
Jabuticaba, amendoim, pitanga, baru, pequi, ora-pro-nóbis, mandioca são só alguns exemplos de comidas de berço brasileiro com um mix interessantíssimo de nutrientes — e que podem ter feito parte da infância de muita gente mais madura. Que tal sair da inércia, resgatar tudo isso e dar aquela força ao prato?
Covid-19 e os músculos
O grupo do professor Hamilton Roschel avaliou o impacto da doença na musculatura de 80 pacientes internados no Hospital das Clínicas de
São Paulo. A infecção e a cascata de inflamações desencadeadas pelo vírus provocam alterações metabólicas prejudiciais aos músculos.
O estudo constatou que a perda de massa magra na hospitalização está relacionada com a Covid longa, isto é, com sintomas persistentes como fadiga e dores. Entre aqueles que perderam mais massa, maior foi a dificuldade para a recuperação da musculatura anterior à internação.
Durante décadas, a musculação carregou o peso do preconceito. Havia uma ligação com malefícios à saúde porque muita gente associava a prática aos marombados e fãs de anabolizantes. Nos últimos anos, entretanto, diversas pesquisas desfazem essa injustiça.
Além de fortalecerem o tônus muscular, os exercícios resistidos contribuem para regular os níveis de glicose, melhoram o sono e espantam o mau humor. Mas é essencial adequar a carga, o número de séries e o tempo de recuperação para alcançar bons resultados. Orientação especializada, portanto, é bem-vinda.
<span class="hidden">–</span>Estudio Coral/SAÚDE é Vital
Novo topo de linha da Samsung é primeiro e único a usar nova CPU da Qualcomm, com núcleo de alto desempenho; nos notebooks, empresa preferiu ficar com os chips x86 da Intel
Terminou há pouco o Galaxy Unpacked, evento realizado pela Samsung em São Francisco para apresentar seus novos produtos. Como esperado, o destaque foi o smartphone Galaxy S23, que tem duas novidades: sensor de imagem com 200 megapixels (o dobro do antecessor) e um novo processador da Qualcomm, o Snapdragon 8 Gen 2 for Galaxy.
O novo sensor até permite tirar fotos de 200 MP, mas sua principal serventia não é essa. Ele usa uma técnica chamadapixel binning, que combina vários pixels num só, para gerar fotos de resolução um pouco menor -50 megapixels durante o dia e 12 megapixels à noite-, mas que têm melhor contraste, sombras mais detalhadas e menos ruído de imagem, principalmente em situações de pouca luz.
É uma inovação relevante, porém não inédita: o smartphone Xiaomi 12T Pro, lançado em outubro de 2022, já possui sensor de 200 MP compixel binning. Mas vale lembrar que a qualidade de imagem, nos smartphones, também é muito dependente de software – os algoritmos de processamento desenvolvidos por cada fabricante.
Já a outra novidade do S23 é exclusiva dele: a CPU, uma versão customizada do Snapdragon 8 Gen 2. Ele tem oito núcleos: o “prime core”, de altíssimo desempenho, quatro “performance cores” de 2,8 GHz, e três “efficiency cores”, de baixo consumo de energia, trabalhando a 2 GHz. Na linha Galaxy S23, o prime core trabalha numa frequência mais alta, 3,36 GHz (contra 3,2 GHz do Snapdragon 8 Gen 2 normal).
O Galaxy S23 terá três versões: Standard, Plus e Ultra. Nos Estados Unidos, elas vão custar a partir de US$ 799, US$ 999 e US$ 1.199. No Brasil: R$ 5.999, R$ 6.999 e R$ 9.499.
3,36 GHz é uma frequência bem alta para uma CPU de smartphone. Por isso, talvez o novo Snapdragon Gen 2 customizado se saísse bem rodando um sistema operacional de desktop, como o Windows.
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Mas a Samsung preferiu ser conservadora ao apresentar seus novos notebooks. Tanto o Galaxy Book 3 Pro, quanto o Pro 360 (com tela que gira, virando um pseudo tablet) e o Ultra vêm equipados com processadores Core de 13a. geração, da Intel.
Linha de laptops Galaxy Book 3, da Samsung.Samsung/Divulgação
Ou seja: ainda não foi desta vez que os laptops Windows migraram para a microarquitetura ARM (como a Apple fez nos MacBooks M1 e M2). A hesitação da Samsung chama a atenção, por dois motivos. No passado, ela chegou a vender um notebook equipado com processador ARM. O chip era da Qualcomm – cujo presidente estava no evento de hoje, e até subiu ao palco.
Os processadores com arquitetura ARM, presentes nos smartphones, gastam bem menos energia que os x86, produzidos pela Intel e pela AMD. Por isso os MacBooks alcançam até 17h de bateria – algo ainda distante dos notebooks Windows.
O problema é que, até hoje, os chips da Qualcomm não conseguiram rodar bem o Windows e seus programas. Alguns deles, como o navegador Edge, já ganharam versões ARM e funcionam bem; mas a esmagadora maioria, que ainda é x86, só roda por meio de emulação, o que infelizmente deixa o computador lento. A nova CPU da Qualcomm, com seu núcleo principal de 3,36 GHz, talvez pudesse resolver isso. Ou, quem sabe, ainda não.
Os novos Galaxy Books têm telas OLED de 14 a 16 polegadas, e vão custar a partir de US$ 1.119 nos EUA. No Brasil, os preços ainda não foram divulgados.
Um dos maiores desafios no tratamento de longo prazo das doenças crônicas é o engajamento (ou adesão) do paciente. Em outras palavras, é muito difícil uma pessoa usar os medicamentos regularmente, sem falhar, conforme a orientação médica – especialmente quando falamos de condições silenciosas, como diabetes tipo 2, pressão alta, colesterol e triglicérides alterados, insuficiência renal, etc.
Quanto mais informações o indivíduo tem em relação à sua condição de saúde, e quanto melhor é a relação médico-paciente, maior o engajamento. Outros fatores também facilitam o seguimento do tratamento, como custo acessível, uso via oral, menor número de comprimidos ao dia e poucos efeitos colaterais.
E por que é tão importante falar disso? Simples: a falta de engajamento mata. O uso irregular dos medicamentos promove descontrole das doenças, causando complicações graves com o tempo.
A semaglutida injetável semanal é um medicamento de destaque no tratamento do diabetes tipo 2 devido a várias características. Dá para citar, por exemplo, a potência no controle da glicose, a expressiva redução do peso corporal, a redução do risco de doenças cardiovasculares e o baixíssimo risco de hipoglicemia, entre outras.
Agora em janeiro, a farmacêutica Novo Nordisk fez um alerta à Anvisa, à sociedade civil e aos médicos sobre o risco de desabastecimento do medicamento na caneta de 1 mg (reforço: apenas a caneta de 1 mg).
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Segundo a farmacêutica, isso se deve à grande demanda (além da prevista) da medicação no Brasil e no mundo. A empresa destaca que em momento algum houve problema na qualidade do produto, vendido comercialmente como Ozempic – a questão é o excesso de procura.
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Estima-se que, a partir de hoje, haverá um estoque intermitente, e o esperado é que tudo se normalize no segundo semestre de 2023. Na tentativa de trazer o menor transtorno possível, as fábricas aumentaram substancialmente a produção mundial, mas, mesmo assim, muitas pessoas procurarão a medicação nas farmácias e não encontrarão.
E, aí, como fica o tratamento do diabetes tipo 2 entre esses indivíduos? Lembra da importância do engajamento no tratamento? Então…
É claro que essa situação de desabastecimento não é nada bem-vinda. Mas, diante dela, é fundamental que quem usa 1 mg semanal de semaglutida injetável entre em contato com seu médico para discutir uma alternativa ao tratamento.
Felizmente, não faltam alternativas dentro da mesma classe de medicamentos – via subcutânea ou via oral, em esquema diário ou semanal. E também há opções entre outras classes de medicamentos antidiabéticos. Converse com seu médico!