terça-feira, 3 de outubro de 2023

Carnes e laticínios: pode comer, mas não como prioridade, diz estudo

É provável que a carne vermelha — e, em menor instância, os derivados do leite — tenha sido o alimento mais colocado na berlinda nos últimos anos em função dos prejuízos ao corpo provocados pelo consumo excessivo.

Para dar um norte às pessoas que não querem abrir mão de produtos de origem animal, um grande estudo publicado pela Sociedade Europeia de Cardiologia averiguou o impacto das suas escolhas no risco de doença cardiovascular e morte prematura.

Os experts concluíram que dietas que enfatizam frutas, hortaliças, peixes e até laticínios foram ligadas a menores taxas de problemas.

E, veja só, a adição de carne vermelha não processada (excluem-se, portanto, os embutidos) em quantidade moderada não pesou negativamente na conta.

“Observamos que até duas porções diárias de laticínios, principalmente os integrais, podem ser incluídas na rotina e apresentar efeitos protetores”, declarou o líder do estudo, Andrew Mente.

+Leia Também: Carne de laboratório é aprovada nos Estados Unidos

alimentacao-quadro-dietas
Veja dicas para aderir na dieta!Tabela: Editora de arte/Veja Saúde/SAÚDE é Vital
Compartilhe essa matéria via:
Publicidade

Carnes e laticínios: pode comer, mas não como prioridade, diz estudo Publicado primeiro em https://saude.abril.com.br

“Brasil retrocedeu pelo menos dez anos no combate à tuberculose”

A enfermeira Ethel Maciel, secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, foi escolhida para presidir o grupo Grupo de Assessoramento Técnico para a Tuberculose da Organização Mundial da Saúde (OMS). 

Ela será a primeira mulher a ocupar o cargo. A seleção é feita por análise de currículo e a decisão final tomada pelo diretor geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. O grupo técnico é uma entidade composta por especialistas, que dão suporte à elaboração de políticas públicas sobre temas específicos. 

Antes de assumir o posto no Ministério da Saúde, Ethel construiu uma carreira voltada ao controle de doenças infecciosas, em especial a tuberculose. 

A doença infecciosa é um problema de saúde pública. A OMS pretende erradicá-la até 2030, e novas vacinas e tratamentos estão no horizonte para ajudar a cumprir essa meta, mas o que tem acontecido é o oposto.

Em 2022, o Brasil teve 78 mil casos e 5 mil óbitos por tuberculose. Trata-se do maior número em décadas. O cenário global é parecido. Em 2020, cerca de 1,5 milhão de pessoas morreram no mundo com a infecção. 

Confira a seguir uma entrevista exclusiva com Ethel para entender os desafios atuais e a relevância da nova posição. 

VEJA SAÚDE: Quais são as atribuições do Grupo de Assessoramento Técnico para a Tuberculose (STAG-TB)? 

Continua após a publicidade

Ethel Maciel: Ele é um grupo técnico-científico que assessora o diretor gera na definição de políticas sobre a tuberculose. Então analisamos pesquisas recentes sobre novos medicamentos, vacinas e testes diagnósticos, vendo o que é mais promissor e custo-efetivo. 

O STAG-TB é o grupo estratégico mais antigo da OMS, e a partir dele foram criados vários outros, focados em outras doenças. Serei a primeira mulher a presidir esse comitê, que é muito renomado, com uma seleção bastante concorrida.

É uma grande deferência para a América Latina, e estou bem feliz pela nomeação. 

Quais são as prioridades para o enfrentamento da tuberculose hoje no mundo? 

O objetivo principal da OMS é eliminar a tuberculose até 2030. Para isso, a prioridade número 1 é ter uma vacina nova com eficácia maior, que vai ser dada para adultos e que pode diminuir a probabilidade de contrair a doença. 

Continua após a publicidade

Esse seria o melhor dos mundos, pois hoje só temos a BCG, para crianças.  Algumas vacinas estão bem avançadas em seu desenvolvimento, e deverão entrar na etapa final, a fase 3, a partir do final do ano. 

O Brasil não faz parte desses estudos, mas estamos tentando incluir o país nas pesquisas. Isso seria uma grande oportunidade para nós. 

Temos também avanços no tratamento, com novos medicamentos. Isso tudo será analisado para fazermos uma recomendação aos países na próxima reunião anual, que acontece em junho na sede da OMS. 

O Brasil registrou uma alta de casos de tuberculose em 2022. A que se deve esse aumento? Qual é a situação da doença hoje no Brasil? 

A situação nacional é bem preocupante. Nós retrocedemos pelo menos 10 anos no controle da tuberculose. A gravidade, a mortalidade e o número de casos aumentaram. 

Continua após a publicidade

A pandemia de Covid-19 afetou várias doenças, a tuberculose entre elas. As pessoas atrasaram seu diagnóstico, então chegam ao serviço de saúde já com quadros mais graves.

Além disso, houve aumento da pobreza, que é intimamente ligada à infecção. 

+ Leia também: Miséria hereditária: a exclusão social contra a ordem e o progresso

A queda na cobertura da vacina BCG preocupou nos últimos anos. Havia uma questão de que as maternidades estavam deixando de aplicar a vacina. Como está a situação hoje? 

Na verdade, o Brasil parou de fabricar a BCG por um problema no Instituto Ataulpho de Paiva em 2016. Desde então, precisamos importar a vacina indiana, que tem 20 doses em cada frasco. 

Continua após a publicidade

Isso fez com que as maternidades concentrassem a vacinação em um dia da semana para aproveitar todas as doses, o que atrapalhou muito a vacinação. 

Mas houve toda uma negociação para recuperar a produção nacional da BCG, que será retomada a partir do ano que vem. Primeiro, numa fábrica parceira na Espanha, depois, no próprio Ataulpho de Paiva.  

Quais são as principais ações do Ministério de Saúde voltadas à prevenção, diagnóstico e/ou tratamento da tuberculose no Brasil?

Em 17 de abril, o presidente Lula assinou um decreto criando o Ciedis, um comitê interministerial para eliminação da tuberculose e outras doenças fortemente ligadas à desigualdade socioeconômica. 

Essa é a nossa grande aposta, porque não basta investir em saúde para resolver a situação atual: é preciso pensar em moradia, no sistema prisional, na população em situação de rua. Por isso, são nove ministérios envolvidos, como o de Direitos Humanos, Igualdade Racial e Justiça.

Continua após a publicidade

E o que destacaria como principais desafios para controlar a doença no país? 

O maior desafio é ter políticas públicas integradas e medidas efetivas de combate à pobreza, já que a doença está bastante ligada a isso, em especial ao agravamento dos casos. 

Temos medicamentos que curam a infecção, mas a falta de acesso atrapalha, e não só o acesso a medicamentos. A alimentação inadequada, por exemplo, é um problema. Quando a pessoa recebe os medicamentos, mas não come bem, ela tem mais efeitos adversos, e iso faz com que ela abandone o tratamento. 

Precisamos de mais ações intersetoriais focadas na redução de desigualdade social, que está ligada não só a tuberculose, mas a várias outras questões de saúde pública.

Compartilhe essa matéria via:
Publicidade

“Brasil retrocedeu pelo menos dez anos no combate à tuberculose” Publicado primeiro em https://saude.abril.com.br

A importância das muletas: uma reflexão pós-cirurgia do presidente Lula

Antes de se submeter à artroplastia do quadril, o presidente Luiz Inacio Lula da Silva afirmou que não queria ser fotografado usando muletas ou andador. Esse é um bom gancho para discutir tanto a importância da cirurgia quanto do uso de muletas em geral. 

A cirurgia de colocação de prótese trata as articulações em que as cartilagens se desgastaram, deixando as superfícies de deslizamento das juntas ósseas em contato, situação que chamamos “osso no osso”, causando dores e limitação funcional. 

Os candidatos são aqueles indivíduos que já passaram por todos os tipos de tratamentos conservadores, como fisioterapia, medicações e infiltrações, sem sucesso.

A cirurgia consiste na substituição da parte gasta da articulação por uma superfície artificial, recapeando a superfície que causa dor e retomando a função e movimentos daquela articulação.

+ Leia também: Como é feita a cirurgia de prótese do quadril?

Se olharmos para trás, houve épocas em que era preciso caminhar longas distâncias para realizar tarefas do dia-a-dia ou migrar rumo a novos territórios. E os indivíduos com artrose (desgaste articular) grave, idosos ou “incapacitados”eram deixados para trás, fadados a ficarem sozinhos, enquanto o resto da população jovem e saudável seguia o seu caminho.

Até o século passado, ainda era comum que os avós ou bisavós parassem de andar devido às dores e ficassem somente na cadeira de balanço ou restritos às suas casas.

Continua após a publicidade

Com a evolução da medicina, controlamos as doenças crônicas e aumentamos em pelo menos 30 anos a expectactiva de vida da população. Isto levou a um aumento de casos de artrose, pois, com frequência, nossas articulações não vivem tanto quanto seus donos.

História e evolução das próteses

As primeiras tentativas de substituição articular datam de antes do século XX. Após diversos fracassos, os primeiros modelos de prótese semelhantes ao que temos hoje foram fabricados nos anos de 1930, na Europa.

As próteses, principalmente de quadril e joelho, seguiram melhorando nos últimos 50 anos, com uso de novos materiais  — como metais e polietilenos ultrapolidos, além de cerâmica, que quase não têm atrito  — que aumentaram a sua durabilidade e conforto.

Cirurgias com uso de robótica e tecnonologia com impressão 3D para customizar a prótese de cada paciente também já são uma realidade, e vêm tornando os resultados e a recuperação cada vez melhores.

Hoje, a sensação para a maioria dos pacientes é de ter uma nova articulação praticamente normal.

Continua após a publicidade

Para ter ideia do impacto destas cirurgias na vida de quem opera, a artroplastia total do quadril é tida, juntamente com a cirurgia de correção de catarata, como uma das duas melhores cirurgias do século em termos de satisfação e melhora da qualidade de vida.

Atualmente, queremos não só viver mais, mas também melhor e sem dores, com metas pessoais cada vez mais ousadas independente da idade.

Demanda reprimida

Infelizmente, o número de pessoas que necessitam de uma prótese é maior do que a capacidade do sistema privado e público. Estima-se que alguns milhares de pacientes aguardem estas cirurgias no SUS, em filas que podem demorar até 5 anos.

O Ministério da Saúde estima que aproximadamente 28.000 cirurgias de quadril sejam realizadas até o final de 2023, número ainda insuficiente.

O alto custo desta cirurgia, a necessidade de estrutura hospitalar e de equipe treinada traz um enorme desafio para gestores da saúde, que tentam encaixar os custos no orçamento do governo ou operadoras de saúde, frente a uma população que vem envelhecendo no Brasil e no mundo.

Continua após a publicidade

Mudanças de hábitos e incentivo a um estilo de vida mais saudável são fundamentais para ajudar os pacientes a não chegarem tão cedo a este estágio de desgaste. Promover ações para realização de atividades físicas, ter uma boa alimentação e controlar o peso são exemplos de medidas simples com ótimos resultados.

Após instalada a artrose, o acesso à fisioterapia e programas de tratamento das dores são fundamentais, assim como uso de apoio com muletas ou bengalas, que podem tirar um pouco o peso sobre a perna afetada ao pisar e amenizar as dores.

Voltando às muletas…

A muleta no meio médico é um bastão que apóia no braço ou axila ajudando a quem tem dificuldade de andar.

Nós, ortopedistas, estimulamos o uso de muletas em pacientes que têm dor, principalmente os idosos, ou aqueles que se recuperam de processos cirúrgicos.

É uma ferramenta poderosa para que estes indivíduos possam ter autonomia e superar dificuldades para seguir em frente. Locomover-se, chegar mais longe, interagir com a sociedade… São conquistas para os pacientes que utilizam o milenar e agora modernizado “bastão”.

Continua após a publicidade

Culturalmente, no entanto, a muleta é vista por alguns no Brasil como coisa de gente decrépita, que está no final de sua jornada de vida. Assim, ainda há quem se recuse a usar.

Nos Estados Unidos, por exemplo, onde o respeito ao idoso e o estímulo à sua autonomia são algo muito mais consolidado, o uso de apoios para andar é habitual. É comum entrarmos em lojas de departamentos e nos depararmos como seções inteiras de bengalas, de diferentes cores e tipos.

+ Leia também: Velhos, Doentes, não! A nova cara e os desafios da velhice

Em seu sentido figurado, a muleta significa aquilo que sustenta, ajuda, apóia e ampara. Precisamos de mais muletas, e que os seus usuários possam mostrá-las sem constrangimento.

Espero que, depois da cirurgia, o presidente venha a público usando as suas muletas ou andador, evidenciando que todos nós, ricos ou pobres, famosos ou desconhecidos, envelheceremos e precisaremos de alguma muleta, física ou não.

Continua após a publicidade

Não escondamos nossas “muletas”: vamos levantá-las com orgulho, pois elas retratam nossa determinação em enfrentar os desafios da vida.

* Rodrigo Kaz é médico, cirurgião ortopédico, diretor do Grupo Vitus e do Centro de Reumatologia e Ortopedia Botafogo

Compartilhe essa matéria via:
Publicidade

A importância das muletas: uma reflexão pós-cirurgia do presidente Lula Publicado primeiro em https://saude.abril.com.br

segunda-feira, 2 de outubro de 2023

Vacinas de mRNA: entenda a pesquisa que levou o Nobel de Medicina

A pandemia colocou o mundo em uma corrida por uma vacina. E o tempo recorde na produção do imunizante só foi possível graças ao trabalho de dois cientistas, que há anos apostavam em sua pesquisa com moléculas de RNA mensageiro (mRNA).

Katalin Karikó e Drew Weissman ganharam nesta segunda (2) o Nobel de Medicina 2023 por suas “descobertas sobre modificações de bases de nucleosídeos que permitiram o desenvolvimento de vacinas de mRNA eficazes contra COVID-19”. A dupla começou a trabalhar junta em 1997 e, desde então, vinham estudando possibilidades de incorporar o RNA mensageiro na indústria farmacêutica de forma eficaz.

RNA é a sigla para ácido ribonucleico. Existem três tipos: o ribossômico (rRNA), o transportador (tRNA) e o mensageiro (mRNA). Cada um deles têm funções importantes na produção de proteínas no seu corpo. Vamos explicar.

O DNA é tipo o livro de receitas do McDonald`s. Ele guarda as instruções (os genes) para a produção de receitas específicas (as proteínas do nosso corpo). Mas a receita do molho do Big Mac não fica dando sopa por aí: o DNA fica trancado a sete chaves, protegido no núcleo das células.

Quem trabalha no McDonald`s, porém, precisa saber como preparar o prato. Então, um funcionário abre o cofre, copia a receita e a leva até a cozinha (o ribossomo, organela celular onde ocorre a síntese de proteínas). Esse cara é o mRNA. Ele não modifica a informação, apenas leva a mensagem 

Depois que a receita é lida, o mRNA se dissolve e desaparece do organismo. O RNA ribossômico, por sua vez, vai traduzir essa informação. E o RNA transportador leva matérias-primas até o ribossomo, para ajudar na síntese proteica.

Continua após a publicidade

Mudando a receita

A ideia original de Karikó era que, se fosse possível dar receitas modificadas aos ribossomos (via um mRNA externo), também seria possível criar qualquer proteína dentro do seu corpo – como anticorpos e moléculas para prevenir e curar doenças.

Demorou para que Karikó conseguisse botar sua teoria na prática. O principal problema era que não havia um jeito de levar o mRNA estrangeiro para dentro dos ribossomos. Por conterem sequências genéticas estranhas ao corpo, o organismo via as moléculas como invasoras – e as atacava. Em vez de ler a receita e fabricar as proteínas, ele rasgava o bilhete.

As pesquisas estagnaram. A comunidade científica duvidava da possibilidade de sucesso. Os investimentos caíram e Karikó até foi rebaixada na universidade em que trabalhava.

Foi só em 2005 que ela e Weissman publicaram seu estudo revolucionário, que conferiu a eles o Nobel – e, sobretudo, foi essencial para salvar vidas na luta contra a Covid-19 (as vacinas da Pfizer-BioNTech e da Moderna são baseadas em mRNA).

Continua após a publicidade

A chave, no fim das contas, era trocar um dos nucleotídeos, as “letrinhas” que formam o código genético do mRNA. Se você substituísse a uridina (U) por pseudouridina (Ψ) no RNA mensageiro artificial, dava certo: o organismo fabricava as proteínas desejadas. Essa alteração imita um processo que o corpo normalmente já faz, mascara a invasora e evita a rejeição do mRNA. Veja mais detalhes neste infográfico:

Seis ilustrações com legendas explicando como o RNA mensageiro funciona.
<span class="hidden">–</span>Gustavo Pedrosa/Natalia Sayuri/Superinteressante

A tecnologia permitiu que vacinas contra o vírus Sars-CoV-2 pudessem ser fabricadas em tempo recorde. Os imunizantes à base de mRNA ensinam os ribossomos a produzirem proteínas específicas (ou fragmentos delas) – no caso, a proteína spike, usada pelo vírus da Covid para invadir células humanas. A presença dessa molécula gera uma resposta imunológica e a produção de anticorpos, que entrarão em ação caso o Sars-CoV resolva dar as caras.

Mas o uso do mRNA vai além disso: várias farmacêuticas já começaram a pensar em remédios que utilizem a técnica para transformar nossos ribossomos em armas, ensinando-os a prevenir, tratar e curar outras doenças – como HIV, chikungunya e até câncer.

 

Compartilhe essa matéria via:
Continua após a publicidade
Publicidade

Vacinas de mRNA: entenda a pesquisa que levou o Nobel de Medicina Publicado primeiro em https://super.abril.com.br/feed

Como o brasileiro cuida da saúde mental?

Ao classificar o estado psicológico dos brasileiros de 0 a 1 000 pontos, a primeira edição do índice iCASM mostra que renda, sexualidade, gênero e relações familiares são os fatores que mais afetam o bem-estar da população.

Depois de avaliar mais de 2,2 mil pessoas, o trabalho chegou a uma nota média de 635 para a saúde mental no país. Mas há uma variação significativa: indivíduos trans (445), desempregados (494), jovens (534), gays (576) e mulheres (600) obtiveram as pontuações mais baixas.

+ Leia também: Mais de 15% dos brasileiros se sentem infelizes e deprimidos, diz pesquisa

“O índice é uma referência para acompanhar melhor diferentes perfis demográficos”, diz Luciana Barrancos, gerente-executiva do Instituto Cactus, entidade responsável pela iniciativa ao lado da AtlasIntel.

A pesquisa também descobriu que o principal elemento a tirar a paz dos cidadãos é a condição financeira aquém do necessário — algo preocupante para 88% dos entrevistados.

Como o brasileiro cuida da saúde mental?
Como o brasileiro cuida da saúde mental?Editoria de arte/SAÚDE é Vital
Continua após a publicidade
Compartilhe essa matéria via:
Publicidade

Como o brasileiro cuida da saúde mental? Publicado primeiro em https://saude.abril.com.br

domingo, 1 de outubro de 2023

Dia Internacional do Idoso: os perigos do etarismo

Dia desses, o jornalista e escritor Joaquim Ferreira dos Santos foi até uma loja de informática para comprar uma capa nova para o celular. Escolhido o modelo, efetuou o pagamento por aproximação. “Uau!”, exclamou o vendedor. “Para sua idade, isso é raro!”.

O episódio inspirou a crônica Parecia Elogio, Mas Era Só Preconceito. “O etarismo deprecia quem teve a sorte de sobreviver aos percalços da existência”, desabafou o cronista no texto publicado no jornal O Globo.

O termo etarismo (ageism, no original) foi criado em 1969 pelo médico americano Robert Neil Butler (1927-2010) para designar o preconceito de idade. Pode atingir tanto jovens quanto idosos. “É o ato de discriminar uma pessoa ou um grupo em função de sua idade cronológica”, esmiúça a psicóloga Fran Winandy.

Em Etarismo – Um Novo Nome para Um Velho Preconceito (Matrix, 2023), ela cita alguns exemplos clássicos do que chama de etarismo benevolente, como “Está ótima para a idade!” ou “Não aparenta a idade que tem”.

“Situações cotidianas, aparentemente inofensivas, são, na verdade, expressões de preconceito”, avisa Fran, que também mantém o blog Etarismo nas Organizações. “Quando você conversa com um idoso num tom pausado e mais alto do que o normal, porque pressupõe que ele não irá ouvir ou compreender o que diz, você recai nesta categoria”.

+ Leia tambémVelhos, sim; Doentes, não! A nova cara e os desafios da velhice

“Elogio com ‘mas’ não é elogio”

Em maio do ano passado, Andréa Beltrão publicou no seu perfil do Instagram uma reflexão sobre o tema. A atriz questionava as pessoas que, em tom de elogio, diziam: “Nossa, Andréa, você tem 58 anos? Mas você está ótima!”

“O que esse ‘mas’ quer dizer?”, ela indaga no vídeo. “Porque eu tenho 58 anos, eu devia estar péssima? Parece que sim, né? (…) Elogio com ‘mas’ não é elogio. Eu tenho 58 anos e estou ótima! Sem nenhum ‘mas’…”.

Continua após a publicidade

Na próxima segunda, dia 2, Andréa Beltrão volta ao ar em Falas da Vidaespecial da TV Globo.

No quarto episódio da série Histórias Impossíveis, dedicado ao Dia Internacional do Idoso, a atriz dá vida a Meire, uma ex-motorista de ônibus que, prestes a completar 60 anos, aceita trabalhar como motorista de aplicativo para sustentar a família.

Certa noite, ela conhece Bex, uma cadeirante misteriosa que, no melhor estilo Além da Imaginação, série de ficção-científica dos anos 1960, dá um novo significado a sua vida.

“Meire, você tem medo da velhice?”, pergunta a passageira. “Acho que todo mundo tem, não tem?”, responde a motorista.

“Querem que eu vá à praia de burca?”

O preconceito etário tem muitos nomes. Alguns estudiosos preferem chamá-lo de ageísmo. Outros, de idadismo.

A antropóloga Mirian Goldenberg prefere chamar o pânico de envelhecer e a violência contra os mais velhos de velhofobia. “Tem um impacto maior”, justifica a professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Continua após a publicidade

Em A Arte de Gozar – Amor, Sexo e Tesão na Maturidade (Record, 2023), Mirian fala da vez em que a atriz Betty Faria foi xingada de “velha baranga”, entre outros impropérios, por ir à praia de biquíni.

“Querem que eu vá à praia de burca?”, rebateu a atriz, então com 72 anos. “Que eu me envergonhe de ter envelhecido?”.

“A velhofobia é o retrato perverso da violência física, verbal e psicológica que as mulheres sofrem diariamente, dentro e fora de casa”, afirma a antropóloga.

Autora de oito livros sobre envelhecimento, Mirian afirma que, ainda hoje, não sabe direito o que responder quando lhe perguntam qual a lição mais importante que aprendeu em suas pesquisas sobre o tema.

“A melhor forma de vencer a velhofobia é rir, brincar e gozar dos meus próprios medos, das minhas próprias inseguranças e das minhas próprias vergonhas de envelhecer”, aponta.

Leia também: Quem quer ser um centenário?

Continua após a publicidade

A seguir, confira uma entrevista com as atrizes Andreá Beltrão e Zezé Motta:

VEJA SAÚDE: O que mais chamou sua atenção em Falas da Vida, o quarto episódio da antologia Histórias Impossíveis, dedicado ao Dia Internacional do Idoso?

Andréa Beltrão: A história. Uma motorista de aplicativo, que precisa rodar dia e noite, sem descanso e sem nenhuma garantia das leis que protegem os trabalhadores.

Desconfio muito dessa febre de empreendedorismo. Acho bom poder ser seu próprio patrão, mas é importante preservar os direitos que todo trabalhador merece.

Zezé Motta: É tão interessante o desenrolar dos destinos das pessoas, as histórias que se cruzam e como cada decisão impacta no seu futuro e ecoa na eternidade. Gostei de fazer parte deste projeto. Amo o que faço: atuar.

Andréa Beltrão: Sobre o Dia do Idoso, acho um nome realmente velho, que não traduz o que estamos vivendo. Vivemos cada vez mais. A experiência das pessoas mais velhas é fundamental.

Continua após a publicidade

Ser jovem é maravilhoso. Viver muito também é. Poderíamos trocar o Dia do Idoso por 60+. Muito mais simpático e realista.

VEJA SAÚDE: Como descreveria para o público sua personagem em Falas da Vida? Vocês têm algo em comum ou já viveram situações parecidas?

Andréa Beltrão: Meire é uma trabalhadora, como milhões de brasileiras, que precisa levar o sustento para casa no fim do dia. E, como a Meire, também já me encontrei com pessoas misteriosas e interessantes, como a Bex. As duas se provocam e se completam.

Zezé Motta: A Bex foi uma personagem gostosa de interpretar. É uma mulher misteriosa, um tanto mística. O que temos em comum é a resiliência.

Ela surge na vida da Meire para mostrar que tudo tem um porquê. Em vários momentos, me emocionei porque encaro a vida como a Bex, com muita leveza e boas risadas.

VEJA SAÚDE: Qual é a importância de se falar sobre envelhecimento saudável, entre outros temas, num momento em que há tanto etarismo no Brasil e no mundo?

Andréa Beltrão: O etarismo é mais uma barreira que estamos tirando do nosso caminho. É uma maneira hipócrita de selecionar as pessoas que “interessam” ou não. Batalha perdida para os etaristas.

Desejo do fundo do coração que eles envelheçam bem, com saúde, que desfrutem da vida. Gosto muito de uma frase que ouvi de Tônia Carrero (1922-2018) enquanto pintávamos nossos cabelos em um salão.

Estava linda e já não era uma garota. Hipnotizada, elogiei sua beleza. “Querida, obrigada! Estou feliz, porque a outra opção é bem pior…”

Zezé Motta: É importante ressaltar que estamos, de fato, na “melhor idade” porque enxergamos a vida com os olhos da maturidade, de forma mais ampla.

Porém, há muitas coisas que precisam ser levadas em consideração: ser idoso/idosa é um privilégio, toda manhã é um recomeço, como para todo mundo. Estamos vivos e vivendo, ativos na sociedade. Falta um olhar mais complacente.

Compartilhe essa matéria via:
Continua após a publicidade
Publicidade

Dia Internacional do Idoso: os perigos do etarismo Publicado primeiro em https://saude.abril.com.br

O match para a doação de medula

Mais de 5,6 milhões de pessoas estão inscritas no Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome). Mas nem todo mundo mantém os dados atualizados — e isso pode pôr a perder todo o processo de busca por doadores.

“Bases de dados envelhecem muito rápido, ainda mais hoje, em que é comum mudar de e-mail, telefone ou endereço”, explica Juarez Zortea, presidente da TransUnion no Brasil. A empresa é responsável por auxiliar o Redome a encontrar voluntários “perdidos”.

+ Leia também: Precisamos ampliar a diversidade entre os doadores de medula óssea

Usando inteligência e cruzamento de dados, quase 100 mil possíveis doadores já tiveram informações atualizadas. Considerando que a compatibilidade entre desconhecidos é de uma a cada 100 mil, todo contato recuperado pode fazer uma diferença vital.

Saiba o que é preciso para doar

Gesto é vital a quem depende de um transplante de medula. A medula pode ser coletada em centros de transplante ou hemocentros, por punções no osso do quadril ou pela corrente sanguínea.

Continua após a publicidade
  • O voluntário deve ter de 18 a 35 anos para se cadastrar. A doação pode ser feita até os 60 anos.
  • É preciso apresentar um documento de identidade oficial com foto, como RG ou CNH.
  • Garantir bom estado geral de saúde é essencial para uma doação segura e exitosa.
  • Não ter doenças impeditivas, como HIV, lúpus, hipertireoidismo, esquizofrenia, entre outras. Confira a lista completa no site da Redome.
Compartilhe essa matéria via:
Publicidade

O match para a doação de medula Publicado primeiro em https://saude.abril.com.br