Eu sou Pedro, tenho 27 anos. Trabalho no banco Bradesco como programador web há 3 anos. Inicie como estagiário e fui efetivado após 1 ano de empresa. Sou bastante determinado, organizado e flexível. Pratico natação e tenis duas vezes por semana. Adoro viajar com a namorada para lugares que tenha praia. Tenho bastante interesse por aviação e não dispenso um bom prato de lasanha.
Quando a rotina vira de cabeça pra baixo, hábitos saudáveis podem ficar pra trás. Até porque certos desafios são impostos pela pandemia do novo coronavírus. Como manter a geladeira abastecida de alimentos balanceados? Como não ceder ao sedentarismo quando estou em casa? E como voltar a dormir bem? Essas são algumas das perguntas que responderemos neste episódio do podcast Detetives da SAÚDE.
Quem nos ajuda com essa missão é o profissional de educação física Antonio Herbert Lancha Junior e a nutricionista Luciana Lancha, ambos da Universidade de São Paulo. Sim, os dois são casados. Juntos, eles desenvolveram táticas objetivas para identificarmos armadilhas que sabotam nosso estilo de vida e para ajustarmos a alimentação e a prática de exercícios físicos, inclusive durante o isolamento social.
No episódio, o casal Lancha falará sobre como fazer compras, como criar uma rotina minimamente estável e por aí vai. “Antes de tudo, temos que aprender a sermos gentis conosco”, diz Luciana Lancha. Você entenderá isso direitinho no episódio.
Você pode escutar o programa em diversas plataformas. Dá para clicar ali em cima e ouvir no nosso site mesmo. Também estamos no Spotify, no Deezer, no Google Podcasts, no Pocket Casts, no Youtube… Não sabe como ouvir nesses ambientes? Clique aqui.
Para conter o novo coronavírus (Sars-CoV-2), o Ministério da Saúde, os Centros de Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC) e outras entidades passaram a pedir que a população em geral use máscaras sempre que for necessário sair de casa. Antes de explicar como fazer versões caseiras — as cirúrgicas estão reservadas para profissionais, pessoas com suspeita ou diagnóstico da Covid-19 e seus cuidadores —, é importante compreender para que ela serve.
Ao contrário do que se imagina, as máscaras de pano não impedem por completo que a pessoa contraia o vírus. Na verdade, elas funcionam mais como uma barreira mecânica para que o usuário não espalhe o Sars-CoV-2 por meio de gotículas. Hoje já se sabe que boa parte dos casos são assintomáticos, e que é possível transmitir esse agente infeccioso alguns dias antes da doença manifestar sinais.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) ressalta, contudo, que o acessório pode levar a uma sensação de falsa segurança. Não caia nessa. A ideia vesti-lo como um cuidado extra, e não substituir outras medidas preventivas, como lavar as mãos, manter o distanciamento social e ficar em casa o máximo possível.
O Ministério da Saúde recomenda que ela seja feita com duas camadas dos seguintes materiais, em ordem decrescente de capacidade de filtrar partículas:
Tecido de saco de aspirador
Cotton (55% poliéster e 45% algodão)
Tricoline (100% algodão)
Fronhas de tecido antimicrobiano
“Camisetas, camisas, calças e até roupas de baixo em bom estado de conservação, de preferência com camadas grossas de tecido, podem ser usadas para a versão caseira”, comenta Leonardo Weissman, infectologista da Sociedade Brasileira de Infectologia.
O mais importante é o formato. Ela deve cobrir totalmente a boca e o nariz e ficar bem presa no rosto, sem deixar espaços nas laterais ou no queixo.
Um guia para fazer a máscara em casa
Diversos tutoriais online ensinam a confeccionar esses itens. Vamos destacar aqui três caminhos referendados pelas autoridades da saúde pública:
Sem costura, com lenço ou outros tecidos:
Estenda e, então, dobre o tecido no meio várias vezes na horizontal, criando uma longa tira grossa, com cerca de 21cm de altura.
Use dois elásticos de cabelo (ou outro tipo) em cada extremidade e ajuste o tamanho para o seu rosto.
Faça mais uma dobra, agora vertical, com as pontas para o meio, e puxe os elásticos para fora. Prenda a máscara com eles atrás das orelhas.
Quase sem costura, com camiseta:
1)Corte frente e verso de uma camiseta seguindo esse molde:
<span class="hidden">–</span>Fonte: Mask4all/SAÚDE é Vital
2) Dê um ponto de segurança na parte inferior para segurar as camadas juntas
3) Insira um papel entre elas (pode ser um filtro de café)
4) Amarre a alça superior ao redor do pescoço, por cima das orelhas, e a alça inferior no topo da cabeça. A imagem abaixo, do CDC, ajuda a entender:
É importante lavar as mãos com água e sabão ou álcool em gel antes e depois de tocar a máscara. Posicione-a bem, para cobrir nariz e boca sem que fique desconfortável. Do contrário, há o perigo de cutucar toda hora para ajeitar.
Remova a máscara sempre pelo elástico. Se precisar encostar no tecido, faça isso com as mãos limpas, pegando pelo interior. Como esse lado da máscara não teve contato com o ambiente externo, não está contaminado.
O acessório deve ser trocado sempre que umedecer. Dobre com a parte de fora voltada para dentro e guarde-o em um saquinho plástico até o momento da higienização.
Em casos pontuais, como tomar água ou comer, dá para lavar bem as mãos, remover a máscara, armazená-la e, então, colocá-la novamente. Mas o ideal mesmo é ter uma segunda para essas situações.
Ah, e ela é de uso individual. Nunca compartilhe.
Os passos para lavar a descartar a máscara adequadamente
O CDC afirma que um passeio convencional na máquina de lavar é o suficiente para limpar as máscaras. Mas a recomendação do Ministério da Saúde do Brasil é deixar de molho por 30 minutos em um recipiente com uma parte de água sanitária para 50 partes de água potável (uma colher de copa para um litro, por exemplo).
Depois disso, enxague com água corrente e lave com sabão. Quando secar, passe um ferro e coloque em um saco plástico limpo.
Com os devidos cuidados, ela não tem um prazo de validade específico. “Mas deve ser descartada assim que apresentar sinais de desgaste, como rasgos e furos”, ensina Weissman.
Cuidados além da máscara
Não há evidências científicas robustas sobre o efeito das máscaras caseiras na contenção da Covid-19, como alerta a OMS. Até por isso, ela não serve de desculpa para descuidar de outras orientações, essas sim já bem embasadas. São elas:
Praticar o distanciamento físico quando estiver em público, mantendo uma distância de ao menos dois metros para outra pessoa
Sair de casa o mínimo possível e evitar aglomerações
Higienizar frequentemente às mãos com água e sabão — ou álcool em gel 70%
Limpar superfícies e objetos frequentemente tocados: maçanetas, celulares, chaves etc
E de novo: as máscaras cirúrgicas descartáveis no momento são destinadas aos profissionais de saúde, doentes com sintomas gripais e seus cuidadores. Com a alta demanda por esses itens no mundo, devemos reservá-los para quem mais precisa deles.
Na última terça-feira (28), a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou que testes rápidos para a Covid-19 possam ser aplicados em farmácias e drogarias.
Esses testes são os chamados imunocromatográficos, que analisam o sangue para ver se há presença de anticorpos para o vírus Sars-Cov-2, o causador da nova doença. No início de abril, a mineradora Vale doou 5 milhões de testes do tipo ao Ministério da Saúde, que vem os distribuindo pelo país ao longo do mês.
De acordo com a Anvisa, o resultado dos testes rápidos aparece em 10 a 30 minutos. A amostra de sangue é coletada na ponta do dedo – similar aos testes para diabetes, por exemplo.
A partir de agora, farmacêuticos treinados poderão aplicar o teste. Mas vale ressaltar que os estabelecimentos não serão obrigados a oferecê-los.
A medida da Anvisa é temporária, e o objetivo é aumentar a rede de testagem, além de reduzir a demanda do sistema de saúde.
Mas os testes rápidos não irão para a contagem de casos de coronavírus do país. E pelo seguinte motivo: eles, sozinhos, não são suficientes para atestar se alguém está com a doença. Na verdade, eles funcionam mais como um auxílio para o diagnóstico. Como os testes avaliam a presença de anticorpos no sangue, o que dá para saber é que aquela pessoa esteve em contato com o vírus – mas não consegue definir se há infecção ativa no momento da testagem.
Além disso, existe a chance de o teste indicar um “falso negativo”– nos estágios iniciais da doença, nosso sistema imunológico ainda não produziu (ou produziu poucos) anticorpos contra o Sars-Cov-2, e eles podem não ser detectados.
Por isso, a indicação é que os testes rápidos sejam interpretados por um profissional de saúde, e o diagnóstico final seja feito com base nos sintomas do paciente, bem como outros exames. Os testes de farmácia serão apenas parte do processo.
O governo da Nova Zelândia começou, na última segunda-feira (27), a aliviar as medidas de isolamento social após mais de cinco semanas de quarentena extrema. O país é visto internacionalmente como um dos exemplos no combate à pandemia, somando apenas 1.474 casos (entre confirmados e prováveis) e somente 19 mortes. Além disso, 1.229 dos que foram infectados já se curaram – 82% do total.
Nas últimas duas semanas, o número de novos casos registrados por dia foi baixo: hoje (dia 29), só mais 2 casos entraram para as estatísticas. Além disso, nenhum caso de transmissão comunitária (ou seja, cuja origem não é identificável) foi registrado nos últimos dias. Isso significa que o país atingiu seu objetivo de controlar o vírus, segundo Ashley Bloomfield, Ministro da Saúde da Nova Zelândia, já que é possível rastrear todas as infecções.
A primeira-ministra Jacinda Ardern comemorou os bons resultados ao anunciar a revogação das medidas de isolamento. “Nós vencemos essa batalha. Mas precisamos permanecer atentos para manter a vitória”, disse. Segundo Ardern, 400 mil habitantes do país já foram liberados para o trabalho na segunda-feira, e a economia voltará a operar em 75% de sua capacidade. Escolas reabriram nesta quarta-feira para crianças cujos pais precisam voltar a trabalhar, e restaurantes e lojas voltarão a funcionar de forma limitada. Nos próximos dias, espera-se que um milhão de habitantes retomem parcialmente a normalidade, mantendo certos padrões de higiene e precaução.
Algumas medidas de isolamento permanecerão, porém. A ideia é passar de um lockdown de nível 4 – o mais restritivo possível – para um de nível 3, onde a economia volta a funcionar parcialmente, mas o distanciamento social ainda permanece para atividades de lazer e não essenciais, por exemplo. Aglomerações desnecessárias continuam proibidas, mas atividades como velórios poderão acontecer sob certas condições.
Qual a receita do sucesso?
A Nova Zelândia é um dos países que tem tido os melhores resultados durante a pandemia. Um dos fatores que ajuda a explicar isso é sua pequena população, que sequer chega aos 5 milhões de habitantes. Mas não é só isso: mesmo ajustando os números per capita, a nação continua a se destacar positivamente.
O fato de ser um país insular relativamente isolado do mundo ajuda, já que há pouco tráfego aéreo em comparação com países maiores. Além disso, o primeiro caso foi confirmado apenas no fim de fevereiro por lá – depois que o mundo já assistia à Europa enfrentar uma enorme crise –, o que deu tempo para as autoridades do país se prepararem.
Mas um fator definitivo foi o modo como o governo resolveu enfrentar o vírus: de forma rápida e incisiva. No começo da pandemia, modelos matemáticos mostravam que mesmo a pequena nação poderia enfrentar problemas graves se nada fosse feito. E por isso as autoridades decidiram agir para evitar o pior.
No dia 14 de março, o governo anunciou que qualquer pessoa que entrasse no país deveria ficar em isolamento por 14 dias. Na época, a medida foi vista como uma das mais restritivas do mundo em relação a fronteiras – e a Nova Zelândia só tinha 6 casos registrados. Apenas cinco dias depois, a primeira-ministra proibiu que estrangeiros entrassem no país, que tinha 28 casos.
No dia 23 de março, o país optou por entrar em “lockdown”: o tipo mais restritivo de quarentena, em que apenas serviços essenciais funcionam e a maioria da população deve ficar em casa. Alguns, dentro e fora do país, criticaram a medida por ser radical demais para um país que só tinha 102 casos confirmados e 0 mortes. Mas, cinco semanas depois, a escolha parece ter tido efeito.
O país também vem conduzindo um bom número de testes: são 8 mil por dia, segundo o governo. Outros países que vem testando em massa sua população também estão tendo bons resultados no combate à doença, como Islândia, Alemanha e Coreia do Sul, por exemplo. Mas a Nova Zelândia tem um bônus: as autoridades estão conseguindo fazer um ótimo trabalho de rastreamento das infecções – ou seja, identificar e testar a maioria das pessoas que tiveram contato com doentes. Isso permite que o país concentre seus testes em pessoas prováveis e saiba exatamente quem infectou quem, otimizando ainda mais os recursos de testagem.
Nem tudo é positivo, é claro. A economia do país parece ter sido bastante afetada, tanto pelo lockdown quanto pela queda expressiva do turismo em seu território. Os impactos econômicos ainda não estão claros, mas um recente relatório estimou que a taxa de desemprego do país pode saltar de 4% para 13% num futuro próximo. Uma estimativa feita por uma empresa privada chegou a cravar 25%.
Mesmo assim, a população do país parece estar aprovando o caminho escolhido pelo governo: 87% disseram concordar com as medidas, contra apenas 8% que pensam que são muito extremas. E o próprio governo já anunciou que tem planos para enfrentar a crise econômica: “Faremos tudo o que pudermos para garantir que lutaremos contra os impactos econômicos da mesma maneira que fizemos com o problema de saúde pública”, disse Ardern.
Há nove anos que um buraco na camada de ozônio de grandes proporções não surgia sobre o Ártico. Mas, no final de março, ele não só reapareceu como também estava no maior tamanho já visto, com quase um milhão de quilômetros quadrados. Por sorte, de acordo com pesquisadores do Serviço de Monitoramento de Atmosfera Copernicus (CAMS) da União Europeia, esse gigante do tamanho de três Groenlândias acabou de se fechar naturalmente.
A camada de ozônio serve como barreira para os raios ultravioletas, provenientes do Sol. Esses raios são associados a problemas graves de saúde, como o câncer de pele e problemas de visão, por isso a exposição direta a eles é tão perigosa. A destruição dessa camada protetora geralmente está relacionada com a poluição emitida por nós, seres humanos – mas nesse caso, o fenômeno que ocorreu no Ártico foi um pouco diferente.
A abertura foi causada por um grande redemoinho de ventos com temperaturas extremamente baixas chamado vórtice polar. Quando isso ocorre, várias nuvens de alta altitude são formadas na região. Elas acabam se misturando com poluentes artificiais, como os clorofluorcarbonetos (CFCs), e corroem o gás ozônio que nos protege.
Apesar de os CFCs terem sido proibidos no Protocolo de Montreal em 1987, os países desenvolvidos tinham o limite de bani-los totalmente até 1996, enquanto os países em desenvolvimento estavam com o prazo para 2010. No Brasil, isso só ocorreu em 2007. Além disso, nem todos respeitaram as regras. Em 2018, foi divulgado em relatório feito pela Environmental Investigation Agency que a China ainda usava CFCs em algumas de suas fábricas de forma ilegal. Os CFCs são compostos muito estáveis e que demoram anos para se decompor. Por esse motivo, ainda há resquícios dessa substância proibida na atmosfera.
Mas, como já era previsto pelos pesquisadores, o buraco se fechou sozinho após um mês. Isso porque o vórtice se dividiu, abrindo caminho para o ar rico em ozônio se restabelecer sobre o Polo Norte. No gif publicado pela CAMS em seu twitter, é possível entender melhor o movimento seguido pelo redemoinho.
The unprecedented 2020 northern hemisphere #OzoneHole has come to an end. The #PolarVortex split, allowing #ozone-rich air into the Arctic, closely matching last week's forecast from the #CopernicusAtmosphere Monitoring Service.
A Agência Espacial Europeia (ESA) relatou que esse tipo de evento é raro no Polo Norte, porque a região não tem as condições de temperatura adequadas para isso, em torno de 80 ºC negativos. O Polo Norte é mais quente que o Polo Sul pois se encontra no nível do mar, e o oceano funciona como um reservatório de calor. Enquanto isso, o Polo Sul está 2.800 metros acima do nível do mar, e quanto maior a altitude, menor a temperatura.
O vórtice é um fenômeno anual no Polo Sul e ocorre durante o outono (de março a junho). Lá, o buraco na camada de ozônio pode atingir 25 milhões de quilômetros quadrados e durar os três meses que percorrem a estação. Mas, de acordo com uma avaliação feita pela Organização Meteorológica Mundial, esse buraco pode estar diminuindo. Eles registraram as mudanças ocorridas desde a década de 2000 e constataram uma diminuição de 1% a 3% para cada década passada. Fatores como a proibição dos CFCs podem justificar a hipótese.
Remédio causou euforia no mercado financeiro, mas estudos científicos têm resultados mais modestos – e até contraditórios.
Depois das polêmicas envolvendo a cloroquina, outra droga passou ao centro das atenções na luta contra o coronavírus: o remdesivir, medicamento desenvolvido em 2012 contra o vírus ebola. Ele bloqueia a ação da RNA polimerase, uma enzima que os vírus feitos de RNA (como o ebola e o SARS-CoV-2) usam para se reproduzir. Por isso, tem sido considerado uma esperança de tratamento.
Na manhã desta quarta-feira, 29 de abril, a empresa americana Gilead Sciences, criadora do remdesivir,divulgou resultadosde um estudo com 397 pacientes. Segundo a empresa, 62% dos que foram tratados de forma “precoce”, até 10 dias após o surgimento de sintomas, tiveram alta do hospital, contra 49% daqueles que receberam a droga após esse período. O anúncio gerou euforia em Wall Street, onde o índice Dow Jones chegou a subir 2,6% (as ações da Gilead, 7%), e teve repercussão global. Mas havia uma falha crítica: a empresa não informou se o estudo incluiu um “grupo de controle” -pacientes que recebem placebo em vez do medicamento. Sem esse elemento, não é possível determinar se o remédio realmente funciona.
Em seu comunicado, a Gilead deu a entender que esse dado seria divulgado pelo NIAID (National Institute of Allergy and Infectious Diseases, um órgão do governo americano), que também está coordenando testes com o remédio. No final da tarde,o NIAID se manifestou, com os seguintes resultados: num estudo de 1063 pacientes, e que teve grupo de controle, os que tomaram remdesivir se recuperaram 31% mais rápido – levaram em média 11 dias, contra 15 dias dos que receberam placebo. A taxa de mortalidade foi ligeiramente menor: 8%, contra 11,6% no grupo de controle.
São efeitos positivos, mas relativamente modestos (a redução de óbitos, por exemplo, não foi considerada estatisticamente significativa). Os novos dados não confirmam as esperanças de uma cura milagrosa – e se inserem num contexto de resultados contraditórios.
No dia 10 de abril, um grupo de médicos americanos (incluindo um funcionário da Gilead) publicou um artigo, noNew England Journal of Medicine,com números positivos: o remédio teria melhorado a oxigenação corporal de 68% dos pacientes, e permitido que metade dos que estavam intubados voltasse a respirar sem a ajuda do ventilador mecânico. Mas esse trabalho avaliou apenas 53 doentes, e não teve grupo de controle (placebo). Logo, não pode ser utilizado como prova. Ele não era um estudo científico; apenas um relato sobre o chamado “uso compassivo” –quando um medicamento é administrado a pacientes sem alternativa terapêutica– do remdesivir.
Mais tarde, em 23 de abril, a Organização Mundial da Saúde publicou em seu site os resultados preliminares de um segundo trabalho, feito por cientistas chineses, quechegou à conclusão oposta: testes num grupo de 237 pacientes (158 dos quais receberam a droga, e 79 foram o grupo de controle) não teriam constatado maior taxa de cura, ou recuperação mais rápida, entre quem tomou remdesivir. Alguns dias depois, a OMS removeu o estudo de seu site, alegando que seus resultados não eram finais, e a publicação tinha sido acidental. O trabalhoacabou saindo no periódico científicoLancet,com números ligeiramente diferentes mas a mesma conclusão: o remdesivir “não esteve associado a benefícios clínicos estatisticamente significativos”.
O remdesivir não chegou a ser lançado (não obteve aprovação da FDA; deve recebê-la agora, de forma emergencial, nos próximos dias). Por isso, não se sabe qual será seu preço, caso venha a ser adotado contra o coronavírus. Mas um artigo publicado por cientistas ingleses e americanos estima que seja possível fabricar o remédio a baixo custo, em torno deUS$ 1 por dia de tratamento(nos estudos, os pacientes têm recebido o medicaamento por 5 a 10 dias). Esse é o custo previsto de produção, sem incluir eventuais royalties/lucro da Gilead.
Estudo comprova testes de laboratório, e encontra SARS-CoV-2 flutuando em locais públicos na China; pesquisa estima 10 contaminações pelo ar em restaurante
Ao longo das últimas semanas, experiências de laboratório constataram que o novo coronavíruspode ser expelido pela fala, é capaz deficar até 3h em suspensão, e atividades como corrida e caminhada podem espalhá-lonum raio de até 10 metros. Ao contrário do que se acreditava inicialmente, o ar pode ser uma via de contágio importante. Agora, dois estudos deram o próximo passo: um deles encontrou partículas de SARS-CoV-2 flutuando no ar, e o outro demonstrou como o vírus pode ter sido espalhado por um ar-condicionado.
O primeiro estudo foi realizado em Wuhane publicado dia 27 pela revista científicaNature. Ele é assinado por 16 cientistas, de várias universidades chinesas, e analisou amostras de ar coletadas em 30 locais da cidade, incluindo dois hospitais (Fangcang e Renmin). O vírus foi detectado em 19 amostras, incluindo os banheiros e vestiários desses hospitais, bem como suas salas de reunião, farmácias, armazéns e corredores.
Os pesquisadores também testaram uma universidade, um prédio residencial e um supermercado, cujo ar não continha SARS-Cov-2, e duas lojas de departamentos: onde foram encontradas 3 e 11 cópias do vírus, respectivamente, por centímetro cúbico de ar. As áreas comuns dos hospitais, e a rua em frente a um deles, continham 5 a 21 fragmentos virais por cm3 de ar. As maiores concentrações foram registradas em dois quartos de UTI, com 31 e 113 partículas virais por cm3 de ar. A ciência ainda não sabe qual é a carga viral necessária para infectar uma pessoa, e se isso varia de um indivíduo para outro.
O segundo estudo, que também foi realizado por cientistas chinesese publicado noEmerging Infectious Diseases, um jornal científico mantido pelo CDC (Centers for Disease Control, órgão do governo dos EUA), analisou a transmissão do coronavírus em um restaurante em Guangzhou, onde 10 pessoas de 3 famílias teriam sido infectadas.
Fluxo de ar e posição das mesas em restaurante de Guangzhou<span style="font-weight:400;">Guangzhou</span>, com as 10 pessoas infectadas e as datas em que apresentaram sintomas.Emerging Infectious Diseases/Reprodução
A história começa no dia 24 de janeiro, quando a família “A”, vinda de Wuhan, janta nesse restaurante logo após chegar a Guangzhou. Poucas horas depois, uma mulher de 63 anos, da família “A”, apresenta sintomas de Covid-19 e vai para o hospital. Nos 7 a 10 dias seguintes, pessoas das famílias “B” e “C” também desenvolvem a doença.
Elas estavam sentadas em mesas próximas à família “A” – e essa foi a única situação na qual, sabidamente, foram expostas ao vírus. Por isso, os cientistas acreditam que o contágio tenha ocorrido por microgotículas expelidas pela pessoa da família “A”, que teriam sido espalhadas pelo sistema de ar-condicionado do restaurante.