terça-feira, 29 de março de 2022

Medicamento para artrite poderá ser usado no tratamento de alopecia

Poucas pessoas lembram quem ganhou o Oscar de Melhor Filme em 2022. Mas ninguém vai esquecer a grande treta da noite de cerimônia: Will Smith foi até o palco e deu um tapa em Chris Rock após o apresentador fazer uma piada com sua esposa, Jada Pinkett Smith. A brincadeira era sobre a perda de cabelo da atriz, consequência de uma doença chamada alopecia.

A alopecia areata, um dos tipos da doença, ocorre quando o sistema imune começa a atacar os folículos capilares, causando uma queda excessiva de pelos. A doença pode afetar qualquer região do corpo, mas é mais comum que ocorra no couro cabeludo. A alopecia pode ter origem genética ou ser causada por problemas na tireoide, estresse, traumas na região, infecções, entre outras razões.

O mecanismo da alopecia areata não é tão diferente da artrite. Nesse último caso, o sistema imune ataca, erroneamente, os tecidos das articulações. Uma nova pesquisa conduzida pela Universidade de Yale mostra que o tratamento dessas doenças também pode ser semelhante. Em um estudo clínico de fase três, a droga baricitinib (comumente usada no tratamento de artrite) mostrou bons resultados em um terço dos pacientes com alopecia areata.

O estudo analisou 1.200 pacientes que sofrem desse tipo da doença. Eles foram divididos em três grupos: um recebeu 2 miligramas de baricitinib, outro recebeu uma dose de 4 miligramas, e o último grupo recebeu um placebo. O tratamento foi feito ao longo de 36 semanas. A dose de 4 miligramas foi a que mostrou os melhores resultados.

Veja algumas fotos de antes e depois do tratamento.

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<span class="hidden">–</span>Yale/Divulgação

 

Os pesquisadores analisaram a eficácia usando uma escala que vai de 0 (sem queda de cabelo) a 100 (perda de cabelo completa). No início do estudo, todos os participantes tinham uma nota de no mínimo 50. Ao final do tratamento, 35% dos pacientes que tomaram 4 miligramas apresentaram uma nota de 20 ou menos.

No grupo que tomou 2 miligramas, 20% dos participantes terminaram o período de teste com uma nota de 20 ou menos. No estudo, a equipe escreve que uma nota abaixo de 20 é considerada um resultado de tratamento significativo para pacientes com alopecia areata severa.

Alguns pacientes também reportaram efeitos colaterais, como acne, infecção no trato respiratório, dor de cabeça e níveis de colesterol elevados. Além disso, o mecanismo de ação da droga envolve “atrapalhar” o sistema imune, o que pode prejudicar o combate a outras ameaças. Pacientes com artrite que já fazem uso do medicamento podem estar mais vulneráveis a infecções.

O que o baricitinib faz é inibir uma proteína chamada Janus kinase, ou JAKs. Essas enzimas estão envolvidas em diversas áreas, inclusive o sistema imune. Os medicamentos inibidores, como o baricitinib, conseguem diminuir a resposta imunológica em alguns pacientes, permitindo que os folículos capilares voltem a crescer.

O possível novo tratamento não é uma bala de prata, mas mostrou resultados animadores em parte dos pacientes. Mais pesquisas são necessárias para avaliar a segurança e eficácia a longo prazo.

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Viver em áreas de conflito, como a Ucrânia, afeta o coração

Desde o fim de fevereiro deste ano, temos presenciado a invasão russa à Ucrânia, situação que já levou mais de 3 milhões de pessoas a se refugiar em outros países, abandonando suas casas, trabalhos e pessoas queridas, além de inúmeras mortes, tanto de civis como militares.

Neste período de grave crise humanitária, o coração de quem é afetado pela guerra fica ainda mais prejudicado. Isso foi demonstrado por um grande estudo realizado em 2019 pelo Imperial College e pela Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, na Inglaterra.

Através de uma metodologia conhecida como revisão sistemática, os especialistas analisaram os resultados de 65 pesquisas com informações sobre 23 conflitos armados em países de baixa e média renda como Síria, Líbano, Bósnia, Palestina, Colômbia e Sudão. Ficou comprovado que o ambiente e o clima de tensão, entre diversos fatores físicos, psíquicos e estruturais, colocam a saúde cardiovascular em risco.

Os pesquisadores observaram que o aumento do estresse e da ansiedade devido ao conflito pode elevar a pressão arterial, o que torna essas pessoas mais vulneráveis à ocorrência de infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

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Além do prejuízo físico, a análise também comprovou que o estresse de viver em um contexto de guerra pode agravar ou dar início a comportamentos de risco para o coração, como fumar e ingerir álcool em excesso.

Também foi registrado que o acesso aos cuidados em saúde é amplamente afetado. Muitas vezes, pessoas que fazem uso contínuo de medicamentos vitais (para hipertensão, diabetes ou colesterol alto, por exemplo) ficam impossibilitadas de tomá-los em função da escassez de remédios, bloqueio de vias de acesso e fechamento de hospitais e postos de saúde.

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Diante desse cenário, você pode se indagar: tudo isso é muito triste, mas vivo no Brasil, e, como por aqui não estamos em guerra, não estaríamos suscetíveis aos problemas que ora enfrentam a população ucraniana e a de outros países.

Isso não é verdade, e posso explicar o porquê. Na sua cidade, você já deve ter reparado, seja pela sua vivência, seja pelo noticiário, que existem bairros ou comunidades de maior vulnerabilidade social e mais expostos a violência. Em locais assim, a população encara um risco cardiovascular similar ao dos que vivem em territórios em guerra.

Um estudo publicado pelo Journal of the American College of Cardiology (JACC) mostrou que moradores de áreas com maior criminalidade convivem com mais estresse e possuem mais inflamação nas artérias. Os pesquisadores analisaram, em exames de imagem com os voluntários, a ativação do centro do estresse no cérebro, a região da amígdala, e a captação de fluordeoxiglicose, um marcador da atividade metabólica no coração, indicando que estão mais expostos à ameaça.

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Ou seja, o estresse também é um gatilho para problemas cardiovasculares em qualquer cidadão exposto, direta ou indiretamente, a um ambiente violento. No entanto, os estudiosos constataram que menores níveis socioeconômicos se relacionaram à maior ativação da amígdala e a uma predição independente de maiores taxas dessas doenças.

Tais pesquisas são muito importantes por demonstrar que a violência traz danos à saúde em vários sentidos, e é cúmplice da principal causa de morte no planeta, os eventos cardiovasculares. Todos os esforços para evitar guerras e mitigar outras situações de violência se tornam, assim, uma questão de saúde pública.

* Cláudio Tinoco Mesquita é cardiologista do Hospital Pró-Cardíaco (RJ) e professor da Universidade Federal Fluminense (UFF)

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segunda-feira, 28 de março de 2022

Onde estamos errando na alimentação infantil?

Os estudos populacionais e a simples observação do entorno evidenciam que as crianças estão cada vez mais acima do peso e expostas precocemente ao que antes era considerado “doença de adulto”, como diabetes tipo 2, hipertensão e colesterol alto.

Hoje, sobretudo em nações de menor renda, a obesidade já coexiste com a desnutrição. No Brasil, os últimos 40 anos foram marcados por um processo de transição nutricional, com o declínio contínuo da desnutrição (a boa notícia) e o aumento progressivo do excesso de peso (a má notícia).

Enquanto a desnutrição ainda afeta mais grupos vulneráveis e bolsões de pobreza, os indicadores de obesidade cresceram em diversas faixas, mas principalmente nos estratos de menor escolaridade. Isso escancara um cenário de insegurança alimentar e nutricional nas camadas menos privilegiadas da população.

A prevalência de obesidade infantil saltou cinco vezes nos últimos 13 anos. Segundo dados do SUS de 2019, 13% das crianças de 5 a 9 anos e 7% dos adolescentes de 12 a 17 anos se encontram obesos. E a pandemia de Covid-19, com todas as suas restrições sociais, só veio acentuar o processo de ganho de peso.

+ Leia também: Como readequar a alimentação e a rotina das crianças no novo normal

E a alimentação com isso? O acúmulo de gordura e a persistência da carência de nutrientes são um reflexo da má qualidade da dieta do brasileiro mais jovem. É algo que vai além do peso: o Ministério da Saúde calcula que 20% dos pequenos com menos de 5 anos apresentam anemia por falta de ferro e 17%, déficit de vitamina A.

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Nossa situação alimentar é, portanto, complexa, e o enfrentamento dos problemas demanda ações conjuntas de todos os setores da sociedade. O governo deve atuar na atenção básica à saúde — fornecendo orientação e assistência —, promover espaços adequados para a prática de exercícios e esportes, regulamentar alimentos e bebidas (e a respectiva publicidade destinada a crianças) e aprimorar os programas de alimentação escolar.

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A escola, aliás, é um excelente ambiente para ensinar e cultivar bons hábitos — até porque parte do tempo e das refeições da criançada acontece ali. A indústria, por sua vez, tem de colaborar com o desenvolvimento de produtos de melhor qualidade nutricional e com uma comunicação clara e responsável com o consumidor.

À família também cabe uma parcela da solução. Os efeitos da rotina e do ambiente doméstico não podem ser subestimados. Daí a importância de organizar a aquisição e o preparo dos alimentos para as refeições principais e os lanches intermediários. Os horários de comer devem ser preestabelecidos e o uso de telas à mesa, desestimulado.

Temos dados robustos de que, quanto maior o número de refeições em família, menor o risco de problemas nutricionais. O horizonte é desafiador, sem dúvida, e as responsabilidades devem ser endereçadas a cada esfera para que ninguém deixe de fazer sua parte. Não existe receita mágica, mas a união de todos esses agentes e ingredientes pode alimentar a transformação. O futuro agradece.

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Março borgonha: fique atento aos sinais do mieloma múltiplo

Março borgonha é o mês de conscientização para o mieloma múltiplo, um tipo de câncer hematológico (do sangue), do qual também fazem parte leucemia e linfoma.

Entre os três, ele é o segundo com mais ocorrências no mundo, mas ainda é uma doença rara. Portanto, seus sintomas podem ser confundidos com outros males, mais comuns.

“É preciso que o conhecimento da doença chegue a outras especialidades, como os ortopedistas, nefrologistas. Pela falta dele, o indivíduo acaba levando muito tempo para chegar ao hematologista ou oncologista que dará início o tratamento”, defende o médico Angelo Maiolino, professor de hematologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Uerj) e vice-presidente da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH).

Uma pesquisa feita pela farmacêutica Sanofi ouviu 1 500 pessoas em todo o país no fim de 2021 e constatou que 10% da população conhece alguém que teve mieloma múltiplo. Entre suas vítimas recentes, estão o cineasta e jornalista Arnaldo Jabor e a jornalista Cristina Lôbo.

O que é mieloma múltiplo

A doença acomete regiões do corpo onde a medula óssea, estrutura que fica dentro de alguns ossos, é ativa. A medula óssea é o local onde se fabrica nossas células sanguíneas. Entre elas, estão os glóbulos brancos, que fazem parte do nosso sistema imunológico.

O mieloma ataca diretamente os plasmócitos, um tipo de glóbulo branco. No lugar da célula saudável, surgem células malignas que se proliferam e passam a produzir anticorpos anormais, conhecidos como proteína M.

“A doença faz a medula produzir um anticorpo sem função, que vai prejudicar o organismo do indivíduo, deixando-o mais suscetível a doenças”, explica Maiolino.

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Com o câncer já manifestado, 70% das pessoas podem ter uma lesão óssea, e ainda dores, fraturas, anemia. Cerca de 30% dos diagnosticados sofrem de insuficiência renal.

O mieloma é chamado de múltiplo porque provoca lesões em diversas partes. Entre os locais mais comuns, os ossos da coluna vertebral, crânio, pélvis, caixa torácica e áreas ao redor dos ombros e quadris.

Pode ocorrer dele atingir apenas um ponto: os médicos chamam tecnicamente de plasmocitoma ósseo solitário.

Incidência

O mieloma múltiplo é considerado um tipo raro de câncer no sangue. Ele acomete, aproximadamente, 750 mil pessoas ao redor do mundo.

No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima que há cerca de 4.560 casos anuais, com uma taxa de incidência de 2,1 casos por 100 000 habitantes na população geral. Cerca de 60% dos óbitos ocorrem em pessoas entre 60 e 79 anos.

Há dados crescentes sobre a ocorrência em jovens e crianças. Para hematologistas, no entanto, os números na faixa etária podem ter aumentado porque as equipes de saúde estão mais alerta aos sinais.

“O risco não aumentou, mas médicos que detectam insuficiência renal em uma pessoa jovem agora suspeitam do mieloma e pedem os exames”, exemplifica Maiolino.

Diagnóstico

Não existe uma política de rastreamento do mieloma, como a mamografia para o câncer de mama. A investigação começa em geral a partir dos sintomas ou de alterações sanguíneas. As primeiras suspeitas podem vir de um hemograma, e há um exame de sangue simples que já aponta alterações, a eletroforese de proteínas séricas.

Também estão no rol diferentes tipos de exame de urina, a biópsia da medula-óssea (feita com anestesia local), radiografia óssea, tomografia computadorizada ou ressonância magnética.

Fatores de riscos

O problema não está relacionado diretamente com uma condição de saúde ou hábitos de estilo de vida. “Não dá para associar diretamente como fazemos com o cigarro e o câncer de pulmão”, afirma Salvino. Entretanto, a obesidade é um fator risco citado por alguns especialistas, o que pode ter a ver com o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados.

Contato com agrotóxicos ou produtos tóxicos, como o benzeno (que é encontrado na evaporação da gasolina) e as dioxinas (usadas pela indústria para branquear objetos e que fazem parte da receita de alguns agrotóxicos) são possíveis causas.

Há uma porcentagem de casos entre familiares, mas eles são considerados raros, por isso médicos não entendem o mieloma uma doença genética.

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+ LEIA TAMBÉM: Alimentos ultraprocessados elevam risco de doenças cardiovasculares

Sintomas e sinais

Em 70% dos pacientes, os sintomas mais comuns de mieloma múltiplo são dores nas costas ou nos ossos.

“Nas campanhas, falamos sempre que dores nas costas persistentes nem sempre são só um problema na coluna. Pode ser mieloma, pode não ser. Melhor tirar a dúvida”, reforça Christine Jerez Telles Battistini, presidente e fundadora da International Myeloma Foundation na América Latina (IMF LA), entidade que apoia pacientes.

Fraturas, fadiga persistente, distúrbios no sistema nervoso e infecções recorrentes e inexplicáveis estão entre outros sinais apontados.

Estágios da doença

Mieloma latente: ainda não há sintomas, mas os exames aparecem com alteração. Em algumas pessoas, a doença pode não evoluir. Protocolos indicam que não há necessidade de tratamento, mas há estudos que recomendam a ação do médico. “A doença pode ficar assintomática por anos”, esclarece Maiolino.

Estágio 1: há poucas células de mieloma no corpo, pouco ou quase nenhum dano nos ossos, com alguns exames ligeiramente desequilibrados.

Estágio 2: começam a aparecer as células cancerígenas.

Estágio 3: células malignas já se multiplicaram, e o câncer destruiu três ou mais áreas ósseas. Nessa fase, o sistema imunológico está debilitado. Há excesso de cálcio no sangue,porque os ossos danificados liberam esse nutriente, e os rins são afetados pelo desequilíbrio.

Prevenção

Não há uma política de prevenção desse tipo de câncer justamente pelas causas não serem tão claras. Viver bem é a receita para reduzir riscos de desenvolver qualquer tipo de doença, inclusive os tumores.

“Sempre digo que é melhor escolher aquela comida que a sua avó ou bisavó comeriam em sua rotina. Quanto mais natural, melhor”, sugere Christiane.

Tratamento

O combate do mieloma múltiplo melhorou bastante. A sobrevida, que era de dois anos, aumentou para até 14 anos, relata Salvino.

A quimioterapia, tipo mais agressivo de tratamento, está sendo substituída por novas abordagens. Hoje o manejo é mais customizado, e podemos usar medicamentos de terapia-alvo (que miram exclusivamente nos tumores, provocando menos efeitos colaterais), como os anticorpos monoclonais e a imunoterapia.

A terapia de células CAR-T, que foi recentemente aprovada pela Anvisa para outros tipos de câncer sanguíneo, pode ser em breve indicada também para casos mais graves de mieloma. “Ela é uma revolução por usar as células da própria pessoa no tratamento, tem os melhores resultados com menos efeitos colaterais, e está em estudo inclusive contra mielomas em estágios iniciais”, explica Salvino.

O desafio é fazer essas novidades chegarem ao sistema público de saúde. “A expectativa de vida melhorou para quem tem acesso à rede privada. Ainda precisamos avançar muito em relação a esses protocolos”, lamenta Christiane.

O vice-presidente da ABHH concorda. “Temos medicamentos revolucionários de custo expressivo, mas que fazem muita diferença na qualidade e expectativa de vida do indivíduo. Com eles, possível controlar a doença, como se faz com o diabetes”, afirma Maiolino.

Transplante de medula óssea

Também pode fazer parte do tratamento um transplante de medula-óssea do tipo autólogo. “É o carro-chefe do tratamento, considerado seguro, eficaz e está disponível no sistema público”, afirma Salvino.

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Nesse tipo específico de transplante, o doador recebe uma medicação que induz as células da medula óssea a entrarem na corrente sanguínea, sem a necessidade de sedação nem anestesia. Uma máquina filtra o material para retirar as células-tronco saudáveis [que dão origem a novas células] e o paciente as recebe como em uma transfusão de sangue.

Antes, é necessário passar por sessões de quimioterapia para atacar as células malignas.

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Como fica a saúde física e mental dos jogadores de videogame?

A pandemia mudou visões e comportamentos em vários aspectos, e no universo gamer não poderia ser diferente. O hábito de jogar videogame vem se tornando cada vez mais popular no país − e rompe fronteiras de idade e gênero. De acordo com a Pesquisa Game Brasil de 2021, 76% das pessoas começaram a jogar durante o período de isolamento social.

Mas se engana quem pensa que a vida dos gamers é fácil. Muitos deles, tanto profissionais como amadores, ficam expostos a distúrbios psicológicos devido à cobrança excessiva com os resultados e a performance, a competitividade, a pressão dos haters e o cyberbullying. São situações que podem causar danos emocionais e até físicos.

Outro fator que pesa nessa história são as alterações do ciclo circadiano, nosso relógio biológico que coordena os ciclos de vigília e sono. Ficar muito tempo na frente do computador ou da TV num ambiente fechado confunde o organismo, que acha que estamos trocando a noite pelo dia. Isso pode aumentar os níveis de cortisol, o hormônio do estresse, e desregular a alimentação e a rotina de sono.

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Nesse ritmo, o gamer fica sujeito ao esgotamento e ao burnout − nos últimos meses, o número de episódios cresceu 122%. E com ele vêm a ansiedade e a depressão. Segundo pesquisa publicada no periódico The Lancet, são 76 milhões de novos casos de ansiedade e 53 milhões de depressão pelo mundo. Os mais afetados são os jovens e as mulheres. 

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A necessidade de competir, ser um bom jogador, impor-se no mundo dos games e se blindar do bullying pesa e influencia quanto o indivíduo passa na frente do computador.

A ciência ainda não tem fatos concretos para recomendar um tempo adequado para jogar. Sabemos, contudo, que a atividade cerebral começa a ficar ineficaz depois de 40 minutos de concentração ali. O ideal, portanto, é realizar pausas para beber água, comer frutas e se alongar. E isso vale especialmente para quem vive do videogame.

A profissionalização do gamer já é uma realidade e, segundo pesquisa do Instituto Data Favela com mil adolescentes, 96% dos jovens sonham em ser um gamer profissional. Isso pressupõe uma maior atenção tanto ao estado físico como à saúde mental de quem segue esse caminho, de preferência com acompanhamento profissional.

* Victor Kurita é médico especialista em medicina integrativa e trabalha com o cuidado físico e mental de gamers

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domingo, 27 de março de 2022

Precisamos colocar as doenças raras no radar do Brasil

Falar sobre doenças raras é falar sobre o desafio diário em assegurar o direito à vida, ao acesso ao diagnóstico precoce e a tratamentos eficazes e adequados a necessidades individuais.

É como fazer uma única voz ser ouvida em meio à multidão para garantir qualidade de vida a pessoas acometidas por algo que raramente está em evidência. E esse é um grande desafio!

Uma doença é considerada rara quando, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), afeta até 65 pessoas a cada 100 mil indivíduos. Para 95% delas, ainda não há tratamento específico disponível, apenas cuidados paliativos e serviços de reabilitação. Só no Brasil estima-se que existam 13 milhões de pessoas com doenças raras.

Ainda assim, um recorte sobre a atividade parlamentar com a análise de projetos de lei (PLs) dos últimos 20 anos nos mostra que apenas 3% dos 6 400 PLs produzidos para a saúde possuem referências diretas às doenças raras.

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Dados como esse estão disponíveis no “Radar dos Raros”, levantamento realizado pelas associações de pacientes Febrararas e Crônicos do Dia a Dia, em parceria com o jornal Correio Braziliense e o apoio da Vertex Farmacêutica e da consultoria Speyside Group.

Essa pesquisa inédita constata que vivemos um vácuo parlamentar. A discussão sobre políticas públicas estruturais e a defesa da efetividade de participação social na promoção de políticas públicas no SUS são pontos cruciais para esse avanço, assim como o engajamento da sociedade civil.

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Um bom exemplo de engajamento é o Unidos pela Vida – Instituto Brasileiro de Atenção à Fibrose Cística, que atua em prol de cerca de 5 400 brasileiros com essa doença rara e progressiva. O grupo já alcançou vitórias como a inclusão da doença na triagem neonatal em 2010, a criação do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) pelo Ministério da Saúde e o acesso a testes de genotipagem para todos os pacientes.

Outro exemplo de mobilização é a Casa dos Raros, um Centro de Atendimento Integral e Treinamento em Doenças Raras sendo construído em Porto Alegre pela Casa Hunter, associação referência na proposição de políticas públicas sobre doenças raras no Brasil.

+ LEIA TAMBÉM: Pesquisa retrata desafios de brasileiros com fibrose cística

A iniciativa é inédita na América Latina e busca garantir diagnóstico rápido e preciso, tratamento, fomento a pesquisas e atendimentos tanto particulares e por convênios como pelo SUS.

Pacientes acometidos por doenças raras ainda não conseguem acesso adequado à assistência médica justamente por conta da falta de políticas públicas estruturadas, mas a sociedade civil já pode apontar um caminho a seguir para superarmos isso. Entender as lacunas existentes com iniciativas como o “Radar dos Raros” também é um bom ponto de partida.

É hora de nos mobilizarmos e demandarmos uma atuação efetiva dos formuladores de políticas públicas em prol dos raros!

* Gustavo San Martin é membro fundador da associação de pacientes Crônicos do Dia a Dia e conselheiro da Febrararas 

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sábado, 26 de março de 2022

Pitaia rende corante natural e sustentável

Difícil olhar para a pitaia e não se encantar com sua cor. Em seguida, é o sabor que faz sucesso.

Que o diga o químico Guilherme Julião Zocolo, pesquisador da Embrapa Agroindústria Tropical. Ele percebeu que esses atributos serviriam muito bem à produção de um corante natural.

E dito e feito! Após levar a fruta ao laboratório, Zocolo chegou a belas tonalidades de vermelho, violeta e rosa — e sem recorrer a misturas.

“Um ponto positivo é que o processo de obtenção é totalmente à base de água. Ou seja, não usamos nada derivado do petróleo”, conta.

Cabe notar que o corante vermelho natural mais usado pela indústria atualmente, o carmim de cochonilha, é rejeitado pelo gigante mercado de produtos veganos, já que é feito a partir de um inseto. O de pitaia cairia como uma luva nesse e em outros casos.

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A Embrapa aguarda parcerias com empresas para seguir com a inovação.

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E com a beterraba?

Está aí um alimento que gera um corante natural vermelho bastante usado pela indústria. Mas algumas questões fazem com que a pitaia tenha vantagens nessse duelo.

“A beterraba apresenta um gosto um pouco ferroso”, informa Zocolo. Para neutralizar eventuais problemas de sabor e aroma em seu corante, alguns processos químicos extras se fazem necessários. Com a pitaia, por outro lado, isso não precisa acontecer.

Benefícios por fora e por dentro

A pitaia merece espaço no dia a dia pelos seus atributos

  • Antioxidantes
    São capazes de proteger nossas células de danos provocados pelos radicais livres. Dessa maneira, auxiliam na prevenção de um punhado de doenças.
  • Pouca caloria
    A fruta concentra bastante água, contribuindo com a hidratação. Além disso, é pobre em açúcar. Uma opção leve e refrescante, portanto.
  • Vitamina C
    Ela participa da absorção do ferro e é aliada do nosso sistema imunológico. Também cumpre papel como antioxidante, blindando o organismo.
  • Fibras
    Essas substâncias fazem sucesso sobretudo pela força que dão ao funcionamento do intestino. Ainda facilitam o controle do colesterol e da glicose no sangue.
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