quarta-feira, 28 de setembro de 2022

Doenças reumáticas na infância são mais comuns do que se imagina

Há um mito comum em associar reumatismo ao envelhecimento, ou a um único conceito de doenças nas articulações. Na realidade, existem diferentes doenças reumáticas com sintomas, características e prognósticos diversos.

Entre elas estão as doenças reumáticas da infância, que podem surgir muito cedo, antes até do primeiro ano de vida; outras são próprias da infância e/ou adolescência; e algumas podem se prolongar à idade adulta.

As mais conhecidas são a febre reumática, a artrite idiopática juvenil e o lúpus eritematoso sistêmico juvenil.

A Sociedade Brasileira de Reumatologia estima que pelo menos uma criança a cada 500 seja afetada por uma doença reumática. O diagnóstico e o tratamento adequados são extremamente importantes para evitar complicações.

As doenças reumáticas na infância apresentam-se de diferentes formas e com sintomas que podem ser comuns em outras doenças, como febre, manchas na pele, mal-estar, fraqueza, além das manifestações articulares (que podem não estar presentes durante os primeiros meses da doença).

Daí a importância de familiares, professores e profissionais de saúde que atendem as crianças conhecerem essas doenças.

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Quando suspeitar de uma doença reumática na infância?

O primeiro passo é observar se a criança começa a apresentar dificuldades para realizar atividades do dia a dia, como andar, brincar, tirar uma roupa, escrever, desenhar e praticar exercícios.

Além disso, há outros sinais de alerta que merecem investigação:

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1. Febre prolongada, que recorre todo mês sem uma causa aparente;
2. Dores nas articulações, principalmente ao acordar;
3. Articulação edemaciada (inchada), quente, com limitação do movimento. Por exemplo: a criança não consegue esticar os braços ou anda com dificuldade;
4. Perda de peso, inapetência, desinteresse por brincadeiras, cansaço, dor no corpo, fraqueza muscular;
5. Pedidos constantes de colo. A criança não apoia os dois pés no chão;
6. Alterações posturais, dores na coluna;
7. A criança pode não querer fazer aulas de educação física, ter quedas frequentes, limitações;
8. Algumas podem ter baixo rendimento escolar ou dificuldades na escrita. Muitas vezes são rotuladas de desatentas ou preguiçosas, já que deixam de fazer atividades manuais pela dor;
9. Manchas na pele avermelhadas ou brancas, que eventualmente são confundidas com alergias. Essas lesões não melhoram com o tratamento dermatológico já em uso;
10. Quadros renais como urina escura, com sangue ou espuma na urina;
11. Inflamação nos olhos, como uveíte (olhos vermelhos);
12. Alterações laboratoriais específicas em testes reumatológicos – FAN (fator antinuclear) e fator reumatoide, ou alterações nos exames de imagem.

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A Sociedade Paulista de Reumatologia alerta que a avaliação adequada de um especialista, como o reumatologista pediatra, é importante para garantir o diagnóstico e tratamento precoce de um amplo conjunto de doenças crônicas e inflamatórias que podem surgir nessa fase da infância.

A escolha do tratamento depende do tipo de doença reumática, mas, de uma forma geral, inclui o uso de anti-inflamatórios; medicamentos modificadores do curso da doença, que chamamos de imunossupressores; e, mais recentemente, o uso de terapia-alvo com medicamentos biológicos (produzidos a partir de organismos vivos, como células e bactérias), que permitem uma rápida remissão de atividade da doença e redução de sequelas, proporcionando melhora importante da qualidade de vida dos pacientes.

Além disso, o tratamento deve incluir um acompanhamento multiprofissional, com médicos, fisioterapeutas, psicólogos, nutricionistas, assistentes sociais, entre outros.

Quando não tratadas adequadamente, as doenças reumáticas têm um impacto significativo na qualidade de vida das crianças e dos adolescentes, implicando em uma série de dificuldades (sociais, físicas, escolares, emocionais) capazes de culminar com uma baixa aderência ao tratamento – especialmente nas famílias com problemas sociais e econômicos.

Com o objetivo de auxiliar esses pacientes e as suas famílias, em 2001 foi fundada a ACREDITE – Amigos da Criança com Reumatismo, uma organização sem fins lucrativos ligada ao Setor de Reumatologia do Departamento de Pediatria da Universidade Federal de São Paulo/Hospital São Paulo.

O site www.acredite.org.br e o Instagram @ong_acredite têm informações para pacientes, pais e profissionais, e permite a doação para a manutenção das atividades.

*Daniela Gerent Petry Piotto é reumatologista pediátrica, membro da Comissão de Reumatologia Pediátrica da Sociedade Paulista de Reumatologia e professora afiliada ao Departamento de Pediatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)

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terça-feira, 27 de setembro de 2022

Esta pode ser a antiga “planta milagrosa” dos gregos

Uma planta de flores amarelas era um dos produtos mais procurados no mundo mediterrâneo 2,5 mil anos atrás. Seu nome era silphion: ela era útil como especiaria e remédio, e suas mudas chegaram a ter o mesmo valor da prata na época do reinado de Júlio César. Mas ela desapareceu.

Hoje não se sabe ao certo qual seria a tal espécie preciosa (nem se os antigos consumiram a silphion até o último exemplar). Mas o professor Mahmut Miski, da Universidade de Istambul, acredita que ela ainda está por aí – e se chama Ferula drudeana.

Ele encontrou a espécie há 40 anos nas encostas do Monte Hasan, na Turquia, e a estudou nas décadas seguintes. Ele descreve, em artigo publicado na revista Plants, as semelhanças entre a planta moderna e a lendária, baseando-se em textos antigos e representações da silphion que aparecem em moedas de Cirene – antiga cidade grega, onde hoje é a Líbia.

Moedas de Cirene tinham representações do grande produto de exportação da região: a planta silphion. Ao lado das moedas, fotos da Ferula drudeana para comparação.Mahmut Miski/Divulgação

Silphion tinha mil e uma funções na Antiguidade. Usava-se a raiz seca ou a resina da planta, pura ou misturada com farinha, para temperar comidas ou tratar as mais diversas enfermidades. Médicos prescreviam a silphion para tudo: de dor de dente à calvície; dor de estômago à remoção de verrugas. Ela também foi usada como anticoncepcional e perfume. Em suma, era um produto versátil.

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Mas ela sumiu do mapa. O historiador Plínio, o Velho, relatou no primeiro século d.C. que “apenas um talo foi encontrado e dado ao imperador Nero”. Segundo Miski, geralmente acredita-se que a planta entrou em extinção nessa época. “No entanto, existem poucas referências na literatura sobre a existência da silphion até o século 5”, escreve o pesquisador.

Desde o início do século 19, pesquisadores estudaram três espécies contemporâneas na tentativa de descobrir qual era a planta adorada pelos antigos. Mas nenhuma delas atendia aos três requisitos: ser comestível, ser uma planta medicinal e ter aparência e alcance correspondentes à silphion – que crescia principalmente no noroeste da África e na Península Ibérica.

A Ferula drudeana parece ser a candidata mais provável até então. Sua aparência dá match com as descrições antigas, e a planta já foi registrada em dois locais na Turquia que foram ocupados pelos gregos na Antiguidade

Além disso, as análises de Miski revelaram a existência de compostos químicos de interesse médico – propriedades anti-inflamatórias, por exemplo. Ele acredita que outros ainda podem ser identificados na planta, em estudos futuros.

Esta é uma hipótese. Afinal, só poderíamos descobrir qual foi a planta valiosa, usada por médicos e cozinheiros, se tivéssemos resquícios identificáveis de silphion. No entanto, alguns acreditam que essa é a melhor hipótese atual.

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O plano de saúde decidiu encerrar o contrato? Conheça os seus direitos

Clientes de planos de saúde coletivos por adesão, vinculados a uma cooperativa de abrangência nacional, têm se surpreendido com a rescisão unilateral do convênio médico.

A notificação, via correio eletrônico, foi enviada por uma administradora de benefícios e orientava o usuário a entrar em contato com a empresa, pois os serviços estariam garantidos apenas até determinada data.

Alguns dos consumidores que estão enfrentando esse problema são, infelizmente, os mesmos que, em 2016, passaram pela mesma incerteza com outra cooperativa do mesmo grupo econômico, mas por motivo de falência do plano de saúde.

O cerne da questão é que a expulsão não possui fundamento plausível, levantando questionamentos sobre a validade do cancelamento dos convênios médicos.

Use a caixa de busca ou clique no índice para encontrar o verbete desejado:

O que diz a lei

Contratos de assistência médica na modalidade coletivo por adesão, que possuem vínculo com a associação de caráter profissional, classista, setorial ou empresarial, permitem a rescisão unilateral.

Já o produto da modalidade individual/familiar só pode ser cancelado no caso de fraude ou falta de pagamento por mais de 60 dias, desde que haja notificação prévia da operadora.

Na prática, muitos consumidores ficam desamparados após o cancelamento unilateral, uma vez que não conseguem aderir a um novo plano de assistência médica na mesma modalidade, ainda que disponível para comercialização.

Isso pode ocorrer por ausência de formação acadêmica ou de CNPJ, idade avançada ou até mesmo por conta de uma necessidade de internação hospitalar contínua.

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Outra consequência da interrupção dos serviços é que as novas contratações exigem o cumprimento da Cobertura Parcial Temporária (CPT), ou seja, o plano restringe a cobertura de procedimentos de alta complexidade, leitos de alta tecnologia e procedimentos cirúrgicos das doenças ou lesões preexistentes por até 2 anos.

Para afastar a exigência desse período e CPT, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) permite exercer a portabilidade de carências em qualquer momento, exceto se o paciente estiver internado, sendo possível finalizar o pedido após receber alta do hospital.

Em razão dos reiterados obstáculos criados pelas operadoras, o artigo 14 da Lei 9.656/98 determinou que as empresas não podem impedir a migração dos consumidores por causa da idade ou de alguma deficiência.

A Súmula Normativa nº 27, da ANS, também proíbe qualquer prática de seleção de riscos pelas operadoras na contratação e exclusão de beneficiários de qualquer modalidade de plano de privado de assistência à saúde.

+ LEIA TAMBÉM: Senadores podem devolver a segurança para consumidores de planos de saúde

Em instâncias superiores os consumidores também encontram amparo. Uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) estabeleceu a tese de que a operadora deve assegurar a continuidade do serviço de assistência médica aos pacientes internados ou em tratamento, mesmo após a rescisão.

Para isso, o beneficiário precisa arcar integralmente com as mensalidades até a alta médica.

Isso é essencial para compreendermos as regras do setor de saúde suplementar, bem como o posicionamento do Poder Judiciário, que só reforçam que a seleção de riscos é prática vedada.

Assim, as últimas movimentações do mercado deflagram o panorama de incerteza para os consumidores, principalmente os idosos e os que possuem alguma doença grave.

Para esclarecer qualquer dúvida, não deixe de consultar um advogado da sua confiança.

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Os hábitos que ajudam na adaptação às lentes de contato

Atualmente, segundo a Sociedade Brasileira de Lentes de Contato, Córnea e Refratometria (Soblec), cerca de 3 milhões de brasileiros são usuários de lentes de contato, o que representa 1,4% da população. O porcentual é baixo quando comparamos com Europa e Estados Unidos, por exemplo, onde os índices de usuários chegam a 10% e 12%, respectivamente.

O produto traz mais praticidade para o dia a dia dos usuários, facilita a prática de esportes e, para alguns, é inclusive um fator de melhora de autoestima. Ainda assim, o número de brasileiros que desiste de utilizar as lentes de contato é elevado.

Especialistas apontam três principais motivos para esse cenário: falta de acompanhamento profissional durante o processo de adaptação, maus hábitos de consumo e escassez de informação.

O primeiro ponto de atenção é a importância do oftalmologista. Muitas pessoas compram o produto sem consultar um especialista. Isso é grave, já que o indivíduo não sabe, do ponto de vista de saúde ocular, se está apto para o uso.

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Hoje, o mercado disponibiliza diversos tipos de lentes e o oftalmologista pode avaliar e indicar o modelo ideal – tanto para quem deseja dar início ao hábito como para quem tem intenção de trocar o modelo.

Já quando falamos sobre maus hábitos de consumo, os que mais podem prejudicar a adaptação às lentes de contato são: não fazer a higienização correta (a limpeza só é desnecessária no caso das lentes de descarte diário, que estão se consolidando como a melhor opção do mercado na atualidade); não respeitar o tempo de descarte; utilizar soro fisiológico; e não lavar as mãos na hora de manuseá-las.

De acordo com a Soblec, cerca de 6% da população do país é potencial usuária do produto, e as chances de uma boa adaptação aumentam consideravelmente com mudanças simples de hábitos.

Entre as boas ações podemos citar:

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  • Lavar muito bem as mãos com água e sabão (de preferência antibacteriano) e secá-las antes de tocar nas lentes
  • Retirar as lentes antes de dormir (a não ser que haja indicação médica para usá-las nesse momento)
  • Não exceder as horas de uso recomendadas pelo especialista e pelo fabricante

Saúde ocular deve ser prioridade

Indo um pouco além do uso das lentes, é fundamental que os brasileiros comecem a se preocupar mais com a saúde ocular.

Entre 2019 e 2020, durante a pandemia, houve uma queda de 34% na realização de consultas e exames oftalmológicos, segundo um levantamento do Conselho Federal de Medicina (CFM). Só que diversos problemas podem ser evitados ou tratados caso sejam detectados precocemente.

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O glaucoma, por exemplo, é uma doença multifatorial e uma das principais causas de cegueira no mundo. Quanto mais cedo ela for detectada, maiores as chances de sucesso com o tratamento, evitando o risco de complicações – como a perda da visão.

A saúde ocular infantil também merece especial atenção. Assim como os adultos, as crianças precisam passar por consultas regulares com um oftalmologista.

Dessa forma, possíveis distúrbios de visão poderão ser identificados e tratados logo nos primeiros anos de vida. É o caso da miopia infantil, que já conta inclusive com o lançamento de lentes de contato especiais capazes de diminuir sua progressão, evitando problemas graves na fase adulta.

No final, tudo é uma questão de hábito. Para quem usa lentes de contato, pequenos ajustes na rotina podem fazer a diferença na adaptação ao produto, garantindo que a pessoa possa desfrutar de todos os seus benefícios.

Já a mudança na forma de lidar com a saúde ocular, investindo em uma consulta anual com um especialista, ajuda a evitar problemas mais graves de visão no futuro.

*Gerson Cespi, diretor-geral da CooperVision no Brasil

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segunda-feira, 26 de setembro de 2022

Radar da saúde: hospital faz raio X dos sintomas e reveses da Covid longa

Após montar um ambulatório dedicado ao pós-Covid e atender mais de uma centena de pacientes, profissionais do Hospital Universitário Cajuru, em Curitiba, conseguiram apurar e quantificar as repercussões e sequelas da doença.

O trabalho, em parceria com a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), registra que esse grupo de pessoas — a maioria delas chegou a ficar em UTI e necessitou de suporte de oxigênio — apresenta, em média, oito sintomas e/ou consequências após 30 dias da infecção.

Mais de 80% perderam peso, 77% sofrem com falta de ar, quase 50% têm fadiga, 45% sentem dores nas pernas, 41% se queixam de insônia e 39% persistem com tosse.

A pesquisa constatou que, quanto mais sintomas são relatados durante o ataque do vírus, mais manifestações ocorrem na Covid longa. Na mesma linha, pacientes graves, que foram intubados, também penam com mais reflexos da doença depois de sair do hospital.

+ LEIA TAMBÉM: O que precisa ser feito para controlar a varíola dos macacos?

<span class="hidden">–</span>Ilustração: Liniker Eduardo/SAÚDE é Vital

Passado: 110 anos de uma das causas de hipotireoidismo

Imagine células de defesa do próprio corpo se voltando contra a tireoide, que deixa de produzir seus hormônios e coloca o organismo todo em marcha lenta. Essa é a tireoidite de Hashimoto, um dos principais motivos por trás do hipotireoidismo. O distúrbio autoimune foi descrito pela primeira vez em 1912 pelo médico japonês Hakaru Hashimoto, que veio a batizar a doença.

<span class="hidden">–</span>Ilustração: Liniker Eduardo/SAÚDE é Vital

Futuro: Curativo anticâncer é desenvolvido no Brasil

Cientistas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) criaram uma membrana especial de celulose que, ao incorporar íons de prata e um anti-inflamatório, é capaz de ajudar a tratar o câncer de pele. Em testes com camundongos, a invenção foi um sucesso: quatro em cada dez animais apresentaram remissão total do tumor.

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<span class="hidden">–</span>Ilustração: Liniker Eduardo/SAÚDE é Vital

Um lugar: EUA divulgam quarta cura de HIV no mundo

Um homem que convivia havia 34 anos com o vírus da aids foi considerado livre da doença após passar por um transplante de medula para tratar uma leucemia — o doador era naturalmente resistente ao HIV. Embora o procedimento não se aplique à maioria dos indivíduos com o problema, a notícia reacende a perspectiva de que a cura é possível.

<span class="hidden">–</span>Ilustração: Liniker Eduardo/SAÚDE é Vital

Um dado: 23% de aumento na detecção da miopia infantil

O número vem de um levantamento do H.Olhos, centro especializado em oftalmologia de São Paulo, e corresponde à comparação entre o primeiro semestre de 2021 e o de 2022. A quantidade de crianças de até 12 anos diagnosticadas com miopia subiu de 425 para 538. Vida mais confinada e abuso de telas podem estar entre as razões do crescimento.

<span class="hidden">–</span>Ilustração: Liniker Eduardo/SAÚDE é Vital

Uma frase: David L. Katz

“Quase nunca um único estudo muda tudo o que sabíamos. Mesmo os maiores e melhores estudos só têm sentido quando interpretam o contexto daquilo que já conhecíamos. Tudo considerado, percebemos que recebemos informações equivocadas quanto ao papel da ciência. Toda a nossa cultura é cúmplice nesse processo: os cientistas, que querem ser ouvidos; a mídia, que quer atenção; e nós mesmos, que pensamos que todo estudo apresenta uma nova verdade, e não uma nova contribuição ao peso da evidência (…) O que nós esquecemos é que há diversos estudos feitos dois, três, cinco, dez anos atrás — que agora parecem uma eternidade — que são tão robustos como os estudos que viram manchetes atualmente.”

David L. Katz, médico e diretor do Centro de Pesquisa de Prevenção da Universidade Yale (EUA), em conversa com o jornalista Mark Bittman no livro Comer o Quê? (Alaúde)

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Júpiter faz sua maior aproximação da Terra em 59 anos

Na noite desta segunda (26) e nos próximos dias, você provavelmente terá a melhor visão de Júpiter da sua vida. O gigante gasoso fará a maior aproximação da Terra desde 1963 e estará no lado oposto do Sol para nós – condições que garantirão que o planeta apareça brilhante no céu.

O maior planeta do Sistema Solar está num posicionamento relativo à Terra que os astrônomos chamam de “oposição”. Como o nome sugere, o fenômeno acontece quando um objeto astronômico e o Sol ficam em lados opostos da Terra – assim, o objeto surge no Leste enquanto o astro-rei se põe no Oeste.

Sol e Júpiter estão em lados opostos da Terra (Earth, em inglês na imagem acima). Esse fenômeno favorece a observação do planeta.NASA/Reprodução

Esse costuma ser o melhor momento para observarmos qualquer planeta, e Júpiter fica nessa posição a cada 13 meses. Neste ano, o evento é mais especial porque acontece enquanto o planeta está mais pertinho de nós. Bom, “pertinho” mais ou menos: a 590,6 milhões de quilômetros daqui. (Para fins de comparação, imagine que a Lua está a 384,4 mil quilômetros de nós.)

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Isso acontece por causa de uma coincidência no movimento dos planetas. Se Júpiter e a Terra orbitassem o Sol em círculos perfeitos, a oposição e a maior aproximação aconteceriam ao mesmo tempo. Mas são órbitas elípticas, então os dois eventos estão desalinhados, e a aproximação varia de ano para ano.

Na noite desta segunda (26) e nos próximos dias, Júpiter deve ser um dos objetos mais brilhantes do céu noturno – senão o mais brilhante. Quem mora em locais de clima seco e altitude elevada tem mais facilidade para observar o planeta. Áreas mais escuras também oferecem uma visão privilegiada.

O planeta surgirá no céu ao pôr do sol e parecerá branco perolado a olho nu. Com a ajuda de binóculos, será possível ver as faixas do planeta (pelo menos a central) e três ou quatro dos satélites galileanos – as quatro maiores luas do planeta: Io, Europa, Ganimedes e Calisto.

Júpiter tem 53 luas nomeadas, mas 79 já foram detectadas no total. Os satélites galileanos são chamados assim porque foram observados pela primeira vez em 1610, por Galileu Galilei, e aparecerão como pontos brilhantes em ambos os lados de Júpiter durante a oposição.

Quando está em seu ponto mais distante da Terra, Júpiter fica a 965,6 milhões de quilômetros de distância de nós. A maior aproximação e a oposição não acontecerão juntas novamente até 2129.

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Setembro vermelho: é hora de cuidar mais do coração

Setembro é o mês escolhido para chamarmos ainda mais atenção de todos sobre a importância da prevenção dos problemas cardiovasculares. As doenças do coração e dos vasos sanguíneos são atualmente as principais causas de morte no Brasil, especialmente o infarto agudo do miocárdio e o acidente vascular cerebral (AVC), responsáveis por 300 mil óbitos por ano. Com o Setembro Vermelho, destacamos ações e atitudes para mudar esse cenário.

Ter uma rotina saudável, evitar e controlar fatores de risco cardiovascular e buscar o equilíbrio emocional são o suficiente para reduzir em torno de 50% dos casos de infarto e AVC. Como cardiologista, defendo que o coração deve ser lembrado por nós diariamente como uma parte nobre do corpo, aquela responsável por levar sangue e vida a todos os órgãos e tecidos. Nosso coração bombeia em torno de 9 mil litros de sangue por dia!

A saúde do músculo cardíaco e das artérias depende de hábitos e comportamentos como a prática regular de atividade física, a adoção de uma alimentação balanceada, a busca de um sono reparador, a realização do check-up médico anual e a procura de assistência adequada havendo qualquer necessidade ou suspeita de algo estranho.

Quando se desconfia de algum problema agudo no coração, poucos segundos podem ser suficientes para que o órgão seja danificado de forma irreversível. Por isso, diante de qualquer sintoma ou suspeita de infarto, o indivíduo deve ser levado a um centro médico para que possamos identificar e intervir quanto antes.

No entanto, muito melhor do que detectar e tratar uma doença cardíaca aguda é prevenir para que ela não aconteça.

+ LEIA TAMBÉM: Existe melhor horário para tomar remédio para pressão?

Já é de conhecimento público que a Covid-19 aumentou o risco de pessoas evoluírem com algum tipo de problema cardiovascular nos próximos meses ou anos após a infecção. Portanto, devemos dar ainda mais atenção ao coração e focar nos cuidados preventivos.

Manter a saúde cardiovascular não é tarefa complicada. Medidas relativamente simples ajudam a evitar os perigos. Me refiro ao controle da pressão arterial, dos níveis de açúcar no sangue e das taxas de colesterol; da prevenção e do tratamento da obesidade; da prática de exercícios e de uma dieta equilibrada; do combate ao tabagismo; e do enfrentamento do estresse e das doenças psiquiátricas.

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Outro fator que influencia diretamente o bem-estar do coração é a qualidade do sono. É crescente o número de pacientes que se queixam de dificuldade para dormir, seja pelas poucas horas reservadas ao sono, seja pela falta de um sono reparador. Acontece que noites mal dormidas desencadeiam uma série de eventos no organismo, como desregulação hormonal, queda da imunidade, problemas de concentração, aumento da gordura abdominal e inclusive maior risco de infarto e AVC.

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Para se ver livre dessas ameaças, o leitor deve parar e responder mentalmente: estou com meus exames em dia? Quando foi a última vez que vi as taxas de colesterol e glicose no sangue? Há quanto tempo não meço a pressão? Estou reservando um tempo para algum tipo de exercício? Fiz alguma atividade prazerosa na última semana?

Se por um acaso respondeu “não” para alguma das perguntas anteriores, é hora de rever alguns hábitos na sua vida.

Aproveite esse mês de setembro para cuidar mais do seu coração. Coloque o check-up em dia, alimente-se melhor, passe a se exercitar e cuide do sono e da mente. Zele pelas suas emoções, tenha fé, pratique o otimismo e o bom humor, ouça mais música e reserve um tempo para relaxar de verdade. Tudo isso reduz a ameaça de um infarto e aumenta as chances de você ser feliz.

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* Roberto Kalil é cardiologista, diretor de Cardiologia do Hospital Sírio-Libanês (SP) e presidente do Conselho Diretor do Instituto do Coração (InCor)

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