Eu sou Pedro, tenho 27 anos. Trabalho no banco Bradesco como programador web há 3 anos. Inicie como estagiário e fui efetivado após 1 ano de empresa. Sou bastante determinado, organizado e flexível. Pratico natação e tenis duas vezes por semana. Adoro viajar com a namorada para lugares que tenha praia. Tenho bastante interesse por aviação e não dispenso um bom prato de lasanha.
O colesterol é um dos principais fatores de risco para a principal causa de mortes no mundo, as doenças cardiovasculares.
Ainda assim, brecar o colesterol é uma distante realidade no Brasil, como acusam pesquisas recentes, discutidas na matéria Colesterol, sempre ele. Para ter ideia, mais de 90% dos indivíduos que tiveram infarto ou derrame não tomam medicamentos para controle do colesterol.
Nesse público, o perigo de ter um novo piripaque é quatro vezes menor ao aderir às estatinas, remédios que reduzem as taxas deste lipídio no sangue.
Outro estudo aponta que apenas 14% das pessoas em alto risco cardíaco estão com o colesterol em níveis adequados.
O assunto é sério. O desequilíbrio pode levar a eventos fatais, mas evitá-lo é relativamente simples. Ainda mais com novos tratamentos à vista e a possibilidade de combinar estratégias.
Tudo começa conhecendo os níveis de colesterol. Portanto, queremos saber:
Europa, uma das 95 luas de Júpiter, é um dos corpos celestes dentro do Sistema Solar com mais chances de abrigar vida.
Entre as várias condições para tornar um planeta ouluapropícia à formação de vida, existem três ingredientes principais: água líquida, alguns elementos químicos específicos e uma fonte de energia. Pesquisas anteriores já mostraram que debaixo da superfície congelada de Europa existe um oceano de água salgada. Escondida do Sol, uma suposta forma de vida usaria energia de reações químicas que ocorrem dentro do planeta. Só fica faltando alguns outros químicos – pesquisadores não tinham certeza se essa lua possuía os elementos necessários, principalmentecarbono.
Agora, graças ao telescópioJames Webb, pesquisadoresencontraramdióxido de carbono na superfície de Europa. Mais importante: essecarbonosurgiu no oceano do planeta, e não foi trazido por meteoritos ou fontes externas.
A descoberta é descrita em doisestudosconduzidos de forma independente, ambos publicados no periódicoScience.
Ambas as equipesidentificaramo dióxido de carbono graças à capacidade do Webb de detectar sinais em infravermelho, o que permitiu aos astrônomosmapeara distribuição da molécula na superfície do satélite.
Segundoos pesquisadores, o dióxido de carbono é mais abundante numa região chamada Tara Regio – uma área geologicamente jovem conhecida como “terreno do caos”. Provavelmente houve uma troca de material entre o oceano e a superfície depois de uma ruptura na barreira de gelo que cobre o oceano. Além de serencontradoem um terreno recente, a instabilidade do CO2 sugere que ele seja geologicamente jovem.
A descoberta não é o começo das investigações de vida em Europa – e não vai ser o final. ANasa planejalançar a nave espacial Europa Clipper em outubro de 2024, que vai buscar mais informações sobre o potencial de vida na lua deJúpiter, diretamente da fonte.
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Para saber mais sobre o Webb, o telescópio mais poderoso do espaço, recomendamos a leituradessa matéria daSuper.
O estigma em relação ao aborto ganha força e se sustenta em uma sociedade que inclui o tema nas páginas do código penal, quando ele deveria estar nas páginas da saúde pública e dos direitos humanos.
Mesmo quando há o aborto legal ou mesmo espontâneo, pessoas que gestam são discriminadas pelo ato no Brasil.
O medo de ser maltratada faz com que as mulheres retardem a decisão de ir ao serviço de saúde para finalizar o aborto, que, quando malsucedido, pode levar a uma situação de maior gravidade ou mesmo de óbito.
Não à toa, temos o aborto como uma das principais causas de morte materna no Brasil e em outros países da América Latina.
Este retardo em procurar o serviço diante de um aborto inseguro é o que chamamos de situação limite: quando a demora em buscar o atendimento coloca a vida em risco.
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Podemos relembrar a história de Ingriane Barbosa, uma jovem negra, que morreu em 2018 por infecção generalizada após recorrer a um aborto inseguro com o uso do talo de mamona. Ingriane aguardou a situação limite para procurar o serviço de saúde, mas, quando chegou lá, já era tarde demais.
Mulheres fazem passeata por direitos e contra a violência e o feminicídio no Rio de JaneiroFoto: Fernando Frazão/Agência Brasil/Divulgação
A certeza das violências institucionais se confirma pelos inúmeros estudos que relatam o quanto mulheres que estão abortando, principalmente as negras, sofrem nos serviços de saúde.
Trabalhadores da saúde são os principais denunciantes, que não só criminalizam as mulheres que realizaram o aborto, como também aquelas que informam aborto espontâneo, sendo estas últimas colocadas em dúvida.
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Agindo assim, médicos e enfermeiros seguem na direção contrária do sigilo profissional previsto em seus respectivos códigos de ética. Inclusive, este ano, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) afirmou que médicos não podem denunciar pacientes por aborto.
No Brasil, mesmo que o aborto ainda seja crime, o Ministério da Saúde recomenda desde 2005, por meio de norma técnica, a atenção humanizada para pacientes em situação de abortamento.
Isso inclui um atendimento ético e reflexões sobre os aspectos jurídicos, tendo como princípios norteadores a igualdade, a liberdade e a dignidade da pessoa humana, não se admitindo qualquer discriminação ou restrição ao acesso à assistência à saúde.
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Esses princípios incorporam o direito à assistência ao abortamento no marco ético e jurídico dos direitos sexuais e reprodutivos, afirmados nos planos internacional e nacional de direitos humanos.
Além de serem revitimizadas, meninas e adolescentes sofrem inúmeras barreiras pessoais, institucionais, morais e até mesmo geográficas. Muitas vezes, elas precisam percorrer longas distâncias para acessar o serviço que é garantido por lei.
No Brasil, temos menos de 100 serviços para realização de procedimentos, e eles estão situados nos grandes centros e nas capitais. Por outro lado, as periferias e as margens sofrem com os vazios assistenciais.
Por fim, a criminalização do abortonão impede sua realização, só o torna inseguro para determinados grupos. São mulheres negras, periféricas e pobres que recorrem a métodos inadequados, em locais insalubres, com o auxílio de pessoas que não são profissionais de saúde.
A morte materna por aborto é considerada evitável. Nenhuma pessoa deveria morrer por isso. Portanto, a descriminalização é uma questão de saúde pública e justiça reprodutiva. Para resolvê-la, é preciso um ambiente socialmente justo, com direitos que alcancem a todas as pessoas.
*Emanuelle Góes é epidemiologista, doutora em saúde pública pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e pesquisadora da Associação de Pesquisa Iyaleta.
De repente você começa a sentir uma dor muscular, mas não consegue identificar o que provocou o incômodo. Você não realizou nenhuma atividade diferente do cotidiano. Talvez este seja o problema: a execução dos mesmos movimentos, dia após dia.
Há quem pense que dores musculares só atingem pessoas que praticam exercícios físicos de médio e alto rendimento. No entanto, a realidade não poderia estar mais longe disso.
DORES CAUSADAS POR ESFORÇO REPETITIVO
Osmovimentosrepetitivos, muitas vezes feitos com postura inadequada, podem provocar dores musculares moderadas ou intensas, com sensações como queimação, ardência, pontadas, que podem até mesmo enrijecer o local ou limitar osmovimentos.
E o problema é mais comum do que se imagina – cerca de 47% da população mundial já experimentou um ou mais episódios de dor muscular em algum momento da vida.¹
Aliás, estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS)² apontam que até 2050 por volta de 843 milhões de pessoas em todo o mundo sofrerão com dores nas costas.
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Entre os causadores do problema estão os hábitos da vida moderna, principalmente no que se refere ao uso de computadores, videogames e smartphones. Inclusive algumas atividades de lazer, como os joguinhos eletrônicos, podem causar essas dores. Não são poucas as vítimas, já que 82% dos brasileiros consideram os jogos eletrônicos como sua principal forma de entretenimento.³
MÁ POSTURA DURANTE USO DE CELULARES, COMPUTADORES E VIDEOGAMES
Sabe aquele período em que você diariamente fica jogando no celular enquanto espera as crianças saírem da escola ou aqueles momentos em que você se junta aos amigos para jogar aquela partida no videogame? Acredite, eles pode provocar muitas dores musculares em regiões como mãos, ombros, pescoço e nas costas,⁴além de problemas de saúde como tendinite, síndrome do túnel do carpo, dores de cabeça e até mesmo lesões na coluna vertebral.
Esses danos ocorrem porque normalmente os dispositivos são usados com uma ou as duas mãos, porém abaixo da altura dos olhos, postura que leva cada vez mais ao aumento da flexão da coluna cervical e implica tensão muscular e a perda da curvatura normal.⁵
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Alguns estudos, inclusive, afirmam que o peso suportado pela coluna cervical aumenta, e muito, quando flexionada em graus variados.⁶ Para se ter uma ideia, a cabeça de um adulto pesa, em média, 4 quilos na posição neutra. Porém, à medida que ela se inclina para baixo, aumenta o peso suportado pela cervical.⁶ O mau alinhamento dos ombros, outra alteração frequente, provoca flexão excessiva e desvios posturais que levam a sobrecarga e aparecimento de pontos dolorosos.⁷
O QUE FAZER PARA EVITAR AS DORES MUSCULARES?
A vida não pode parar! Por esse motivo, é necessário ficar atento a alguns pontos bastante importantes para evitar o incômodo:
Preste atenção na sua postura.
Faça pausas ao longo do dia para realinhar a postura e alongar toda a musculatura do corpo.
No caso de uso de smartphones, o ideal é posicioná-lo em uma altura que não exija a projeção da cabeça para baixo.
Durante o uso do computador, a tela deve estar posicionada na altura dos seus olhos.
Além disso tudo, é importante usar essas tecnologias com moderação e separar um tempo para atividades offline.
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O ALÍVIO PARA A DOR
Porém, se você já está sofrendo com as consequências das dores musculares causadas por horas de uso de celulares, computadores e videogames, parte essencial do processo é buscar o tratamento ideal para continuar sua rotina normalmente. Miorrelax é um aliado na luta contra as dores musculares e age de forma rápida8*e eficiente devido a sua fórmula potente: orfenadrina (relaxante muscular), dipirona (ação analgésica) e cafeína (potencializador do efeito analgésico).8,9
<span class="hidden">–</span>Istock/Divulgação
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Você encontra Miorrelax em caixas com 30 e 20 comprimidos e também na embalagem (blíster) com 10 comprimidos, nas principais farmácias do Brasil.
Contudo, caso os sintomas persistam, é importante que procure um médico para auxiliar no melhor tratamento.
Miorrelax.Cafeína, citrato de orfenadrina e dipirona monoidratada. Indicações: alívio da dor associada a contraturas musculares, incluindo dor de cabeça tensional. MS 1.5584.0073.SE PERSISTIREM OS SINTOMAS, O MÉDICO DEVERÁ SER CONSULTADO.Setembro/2023.
REFERÊNCIAS
El-Tallawy et al. Management of Musculoskeletal Pain: An Update with Emphasis on Chronic Musculoskeletal Pain. Pain Ther. 2021; 10(1):181-209. Disponível em:https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC8119532/. Acesso em: 01 set 2023.
Noack-Cooper KL, Sommerich CM, Mirka GA. College students and computers: assessment of usage patterns and musculoskeletal discomfort. Work. 2009; 32(3):285-98.
Guan X, et al. Gender difference in mobile phone use and the impact of digital device exposure on neck posture. Ergonomics. 2016; 59(11):1453-1461.
Park J, et al. A comparison of cervical flexion, pain, and clinical depression in frequency of smartphone use. Int J Bio-Sci Bio-Technol. 2015;7(3):183-190.
Hoffmann J, Teodoroski RCC. A eficácia da pompagem, na coluna cervical, no tratamento da cefaleia do tipo tensional. Rev. Ter. Man. 2003; 2(2):56-60.
De tempos em tempos, surge um novo inimigo do coração. Sem exagero: é com frequência que deparamos com estudos apontando o elo entre hábitos, eventos e produtos por vezes inusitados e perigos pelas artérias. Uso de hormônios para ficar com o corpo sarado, poluição ambiental, péssimas noites de sono…
De fato, tudo isso conspira contra o peito. Porém, um mau elemento conhecido há décadas por semear a discórdia e plantar ataques cardíacos continua surfando na negligência ou no desconhecimento de boa parte da população. Ele próprio: o colesterol alto.
Trata-se de um dos maiores fatores de risco para a causa número 1 de mortes mundo afora, as doenças cardiovasculares. Ainda assim, mesmo com tanto médico defendendo cuidados dentro e fora dos consultórios, brecar o colesterol é uma distante realidade no Brasil, como acusam duas pesquisas recentes.
Uma delas, o Estudo Epidemiológico de Informações da Comunidade (Epico), tocado pela Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), revela que o colesterol é a condição menos controlada entre 7.724 pessoas avaliadas em postos de saúde de 32 municípios paulistas — todas elas com pelo menos um desequilíbrio capaz de levar a infartos e derrames.
Apenas 14% desse público estava com os níveis dentro das metas. Um índice absurdamente baixo. A maioria dos pacientes eram mulheres, com idade média de 60 anos, e apresentava dois ou três fatores de risco cardiovascular, como diabetes e hipertensão. Ao redor de 70% conviviam com o colesterol alto; oito em cada dez estavam acima do peso.
A preocupação dos especialistas diante desses dados é que falamos muitas vezes de problemas silenciosos: tem gente que só descobre que o colesterol está na lua ao infartar.
Veja outros indicadores no gráfico abaixo.
De acordo com a cardiologista Maria Cristina Izar, uma das autoras do levantamento, evidências anteriores já vinham apontando que as taxas de mortalidade cardiovascular não caíram na última década no estado de São Paulo.
“Uma das explicações é a falta de controle sobre esses fatores de risco, como demonstrado pelo estudo Epico, e isso mesmo considerando que o SUS distribui gratuitamente medicamentos para colesterol alto, hipertensão e diabetes”, diz a médica, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Maria Cristina toca numa das grandes feridas dessa história: a falta de engajamento no tratamento. Ele abrange mudanças de hábito, como ajustes na alimentação e prática de exercícios físicos, e uso continuado de remédios sob prescrição.
Mas colesterol alto não dói, não sangra, nem se vê… Daí tanta gente ignorar que ele é uma inconveniente presença em sua vida ou, ciente disso, achar que dá para administrá-lo a fogo brando ou mesmo interromper a terapia receitada pelo médico.
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O assunto é gravíssimo, inclusive porque diz respeito a sujeitos que, já tendo encarado um piripaque, ainda assim não aderem aos cuidados recomendados. Sim, mesmo esse grupo considerado de alto risco, por falta de noção, instrução ou proatividade, não leva o colesterol e seus comparsas tão a sério.
É o que se pode tirar de conclusão de uma análise de dados de mais de 2 milhões de brasileiros, cujas informações foram colhidas por agentes comunitários de saúde. Ela descobriu que menos de 7% dos indivíduos que já haviam sofrido um infarto ou acidente vascular cerebral (AVC)tomam estatinas, remédios utilizados para baixar o colesterol e reduzir a propensão a um segundo evento catastrófico.
O trabalho, conduzido pela epHealth, a Novartis e o Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, também constatou lacunas preocupantes no uso de medicamentos para afinar o sangue e frear a hipertensão, frequentemente indicados nesse contexto.
“Fiquei chocado com os achados”, diz o cardiologista Raul Dias dos Santos, um dos experts que assinam o estudo, publicado no periódico The Lancet Regional Health.
Estudos apontam que 40% dos brasileiros estão com o colesterol alto (clique na imagem para ampliar)Arte: Laura Luduvig e Ricardo Davino @ri.davino/SAÚDE é Vital
“É a primeira vez que conseguimos fazer uma pesquisa tão abrangente para avaliar se a população estava tomando os medicamentos que deveria e da forma adequada”, comenta Santos, que atua no Einstein e no Instituto do Coração (InCor), da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).
Dos 2 milhões de participantes, cerca de 35 mil haviam sofrido um ataque cardíaco ou AVC — um contingente que preencheria uma pequena cidade do interior do Brasil e corre um risco de quatro a seis vezes maior de encarar uma nova pane cardiovascular e morrer em função dela. E é aí que voltamos ao colesterol…
“O colesterol alto é a maior causa de infarto e uma das grandes razões por trás do AVC”, afirma Santos. Mas esse não é um beco sem saída. Quando se adotam hábitos mais saudáveis e o tratamento médico, há boas chances de as coisas entrarem no rumo.
“As estatinas, principais remédios utilizados para controlar os níveis no sangue, reduzem em 25% o risco de infarto, derrame ou morte”, expõe o professor de cardiologia. Falamos de uma categoria de comprimidos empregada há décadas, fartamente avaliada, barata e fornecida de graça pelo governo.
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Ao paciente, cabe uma única tarefa: tomar todo santo dia. Contudo, essa incumbência nem sempre é tão singela.
O mesmo trabalho sugere que questões como desigualdade social e falta de conscientização pesam no acesso e no engajamento ao tratamento. Não basta conseguir de graça; às vezes, o paciente precisa ser convencido a usar a medicação e a não suspendê-la pensando que está tudo bem.
Por fim, Santos acredita haver uma pitada de influência até das notícias falsas que circulam por aí. “As estatinas, por exemplo, revolucionaram a cardiologia e são uma terapia eficaz e segura, mas, mesmo assim, encontramos muita gente falando mal delas na internet, num movimento anticiência sem fundamento”, afirma.
Cerco e corpo fechados
Fila e indisponibilidade do remédio no postinho ou na farmácia, lapsos de memória, descrença na orientação do médico… Convenhamos que são vários os argumentos (ou desculpas) para deixar de lado remédios capazes de salvar vidas.
Porém, tanto as autoridades públicas e os profissionais de saúde como os principais interessados nessa história, os pacientes, precisam se mobilizar para reverter números tão alarmantes como os expostos por essas pesquisas.
Não é fácil mudar a rotina ou incorporar a disciplina que um tratamento exige — ainda mais quando é comum ter de engolir um punhado de pílulas de dia e/ou à noite. Mas a alternativa a isso, digamos, não é nada auspiciosa.
Outro ponto fundamental é manter os exames e as consultas em ordem. Isso porque não é raro que doses de medicamentos precisem ser ajustadas e formulações sejam trocadas ou mesmo adicionadas ao plano terapêutico.
Com o colesterol, se as estatinas e os ajustes no estilo de vida não seguram o rojão, médicos podem conjugar outros remédios, como a ezetimiba (que reduz a absorção do colesterol pelo corpo), e, nos casos mais complicados, injeções mensais ou quinzenais de um anticorpo monoclonal (o inibidor de PCSK9), que anula uma proteína decisiva para as taxas de colesterol permanecerem elevadas no organismo.
A evolução dos fármacos para conter as doenças cardiovasculares é um dos mais fascinantes capítulos na história da medicina. Uma história sendo escrita e reescrita, que vira e mexe apresenta uma novidade em suas páginas.
Em matéria de colesterol, o último avanço é a aprovação no Brasil de uma terapia inédita para baixar os níveis. Ela age numa das principais vias bioquímicas a manter o colesterol nas alturas por meio de RNAs de interferência, moléculas que se intrometem nas células do fígado e mandam parar a fabricação da PCSK9, a proteína crítica para o LDL (vulgo colesterol ruim) seguir em alta no sangue.
Ou seja, a inclisirana, tal qual foi batizada a medicação do laboratório Novartis, atua corrigindo uma instrução genética. Veja como funciona o medicamento na imagem abaixo.
“É um medicamento potente, que chega a reduzir os níveis de LDL em 50%, em média”, afirma Santos. E essa terapia baseada em RNA tem um trunfo: funciona com injeções aplicadas apenas duas ou três vezes ao ano.
“Sua ação prolongada é outra grande vantagem em relação aos remédios atuais, que ou são tomados diariamente ou precisam ser administrados a cada 15 ou 30 dias”, avalia o cardiologista do InCor.
Mas, por ora, ela não é algo para todo mundo…
Entenda como funciona o medicamento inclisirana (clique na imagem para ampliar)Arte: Laura Luduvig e Ricardo Davino @ri.davino/SAÚDE é Vital
No futuro
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberou a indicação da inclisirana apenas a pacientes de alto risco cardíaco, que não conseguem controlar o colesterol com as estratégias tradicionais e já sofreram um infarto ou derrame.
Faz sentido, e é uma prática habitual na medicina, tendo em vista a oferta de outras drogas, bem mais em conta. A novidade também terá de provar, em estudos de longo prazo, que não reduz apenas o LDL, mas também infartos e outros reveses cardiovasculares — algo que as estatinas já demonstraram.
O acesso tampouco será, num primeiro momento, tão democrático. O valor da inclisirana está sendo definido, mas, fora do país, ela custa cerca de 30 mil reais por ano. E é impensável uma entrada logo de cara na lista do SUS.
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De qualquer forma, a expectativa é que, à medida que as pesquisas progridam e esse mercado se expanda, a terapia de RNA possa beneficiar um maior número de pessoas que penam para domar o colesterol.
O bônus da classe é ser aplicada duas ou três vezes por ano, o que permitiria contornar o baixo engajamento em tratamentos diários, ainda que, nos testes clínicos, a inclisirana tenha sido administrada junto com as estatinas.
“Com injeções a cada seis meses, garantimos uma maior adesão, evitando que a pessoa se esqueça ou deixe de tomar a medicação na rotina”, observa a professora Maria Cristina.
Mas até para quem teme injeções há soluções à vista. A farmacêutica MSD anunciou o início da fase final de estudos com os primeiros inibidores da PCSK9 — sim, aquela proteína que permite ao colesterol seguir em disparada — em versão oral.
Hoje já existem opções injetáveis desse fármaco, um anticorpo monoclonal que, feito míssil teleguiado, mira precisamente as células do fígado que sintetizam a proteína. Com um comprimido tomado apenas uma vez ao dia, espera-se maior fidelidade do paciente.
Na etapa anterior de pesquisas, a formulação, ainda conhecida pela sigla MK-0616, mostrou-se bem tolerada e capaz de induzir uma queda significativa nos níveis de LDL. A nova rodada terá três ensaios clínicos globais que arregimentarão aproximadamente 17 mil pacientes.
Vamos aguardar as cenas dos próximos capítulos, que deverão incluir até mesmo terapias gênicas de dose única para indivíduos com alterações específicas no DNA que catapultam seu risco cardíaco.
Enquanto o futuro não chega, a verdade nua e crua é que cada cidadão com colesterol alto tem de ser sensibilizado e empoderado para se defender dessa condição que chegou a ser apelidada pelos médicos americanos de silent killer — assassino silencioso, em bom português.
Não podemos nos dar ao luxo de esperar que ele se manifeste. Pelo bem do coração… e do corpo todo.
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Décadas atrás, o cirurgião e fisiologista francês René Leriche (1879-1955) lavrou uma célebre frase: “A saúde é a vida no silêncio dos órgãos”.
Digamos que o desequilíbrio nas taxas de colesterol — e não só nelas, mas também nas de glicemia e pressão arterial — demole a totalidade dessa ideia, ainda que a gente não sinta desconfortos no momento presente.
Porém, é preciso pensar no amanhã… E, mesmo com todo o avanço da medicina, somos convocados a fazer nossa parte (veja como na imagem abaixo).
Isso implica seguir as prescrições médicas, manter o calendário de consultas e exames, movimentar-nos, comer de forma balanceada e tomar os comprimidos ou injeções projetados para nos poupar de dissabores amanhã ou depois.
Não adianta caçar novos culpados para os desafios à nossa frente quando um dos principais está alojado ali, bem debaixo do tapete das nossas artérias. É preciso botar mãos à obra nessa faxina com urgência. E não esquecer que ele, sempre ele, pode estar à espreita na circulação.
Saiba como manter o colesterol sob controle (clique na imagem para ampliar)Arte: Laura Luduvig e Ricardo Davino @ri.davino/SAÚDE é Vital
A entidade aponta o nascimento de uma criança surda ou com algum grau severo de perda auditiva a cada mil.
A surdez congênita pode ser causada por inúmeros fatores, ente eles a genética, o uso de drogas ou doenças adquiridas pela mãe na gestação, como meningite, toxoplasmose e rubéola.
Esse é um assunto importante, uma vez que a audição desempenha um papel fundamental no crescimento infantil. Pela escuta se dá o aprendizado da linguagem e da fala, habilidades básicas para o andamento escolar e para o próprio desenvolvimento neuropsicológico.
Exames para detectar a surdez na infância
O teste da orelhinha, como é popularmente conhecida a triagem auditiva neonatal, deve ser feito ainda na maternidade a partir de 48 horas do nascimento.
É rápido, indolor e detecta qualquer perda auditiva no recém-nascido, proporcionando aos pais uma conduta orientada de tratamento, que ajudará no desenvolvimento cognitivo da criança.
Já o Exame do Potencial Evocado Auditivo do Tronco Encefálico, conhecido como BERA, é indicado quando já há alguma suspeita de perda auditiva. Ele pode ser realizado desde recém-nascido ou em qualquer idade em que o médico identifique dificuldade do bebê em ouvir sons.
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Esse teste é importante para avaliar o desempenho auditivo e observar todo o sistema nervoso auditivo central. Também é muito aplicado em crianças com condições complexas, com alterações genéticas ou distúrbios neurológicos.
O BERA é um exame não invasivo e indolor, que usa eletrodos para avaliar a receptividade de estímulos auditivos, e pode ser realizado com ou sem sedação, de acordo com a condição clínica da criança.
Na nossa instituição, ele é realizado em crianças a partir dos seis meses. Durante o procedimento não pode haver nenhum movimento que interfira na resposta elétrica, prejudicando seu resultado.
Tratamento da surdez em crianças
Uma opção é o uso do implante coclear para crianças com perda auditiva bilateral, ou seja, nos dois ouvidos.
O procedimento, que exige uma avaliação criteriosa do médico, permite que os pacientes atinjam o mesmo desempenho auditivo e de linguagem que colegas ouvintes.
Ele envolve a introdução cirúrgica de um aparelho na parte interna do ouvido por meio de uma pequena incisão na parte posterior da orelha. A parte externa do dispositivo é acoplada à interna 30 dias após a colocação.
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Quanto mais cedo se fizer o diagnóstico da surdez, melhores são as chances de desenvolvimento cognitivo, da linguagem e da fala da criança, permitindo seu pleno aproveitamento escolar e sua integração social.
Por isso, devemos sempre levar o “teste da orelhinha” da maternidade para avaliação do pediatra na primeira consulta, e estar atentos às respostas da criança durante seu crescimento!
Pesquisadores “treinaram” um grupo de cubomedusas caribenhas (Tripedalia Cystophora) para detectar e desviar de obstáculos. Mesmo sem ter umcérebrocentral, essaságuas-vivasaprenderam com erros do passado e foram bem sucedidas no teste.
O estudo, publicado na revistaCurrent Biology, mostra que não é preciso ter um cérebro avançado para realizar feitos deaprendizagem– com menos de um centímetro de tamanho, asTripedalia Cystophorausaram aprendizagem associativa, conectando estímulos sensoriais a comportamentos.
Na natureza, essas águas-vivas usam seu sistema visual complexo de 24 olhos para navegar entre as turvas águas de manguezais, desviar das raízes das árvores e capturar presas.
Para simular essas condições, a equipe montou um tanque redondo com listras cinza e brancas, com listras cinzas imitando raízes de mangue que pareciam distantes. Durante 7 minutos, eles observaram as águas-vivas nadando. No início, elas chegavam perto das listras e até esbarravam; porém, no final da experiência, a média da distância delas até a parede era 50% menor, o número de desvios bem sucedidos para evitar a colisão era quatro vezes maior e a taxa de contato com as listras na parede caiu pela metade.
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Segundo os pesquisadores, as descobertas sugerem que as águas-vivas podem aprender com a experiência através de estímulos visuais e mecânicos.
Os cientistas, então, isolaram os centros sensoriais visuais do animal, chamadosrhopalia, para ir mais fundo na aprendizagem associativa dele. Cada uma dessas estruturas é formada por seis olhos e gera sinais que controlam o movimento da água-viva – quando ela desvia de obstáculos, essa frequência aumenta.
A equipe mostrou faixas cinzas que se mexiam para umarhopaliaem estado neutro, para imitar a abordagem do animal aos objetos. A estrutura não respondeu às barras cinza mais claras, interpretando-as como distantes.
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No entanto, depois que os pesquisadores a treinaram com estímulos elétricos, ela passou a gerar sinais de esquiva quando as mesmas barras se aproximavam – como faria em uma colisão na natureza. As descobertas mostraram ainda que a combinação de estímulos visuais e mecânicos é necessária para a aprendizagem associativa em águas-vivas e que orhopaliaserve como centro de aprendizagem.
“É surpreendente a rapidez com que estes animais aprendem; é quase o mesmo ritmo que os animais avançados estão fazendo”,afirmaAnders Garm, pesquisador da Universidade de Copenhagen e um dos autores do estudo. “Mesmo o sistema nervoso mais simples parece ser capaz de realizar um aprendizado avançado, e isso pode acabar sendo um mecanismo celular extremamente fundamental, inventado no início da evolução do sistema nervoso.”