segunda-feira, 25 de dezembro de 2023

Onde a medicina e a espiritualidade se encontram

A maneira que pensamos, sentimos e reagimos diante das situações pode ser a chave que tranca a porta das doenças ou a escancara de vez.

Pesquisadores mundo afora, cada vez mais, comprovam a conexão entre espiritualidade e o aparecimento de enfermidades, como as cardiovasculares.

Na verdade, a medicina e a espiritualidade nasceram juntas. Nos primórdios da humanidade, as doenças eram relacionadas à influência de espíritos e deuses. O tratamento e a cura eram atribuídos aos responsáveis pelos cultos religiosos, os “médicos” de então.

+ Leia também: Superstições mexem com a saúde (para o bem e para o mal)

Foi apenas no Iluminismo que o ser humano passou a ser agente da causa e da prevenção das enfermidades, mais alinhado à medicina que conhecemos agora. Hoje vemos uma nova (boa) mudança acontecer, com o resgate da ligação entre corpo e alma, entre medicina e espiritualidade.

Para entender essa equação, primeiramente precisamos definir o conceito de espiritualidade. Trata-se da forma com que o indivíduo busca e expressa o sentido e o propósito da vida e dos meios que encontra para se conectar consigo, com o outro, com a natureza e com o sagrado.

Aqui cabe uma ressalva: os mais espiritualizados tendem a ter autocuidado, o que afasta fatores de risco cardiovasculares, como o tabagismo e a alimentação desregrada. Além disso, quem cuida de si vai ao médico e faz exames periodicamente, adere ao tratamento, minimizando a probabilidade de as doenças se instalarem sorrateiramente.

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A espiritualidade também é um atalho para o perdão, que, por sua vez, é um antídoto contra males físicos. O argumento foi minha tese de mestrado, baseada na pesquisa Avaliação da Disposição para o Perdão em Pacientes com Infarto Agudo do Miocárdio (IAM).

A metodologia contou com a formação de dois grupos homogêneos. No primeiro, reunimos pacientes que haviam sofrido infarto; no segundo, pessoas sem histórico de patologia cardiovascular.

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No primeiro, tínhamos integrantes com menos disposição para perdoar e menos espiritualizados. Já no grupo sem histórico de infarto, a disponibilidade para perdoar era prevalente, assim como a espiritualidade.

A pesquisa levantou um dado interessante: a religiosidade formal foi mais recorrente entre os afetados pelo infarto, uma indicação de que rigidez religiosa não necessariamente remete à espiritualidade ou à saúde.

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Vemos muitos religiosos que não são espiritualizados e outros que descobriram a própria espiritualidade sem terem um credo religioso. Apesar disso, não dá para negar que a religião pode atuar como facilitadora nesta procura. Existem estudos comprovando que assíduos frequentadores de templos estão menos suscetíveis a doenças cardiovasculares, cânceres e suicídio.

Para os mais céticos, não é fácil aceitar que o estado de espírito é capaz de afastar ou favorecer enfermidades graves, como as cardiovasculares, que causam 400 mil mortes por ano só no Brasil.

Mas análises experimentais e observacionais fornecem informações importantes sobre a ação positiva do perdão na saúde física, mental e na qualidade de vida. E tudo indica que o coração é o órgão mais beneficiado pelo ato de perdoar a si e ao outro.

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Independentemente de crenças tradicionais ou de ceticismos, não há como desvincular o desequilíbrio espiritual e as doenças. Ficamos mais próximos de enfermidades quando optamos por ações e reações negativas diante dos desafios que a vida traz e quando deixamos de perdoar ofensas sofridas.

Em contrapartida, promovemos nosso bem-estar e a prevenção ao modificarmos padrões comportamentais, encontrando propósito em nossa existência, exercitando o perdão, a gratidão e a compreensão e reverberando positividade.

Sabemos que, mesmo “de graça”, esse remédio não é fácil de ser administrado. Ele requer mudanças profundas, desentulhando anos e anos de padrões negativos. Mas vale a pena começar hoje – até porque a espiritualidade não traz efeitos colaterais nem restrições – e o melhor: é de graça!

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*Suzana Avezum é psicóloga, psicanalista e diretora executiva do Departamento de Psicologia da Socesp. Também é integrante do projeto Socesp Mulher.

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domingo, 24 de dezembro de 2023

Vai dar certo! É hora de rever conceitos e práticas para o bem-estar geral

Fechamos o ano trazendo para este espaço ninguém menos que Adalberto Barreto, psiquiatra, professor e criador da tecnologia social conhecida como terapia comunitária integrativa. O título faz uma homenagem à música composta por MC Liro, Anchieta, Daniel Musy, Julio Raposo, Marquinho Pepe Santos e Uiliam Pimenta. Sim, vai dar certo! Podemos trabalhar por dias melhores… E para todos!

***

Natal é o aniversário de uma criança, símbolo do amor, da aliança entre Deus e os homens. Uma criança que, apesar da morte na cruz, foi uma vencedora, aquela que salvou a humanidade.

Natal é a festa da criança mítica, da criança vitoriosa e da criança feliz. No aniversário desta criança divina, símbolo de paz e felicidade, desperta dentro de cada um de nós outra criança, a criança que fomos e que ainda somos.

Esta criança mexe profundamente com outra criança que cada um tem dentro de si. É no Natal que elas se encontram, se olham e trocam palavras.

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Cada um terá sentimentos bem específicos, pois eles revelarão o estado de espírito do adulto que somos. Para aqueles que conseguiram realizar seus sonhos de criança, vencer na vida, construir sua existência, há muito a celebrar.

Porém, para outros, que tiveram seus sonhos roubados, suas vidas abortadas, não raro a vontade é fugir das festas, isolar-se e chorar. Este é um momento de balanço de vida, em que tantos descobrem não ter razões para celebrar vitórias. Percebem que a criança que mora dentro de si está amordaçada, abandonada, maltrapilha, rejeitada, vagando pelas ruas da vida.

Segundo o IPEA, a população em situação de rua no Brasil supera 281 mil pessoas e, em dez anos, cresceu 211%.

Muitos se sentem envergonhados, revoltados, não veem sentido nas crianças felizes e ambientes alegres. Enquanto os outros têm razões para sorrir e celebrar, esses angustiados só encontram motivos para chorar e se isolar.

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A força e a beleza do menino que traz luz contrastam com a fragilidade do que se é – e do ser que tem se tornado. É compreensível, então, que não se suporte o júbilo alheio e que se refugie no mais profundo de si mesmo, na mais triste solidão.

Na minha experiência como psicoterapeuta, tenho testemunhado a dor e o sofrimento destes infelizes do Natal. Muitos vieram ao mundo, mas não nasceram. Outros nasceram, mas não se desenvolveram. Outros, ainda, interromperam involuntariamente seu crescimento e arquivaram seus projetos de vida.

Faltou-lhes o alimento indispensável à existência: o amor, a compreensão, o carinho, o respeito, a acolhida, o apoio, o estímulo. São existências raquíticas marcadas por uma série de carências. Eles ignoram que possuem dentro de si forças suficientes para libertar esta criança amordaçada e faminta.

Mas perderam a capacidade de se rebelarem, de si indignarem com o estado em que se encontram. Agem como vítimas e vivem como mortas.

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No dia de Natal, como eu gostaria de poder acolher todas estas criancinhas infelizes e poder dizer a cada uma que eu acredito nelas. Como eu gostaria de ajudar a descobrir suas potencialidades, desvendar-lhes os olhos, tirar sua mordaça e transmitir-lhes uma mensagem de fé e esperança.

Cada Natal é um apelo a cada um de nós para despertarmos esta criança interior, dar-lhe as mãos, ensinar-lhe a falar e a aprender a sonhar. É um apelo à vida, à libertação de tudo aquilo que nos impede de viver, de amar, de crescer. É um convite à adoção dessa criança abandonada dentro de cada um de nós mesmos, numa trama tantas vezes coletiva.

A evolução das sociedades tem favorecido o isolamento, a intolerância, o sectarismo, o estresse, o medo, tudo agravado por um modelo econômico marcado pela avidez de lucros e benefícios. E assim se destroem recursos socioculturais, comprometendo o vínculo social e precarizando a saúde mental de todos nós.

A humanidade está doente e precisa de ações concretas de cuidados. O brasileiro está no seu limite de tolerância. Sua saúde mental está abalada, já que a capacidade de conviver consigo mesmo e com os outros e a natureza, na busca do pertencimento, da felicidade e do sentido da vida, foi cerceada por intrigas, mentiras, fake news, distorções da realidade e polarizações assassinas. São famílias dividas, amizades desfeitas, agressões gratuitas. O desenvolvimento tecnológico se constrói em detrimento da dimensão humana.

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A Covid-19 atingiu as economias até dos países ricos, mas revelou a fragilidade da humanidade que arrisca desaparecer através das desigualdades produzidas por uma economia predatória que afeta sistematicamente tudo, principalmente o meio ambiente e o clima.

É tempo de rever e expandir o sentido de desenvolvimento para todos e para todo o planeta. O momento é de reparar e curar danos e promover a saúde global e mental. Nosso desafio maior é erigir um modelo de desenvolvimento que respeite a natureza humana e o planeta.

A lei que regula o universo é a lei do amor da reciprocidade. Cada um de nós possui em si uma força poderosa e transformadora de si, dos outros e do planeta. Só podemos evoluir numa relação de dar e receber. Isso deveria pautar uma economia inclusiva e um crescimento sustentável.

O conceito de saúde holística é deixar a energia circular: o que sei ensino, o dinheiro que tenho invisto, compro, partilho. Tudo está interconectado. Todo acontecimento é sistêmico e interfere um no outro.  Nascemos incompletos e por isso necessitamos uns dos outros. Que este Natal seja uma ocasião para refletirmos sobre o sentido da vida pessoal e social.

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É, como defendemos com a Terapia Comunitária Integrativa, uma oportunidade para cuidar de si, da comunidade e do ambiente, criando um espaço de empatia com vínculos mais saudáveis, algo de que tanto precisa o tecido social brasileiro.

Que possamos partilhar saberes, abrir horizontes, descobrir recursos e desenvolver espaços de cuidado e cura mesmo diante de tantos desafios econômicos, políticos e acadêmicos. Que possamos frutificar espaços de escuta e diálogo, um espaço de convivência com a diversidade sem querer colonizá-la. Um espaço de troca de afeto e respeito – hoje e sempre.

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* Adalberto Barreto é psiquiatra, professor emérito da Universidade Federal do Ceará (UFC) e presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria Social

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sábado, 23 de dezembro de 2023

O papel dos testes genéticos na reprodução assistida

A genômica e a citogenética, que estudam a sequência do DNA, que inclui os genes e os cromossomos, desempenham um papel importante na reprodução assistida. São áreas que permitem identificar, por meio de testes genéticos, alterações presentes no DNA do pai ou da mãe e, assim, adotar medidas para que elas não sejam transmitidas aos bebês.

Os testes genéticos revelam o que está oculto, ou seja, determinada alteração associada com doença genética ou cromossômica.

Alterações cromossômicas, por exemplo, podem aumentar o risco de aborto espontâneo e de condições hereditárias, como a síndrome de Down, que atinge 1 em 700 bebês no Brasil e é mais comum na gravidez tardia.

+ Leia também: A ascensão da reprodução assistida

Embora importantes na reprodução assistida, os testes genéticos não são recomendados para todos os casais. Por causa disso, é interessante passar pelo aconselhamento genético. Essa sessão com um especialista em genética é muito indicada nas seguintes situações:

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  • Pessoas com parente próximo com doença genética
  • Mãe ou pai que teve filho diagnosticado com doença genética
  • Pessoas grávidas com mais de 34 anos ou que tenham tido um resultado anormal em teste de rastreio ou amniocentese
  • Pacientes que tiveram dois ou mais abortos espontâneos ou que deram à luz um bebê natimorto com sinais físicos de uma doença genética

Além disso, as perdas gestacionais que ocorrem mais frequentemente no primeiro trimestre de gravidez são consequência de alterações cromossômicas que ocorrem de forma espontânea. Neste sentido, para quem for fazer reprodução assistida, há análises genéticas que orientam o médico na estratégia para tratamento do casal.

Um dos testes genéticos é o CGT, conhecido como teste de compatibilidade genética. Ele é realizado antes da gravidez para identificar se o casal carrega variantes genéticas que poderiam ser transmitidas a seus filhos e gerar doenças, mesmo o casal sendo saudável.

+ Leia também: Fertilização in vitro: as taxas de sucesso subiram muito

Há também os testes PGT-A (diagnóstico genético pré-implantacional para detecção de aneuploidias – a síndrome de Down é um exemplo); o PGT-M (detecção de doenças causadas por alterações em um único gene, como fibrose cística e anemia falciforme) e PGT-SR (teste para pesquisa de rearranjos cromossômicos estruturais).

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É válido ressaltar que a indicação de testes genéticos deve ser sempre acompanhada do aconselhamento de um geneticista que explique ao casal o significado dos resultados, as consequências concretas em termos de risco e as possíveis ações após a realização do teste.

*Márcia Riboldi é biomédica e geneticista, VP da Igenomix e Vitrolife na América Latina.

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sexta-feira, 22 de dezembro de 2023

Praga desenvolve resistência ao glifosato

Quando o glifosato chegou ao mercado, na década de 1970, foi apresentado como um herbicida universal. Matava tudo, e por isso era usado só para limpar o terreno, eliminando as pragas, antes do plantio. Mas a Monsanto (criadora do produto) desenvolveu versões transgênicas da soja, do milho e do algodão, que são imunes ao glifosato – e aí ele começou a ser aplicado também durante o cultivo dessas plantas.

Virou o agrotóxico mais usado do mundo. Mas isso teve uma consequência: começaram a surgir pragas resistentes. Cientistas da Embrapa detectaram mais uma: o picão-preto, que ataca a soja – e, graças a uma mutação, criou resistência ao glifosato. Conversamos com o agrônomo Fernando Adegas, um dos autores da descoberta (1), para entender a razão.

Por que as pragas criaram resistência?

É um processo de seleção de plantas que já existiam na natureza. Com o uso contínuo do glifosato, nós fomos eliminando as plantas que eram sensíveis a ele. Isso ocorre com todos os herbicidas, infelizmente. 

A mutação do picão-preto foi consequência de uso incorreto do glifosato?

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Não houve uma rotação de produtos [alternância do glifosato com outros], e por isso ocorreu essa seleção. A diversificação é fundamental na agricultura.

O picão-preto afeta a soja, cultura que mais utiliza o glifosato. Quais consequências a praga pode ter no Brasil?

O picão já está disseminado pelo país todo. Ele foi a primeira planta a se tornar resistente a outros herbicidas também. Essa população [variante resistente ao glifosato] foi encontrada numa lavoura de soja com milho, e pode afetar o algodão também. O potencial [da praga] é muito alto.

Se o agricultor detectar a nova praga, o que ele deve fazer?

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A primeira coisa é tentar evitar que ela se espalhe. A disseminação provavelmente vai ser por máquinas agrícolas, [então] tem que fazer um sistema de contenção. Também deve utilizar produtos alternativos ao glifosato e adotar boas práticas agrícolas, com rotação de culturas.

A Europa tem debatido a proibição do glifosato, devido às possíveis consequências para a saúde. Na sua opinião, isso seria viável no Brasil?

É uma pergunta difícil. Mas eu não imagino a agricultura tropical sem o glifosato. Nossos sistemas de produção são mais intensivos, temos duas safras por ano, e uma variedade de plantas daninhas muito grande. O que a gente deve fazer é utilizar [o produto] com mais racionalidade, diversificar um pouco mais. 

Fonte 1. Novo caso de resistência de planta daninha ao glifosato no Brasil: picão-preto (Bidens subalternans). F Adegas e outros, 2023.

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Cardiologia abre passagem para a saúde 4.0

Uma dose de tecnologia após o café da manhã. Este receituário hipotético poderia ser indicado para nós, médicos, por uma razão simples: é eficaz. E a grande maioria dos profissionais de saúde confia nesta prescrição. 

Uma pesquisa da SOCESP – Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo junto a colaboradores da área aponta que 77,2% dos consultados concordaram que a tecnologia melhora os resultados das terapias propostas e a acuidade dos diagnósticos. 

Para 34,2%, o grande bônus com a aplicação das novas tecnologias é o monitoramento do paciente. Outros 34,2% acreditam que o engajamento aos tratamentos é facilitado na medida em que o médico se apropria de métodos interativos, por exemplo. E 19% pensam que os exames ganham qualidade com os processos de inovação. 

A telemedicina é um dos modelos mais emblemáticos ao falarmos de tempos modernos. Necessária na pandemia, mostrou sua eficácia e deu provas de que, quando bem utilizada, não corta a relação médico-paciente e ainda otimiza atendimentos, abreviando agendas e desafogando a alta demanda da saúde pública e privada. 

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+Leia também: A síndrome de burnout e o coração feminino

Cerca de 40% dos doutores ouvidos realizam consultas online, no mínimo, de duas a três vezes ao mês. Destes, 19,2% lançam mão do recurso uma ou mais vezes por semana. 

Outra solução que parece estar se popularizando nas clínicas é o Registro Médico Eletrônico (EMR). Trata-se de um programa integrativo, que mantém os dados do paciente em uma ficha digital única. 

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Os EMRs facilitam o rastreamento das fichas cadastrais, identificam a necessidade de cuidados preventivos (como alergias e medicamentos ministrados) e monitoram a qualidade da recepção clínica. 

A pesquisa da SOCESP inquiriu os entrevistados e mais de 40% se declararam experts ou com nível avançado para fazer uso dessa ferramenta.

As respostas positivas sobre o emprego da tecnologia na medicina criam um círculo virtuoso, estimulando que os profissionais se interessem pelo tema. Ainda de acordo com o levantamento, 94,9% estão abertos para aprender mais sobre o assunto.

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O levantamento foi realizado pelo head de inovação do Instituto do Coração (InCor) e coordenador da Arena de Inovação do Congresso da SOCESP, Guilherme Rabello, e um time de colaboradores. Os respondentes eram participantes da última edição da Arena de Inovação e Tecnologia, evento que integrou o 43º Congresso da SOCESP, em junho de 2023. 

A arena conta com ciclos de palestras sobre as inovações da indústria 4.0 aplicáveis à cardiologia.

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Cardiologia de precisão

A cardiologia é uma das especialidades que mais se beneficia com a tecnologia. E isso por alguns motivos:

  • Rápida apuração, recuperação e correlação de informações
  • Monitoramento remoto e aperfeiçoamento da classificação de risco de pacientes em tempo real
  • Composição de tratamentos personalizados
  • Coleta, armazenamento e cruzamento automático de dados para aprimorar diagnósticos
  • Interpretação à distância 

Já entre os novos aparatos à serviço da cardiologia, smartwatches (cintos e pulseiras também) que detectam e notificam alterações no ritmo cardíaco; sensores em pequenos adesivos, que acompanham variáveis, incluindo pressão arterial; ecocardiogramas incrementados por inteligência artificial (IA) e suporte técnico para cirurgias com robôs. 

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E vem mais por aí: sistemas de IA estão sendo desenvolvidos para medir, por exemplo, depósitos de placas nas artérias coronárias e prever risco de um ataque cardíaco nos próximos cinco anos. 

Impossível dizer que todo este arsenal “do bem” desumaniza a medicina. Não há uma só destas novidades que não priorize a pessoa, seja o especialista, seja o paciente. Ao contrário, promove-se uma democratização dos atendimentos, muitas vezes, quebrando até barreiras geográficas, levando o melhor até onde ele não chegaria, não fosse a estrada da tecnologia.

*Ieda Jatene é presidente da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo – SOCESP (gestão 2022/2023)

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3 notícias sobre: a vanguarda dos chips

Sistema analógico promete mais poder
A Universidade de Tsinghua, na China, inventou um chip (1) totalmente diferente. Ele trabalha com feixes de luz em vez de elétrons, e não usa a lógica binária, de dois estados (0 e 1): varia a intensidade da luz para representar e calcular dados. Foi criado para analisar imagens e, segundo seus inventores, é 3,7 vezes mais rápido nisso do que um Nvidia A100, o mais veloz do mercado hoje.

Modelo é inspirado na organização do cérebro

Em 2014 a IBM criou o TrueNorth, o primeiro processador “neuromórfico”: cujos circuitos tentam reproduzir a organização dos neurônios no cérebro humano. Agora a empresa apresentou seu sucessor, o NorthPole – que promete ser 20 vezes mais rápido em tarefas de IA, consumindo 25 vezes menos energia (2), que os chips convencionais. Ele é experimental, e ainda não está à venda.

Empresa prepara salto para 1,4 nanômetro
A Samsung anunciou que, em 2027, começará a fabricar CPUs com precisão de 1,4 nm (eles comportariam mais circuitos, e por isso seriam bem mais potentes e econômicos que os atuais chips de 3 nm). Se conseguir cumprir a data, a Samsung passará na frente da Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC), a atual líder global, que produz as CPUs da Apple e de outras empresas. 

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Fontes 1. All-analog photoelectronic chip for high-speed vision tasks. Y Chen e outros, 2023. 2. Neural inference at the frontier of energy, space, and time. DS Modha e outros, 2023.

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A alimentação durante as festas de fim de ano

As festas de fim de ano estão chegando e, com elas, surge todo tipo de malabarismo para supostamente aproveitar as gostosuras sem engordar. Mas, se fosse para falar apenas uma coisa para você, eu diria: nem pense em usar aquele sistema de recompensa

Funciona assim: “Bom, como tem a ceia, eu vou malhar bastante de manhã e ficar só na salada e fruta durante o dia. Aí posso comer o que quiser, sem culpa, à noite!”

Só que isso é um problema, porque a chance de exagero é enorme. Então essa recompensa nem funcionaria pra começo de conversa.

Leia também: Coma nozes o ano inteiro, não só no Natal  

Depois que imagine como fica o nosso metabolismo com essa montanha russa de oferta alimentar, em que num momento comemos um monte, e em outro quase nada? É claro que ele vai desregular! 

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Além disso, quanto maior a culpa, mais severa será a compensação. Esse processo imita um sistema de punição pelo pecado cometido. Então sua relação com a comida também vai ficar complicada.

Pelo mesmo motivo, também não adianta querer compensar depois, com pensamentos do tipo: “Amanhã eu volto pra dieta e fico três horas na academia!”. 

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Agora algumas dicas para não exagerar, sem deixar de comer o que você gosta:

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  • Tem peru, tender e pernil? Coma uma fatia fina de cada. 
  • Tem maionese, farofa e arroz? Uma colher de sopa de cada. 
  • Coloque salada no prato. 
  • Se tiver doce, pegue uma porção pequena e complemente com as frutas de época, como a ameixa, uva e o pêssego.
  • Coma devagar e saboreie todos os alimentos, para ter o máximo de prazer com quantidades moderadas. 

Mas… e as bebidas alcoólicas? Se for beber, alterne com água, o que diminui o consumo. Se você colocar em um belo copo, com gelo e limão, fica bonito! 

Temos que nos lembrar que, idealmente, a quantidade máxima de álcool recomendada é de duas doses para homem e uma para mulher. Uma dose equivale a uma lata de cerveja ou uma taça de vinho.

Ótimas festas!

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