Eu sou Pedro, tenho 27 anos. Trabalho no banco Bradesco como programador web há 3 anos. Inicie como estagiário e fui efetivado após 1 ano de empresa. Sou bastante determinado, organizado e flexível. Pratico natação e tenis duas vezes por semana. Adoro viajar com a namorada para lugares que tenha praia. Tenho bastante interesse por aviação e não dispenso um bom prato de lasanha.
No mundo atual, já há quem defenda que as máquinas estão se tornando capazes de ter consciência de sua própria existência, além de sentimentos e emoções. E não é tão difícil deparar com pessoas que apostam que os robôs vão substituir até mesmo os mais habilidosos cirurgiões.
Quem sabe? Isso é tema para um futuro provavelmente distante. Por ora, o que temos na medicina são incríveis avanços na área da robótica, permitindo que cirurgias assistidas por plataformas ultratecnológicas promovam incisões menores, com maior precisão e eficácia, e melhores desfechos para o paciente.
Para quem é operado, os benefícios comprovados incluem redução de dor, risco de infecção e outras complicações após o procedimento. Do lado de quem opera, podemos realizar cirurgias com maior destreza, manipular tecidos com delicadeza, dar pontos mais precisos e lidar com menos sangramentos.
Em suma, com a devida indicação e o treinamento dos profissionais, tudo fica mais seguro. Na Rede D’Or São Luiz, onde temos o maior parque robótico do país, já contamos com 20 robôs de três fabricantes diferentes, cada qual com suas particularidades e finalidades. Com a ajuda deles, operamos a boca, o tórax, o coração, o abdômen, os ossos e as articulações etc.
A principal aplicação hoje tem sido no tratamento do câncer de próstata. A prostatectomia robótica se tornou o padrão ouro nesse tipo de intervenção e reduz sensivelmente efeitos colaterais da cirurgia, como impotência e incontinência urinária.
Outra aplicação que se torna frequente é a técnica robótica voltada a mulheres com endometriose. Desde 2015, quando foi criado o Programa de Cirurgia Robótica da Rede, tocado em parceria com o Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR), contabilizamos mais de 17 mil procedimentos e cerca de 550 cirurgiões treinados.
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Ainda encaramos limitações de acesso a essa tecnologia. Ela não possui cobertura pelos planos de saúde e, no sistema público, há pouquíssimas plataformas robóticas em uso — apenas no Rio de Janeiro, em São Paulo e Porto Alegre. Os custos com a manutenção são altos e podem ter um impacto significativo no orçamento das instituições.
Mas como será o amanhã? O futuro está nas mãos (ou melhor, nas pinças) dos robôs? O termo “robô” foi criado pelo tcheco Josef Capek em 1920 e empregado pela primeira vez por seu irmão, o escritor Karel Capek, na peça teatral Robôs Universais de Rossum.
Em 1942, o escritor russo radicado nos EUA Isaac Asimov assimilou a ideia e desenvolveu o conceito de “robótica” e suas famosas “três leis”:
1) um robô não pode ferir um ser humano ou, por inação, permitir que ele sofra algum mal;
2) um robô deve obedecer às ordens dadas por humanos, a menos que elas entrem em conflito com a primeira lei;
3) um robô deve proteger sua própria existência, desde que tal proteção não se choque com a primeira e a segunda leis.
Não chegamos a ponto de ter que lançar mão dessas regras para defender a humanidade. Pelo contrário, na medicina, pelo menos, o convívio deve continuar pacífico e bem-vindo por muito tempo. Sobretudo a quem é de carne e osso.
A poliomelite tem sintomas leves de início, parecidos com uma virose, mas eles podem evoluir para a paralisia infantil, nome pelo qual ficou conhecida no passado. Quando a forma grave da doença se manifesta, o indivíduo via de regra passa a depender de muletas, cadeira de rodas ou outros aparelhos para se movimentar.
A infecção, provocada pelo poliovírus, acomete principalmente crianças com menos de 4 anos de idade, embora também atinja adultos.
Ela caiu no esquecimento porque praticamente deixou de existir – chegou a ficar restrita ao Paquistão e ao Afeganistão. A doença havia sido eliminada nas Américas nos anos 1990, mas voltou ao continente com um caso descoberto em Nova York, nos Estados Unidos, na semana passada, depois de 30 anos.
Poucos médicos com menos de 70 anos devem ter visto alguém com sintomas de poliomielite, lembra Luis Fernando Aranha, infectologista do Hospital Israelita Albert Einstein. Espera-se que a vacinação seja retomada (a meta é 97%, mas estamos em 42%) e ela não volte por aqui.
Vamos lembrar porque é importante que ela seja evitada.
Esses sintomas costumam perseverar por algumas semanas até que começam a desaparecer. Mas o quadro pode evoluir.
“Aí surge uma rigidez no pescoço e a moleira pode ficar mais estufada. A dor de cabeça fica mais intensa e deixa os bebês irritados”, esclarece a pediatra Daniela Piotto, do Fleury Medicina e Saúde.
Como esses sinais são semelhantes a outras infecções virais, a primeira medida do médico é verificar a carteirinha de vacinação da criança e, assim, eliminar possibilidades.
A forma grave começa com os sintomas de paralisia flácida, quando a doença acomete a medula. O paciente apresenta fraqueza nos membros e algum comprometimento motor. Já a paralisia permanente ocorre em 1% dos casos.
“Esse processo começa com dores e enfraquecimento muscular, que geralmente ocorre nos membros inferiores e de um lado só“, explica o médico do Einstein. Esses sintomas, no entanto, podem subir para os braços, pegar nervos do tronco e no rosto. Aí vêm a dificuldade de falar, de engolir.
Esse comprometimento muscular ainda pode provocar insuficiência respiratória, um quadro grave que muitas vezes termina em morte. Quando a pólio estava disseminada, crianças com esse quadro eram colocadas nos chamados “pulmões de aço”, uma espécie de ventilador com pressão negativa que favorece a respiração.
Nos bebês menores, dá para perceber a doença pela dificuldade de movimentos. “Quando ela está mamando no peito, sempre fica com os bracinhos pegando em algo. Se ele ficar caído, é sinal de que perdeu a força. Apoiar-se só com um pezinho no berço é outro”, pontua Daniela.
Parte desses pacientes ficarão com sequelas. “Há crianças que não vão desenvolver bem um certo membro. Elas ficam com uma das pernas mais fininhas”, pontua Aranha.
Já outras sentem uma melhora, mas podem sofrer mais tarde da síndrome pós-pólio. Ela costuma ocorrer entre 15 e 40 anos depois da fase aguda, com fraqueza e episódios de paralisia.
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A doença não tem cura, e não há tratamento específico contra a pólio. Os médicos basicamente recorrem a tratamentos para aliviar as dores e outros sintomas.
O que muda após o primeiro caso nos Estados Unidos?
Muda pouco, pois o medo de a doença voltar para o Brasil já existia há alguns anos, pontua a Rosana Richtmann, infectologista do Hospital e Maternidade Santa Joana. “A pólio havia sido quase eliminada do planeta: só o Afeganistão e Paquistão tinham casos de vírus selvagem. Mas, hoje, contabilizamos 28 países com casos registrados”, explica a médica.
O caso americano envolveu uma infecção pelo vírus vacinal do tipo 2. Mas não, não foi a vacina que causou a infecção. Explica-se: a versão atenuada do imunizante – em gotinhas – conta com vírus enfraquecidos, sem capacidade de gerar danos. Esses vírus podem sair pelas fezes – o que inclusive era visto como algo positivo por disseminar pelo ambiente um agente que estimularia a imunidade das pessoas sem causar problemas.
No entanto, em locais onde a taxa de vacinação é muito baixa, esses mesmos vírus vacinais que saíram pelas fezes podem, com o tempo, sofrer mutações que os tornam agressivos outra vez. Dito de outra maneira, é a falta de vacina que promove a infecção da poliomielite, inclusive a desencadeada por vírus vacinais. Saiba mais aqui.
Em 1994, o Brasil recebeu o certificado de eliminação da transmissão do poliovírus e, para manter o status, precisa retomar bons índices de imunização.
“Esse é um vírus que também mora no intestino e é eliminado pelas fezes. Ou seja, é uma infecção que passa pela água e pelos alimentos, o que oferece um risco alto de contágio. É inimaginável, em 2022, vislumbrarmos o retorno de uma doença sem cura e que provoca sequelas graves“, alerta Rosana.
Para saber se há vírus por aqui, seria necessário ter uma vigilância epidemiológica mais eficaz, segundo Rosana. “Qualquer caso de paralisia flácida deve ser notificado imediatamente. Há países, como o Reino Unido, que fazem também o monitoramento de esgoto para saber antecipadamente se o vírus chegou por lá”, explica a infectologista.
Como alguém pega poliomielite?
A transmissão costuma ocorrer pela chamada via oral-fecal. Trata-se, em resumo, do contato da boca com resquícios invisíveis de cocô contaminado.
Isso acontece, por exemplo, através de água, objetos e alimentos. Além disso, as próprias fezes de alguém infectado representam um risco real de contágio. Ou seja, a condição sanitária de uma região faz toda a diferença.
Existe ainda a possibilidade de um sujeito com poliomielite passar a doença por meio de gotículas de saliva. Sim, espirro, tosse e beijos ajudam a transmitir o poliovírus, que fica alojado na região da orofaringe nesse contexto.
Como tomar a vacina
A imunização contra a poliomielite deve ser iniciada aos 2 meses de vida, com mais duas doses aos 4 e 6 meses. Logo depois vêm os reforços, entre 15 e 18 meses e aos 5 anos.
Há dois tipos: a Vacina Inativada da Poliomielite (VIP), injetável, e a Vacina Oral da Poliomielite (VOP), a famosa gotinha.
“O esquema utilizado no Brasil é bastante seguro, porque iniciamos com as doses da vacina inativada, e só os reforços são de via oral, com o vírus atenuado. Ela incrementa a imunidade sem oferecer riscos”, esclarece Ribeiro. Ou seja, não há sequer o risco de o vírus vacinal sair pelas fezes e ter capacidade de atacar outras pessoas.
Os pais que não vacinaram as crianças conforme o esquema proposto devem procurar o posto de saúde e colocar a imunização em dia. Adultos também, já que o vírus não escolhe idade.
O laboratório de Daniel Preston, na Universidade Rice (Estados Unidos), está cheio de pequenos cadáveres dearanhas-lobo. Ele e a estudante de engenharia Faye Yap transformaram os aracnídeos em garras mecânicas, dando início à chamada “necrobótica” – junção de “necro”, cadáver ou morte, e “robótica”.
“O conceito de necrobótica aproveita designs únicos criados pela natureza que podem ser complicados ou até impossíveis de replicar artificialmente”, eles explicam no estudopublicadona última segunda-feira (25) na revistaAdvanced Science.
Os pesquisadores inseriram uma seringa no cadáver para injetar ou retirar ar de uma câmara próxima à cabeça das aranhas, que comanda a movimentação de suas pernas.Assim, mostraram que uma aranha morta poderia manusear objetos pequenos e eletrônicos delicados – e suportar o peso de outra aranha do mesmo tamanho. Confira o vídeo:
As aranhas funcionariam como garras mecânicas e poderiam ser usadas na manipulação de microdispositivos eletrônicos. Como são biodegradáveis, reduziriam a quantidade de resíduos na robótica.
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Uma desvantagem do mecanismo é que a aranha começa a sofrer desgastes após mil ciclos de abertura e fechamento das pernas. “Achamos que isso está relacionado a problemas de desidratação das articulações”, explica Preston emcomunicado. “Achamos que podemos superar isso aplicando revestimentos poliméricos [ao cadáver].”
Aranhas e pressão hidráulica
O projeto começou em 2019. Na época, Faye prestou atenção em uma aranha morta no chão da universidade, que estava com as pernas curvadas, e se perguntou por que o animal ficava nessa posição. A resposta está em sua anatomia.
As aranhas não têm pares de músculos opostos, como nós. Em humanos, o bíceps e o tríceps, por exemplo, trabalham em conjunto para dobrar e estender o braço. As aranhas só têm músculos flexores (que permitem que suas pernas dobrem), e o resto do trabalho é feito por pressão hidráulica.
Uma câmara perto da cabeça se contrai para enviar sangue aos membros, e assim os força a se estender. Quando a pressão é aliviada, as pernas se contraem. Após a morte, o animal perde a capacidade de pressurizar ativamente seu corpo, por isso fica enrolado.
Faye e Preston acharam esse mecanismo interessante e deram início ao trabalho recém-publicado – inserindo uma seringa nesta câmara secreta de movimentação do aracnídeo para ativar a pressurização do corpo.
Um novo modelo de machine learning, adaptado à realidade brasileira, é capaz de prever com até três meses de antecedência surtos de doenças como dengue, zika e chikungunya em bairros específicos de uma cidade, como, por exemplo, a capital do Rio de Janeiro. O artigo Predicting Dengue Outbreaks with Explainable Machine Learning recebeu o prêmio de melhor artigo no Workshop Internacional AI4Health, realizado em maio deste ano, na Itália.
Os pesquisadores utilizaram dados abertos, de diferentes bases, da metrópole fluminense. Para calcular as probabilidades de uma possível epidemia, o algoritmo utiliza indicadores como o número de casos de dengue em um bairro e em bairros vizinhos, informações do Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa) e dados ambientais – temperatura e precipitação –, demográficos e espaciais. Futuramente, a ideia é que esse modelo de aprendizado de máquina para predição dos surtos de dengue seja adaptado para outros municípios do país.
Apesar de parcialmente ofuscadas pela pandemia da Covid-19, as doenças infecciosas sazonais seguem sendo um desafio no Brasil. Até meados de junho de 2022, as mortes por dengue mais que dobraram em relação a todo o ano de 2021 no país.
O objetivo do estudo é fornecer um modelo que agilize a análise dos dados e ajude as autoridades de saúde a entender as razões para as previsões dos surtos, permitindo que planejem melhor as suas ações para terem tempo de agir, com a ajuda da inteligência artificial.
A pesquisa foi realizada por Robson Aleixo em seu mestrado em ciência da computação pela Universidade de São Paulo (USP), sob a orientação do professor Raphael Yokoingawa de Camargo, da Universidade Federal do ABC (UFABC), no âmbito dos Projetos Temáticos “Internet do futuro aplicada a cidades inteligentes” e do INCT 2014: da Internet do Futuro , coordenados pelo professor Fábio Kon, da USP, apoiados pela FAPESP. Também participaram deste trabalho Marcela Santos Camargo e Rudi Rocha, do Instituto de Estudos de Políticas de Saúde (IEPS) da Escola de Administração de Empresas de São Paulo (FGV).
Para os pesquisadores, este pode ser um instrumento valioso para um gestor repensar suas estratégias e redirecionar os recursos necessários para as áreas mais afetadas.
“O grande diferencial da inteligência artificial é identificar comportamentos e padrões dos dados históricos para dar visibilidade ao que é relevante para a análise e a elaboração de ações preventivas. Por exemplo: preocupar-se com ações que lidam com focos de dengue pode trazer mais benefícios do que construir um novo estabelecimento de saúde naquela região”, complementa Aleixo.
Os pesquisadores explicam que já existiam vários trabalhos, tanto aqui no Brasil quanto em outros países tropicais, que usavam dados do clima (precipitação, temperatura e umidade do ar) para prever os casos de dengue. Mas eles só conseguiam entregar resultados mais precisos para um ou dois meses, não faziam avaliações detalhadas por bairros e, principalmente, não forneciam explicações para as predições.
Camargo conta que, na verdade, é como se o modelo ajudasse a fazer o que um funcionário da prefeitura realizaria manualmente, mas em uma velocidade muito maior e com um olhar mais atento e sistêmico, encontrando padrões difíceis de serem percebidos por um humano.
O modelo mostrou que o fator mais importante para determinar se um bairro tem mais ou menos chances de um surto em determinado período é o número de casos registrados no último mês. O segundo fator seria o histórico de casos de dengue daquele bairro em comparação com o restante da cidade.
E, em terceiro lugar, a avaliação dos índices de precipitação: se choveu muito ou não na região e como ficou a temperatura. Ora, isso influencia no desenvolvimento das larvas do Aedes aegypti. “Por fim, também vimos que avaliar as condições dos bairros vizinhos é importante, inclusive se existem bairros muito próximos em que houve muitos casos. Tudo isso será usado para gerar um conjunto de predições para cada bairro”, destaca Camargo.
Para ser utilizado pela prefeitura do Rio de Janeiro ou de qualquer outro município, o modelo ainda precisa ser melhorado. Entre outras coisas, é necessário ganhar uma interface que permita ao usuário que não domine as linguagens de programação encontrar facilmente suas informações.
“E precisaríamos aprimorar o modelo com melhores características como, por exemplo, pensar como os sorotipos da dengue e outros indicadores da doença poderiam interferir, além de incorporar técnicas avançadas de séries temporais em conjunto com o modelo de árvores de decisão e incluir dados de novas regiões”, ressalta Camargo.
Você já se perguntou por que dormimos? Por que passamos um terço de nossa vida de olhos fechados?
Bem, como todo processo natural no organismo, o repouso noturno desempenha tarefas essenciais para a saúde: renovar a energia, fazer manutenções pelo corpo e consolidar a memória.
O sono é um estado de repouso físico e mental, em que ocorre um período de inconsciência total ou parcial. É nessa calmaria que as nossas células aproveitam para se regenerar, absorver informações e fazer uma faxina geral.
Enquanto dormimos, o organismo descarta células mortas e se livra de uma porção de detritos, que, ao se acumular, podem provocar doenças. Diversos sistemas, como o nervoso e o imunológico, utilizam essas horas de paz para se organizar e estarem prontos para o serviço quando a pessoa despertar. Sem isso, não vamos em frente!
“Ainda precisamos derrubar a impressão generalizada de que dormir é perda de tempo”, afirma o cardiologista Luciano Drager, presidente da Associação Brasileira do Sono (ABS). “Dormir é fundamental para a vida, e algo que se deve respeitar”, completa.
Infelizmente, o sono do brasileiro anda ruim, para não dizer sofrível. Um novo estudo, publicado no periódico Sleep Epidemiology, calcula que 66% da população do país (cerca de 130 milhões de pessoas) dorme mal. As mulheres são as mais afetadas: apresentam um padrão de sono até 10% pior do que o dos homens.
Para medir a qualidade do descanso noturno, a pesquisa usou quatro critérios: duração (quantidade de horas dormidas), regularidade (se acorda durante a noite ou não), alcance dos estágios do sono (leve, profundo e REM) e satisfação pessoal (se o indivíduo sente que dorme o suficiente para ficar bem).
É fato que muita gente vive uma privação intencional de sono. Seja por necessidade, seja por achar que sono é perda de tempo, o sujeito reserva poucas horas para o encontro com o travesseiro. Mas um problema que vem atingindo cada vez mais cidadãos é a insônia: a pessoa quer dormir, mas não consegue.
“É um distúrbio que se caracteriza pela dificuldade para iniciar o sono, manter o sono durante a noite ou despertar muito antes do normal, sem conseguir voltar a dormir”, define a neurologista Dalva Poyares, do Instituto do Sono, em São Paulo. “Para o diagnóstico, isso deve estar se repetindo pelo menos três vezes por semana por no mínimo três meses, levando a consequências como fadiga, irritabilidade e redução do desempenho”, finaliza.
<em><strong>Clique na imagem ampliar e aproximar</strong></em>editoria de arte/Veja Saúde/SAÚDE é Vital
Os números nesse sentido são preocupantes. De acordo com levantamento da Sanofi Consumer Healthcare, sete em cada dez brasileiros encaram problemas para dormir. E mais da metade não procura ajuda especializada. Não é à toa que o mercado de soluções em prol do sono só cresce. Ele engloba de melatonina, recém-liberada no país, a fitoterápicos e medicamentos tradicionais. Mas o que resolve a insônia?
Antes de tudo, é importante compreender o que acontece no corpo que nos leva ao sono — e à falta dele. Nosso organismo não é um interruptor que liga e desliga quando quer, pois funciona em ciclos regidos por sinais bioquímicos.
Um deles é o famoso ciclo circadiano, vulgo relógio biológico, que está diretamente ligado ao dia e à noite. Esse cronômetro interno existe em praticamente todos os seres vivos e é responsável por regular a hora de acordar, o ritmo das atividades e o momento de dormir.
De forma resumida, nos humanos a luz do amanhecer provoca um aumento na quantidade do hormôniocortisol no sangue, e isso nos faz despertar. À medida que a luz natural diminui, inicia-se a produção de melatonina, outro hormônio. É ela que sinaliza ao corpo que está escuro e arma o terreno para pregarmos os olhos.
“Além de a melatonina preparar o organismo para o sono, todos os demais mecanismos fisiológicos típicos do repouso são disparados por ela, como a regulação da pressão arterial, da temperatura corporal e do sistema imunológico”, explica o médico José Cipolla Neto, professor do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP).
“As diversas modificações necessárias para o nosso organismo repousar e jejuar são acionadas por esse hormônio. É uma molécula complexa que lida não apenas com o sono, mas com todo um estado fisiológico”, reforça.
Mas como a falta de sono entra na história? Está faltando melatonina no pedaço? Na grande maioria das vezes, não.
“Existem várias causas para a insônia, como fazer uma má higiene do sono, passar por momentos de crise, como se viu muito agora com a Covid-19, ou apresentar outro distúrbio do sono associado”, esclarece a biomédica Monica Andersen, diretora do Instituto do Sono.
“Nem sempre é fácil identificar o motivo. Existem fatores genéticos por trás, além de casos em que a pessoa tem uma ótima higiene do sono e, mesmo assim, não consegue dormir. Tudo isso precisa ser levado em conta pelo especialista para fazer o diagnóstico”, completa.
Aí está o xis da questão. Lembra que a pesquisa da Sanofi mostrou que mais da metade dos brasileiros que penam para dormir não procura o médico? A primeira saída costuma ser buscar algum chá ou remédio direto na farmácia.
Quem surfa essa onda hoje é a versão sintética da melatonina, liberada para comercialização nas drogarias pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no fim de 2021. Antes só importado ou comprado em farmácias de manipulação, o “hormônio do sono”, em cápsulas ou gotas, está com a demanda em alta.
“Mas melatonina não é sonífero. Embora a Anvisa a classifique como suplemento alimentar, ela não é uma molécula inócua e pode gerarefeitos colaterais. Não se toma um hormônio sem indicação médica, e com a melatonina não deveria ser diferente”, avalia Cipolla Neto.
A melatonina sintética tem um papel a cumprir e pode ajudar algumas pessoas a entrar mais facilmente nos domínios do sono, mas não representa a “cura” da insônia nem deve ser utilizada sem prescrição.
Só que isso acaba acontecendo porque realmente há uma febre pelo suplemento: só nos Estados Unidos, cerca de 6 milhões de pessoas fazem uso regular, 90% delas sem receita médica. Mas o abuso não passa em branco. Estudos já o associam a episódios de tontura, náusea, cólicas, sonolência em momento inoportuno, ansiedade etc.
O pedido de atenção é ainda mais incisivo no que se refere a crianças, muitas delas com dificuldades (naturais ou não) para dormir. Segundo análise do Hospital Infantil de Michigan, o número de pequenos acidentalmente intoxicados por melatonina aumentou 500% nos EUA entre 2012 e 2021.
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E há quem se preocupe que algo similar possa acontecer no Brasil. “O excesso de uso dos pais, deixando o produto disponível em casa, é um risco para as crianças. Muitos suplementos de melatonina vêm em forma de balinha mastigável, o que é superatrativo para elas”, nota a médica Ana Jannuzzi, pós-graduada em pediatria e estudos do sono.
“Mesmo não estando liberada para menores de 19 anos aqui no país, sabemos que há chance de que os próprios pais deem melatonina aos filhos achando que não há problema algum”, continua a profissional do Rio de Janeiro.
Ana enfatiza que a maioria das crianças não tem carência desse hormônio e não há estudos de longo prazo avaliando a segurança e eficácia da melatonina para os mais novos.
<em><strong>Clique na imagem para ampliar e aproximar</strong></em>ilustrações: Daniel Almeida/SAÚDE é Vital
Ah, mas um chá calmante não seria uma boa ideia para dormir com os anjos? Veja bem, não há estudos de grande porte batendo o martelo sobre a ação de infusões — fora a falta de padronização entre ervas e extratos.
Em relação aos fitoterápicos, alguns até podem ajudar, caso da passiflora, mas eles contribuem para relaxar e resolver dificuldades temporárias para pegar no sono. Não vencem uma insônia pra valer.
Puxa, mas o que é recomendável e tem aval da ciência para subjugar esse distúrbio tão em evidência? A primeira medida é a já citada e tão falada higiene do sono, frequentemente ignorada.
Hoje é comum ficar assistindo televisão no quarto ou trocando mensagens no celular até sentir vontade de dormir. E, sim, muita gente apaga o aparelho e depois os olhos sem problemas. Mas, de forma geral, isso é contraindicado porque a luz dos eletrônicos atrapalha o ciclo natural do descanso do corpo. Se você convive com a insônia, o efeito prejudicial sobre a indução do sono se fará sentir.
Por isso, medidas que desaceleram o organismo são importantes à noite (não só na hora de se deitar). Baixe a luminosidade da casa, não leve trabalho para o quarto, abafe os ruídos e fique longe das telas.
“Se você for para a cama e passar meia hora lá mas não conseguir dormir, não adianta ficar revirando. O ideal é sair da cama e fazer algo como uma leitura agradável e só voltar quando sentir sono. Isso ajuda a construir uma relação mais agradável com o local onde dormimos”, aconselha Drager.
As regras da higiene do sono
Elas valem para todo mundo, com ou sem insônia. O ideal é que à noite o corpo desacelere para que consiga repousar. Então evite atividades e bebidas estimulantes de duas a três horas antes de dormir, reduza a luz e o som da casa, não faça do seu quarto uma continuação do escritório e tente ficar longe de equipamentos eletrônicos pelo menos uns 30 minutos antes de se deitar. Outra dica: procure deixar o quarto agradável, limpo e escurinho, com colchão e travesseiro confortáveis. Finalmente, estabeleça rotina: crie e respeite horários para acordar e dormir.
Nem sempre, porém, a higiene do sono é suficiente. E aí é preciso investigar outros transtornos que sabotam o repouso noturno. E tratá-los. Muita gente não consegue dormir direito por causa de ansiedade, depressão e apneia, por exemplo.
Exames que avaliam a qualidade do sono, como a polissonografia, auxiliam a entender o que está rolando. E o encaminhamento a um médico especialista faz diferença para bolar a contraofensiva à insônia. Até porque existem medicamentos para essa finalidade. Eles literalmente desligam nosso estado de vigília e fazem a gente capotar. Mas são uma faca de dois gumes quando mal prescritos e utilizados.
“Os benzodiazepínicos, remédios tarja preta muito comuns nessa área, induzem um sono não natural e não reparador, além de causarem dependência”, afirma o presidente da ABS. Drager explica que hoje existem remédios mais novos, de outras classes, capazes de melhorar a entrada em todas as fases do sono de forma mais natural.
Ainda assim, eles precisam ser bem indicados pelo especialista e seu efeito tem de ser reavaliado de tempos em tempos. “Existe um problema crescente de dependência de remédios para dormir. E não é saudável tratar a insônia só com eles”, conclui o médico.
Até porque existem as intervenções não farmacológicas, como a psicoterapia. A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é considerada o padrão ouro nesse departamento. “A insônia envolve aspectos comportamentais, cognitivos e emocionais. É influenciada por hábitos, pensamentos e sentimentos”, sintetiza a psicóloga Ksdy Maiara Sousa, doutoranda na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Ela explica que, nas sessões, o paciente é instigado a entender sua rotina, as preocupações e outros fatores que incidem sobre o sono, e a aprender estratégias para lidar com tudo isso, como anotar os afazeres e não levar problema para a cama, além de meditação e técnicas de relaxamento.
A psicóloga conta que, se utilizados de forma correta e sinérgica, os medicamentos e as horas de terapia formam um combo de sucesso. “O remédio dá tempo para a pessoa melhorar os hábitos sem ficar com a ansiedade e a obrigação de ter que conseguir dormir logo que começa a terapia. Ele dá uma segurada enquanto o paciente entende e aprende as técnicas e ganha autonomia, podendo largar o medicamento depois”, justifica.
<em><strong>Clique na imagem para ampliar e aproximar</strong></em>ilustrações: Daniel Almeida/SAÚDE é Vital
Dieta e atividade física ajudam a dormir?
Um cardápio equilibrado e variado contribui para a regulação dos ciclos do organismo, o que tem consequências para o sono. Outra dica nessa seara é não exagerar na refeição à noite — isso realmente pesa na digestão e no descanso. Já a prática de exercícios comprovadamente melhora o repouso noturno. Ela faz o corpo gastar energia e liberar hormônios bem-vindos ao relaxamento depois. Mas é importante pontuar: o ideal é treinar no máximo três horas antes de ir para a cama. Senão a adrenalina não deixa a gente adormecer.
Independentemente do jeito de tratar, o ponto que todos os entrevistados sublinham é: não subestime a insônia!
O presidente da ABS afirma que muitos brasileiros não procuram ajuda por duas razões: a negligência com o sono, que os faz acreditar que se trata de um problema menor ou resolvido com soluções caseiras; e a dificuldade de acesso a especialistas, principalmente no SUS.
Precisamos dar mais valor ao sono. Isso já virou uma questão de saúde pública.
Os procedimentos estéticos são uma conquista da vida moderna que nos permite o conforto de focar não apenas na saúde propriamente dita mas também naquilo que gostaríamos de mudar para aumentar a autoestima. Porém, como esse é um mercado bilionário, há muitos aventureiros colocando em risco a vida das pessoas, especialmente a das mulheres.
Vejo com preocupação o crescimento do número de pacientes chegando ao consultório com problemas gravíssimos de saúde em decorrência de procedimentos obscuros ou mal feitos. Elas nem sequer sabem o que foi injetado em seu corpo.
Há quem diga que não passa de uma “reserva de mercado” o fato de o Conselho Federal de Medicina (CFM) e demais entidades martelarem que é preciso procurar um médico habilitado para fazer procedimentos estéticos e dermatológicos. Não se trata disso. A defesa do “ato médico” aqui envolve diretamente a segurança da paciente.
Existem milhares de mulheres no Brasil que foram mutiladas quando buscavam melhorar sua aparência para se sentirem mais bonitas e confiantes. Muitas acabam se expondo porque acreditam em informações falsas disseminadas na internet. Outras topam fazer o procedimento com não médicos ou com produtos ilegais em função do custo.
Em comum, todas são alvo fácil desse mercado. Entregaram seu corpo a quem não tinha a menor condição de cuidar delas. Por isso o meu alerta. A saúde dessas mulheres não tem preço. Não vale a pena se arriscar nesse tipo de situação.
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Enquanto você lê este artigo, uma mulher está tendo silicone industrial injetado no seu corpo, correndo inúmeros riscos. Sim, é um caso de saúde pública!
Isso nos leva a outro ponto importante: o preconceito contra as pessoas que passaram por esses “procedimentos” duvidosos e perigosos. Quem deveria acolher essa mulher, preservá-la e tratá-la nega atendimento porque não quer se envolver no “caso”. Tem gente que simplesmente diz que é culpa da paciente.
O fato é que as redes de saúde pública e privada não estão preparadas para enfrentar o problema. Negar que ele existe não fará com que desapareça; pelo contrário, aumentará o isolamento e a dor de quem vive com ele.
No consultório, acolho cada vez mais mulheres silenciadas, envergonhadas e sem nenhum tipo de apoio. Vejo esses casos, ouço as histórias e me comovo com elas. Nós precisamos discutir esse fenômeno e ir em busca de soluções e de atendimento qualificado. Já não podemos tapar o sol com a peneira.
Anéis planetários não são uma exclusividade de Saturno. Apesar de ser o primeiro planeta que vem à mente quando pensamos no assunto, ele divide a honraria com Urano, Netuno e Júpiter – além de exoplanetas e planetas anões.
Júpiter, por exemplo, é um gigante gasoso, assim como Saturno. Mas por que só o segundo desenvolveu anéis tão grandes e característicos?
Enquanto osanéis de Saturnosão formados por grandes pedaços de gelo e rochas, os de Júpiter sãocompostosde pequenas partículas de poeira. Eles são tão fracos que só é possível enxergá-los por trás de Júpiter quando estão iluminados pelo Sol – ou então com equipamentos de infravermelho, onde aparecem com um brilho fraco.
Se os anéis de Júpiter fossem parecidos em composição com os de Saturno, eles apareceriam mais brilhantes para nós, uma vez que Júpiter está mais próximo da Terra. Mas não é o caso. Os anéis de Júpiter são formados pelos impactos de pequenos meteoros nas luas do planeta. Os destroços ficam retidos naórbita, e precisam sempre de mais poeira para continuar existindo.
O problema de Júpiter é que suas luas são grandes demais, e atrapalham o acúmulo de aros de rocha e poeira. É o que sugere um novoestudo da Universidade da Califórnia Riverside.
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Para testar essa hipótese, os pesquisadores conduziram uma série de simulações de objetos orbitando o sistema do gigante gasoso. Elas levaram em conta o movimento da órbita de Júpiter e de suas quatro maiores luas (conhecidas como Luas deGalileupor terem sido descobertas pelo cientista no início do século XVII):Ganimedes(a maior lua do Sistema Solar, que supera o tamanho de Mercúrio), Calisto, Io eEuropa.
A partir dos testes, eles afirmam que é improvável que Júpiter desenvolva anéis no estilo dos de Saturno. Segundo eles, planetas massivos formam luas maiores, que destruiriam quaisquer tentativas de formação de anéis.
Asluas de Saturnotêm um papel importante na formação e manutenção de seus anéis. Contudo, uma lua grande o suficiente poderia romper gravitacionalmente os anéis, lançando gelo para fora da órbita do planeta.
Quando examinados detalhadamente, anéis planetários podem fornecer pistas importantes para descobrir aspectos violentos dahistória de um planeta. Eles oferecem evidências de colisões com luas ou cometas que podem ter ocorrido no passado. Forma, tamanho, e composição dos anéis oferecem uma indicação sobre o tipo de evento que os formou.
“Para nós, astrônomos, eles são os respingos de sangue nas paredes de uma cena de crime”,afirmaStephen Kane, um dos autores do estudo. “Quando olhamos para os anéis de planetas gigantes, é evidência de que algo catastrófico aconteceu para colocar esse material lá.”